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Nada dura para sempre [em Português]

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Nada dura para sempre [em Português]
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- Kat, tenho de falar contigo. Há por aí algum quarto vazio? Pensou por momentos:

- Saiu um doente do quarto trezentos e quinze. Vamos para lá.

Começaram a atravessar o corredor. Uma enfermeira aproximou-se deles.

- Doutor Mallory! O doutor Peterson tem andado à sua procura. Ele…

- Diga-lhe que estou ocupado. - Pegou no braço de Kat e conduziu-a até ao elevador.

Quando chegaram ao terceiro andar, percorreram silenciosamente o corredor e entraram no quarto 315. Mallory fechou a porta atrás deles.

Estava a arfar. Todo o seu futuro dourado dependia dos próximos minutos.

Pegou na mão de Kat. Chegara o momento de ser sincero.

- Kat, sabes que sou louco por ti. Nunca senti por ninguém o que sinto por ti. Mas, querida, a ideia de termos agora um filho… bem… não vês que é o momento errado? ‘Quero dizer… ambos trabalhamos dia e noite, não ganhamos o suficiente para…

- Mas cá nos arranjaremos - afirmou Kat. - Amo-te, Ken, e eu…

- Espera. Só estou a pedir para adiar tudo por uns tempos.

Deixa-me terminar o estágio no hospital e começar a praticar clínica privada em qualquer lugar. Talvez regressemos para o leste. Dentro de alguns anos já estaremos em condições para casar e ter um filho.

- Dentro de alguns anos? Mas já te disse que estou grávida.

- Eu sei, querida, mas só passaram quantos… dois meses? Ainda tens muito tempo para fazer um aborto.

Kat olhou para ele, chocada:

- Não! Não farei nenhum aborto. Quero que nos casemos imediatamente.

Já.

“Temos um iate no Sul de França. Gostariam de passar a lua-de-mel na Riviera Francesa? Podem ir de avião até ao nosso Guljstream.” -Já disse a Paige e a Honey que nos vamos casar.

Elas serão as minhas damas de honor. E já lhe s contei tudo sobre o bebê.

Mallory sentiu um calafrio a percorrer-lhe o corpo. As coisas estavam a fugir do seu controlo. Se os Harrisons soubessem disto, acabariam consigo.

- Não o devias ter feito.

- Porque não?

Mallory forçou um sorriso:

- Quero manter privada a nossa vida particular. - “Vou montar a sua própria clínica… Deve conseguir fazer duzentos a trezentos mil dólares no primeiro ou segundo ano.” - Kat, vou pedir-te pela última vez. Fazes um aborto? - Esperava que ela dissesse sim e fez a pergunta tentando esconder o desespero que sentia.

- Não.

- Kat…

- Não posso, Ken. Contei-te o que senti no aborto que fiz quando era garota. Jurei que nunca mais passaria pelo mesmo.

Não me peças isso.

E foi nesse momento que Ken Mallory percebeu que não podia correr riscos. Não havia alternativa. Teria de a matar.

Todos os dias Honey sentia-se ansiosa por ver o doente do quarto 316.

Chamava-se Sean Kelly e era um irlandês bem-parecido, de cabelos e olhos negros muito brilhantes.

Honey calculava que ele tivesse cerca de quarenta anos.

Quando o conheceu numa das rondas, olhou para o gráfico dele e disse:

- Vejo que está aqui devido a uma colecistectomia.

- Pensei que me fosse tirar a vesícula biliar.

Honey sorriu:

- É a mesma coisa.

Sean fixou nela os seus olhos negros:

- Podem tirar tudo o que quiserem, menos o meu coração. Esse pertencelhe .

Honey desatou a rir:

- Os elogios hão-de levá-lo a todos os lados.

- Assim o espero, querida.

Sempre que Honey tinha tempo, ia ao quarto para conversar com Sean. Era encantador e divertido.

- Vale a pena ser operado só para a ter por perto, queridinha.

- Não está nervoso por causa da operação? - perguntou.

- Não, se for você a operar, amor.

- Não sou cirurgiã. Sou interna.

- Os internos têm permissão para jantar com os seus doentes?

- Não. Há uma regra contra isso.

- Os internos cumprem sempre as regras?

- Sempre - respondeu Honey a sorrir.

- Acho-a bonita - disse Sean.

Nunca ninguém lhe tinha dito isso. Ficou corada.

- Obrigada.

- Você faz-me lembrar o orvalho fresco da manhã nos campos de Killarney.

- Já esteve na Irlanda? - perguntou Honey.

Ele riu-se:

- Não, mas prometo-lhe que iremos até lá juntos. Verá.

Era uma ridícula bajulação irlandesa e, no entanto…

Quando nessa tarde foi ver Sean, Honey perguntou:

- Como se sente?

- Melhor, só de a ver. Já pensou no nosso jantar?

- Não - disse Honey. Estava a mentir.

- Pensei que, depois da minha operação, a pudesse convidar.

Não é comprometida, casada ou qualquer coisa estúpida dessas, é?

Honey sorriu:

- Nada dessas coisas estúpidas.

- Ainda bem! Nem eu. Quem havia de me querer? “Muitas mulheres”, pensou Honey.

- Se gosta de comida caseira, acontece que sou boa cozinheira.

- Veremos.

Quando foi ver Sean na manhã seguinte, ele disse: -Tenho um pequeno presente para si. - E entregou-lhe uma folha de papel de desenho. Nele estava um esboço leve e idealizado de Honey.

- Está lindo! - disse Honey. - Você é um artista maravilhoso! - E subitamente lembrou-se das palavras da médium: “Você vai apaixonar-se.

Ele é artista.” Olhou de forma estranha para Sean.

- Passa-se algo de errado?

- Não - respondeu Honey, lentamente. - Não.

Cinco minutos mais tarde, Honey entrava no quarto de Frarlces Gordon. A médium estava sempre a ser readmitida para fazer uma série de exames.

- Aqui vem a virgem!

Honey perguntou:

- Lembra-se de me ter dito que iria apaixonar-me por alguém… por um artista?

- Sim.

- Bem, eu… eu penso que acabei de o conhecer.

Frances Gordon sorriu:

- Vê? As estrelas nunca mentem.

- Pode… pode falar-me um pouco sobre ele? Sobre nós?

- Existem cartas de tarot naquela gaveta além. Pode trazer-mas, por favor?

Quando Honey entregou as cartas, pensou: “Isto é ridículo! Não acredito nisto!”

Frances Gordon estava a espalhar as cartas. Abanava constantemente a cabeça, abanava e sorria e subitamente parou.

O rosto ficou pálido.

- Oh, meu Deus! - Olhou para Honey.

- O que é… que aconteceu? - perguntou Honey.

- Este artista. Diz que já o conhece?

- Penso que sim.

A voz de Frances Gordon soou triste:

- Pobre homem. - Fitou Honey. - Lamento… lamento muito.

Sean Reilly tinha a operação marcada para a manhã do dia seguinte.

Oito e quinze da manhã. O Dr. William Radnor já se encontrava na SO dois a preparar-se para a operação.

Oito e vinte e cinco da manhã. Um camião que transportava o carregamento semanal de sacos de sangue parou na entrada das urgências do Embarcadero County Hospital. O condutor levou os sacos para o banco de sangue, situado na cave. Eric Foster, o médico residente de serviço, estava a tomar café com uma bonita e jovem enfermeira, de nome Andrea.

- Onde quer isto? - perguntou o condutor.

- Deixe-os aí - respondeu Foster, apontando para um canto.

- Certo. - O condutor poisou os sacos e puxou de um formulário. - Preciso do seu autógrafo.

- Certo. - Foster assinou o formulário. - Obrigado.

- Não tem de quê. - E o condutor saiu.

Foster virou-se para Andrea:

- Onde estávamos?

- Estavas a dizer-me como sou adorável.

- Exato. Se não fosses casada, andaria atrás de ti - disse o residente. - Nunca sais por aí?

- Não. O meu marido é pugilista.

- Oh. Tens alguma irmã?

- Na realidade, tenho.

- Ela é tão bonita quanto tu?

- Ainda mais.

- Como é que se chama?

- Marilyn.

- Porque não saímos os quatro numa destas noites? Enquanto conversavam, a máquina de telefax começou a fazer barulho. Foster ignorou-a.

Oito e quarenta e cinco da manhã. O Dr. Radnor começou a operar Sean Reilly. No início, tudo correu bem.

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