Nada dura para sempre [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 1996
- Язык: португальский
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «Nada dura para sempre [em Português]». Краткое содержание книги:
Paige assinou o papel ainda confusa.
- Adeus, doutora.
Acompanhou-o à porta e sentou-se a pensar em John Cronin.
A notícia da herança de Paige era tema de conversa em todo o hospital. Por um lado, Paige desejara que ninguém soubesse do assunto. Ainda não tinha decidido o que fazer com o dinheiro.
“Não me pertence”, pensou. “Ele tinha família.”
Paige ainda não estava emocionalmente apa a regressar ao trabalho, mas os doentes precisavam dela. Tinha uma operação marcada para essa manhã.
Arthur Kane esperava por Paige no corredor. Nunca mais tinham falado um com o outro, desde o incidente das radiografias invertidas. Embora Paige não tivesse provas de que fora Kane, o acontecimento tinha-a marcado profundamente.
- Olá, Paige. Vamos esquecer tudo o que se passou.
O que diz a isso?
Paige encolhe u os ombros: - Está bem.
- Não acha terrível o caso de Ken Mallory? - perguntou.
- Sim - respondeu Paige.
Kane olhou para ela, pelo canto do olho:
- Consegue imaginar um médico a matar deliberadamente um ser humano?
É horrível, não acha?
- Sim. - “A propósito - disse - parabéns. Soube que é milionária.
- Não vejo…
- Tenho bilhe tes para a peça de teatro desta noite, Paige.
Pensei que pudéssemos ir os dois.
- Obrigada - agradeceu Paige. - Estou comprometida com outra pessoa.
- Então, sugiro que quebre o compromisso.
Olhou para ele, surpreendida:
- Como disse?
Kane aproximou-se mais dela:
- Mandei fazer uma autópsia a John Cronin.
Paige sentiu que o coração batia mais depressa:
- Sim?
- Não morreu de ataque cardíaco. Alguém lhe deuuma dose excessiva de insulina. Acho que esse alguém em particular não contou com uma autópsia.
A boca de Paige ficou subitamente seca.
- Você estava presente quando ele morreu, não estava? Hesitou:
- Sim.
- Só eu sei disso e só eu tenho o relatório. - Deu-lhe uma palmadinha no ombro. - E a minha boca está selada. Agora, quanto aos bilhe tes desta noite…
Paige afastou-se dele:
- Não!
- Tem a certeza de que sabe o que está a fazer? Respirou fundo:
- Sim. Agora, se me der licença… - E afastou-se.
Kane olhou para ela e o rosto endureceu. Deu meia volta e dirigiu-se ao gabinete do Dr. Benjamin Wallace.
O telefone acordou-a à uma da manhã, no apartamento.
- Foste outra vez muito malandra.
Era de novo a mesma voz rouca, tentando disfarçar falando num sussurro, mas desta vez Paige reconheceu-a.
“Meu Deus”, pensou, eu tinha razão em ter medo.
Na manhã seguinte, quando Paige chegou ao hospital, dois homens esperavam-na.
- Doutora Paige Taylor?
- Sim.
- Tem de nos acompanhar. Está presa pelo assassinato de John Cronin.
Era o último dia do julgamento de Paige. Alan Penn, o advogado de defesa, expunha o seu sumário ao júri.
- Senhoras e senhores, já ouviram muitos testemunhos acerca da competência ou incompetência da doutora Taylor. Bom, a juíza Young dirvos- á que não é esse o assunto que se está a tratar neste julgamento. Tenho a certeza que, para cada médico que não aprovou o trabalho dela, poderíamos arranjar uma dúzia que aprovou. Mas não se trata disso.
“Paige Taylor está a ser julgada pela morte de John Cronin.
Admitiu tê-lo ajudado a morrer. Fê-lo porque ele sofria muito e porque lhe pediu que o fizesse. Isso é eutanásia, cada vez mais aceite em todo o mundo. No ano passado, o Tribunal Superior de Califórnia defendeu o direito de um adulto mentalmente competente recusar ou exigir a retirada de qualquer tipo de tratamento médico.
É o indivíduo que tem de viver ou morrer durante o curso do tratamento escolhido ou rejeitado. - Olhou para o rosto dos jurados: - A eutanásia é um crime de compaixão, de misericórdia, e atrevo-me a dizer que acontece de uma ou outra maneira em hospitais de todo o mundo.
O advogado de acusação apela à pena de morte. Não o deixem confundir o assunto. Nunca houve pena de morte para a eutanásia. Sessenta e três por cento dos Americanos acreditam que a eutanásia devia ser legal e, em dezoito estados deste país, é legal. A pergunta é: temos o direito de obrigar doentes indefesos a viver com dores, forçá-los a manterem-se vivos e a sofrer? A pergunta tornou-se complicada devido aos grandes avanços ocorridos na tecnologia médica. Entregámos a máquinas os cuidados a ter com os doentes. As máquinas não são misericordiosas. Se um cavalo partir uma pata, acabamos com o seu sofrimento dando-lhe um tiro. Com um ser humano, condenamo-lo a metade da vida, o que é infernal.
“A doutora Taylor não decidiu quando é que John Cronin deveria morrer.
John Cronin é que decidiu. Não confundam o caso; o que a doutora Taylor fez foi um ato de misericórdia.
Assumiu toda a responsabilidade desse ato. Mas podem ter a certeza de que ela nada sabia da herança que lhe fora deixada.
O que fez, fê-lo num espírito de compaixão. John Cronin era um homem de coração fraco com um cancro incurável que se espalhara por todo o corpo, causando-lhe agonia. Perguntem-se a vós próprios. Nessas circunstâncias, gostariam de continuar a viver? Obrigado. - Deu meia volta, regressou à mesa e sentou-se ao lado de Paige.
Venable levantou-se e aproximou-se do júri:
- Compaixão? Misericórdia? - Olhou para Paige, abanou a cabeça e tornou a virar-se para o júri: - Senhoras e senhores, exerço direito em tribunais há mais de vinte anos e devo dizer-lhe s que, durante todos esses anos nunca, mas nunca, vi um caso tão claro de assassinato deliberado a sangue-frio e só por dinheiro.
Paige, tensa e pálida, escutava cada palavra.
- A defesa falou de eutanásia. Será que a doutora Taylor fez o que fez por compaixão? Não acredito.
A doutora Taylor e outros testemunharam que o senhor Cronin tinha apenas mais alguns dias de vida. Porque é que ela não o deixou viver esses dias? Talvez tenha sido porque a doutora Taylor receou que a senhora Cronin viesse a saber das alterações ao testamento do marido, e assim acabou com o problema.
“É uma coincidência bastante notável que, imediatamente após o senhor Cronin ter alterado o testamento e deixado à doutora Taylor a soma de um milhão de dólares, ela lhe dê uma dose excessiva de insulina para o matar.
“Uma e outra vez, a ré condenou-se a si mesma com as suas próprias palavras. Afirmou que tinha um relacionamento amigável com John Cronin, que ele gostava dela e a respeitava.
Mas ouviram testemunhas afirmarem que ele odiava a doutora Taylor, que a chamou de “aquela puta” e lhe disse para manter a merda das suas mãos longe dele.
Gus Venable olhou novamente para a ré. Notava-se um ar de desespero no rosto de Paige. Voltou-se para o júri:
- Um advogado testemunhou que a doutora Taylor disse, sobre o milhão de dólares que lhe tinham sido deixados: “É pouco ético. Ele era meu doente.” Mas aceitou o dinheiro. Precisava dele. Tinha em casa uma gaveta cheia de revistas de viagens…
Paris, Londres, a Riviera.
E não se esqueçam de que ela não voltou à agência de viagens depois de receber o dinheiro. Oh, não. planejou essas viagens antes. Tudo o que precisava era de dinheiro e de uma oportunidade; e John Cronin forneceu ambas as coisas. Um homem indefeso e moribundo a quem podia controlar.
Tinha à sua mercê um homem que admitiu estar a sofrer muito… isto é, estar em agonia, segundo o que ela mesmo admitiu. Quando se sofre assim, pode-se imaginar como é difícil pensar com clareza. Não sabemos como é que a doutora Taylor persuadiu John Cronin a alterar o testamento, retirando a família a quem amava e tornando-a na sua principal beneficiária. O que realmente sabemos é que a chamou para junto de si nessa noite fatal. De que é que falaram? Terá ele oferecido um milhão de dólares para que ela acabasse com o seu sofrimento? É uma possibilidade que temos de encarar. Em qualquer dos casos, foi um assassinato a sanguefrio.