Nada dura para sempre [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 1996
- Язык: португальский
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «Nada dura para sempre [em Português]». Краткое содержание книги:
- Um-um-cinco, urgências… Está lá…?
- So… corro! Eu… está aqui… - Engasgara-se com as suas próprias palavras.
- El… ela está morta.
- Quem está morta, miss?
- Kat.
- A sua gata (em inglês, cat) morreu?
- Não! - gritou Honey. - Kat está morta. Mande alguém para cá, imediatamente.
- Minha senhora…
Honey desligou o telefone. Com os dedos a tremer, discou o número do hospital.
- A doutora Taylor. - A voz parecia um murmúrio de agonia.
- Um momento, por favor.
Honey apertou o telefone e esperou dois minutos até ouvir a voz de Paige:
- Doutora Taylor.
- Paige! Tens… tens de vir imediatamente para casa!
- Honey? O que aconteceu?
- A Kat está… morta.
- O quê? - A voz de Paige soou incrédula. - Como? -Parece… parece que tentou fazer ela mesma um aborto.
- Oh, meu Deus! Está bem. Estarei aí o mais depressa possível.
Quando Paige chegou ao apartamento, estavam lá dois polícias, um detetive e um inspetor. Honey estava no quarto dela, com uma grande dose de calmantes. O inspetor estava inclinado sobre o corpo nu de Kat. O detetive levantou a cabeça quando Paige entrou na casa de banho ensanguentada.
- Quem é a senhora?
Paige olhou para o corpo sem vida. Estava pálida.
- Sou a doutora Taylor. Vivo aqui.
- Talvez a senhora possa ajudar-me. Sou o inspetor Burns.
Já tentei falar com a outra senhora que vive aqui.
Está histérica. O médico deu-lhe um calmante.
Paige desviou o olhar da terrível cena que estava no chão.
- O que… que deseja saber?
- Ela morava aqui?
- Sim.
“Vou ter o filho de Ken. Até que ponto será bom?” - Parece que ela tentou livrar-se da criança e estragou tudo - disse o detetive.
Paige ficou ali, com a cabeça a rodar. Quando conseguiu falar, disse:
- Não acredito nisso.
O inspetor Burns estudou-a por momentos:
- Porque é que não acredita nisso, doutora?
- Ela queria ter o bebê. - Começava de novo a pensar com clareza. - O pai é que não queria.
- O pai?
- O doutor Ken Mallory. Trabalha no Embarcadero County Hospital. Não queria casar-se com ela. Oiça, Kat é… era… - tornava-se doloroso dizer que “era” - médica. Se ela quisesse fazer um aborto, de modo algum tentaria fazê-lo ela própria na casa de banho. - Paige abanou a cabeça. - Aqui há algo errado.
O médico levantou-se, afastando-se do corpo.
- Talvez tivesse tentado sozinha por não querer que mais ninguém soubesse da existência do bebê.
- Isso não é verdade. Foi ela quem nos contou.
O inspetor Burns olhou para Paige e perguntou:
- Ela passou a noite sozinha?
- Não. Tinha um encontro com o doutor Mallory.
Ken Mallory estava deitado, a rever cuidadosamente os acontecimentos dessa noite. Reviu todos os passos, certificando-se de que não havia pontas soltas. “Perfeito” decidiu. Permaneceu deitado, a pensar no porquê da polícia levar tanto tempo a chegar e, enquanto pensava nisso, a campainha tocou. Mallory deixou-a tocar três vezes e depois levantou-se, vestiu um roupão e dirigiu-se à sala de estar.
Aproximou-se da porta:
- Quem é? - A voz soou ensonada.
Alguém perguntou:
- Doutor Mallory?
- Sim.
- Inspetor Burns. Departamento da Polícia de São Francisco.
- Departamento da Polícia? - Deu à voz o tom de surpresa exato. Mallory abriu a porta.
O homem que ali se encontrava mostrou o distintivo.
- Posso entrar?
- Sim. O que se passa?
- Conhece uma doutora Hunter?
- Claro que sim. - Surgiu-lhe no rosto uma expressão de alarme. - Aconteceu alguma coisa a Kat?
- Esteve com ela esta noite?
- Sim. Meu Deus! Diga-me o que aconteceu! Ela está bem?
- Lamento, mas tenho uma má notícia. A doutora Hunter morreu.
- Morreu? Não posso acreditar. Como?
- Aparentemente, tentou fazer sozinha um aborto e correu mal.
- Oh, meu Deus! - disse Mallory. Afundou-se numa cadeira.
- A culpa é minha.
O inspetor examinava-o:
- Sua a culpa?
- Sim. Eu… A doutora Hunter e eu íamos casar. Disse-lhe que achava que não era muito boa ideia ter um filho agora.
Quis esperar e ela concordou. Sugeri-lhe que fosse para o hospital para cuidarem dela, mas ela deve ter decidido… não… não consigo acreditar.
- A que horas saiu, doutor Mallory?
- Deviam ser cerca das dez horas. Deixei-a à porta e parti.
- Não entrou no apartamento?
- Não.
- A doutora Hunter falou sobre o que tinha planejado fazer?
- Quer dizer, sobre o…? Não. Nem uma única palavra.
O inspetor Burns tirou um cartão do bolso.
- Doutor, se se lembrar de mais alguma coisa que possa ser útil, agradeçolhe que me telefone.
- Com certeza. Eu… nem calcula o choque que isto foi.
Paige e Honey passaram toda a noite acordadas, a conversar sobre o que sucedera a Kat, a rever tudo uma e outra vez, sem conseguirem acreditar.
Às nove horas, apareceu o inspetor Burns.
- Bom dia. Quis comunicar-lhe s de que falei ontem à noite com o doutor Mallory.
- Ele está a mentir - assegurou Paige. Ficou pensativa:
- Espere! Encontraram algum vestígio de sêmen no corpo de Kat?
- Sim, de fato encontraram.
- Bem, então - disse Paige, excitada -, isso prova que ele está a mentir. Ele levou-a mesmo para a cama e…
- Esta manhã fui falar com ele sobre isso. Diz que tiveram relações antes de saírem para jantar.
- Oh. - Não iria desistir. - As impressões digitais dele estarão na cureta que utilizou para a matar. - A voz soou ansiosa. - Encontrou impressões digitais?
- Sim, doutora - respondeu, pacientemente. - Eram dela.
- Isso é imp… Espere! Então, ele usou luvas e quando terminou, colocou as impressões dela na cureta. O que é que acha?
- Acho que alguém andou a ver demasiados episódios da série televisiva Crime, Disse ele.
- O senhor não acredita que Kat foi assassinada, não é?
- Lamento, mas não.
- Já fizeram a autópsia?
- Sim.
- E?
- O médico classificou a morte de acidental. O doutor Mallory disse-me que ela decidiu não ter o bebê, por isso aparentemente ela…
- Foi para a casa de banho e golpeou-se a si própria? - interrompeu Paige. - Por amor de Deus, inspetor! Ela era médica, uma cirurgiã! De modo algum faria uma coisa dessas a si própria.
O inspetor Burns perguntou, pensativamente:
- Acha que Mallory a persuadiu a fazer um aborto, tentou ajudá-la e depois saiu quando as coisas correram mal? Paige abanou a cabeça:
- Não. Não podia ter acontecido assim. Kat nunca teria concordado. Ele matou-a premeditadamente. - Estava a pensar em voz alta: - Kat era forte.
Teria de estar inconsciente para que ele… conseguisse fazer o que fez.
- A autópsia não apresenta sinais de pancada ou de qualquer outra coisa que pudesse tê-la deixado inconsciente. Nenhuma nódoa negra na garganta…
- Havia vestígios de soníferos ou…?
- Nada. - Reparou na expressão do rosto de Paige.
- Não me parece que tivesse sido um assassinato. Julgo que a doutora Hunter fez um mau juízo e… desculpe.
Viu-o dirigir-se para a porta.
- Espere! - disse Paige. - O senhor tem um motivo.
Ele voltou-se.
- Nem por isso. Mallory diz que ela concordou em fazer o aborto. Isso não nos deixa muita coisa, não é?
- Deixa-vos com um assassinato - respondeu Paige, insistentemente.
- Doutora, o que não temos é qualquer prova. É a palavra dele contra a da vítima e esta morreu. Lamento imenso.
Paige viu-o retirar-se.
“Não deixarei que Ken Mallory se escape desta”, pensou, desesperada.
Jason foi visitar Paige.
- Soube o que aconteceu - disse. - Nem consigo acreditar! Como é que ela foi capaz de fazer o que fez?