Nada dura para sempre [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 1996
- Язык: португальский
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «Nada dura para sempre [em Português]». Краткое содержание книги:
Mas ignorância em medicina é.
- Não compreendo.
- É simples. Significa que o doutor Mallory poderia afirmar que cometeu um erro ou que não sabia que efeitos o hidrato de cloral causaria ao doente com porphyria.
Ninguém conseguiria provar que estava a mentir. Isso pode provar que é um péssimo médico, mas não provaria que é culpado de assassinato.
Paige olhou para ele, frustrada:
- Vai deixá-lo escapar do que fez?
Ele estudou-a por momentos:
- Vou dizer-lhe o que pretendo fazer. Já conversei sobre este assunto com o inspetor Burns. Se nos autorizar, enviaremos alguém ao seu apartamento para ir buscar os copos do bar. Se encontrarmos vestígios de hidrato de cloral, daremos o passo seguinte.
- E se ele os lavou?
O inspetor Burns respondeu, secamente:
- Não acredito que ele tivesse tempo para utilizar detergente. Se tiver apenas passado os copos por água, descobriremos o que estamos à procura.
Duas horas mais tarde, o inspetor Burns falava ao telefone com Paige.
- Fizemos uma análise clínica de todos os copos do bar, doutora - disse Burns. Paige estava tão desapontada que ficou estática. - Encontrámos um com vestígios de hidrato de cloral.
Paige fechou os olhos e fez uma silenciosa oração de agradecimento.
- E havia impressões digitais nesse copo. Vamos compará-las com as do doutor Mallory.
Paige sentiu uma onda de excitação.
O inspetor continuou:
- Quando a matou, se realmente a matou, calçava luvas para que as suas impressões digitais não fossem encontradas na cureta. Mas não podia ter servido a bebida com as luvas calçadas e talvez não as tivesse quando voltou a colocar os copos no lugar, depois de os ter passado por água.
- Não - disse Paige. - Não podia, pois não? - tenho de admitir que, no início, não acreditei que a sua teoria resultasse nalguma coisa. Agora penso que o doutor Mallory pode ser o nosso homem. Mas prová-lo vai ser outro assunto. - E continuou. - O promotor público tem razão. Será difícil levar Mallory a tribunal.
Ainda pode afirmar que a receita era para o doente dele.
Não existe qualquer lei contra um erro médico. Não vejo como…
- Espere aí! - disse Paige, excitada. - Acho que sei como!
Ken Mallory ouvia o que Lauren dizia ao telefone.
- O pai e eu encontrámos um escritório que vais adorar, querido! É uma suite magnífica do Post Building quatrocentos e noventa. Vou contratar uma recepcionista para ti; alguém que não seja muito bonita.
Mallory deu uma gargalhada:
- Não tens desepreocupar com isso, doçura. Para mim, não existe mais ninguém no mundo senão tu.
- Estou ansiosa que o vejas. Consegues sair agora?
- Saio dentro de duas horas.
- Maravilha! Porque não me vens buscar a casa?
- Está bem. Estarei aí. - Mallory desligou o telefone. “É impossível tornarse melhor do que isto”, pensou.
“Existe não um deus mas uma deusa, e ela adora-me.” Ouviu o seu nome no sistema de altofalantes: “Dr. Mallory… Quarto 430… Dr. Mallory…
Quarto 430.” Deixou-se ficar sentado a sonhar acordado e a pensar no futuro dourado que o esperava. “Uma suite magnífica do Post Building 490, cheio de velhas ricas e ansiosas por lhe atirarem o seu dinheiro.”
Ouviu de novo o seu nome. “Dr. Mallory… Quarto 430.” Suspirou e levantou-se. “Muito em breve estarei longe desta maldita casa de loucos”, pensou.
E dirigiu-se ao quarto 430.
Um residente esperava-o no corredor, junto ao quarto.
- Julgo que temos aqui um problema - disse. - É um dos doentes do doutor Peterson, mas o doutor não está aqui. Tive uma discussão com um dos outros médicos.
Entraram. Estavam mais três pessoas no quarto: um homem deitado, uma enfermeira e um médico que Mallory nunca tinha visto antes.
O residente apresentou-os:
- Este é o doutor Edwards. Precisamos dos seus conselhos, doutor Mallory.
- Qual é o problema?
O residente explicou:
- Este doente sofre de erythropoietic porphyria e o doutor Edwards insiste em dar-lhe um sedativo.
- Não vejo onde está o problema.
- Obrigado - disse o Dr. Edwards. - O homem não dorme há quarenta e oito horas. Receitei-lhe hidrato de cloral para que possa descansar e…
Mallory olhou para ele, incrédulo:
- Está louco? Isso pode matá-lo! Teria convulsões, taquicardia e provavelmente acabaria por morrer. Onde diabo estudou medicina?
O homem olhou para Mallory e respondeu calmamente:
- Não estudei. - Puxou do distintivo. - Trabalho no Departamento de Polícia de São Francisco, Homicídios.
- Voltou-se para o homem que estava deitado.
- Capou tudo?
O homem retirou um gravador colocado debaixo da almofada:
- Tudo.
Mallory olhava de um para o outro, de sobrancelhas franzidas:
- Não compreendo. O que é isto? O que se passa? O inspetor voltou-se para ele:
- Doutor Mallory, o senhor está preso pelo assassinato da doutora Kat Hunter.
Na primeira página do San Francisco Chronicle lia-se: MÉDICO PRESO NUM TRIâNGULO AMOROSO. A história por baixo era bastante longa, para relatar em pormenor os fatos lúridos do caso.
Mallory leu o jornal na cela. Atirou com ele para o chão.
O companheiro de cela disse:
- Tudo indica que foste apanhado em cheio, amigo.
- Não acredite nisso - disse Mallory, confidencialmente.
- Tenho bons conhecimentos e eles irão contratar o melhor advogado do mundo. Sairei daqui dentro de vinte e quatro horas. Só tenho de fazer um telefonema.
Os Harrisons liam o jornal à mesa do pequeno-almoço.
- Meu Deus! - exclamou Lauren. - Ken! Não posso acreditar! O mordomo aproximou-se com o tabuleiro do pequeno-almoço.
- Desculpe, Miss Harrison. O doutor Mallory está ao telefone. Julgo que está a telefonar da cadeia.
- Eu atendo.
Lauren começou a levantar-se da mesa.
- Você fica aqui a tomar o pequeno-almoço - disse Alex Harrison com firmeza. Virou-se para o mordomo:
- Não conhecemos nenhum doutor Mallory.
Paige leu o jornal enquanto se vestia. Mallory iria ser castigado pelo terrível ato que cometera, mas isso não causou satisfação a Paige. Nada do que lhe pudessem fazer traria Kat de volta.
A campainha da porta soou e ela foi atender. Deparou-se-lhe um estranho.
Vestia fato escuro e trazia uma pasta.
- Doutora Taylor?
- Sim…
- Chamo-me Roderick Pelham. Sou advogado da Rothman Rothman.
Posso entrar?
Paige estudou-o, confusa:
- Sim.
Ele entrou no apartamento.
- O que deseja de mim?
Viu-o abrir a pasta e retirar alguns papéis.
- Tem conhecimento, claro, de que é a principal beneficiária do testamento de John Cronin?
Paige ficou branca a olhar para ele:
- De que é que está a falar? Deve haver algum erro.
- Oh, não existe qualquer erro. O senhor Cronin deixou-lhe a soma de um milhão de dólares.
Paige afundou-se na cadeira, estupefata, tentando lembrar-se.
“Tem de ir à Europa. Faça-me um favor. Vá a Paris… fique no Crillon, jante no Maxim’s, peça um bife grande e espesso e uma garrafa de champanhe e, quando estiver a comer o bife e a beber o champanhe, quero que pense em mim.” - Se fizer o favor de assinar aqui, poderemos tratar de toda a papelada necessária.
Paige levantou a cabeça:
- Eu… não sei o que dizer. Eu… ele tinha família.
- De acordo com os termos do testamento, eles receberão apenas o restante dos bens, que não perfazem uma importância muito grande.
- Não posso aceitar isto - disse-lhe Paige.
Pelham olhou para ela, surpreendido:
- Porque não?
Não soube responder. John Cronin tinha querido que ela ficasse com esse dinheiro.
- Não sei. De… certa maneira, isso parece-me pouco ético.
Ele era meu doente.
- Bem, vou deixar o cheque aqui consigo. A senhora poderá decidir o que fazer com ele. Assine aqui, por favor.