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Nada dura para sempre [em Português]

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Nada dura para sempre [em Português]
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- Não foi ela - disse Paige. - Foi assassinada. - E contou a Jason a conversa que tivera com o inspetor Burns” - A Polícia não vai fazer nada quanto a este assunto. Pensam que foi um acidente. Jason, foi por minha culpa que Kat morreu. - sua culpa?

- Além do mais, fui eu que a persuadi a sair com Mallory.

Ela não queria. Tudo começou com uma brincadeira estúpida e ela depois… apaixonou-se por ele. Oh, Jason!

- Não podes sentir-te culpada por isso - disse com firmeza.

Paige olhou em volta, desolada:

- Não consigo continuar a viver neste apartamento.

Tenho que sair daqui.

Jason abraçou-a:

- Vamo-nos casar imediatamente.

- Ainda é muito cedo. Quero dizer, Kat nem sequer foi…

- Eu sei. Esperaremos uma ou duas semanas.

- Está bem.

- Amo-te, Paige.

- Também te amo, querido. Não é estúpido? Sinto-me culpada porque tanto Kat como eu nos apaixonamos, mas ela está morta e eu estou viva.

A fotografia surgiu na primeira página do San Francisco Chronicle de terça-feira. Mostrava Ken Mallory a sorrir, com o braço à volta de Lauren Harrison. No título lia-se: “Herdeira vai casar com médico.”

Paige olhou, incrédula. Kat tinha morrido há apenas dois dias e Ken Mallory já anunciava o seu noivado com outra mulher! Embora estivesse sempre a prometer casar-se com Kat, já estava a planejar fazê-lo com mais alguém.

“Foi por isso que matou Kat. Para a afastar do caminho!”

Paige pegou no telefone e discou o número da Polícia.

- O inspetor Burns, por favor.

Pouco depois, conversava com o inspetor.

- Sou a doutora Taylor.

- Sim, doutora.

- Já viu a fotografia que está no Chronicle desta manhã?

- Sim.

- Bem, aí está o seu motivo! - exclamou Paige. - Ken Mallory teve de calar Kat antes que Lauren Harrison soubesse da existência dela. O senhor tem de o prender. - Estava quase a gritar ao telefone.

- Espere aí. Acalme-se, doutora. Talvez tenhamos um móbil, mas, como lhe disse, não temos a menor prova.

A senhora mesmo disse que a doutora Hunter teria de estar inconsciente para que Mallory pudesse fazer-lhe o aborto.

Depois de ter falado consigo, conversei novamente com o nosso patologista legal. Não havia qualquer sinal de pancada que pudesse ter causado inconsciência.

- Então ele deve ter-lhe dado um sedativo - insistiu Paige.

- Provavelmente hidrato de cloral. Atua rapidamente e…

O inspetor Burns respondeu, pacientemente:

- Doutora, não havia vestígios de hidrato de cloral no organismo. Lamento, lamento sinceramente, mas não podemos prender um homem só porque se vai casar. Tinha mais alguma coisa para me dizer? “Tudo.

- Não - disse Paige. Furiosa, desligou e sentou-se a pensar.

“Mallory tem de ter dado alguma droga a Kat.

O lugar onde ele a poderia ter adquirido mais facilmente era a farmácia do hospital.”

Quinze minutos mais tarde, Paige estava a caminho do Embarcadero County Hospital.

Pete Samuels, o farmacêutico-chefe, estava atrás do balcão.

- Bom dia, doutora Taylor. Em que posso ajudá-la?

- Penso que o doutor Mallory esteve aqui há alguns dias atrás e levou um medicamento. Ele disse-me o nome, mas esqueci-me qual era.

Samuels franziu as sobrancelhas:

- Não me lembro de ter visto aqui o doutor Mallory há pelo menos um mês.

- Tem a certeza?

Samuels anuiu:

- Absoluta. Lembrar-me-ia dele. Conversamos sempre sobre futebol.

Paige ficou deprimida.

- Obrigada.

“Deve ter entregue uma receita numa outra farmácia.” Paige sabia que a lei obrigava a que todas as receitas de narcóticos fossem feitas em triplicado - uma cópia para o doente, outra para ser enviada ao Bureau of Controlled Substances e uma terceira para os ficheiros da farmácia.

“Algures”, pensou Paige, “Ken Mallory passou uma receita.

Existem provavelmente duzentas ou trezentas farmácias em São Francisco.

Não tinha qualquer possibilidade de descobrir a receita. O mais provável era que Mallory a tivesse aviado pouco antes de ter assassinado Kat.

Isso teria acontecido num sábado ou num domingo. Se foi no domingo, talvez haja uma possibilidade”, animou-se ela.

“Poucas são as farmácias que abrem ao domingo. Isso diminui a lista.”

Subiu ao gabinete onde se guardavam as folhas de serviço e examinou a correspondente a sábado. O Dr. Mallory tinha estado de serviço nesse dia e, assim sendo, a hipótese era de ele ter aviado a receita no domingo.

Quantas farmácias estavam abertas ao domingo em São Francisco?

Paige levantou o telefone e ligou para a associação de farmácias.

- Daqui fala a doutora Taylor - disse Paige. - No domingo passado, uma amiga minha entregou uma receita numa farmácia.

Ela pediu-me para levantar os medicamentos, mas não consigo lembrar-me do nome da farmácia. Será que me podem ajudar?

- Bem, não sei como, doutora. Se não sabe…

- Grande parte das farmácias estão fechadas ao domingo, não é assim?

- Sim, mas…

- Agradecia que me fornecessem uma lista das que abrem.

Houve uma pausa.

- Bem, se isso é importante…

- É muito importante - garantiu-lhe Paige.

- Aguarde um momento, por favor.

Na lista constavam trinta e seis farmácias, espalhadas pela cidade. Teria sido mais simples se ela pudesse ter pedido ajuda à Polícia, mas o inspetor Burns não acreditava nela.

“Honey e eu teremos de fazer isto sozinhas”, decidiu.

Explicou a Honey o que tinha em mente.

- É realmente um caso difícil, não é? - disse Honey.

- Nem sequer sabes se ele passou a receita no domingo.

- É a nossa única esperança. - “E também de Kat.” - Vou verificar as de Richmond, Marina, North Beach, Upper Market, Mission e Potrero; tu verificas as da zona de Excelsior, Ingleside, Lake Merced, Western Addition e Sunset.

Na primeira farmácia onde entrou, Paige identificou-se e disse:

- Um colega meu, o doutor Ken Mallory, esteve aqui no domingo para aviar uma receita. Ele foi para fora da cidade e pediu-me para levantar mais uma dose do medicamento, mas esqueci-me do nome. Importa-se de verificar, por favor?

- Doutor Ken Mallory? É só um momento. - Regressou minutos mais tarde.

- Lamento, no domingo não aviámos qualquer receita do doutor Mallory.

- Obrigada.

Paige obteve a mesma resposta nas quatro farmácias seguintes.

Honey não estava a ter melhor sorte.

- Sabe, temos aqui milhares de receitas.

- Sei, mas esta foi no domingo.

- Bem, não temos nenhuma receita desse tal doutor Mallory.

Lamento.

As duas passaram o dia a ir de farmácia em farmácia.

Ambas estavam a ficar desencorajadas. Só no final da tarde, pouco antes da hora de fecho, é que Paige encontrou o que procurava numa pequena farmácia do distrito de Potrero.

O farmacêutico disse:

- Oh, sim, aqui está. Doutor Ken Mallory. Lembro-me dele. Ia fazer uma visita médica a um doente. Fiquei impressionado porque atualmente poucos são os médicos que fazem isso.

“Um residente nunca faz visitas médicas.” - A receita era para quê?

Paige ficou em suspense.

- Hidrato de cloral.

Quase tremia de excitação:

- Tem a certeza?

- Pelo menos, é o que diz aqui.

- Quem era o doente?

Ele olhou para a cópia da receita e disse:

- Spyros Levathes.

- Importa-se de me dar uma cópia dessa receita? - perguntou Paige.

- De modo algum, doutora.

Uma hora mais tarde, Paige encontrava-se no gabinete do inspetor Burns.

Pousou a receita na secretária.

- Aqui está a sua prova - disse Paige. - No domingo, o doutor Mallory foi a uma farmácia longe do local onde vive e aviou esta receita de hidrato de cloral. Ele deitou o hidrato de cloral na bebida de Kat e, quando ela ficou inconsciente, esfaqueou-a de forma a parecer acidental.

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