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Nada dura para sempre [em Português]

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Nada dura para sempre [em Português]
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- Um-um-cinco, urgências… Está lá…?

- So… corro! Eu… está aqui… - Engasgara-se com as suas próprias palavras.

- El… ela está morta.

- Quem está morta, miss?

- Kat.

- A sua gata (em inglês, cat) morreu?

- Não! - gritou Honey. - Kat está morta. Mande alguém para cá, imediatamente.

- Minha senhora…

Honey desligou o telefone. Com os dedos a tremer, discou o número do hospital.

- A doutora Taylor. - A voz parecia um murmúrio de agonia.

- Um momento, por favor.

Honey apertou o telefone e esperou dois minutos até ouvir a voz de Paige:

- Doutora Taylor.

- Paige! Tens… tens de vir imediatamente para casa!

- Honey? O que aconteceu?

- A Kat está… morta.

- O quê? - A voz de Paige soou incrédula. - Como? -Parece… parece que tentou fazer ela mesma um aborto.

- Oh, meu Deus! Está bem. Estarei aí o mais depressa possível.

Quando Paige chegou ao apartamento, estavam lá dois polícias, um detetive e um inspetor. Honey estava no quarto dela, com uma grande dose de calmantes. O inspetor estava inclinado sobre o corpo nu de Kat. O detetive levantou a cabeça quando Paige entrou na casa de banho ensanguentada.

- Quem é a senhora?

Paige olhou para o corpo sem vida. Estava pálida.

- Sou a doutora Taylor. Vivo aqui.

- Talvez a senhora possa ajudar-me. Sou o inspetor Burns.

Já tentei falar com a outra senhora que vive aqui.

Está histérica. O médico deu-lhe um calmante.

Paige desviou o olhar da terrível cena que estava no chão.

- O que… que deseja saber?

- Ela morava aqui?

- Sim.

“Vou ter o filho de Ken. Até que ponto será bom?” - Parece que ela tentou livrar-se da criança e estragou tudo - disse o detetive.

Paige ficou ali, com a cabeça a rodar. Quando conseguiu falar, disse:

- Não acredito nisso.

O inspetor Burns estudou-a por momentos:

- Porque é que não acredita nisso, doutora?

- Ela queria ter o bebê. - Começava de novo a pensar com clareza. - O pai é que não queria.

- O pai?

- O doutor Ken Mallory. Trabalha no Embarcadero County Hospital. Não queria casar-se com ela. Oiça, Kat é… era… - tornava-se doloroso dizer que “era” - médica. Se ela quisesse fazer um aborto, de modo algum tentaria fazê-lo ela própria na casa de banho. - Paige abanou a cabeça. - Aqui há algo errado.

O médico levantou-se, afastando-se do corpo.

- Talvez tivesse tentado sozinha por não querer que mais ninguém soubesse da existência do bebê.

- Isso não é verdade. Foi ela quem nos contou.

O inspetor Burns olhou para Paige e perguntou:

- Ela passou a noite sozinha?

- Não. Tinha um encontro com o doutor Mallory.

Ken Mallory estava deitado, a rever cuidadosamente os acontecimentos dessa noite. Reviu todos os passos, certificando-se de que não havia pontas soltas. “Perfeito” decidiu. Permaneceu deitado, a pensar no porquê da polícia levar tanto tempo a chegar e, enquanto pensava nisso, a campainha tocou. Mallory deixou-a tocar três vezes e depois levantou-se, vestiu um roupão e dirigiu-se à sala de estar.

Aproximou-se da porta:

- Quem é? - A voz soou ensonada.

Alguém perguntou:

- Doutor Mallory?

- Sim.

- Inspetor Burns. Departamento da Polícia de São Francisco.

- Departamento da Polícia? - Deu à voz o tom de surpresa exato. Mallory abriu a porta.

O homem que ali se encontrava mostrou o distintivo.

- Posso entrar?

- Sim. O que se passa?

- Conhece uma doutora Hunter?

- Claro que sim. - Surgiu-lhe no rosto uma expressão de alarme. - Aconteceu alguma coisa a Kat?

- Esteve com ela esta noite?

- Sim. Meu Deus! Diga-me o que aconteceu! Ela está bem?

- Lamento, mas tenho uma má notícia. A doutora Hunter morreu.

- Morreu? Não posso acreditar. Como?

- Aparentemente, tentou fazer sozinha um aborto e correu mal.

- Oh, meu Deus! - disse Mallory. Afundou-se numa cadeira.

- A culpa é minha.

O inspetor examinava-o:

- Sua a culpa?

- Sim. Eu… A doutora Hunter e eu íamos casar. Disse-lhe que achava que não era muito boa ideia ter um filho agora.

Quis esperar e ela concordou. Sugeri-lhe que fosse para o hospital para cuidarem dela, mas ela deve ter decidido… não… não consigo acreditar.

- A que horas saiu, doutor Mallory?

- Deviam ser cerca das dez horas. Deixei-a à porta e parti.

- Não entrou no apartamento?

- Não.

- A doutora Hunter falou sobre o que tinha planejado fazer?

- Quer dizer, sobre o…? Não. Nem uma única palavra.

O inspetor Burns tirou um cartão do bolso.

- Doutor, se se lembrar de mais alguma coisa que possa ser útil, agradeçolhe que me telefone.

- Com certeza. Eu… nem calcula o choque que isto foi.

Paige e Honey passaram toda a noite acordadas, a conversar sobre o que sucedera a Kat, a rever tudo uma e outra vez, sem conseguirem acreditar.

Às nove horas, apareceu o inspetor Burns.

- Bom dia. Quis comunicar-lhe s de que falei ontem à noite com o doutor Mallory.

- Ele está a mentir - assegurou Paige. Ficou pensativa:

- Espere! Encontraram algum vestígio de sêmen no corpo de Kat?

- Sim, de fato encontraram.

- Bem, então - disse Paige, excitada -, isso prova que ele está a mentir. Ele levou-a mesmo para a cama e…

- Esta manhã fui falar com ele sobre isso. Diz que tiveram relações antes de saírem para jantar.

- Oh. - Não iria desistir. - As impressões digitais dele estarão na cureta que utilizou para a matar. - A voz soou ansiosa. - Encontrou impressões digitais?

- Sim, doutora - respondeu, pacientemente. - Eram dela.

- Isso é imp… Espere! Então, ele usou luvas e quando terminou, colocou as impressões dela na cureta. O que é que acha?

- Acho que alguém andou a ver demasiados episódios da série televisiva Crime, Disse ele.

- O senhor não acredita que Kat foi assassinada, não é?

- Lamento, mas não.

- Já fizeram a autópsia?

- Sim.

- E?

- O médico classificou a morte de acidental. O doutor Mallory disse-me que ela decidiu não ter o bebê, por isso aparentemente ela…

- Foi para a casa de banho e golpeou-se a si própria? - interrompeu Paige. - Por amor de Deus, inspetor! Ela era médica, uma cirurgiã! De modo algum faria uma coisa dessas a si própria.

O inspetor Burns perguntou, pensativamente:

- Acha que Mallory a persuadiu a fazer um aborto, tentou ajudá-la e depois saiu quando as coisas correram mal? Paige abanou a cabeça:

- Não. Não podia ter acontecido assim. Kat nunca teria concordado. Ele matou-a premeditadamente. - Estava a pensar em voz alta: - Kat era forte.

Teria de estar inconsciente para que ele… conseguisse fazer o que fez.

- A autópsia não apresenta sinais de pancada ou de qualquer outra coisa que pudesse tê-la deixado inconsciente. Nenhuma nódoa negra na garganta…

- Havia vestígios de soníferos ou…?

- Nada. - Reparou na expressão do rosto de Paige.

- Não me parece que tivesse sido um assassinato. Julgo que a doutora Hunter fez um mau juízo e… desculpe.

Viu-o dirigir-se para a porta.

- Espere! - disse Paige. - O senhor tem um motivo.

Ele voltou-se.

- Nem por isso. Mallory diz que ela concordou em fazer o aborto. Isso não nos deixa muita coisa, não é?

- Deixa-vos com um assassinato - respondeu Paige, insistentemente.

- Doutora, o que não temos é qualquer prova. É a palavra dele contra a da vítima e esta morreu. Lamento imenso.

Paige viu-o retirar-se.

“Não deixarei que Ken Mallory se escape desta”, pensou, desesperada.

Jason foi visitar Paige.

- Soube o que aconteceu - disse. - Nem consigo acreditar! Como é que ela foi capaz de fazer o que fez?

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