Nada dura para sempre [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 1996
- Язык: португальский
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «Nada dura para sempre [em Português]». Краткое содержание книги:
“Senhoras e senhores, sabem quem foi a testemunha mais redundante de todas, durante este julgamento? - Apontou um dedo acusador a Paige: - A própria ré!
Ouviram-na testemunhar que nunca violara o sagrado juramento de Hipócrates, mas mentiu. Ouvimos testemunhos de que ela fizera uma transfusão ilegal e mais tarde falsificara o registo. Afirmou nunca ter morto qualquer doente à excepção de John Cronin, mas ouvimos testemunhos de que o doutor Barker, um médico respeitado por todos, a acusara de ter morto um seu doente.
“Infelizmente, senhoras e senhores, Lawrence Barker sofreu um enfarte e não pode estar aqui hoje para testemunhar contra a ré. Mas permitam que vos recorde a opinião que o doutor Barker tinha da ré. Este é o doutor Peterson, que testemunha sobre um doente a quem a doutora Taylor operou.
Leu a transcrição: - “O doutor Barker entrou na sala de operações durante a cirurgia?” - “Sim.” E o doutor Barker disse alguma coisa?
- Resposta: “Voltou-se para a doutora Taylor e disse: Você matou-o.
- Esta é da enfermeira Berry. “Conte algumas coisas específicas que ouviu o doutor Barker dizer à doutora Taylor.
- Resposta: “Disse que ela era incompetente… Noutra altura afirmou que não a deixaria operar o seu cão.” Gus Venable levantou a cabeça:
- Ou existe alguma conspiração, onde todos estes médicos e enfermeiras de boa reputação mentem acerca da ré, ou a doutora Taylor é uma mentirosa.
Não só mentirosa, como patologicamente…
A porta do fundo da sala de tribunal abriu-se, dando passagem a um ajudante. Parou um momento à entrada, tentando tomar uma decisão. Em seguida, percorreu a passagem entre as cadeiras e aproximou-se de Gus Venable.
- Sir…
Gus Venable voltou-se, furioso:
- Não vê que eu…?
O ajudante segredou-lhe ao ouvido.
Gus Venable olhou para ele, abismado:
- O quê? Isso é maravilhoso.
A juíza Young inclinou-se para a frente e disse muito baixinho:
- Perdoem a interrupção, mas o que estão exatamente a fazer?
Gus Venable virou-se para a magistrada, excitado:
- Meritíssima, acabei de ser informado que o doutor Lawrence Barker está no lado de fora desta sala. Veio numa cadeira de rodas, mas está em condições de testemunhar. Gostaria de o chamar ao banco das testemunhas.
Levantou-se um murmúrio na sala.
Alan Penn levantou-se:
- Protesto! - gritou. - A acusação está a meio do seu sumário. Não há motivo para chamar uma nova testemunha numa hora tão tardia. Eu…
A juíza Young bateu com o martelo:
- Queiram fazer o favor de se aproximarem da tribuna.
Penn e Venable dirigiram-se à tribuna.
- Isto é bastante irregular, meritíssima. Oponho-me…
A juíza Young disse:
- Tem razão quando diz ser irregular, doutor Penn, mas está enganado quando diz não haver motivo. Posso citar uma dúzia de casos por todo o país, onde as testemunhas materiais foram autorizadas a testemunhar em circunstâncias especiais. Na realidade, se está tão interessado em motivos, deverá ler o caso que teve lugar nesta sala há cinco anos. Aconteceu que fui eu a juíza.
Alan Penn engoliu em seco:
- Isso significa que vai autorizar que ele testemunhe? A juíza Young ficou pensativa:
- Uma vez que o doutor Barker é uma testemunha material para este caso e estava impossibilitado de testemunhar mais cedo, no interesse da justiça vou permitir que ele apresente o seu testemunho.
- Excepção! Nada prova que a testemunha é competente para testemunhar.
Exijo uma equipa de psiquiatras…
- Doutor Penn, nesta sala de tribunal, nós não exigimos. Nós pedimos. - Voltou-se para Gus Venable. - Pode mandar entrar a sua testemunha.
Alan Penn permaneceu imóvel, sentindo-se derrotado.
“Acabou tudo”, pensou. “Tudo se desmoronou.” Gus Venable virou-se para o ajudante.
- Mande entrar o doutor Barker.
A porta abriu-se lentamente e o Dr. Lawrence Barker, numa cadeira de rodas, entrou na sala de tribunal. Tinha a cabeça inclinada e num dos lados do rosto notava-se um ligeiro rito.
Todos olharam para a figura pálida e frágil a ser empurrada até à frente da sala. Quando passou por Paige, levantou a cabeça e olhou para ela.
Nada havia de amigável no seu olhar, o que fez com que Paige se lembrasse das suas últimas palavras: “Quem raio julga que…?”
Quando Lawrence Barker já se encontrava perante o banco, a juíza Young inclinou-se para a frente e perguntou gentilmente:
- Doutor Barker, está em condições de testemunhar hoje? Quando Barker falou, mal se lhe ouviam as palavras:
- Estou, meritíssima.
- Está totalmente ciente do que se passa nesta sala de tribunal?
- Sim, meritíssima. - Olhou para onde Paige estava sentada.
- Aquela mulher está a ser julgada pelo assassinato de um doente.
Paige estremeceu. “Aquela mulher!”
A juíza Young tomou a decisão. Virou-se para o almoxarife.
- Por favor, pode fazer a testemunha prestar juramento? Depois de o Dr.
Barker ter prestado juramento, a juíza Young disse:
- Pode ficar na cadeira, doutor Barker. A acusação poderá prosseguir e irá permitir que a defesa contra-interrogue.
Gus Venable sorriu:
- Obrigado, meritíssima. - Aproximou-se da cadeira de rodas.
- Doutor, não vamos empatá-lo muito tempo e o tribunal agradece-lhe sinceramente que tenha vindo testemunhar nestas circunstâncias tão penosas. Tem conhecimento de algum dos testemunhos que aqui foram apresentados durante o último mês? O Dr. Barker anuiu:
- Tenho seguido o caso pela televisão e através dos jornais e ficado enojado com tudo.
Paige tapou a cara com as mãos.
Era tudo o que Gus Venable podia fazer para esconder a sensação de triunfo.
- Tenho a certeza de que muitos de nós se sentem da mesma maneira, doutor - disse a acusação, respeitosamente.
- Vim aqui porque quero que a justiça seja feita.
Venable sorriu:
- Exatamente. Tal como nós.
Lawrence Barker respirou fundo e, quando falou, a voz soou cheia de fúria:
- Então, por que raio levou a doutora Taylor a julgamento? Venable julgou ter percebido maclass="underline"
- Como disse?
- Este julgamento é uma farsa!
Paige e Alan Penn olharam-se entre si, abismados.
Gus Venable empalideceu:
- Doutor Barker…
- Não me interrompa - afirmou Barker. - O senhor utilizou o testemunho de muitas pessoas tendenciosas e invejosas para atacar uma cirurgiã brilhante. Ela…
- Um momento! - Venable começava a entrar em pânico. - Não é verdade que criticou as capacidades da doutora Taylor de tal forma que a deixou pronta para deixar o Embarcadero Hospital?
- Sim.
Gus Venable começou a sentir-se melhor:
- Bem, então - disse em tom benevolente - como pode afirmar que Paige Taylor é uma médica brilhante?
- Porque acontece que é a verdade.
Barker virou-se para olhar para Paige e, quando tornou a falar, conversava com ela como se estivessem somente duas pessoas na sala:
- Algumas pessoas nascem para ser médicas. Você é uma dessas raridades.
Desde o início que percebi como você era capaz.
Dificultei-lhe a vida, talvez de mais, porque você era boa.
Fui duro para si porque quis que fosse mais dura consigo mesma. Quis que fosse perfeita porque, na nossa profissão, não existe espaço para erros.
Nenhum.
Paige olhava para ele, mesmerizada, com a mente às voltas.
Tudo estava a acontecer muito depressa.
A sala ficou silenciosa.
- Nunca permitiria que deixasse o hospital.
Gus Venable começava a sentir que a vitória lhe fugia.
A sua grande testemunha tinha-se tornado no seu pior pesadelo.