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Nada dura para sempre [em Português]

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Nada dura para sempre [em Português]
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Mas ignorância em medicina é.

- Não compreendo.

- É simples. Significa que o doutor Mallory poderia afirmar que cometeu um erro ou que não sabia que efeitos o hidrato de cloral causaria ao doente com porphyria.

Ninguém conseguiria provar que estava a mentir. Isso pode provar que é um péssimo médico, mas não provaria que é culpado de assassinato.

Paige olhou para ele, frustrada:

- Vai deixá-lo escapar do que fez?

Ele estudou-a por momentos:

- Vou dizer-lhe o que pretendo fazer. Já conversei sobre este assunto com o inspetor Burns. Se nos autorizar, enviaremos alguém ao seu apartamento para ir buscar os copos do bar. Se encontrarmos vestígios de hidrato de cloral, daremos o passo seguinte.

- E se ele os lavou?

O inspetor Burns respondeu, secamente:

- Não acredito que ele tivesse tempo para utilizar detergente. Se tiver apenas passado os copos por água, descobriremos o que estamos à procura.

Duas horas mais tarde, o inspetor Burns falava ao telefone com Paige.

- Fizemos uma análise clínica de todos os copos do bar, doutora - disse Burns. Paige estava tão desapontada que ficou estática. - Encontrámos um com vestígios de hidrato de cloral.

Paige fechou os olhos e fez uma silenciosa oração de agradecimento.

- E havia impressões digitais nesse copo. Vamos compará-las com as do doutor Mallory.

Paige sentiu uma onda de excitação.

O inspetor continuou:

- Quando a matou, se realmente a matou, calçava luvas para que as suas impressões digitais não fossem encontradas na cureta. Mas não podia ter servido a bebida com as luvas calçadas e talvez não as tivesse quando voltou a colocar os copos no lugar, depois de os ter passado por água.

- Não - disse Paige. - Não podia, pois não? - tenho de admitir que, no início, não acreditei que a sua teoria resultasse nalguma coisa. Agora penso que o doutor Mallory pode ser o nosso homem. Mas prová-lo vai ser outro assunto. - E continuou. - O promotor público tem razão. Será difícil levar Mallory a tribunal.

Ainda pode afirmar que a receita era para o doente dele.

Não existe qualquer lei contra um erro médico. Não vejo como…

- Espere aí! - disse Paige, excitada. - Acho que sei como!

Ken Mallory ouvia o que Lauren dizia ao telefone.

- O pai e eu encontrámos um escritório que vais adorar, querido! É uma suite magnífica do Post Building quatrocentos e noventa. Vou contratar uma recepcionista para ti; alguém que não seja muito bonita.

Mallory deu uma gargalhada:

- Não tens desepreocupar com isso, doçura. Para mim, não existe mais ninguém no mundo senão tu.

- Estou ansiosa que o vejas. Consegues sair agora?

- Saio dentro de duas horas.

- Maravilha! Porque não me vens buscar a casa?

- Está bem. Estarei aí. - Mallory desligou o telefone. “É impossível tornarse melhor do que isto”, pensou.

“Existe não um deus mas uma deusa, e ela adora-me.” Ouviu o seu nome no sistema de altofalantes: “Dr. Mallory… Quarto 430… Dr. Mallory…

Quarto 430.” Deixou-se ficar sentado a sonhar acordado e a pensar no futuro dourado que o esperava. “Uma suite magnífica do Post Building 490, cheio de velhas ricas e ansiosas por lhe atirarem o seu dinheiro.”

Ouviu de novo o seu nome. “Dr. Mallory… Quarto 430.” Suspirou e levantou-se. “Muito em breve estarei longe desta maldita casa de loucos”, pensou.

E dirigiu-se ao quarto 430.

Um residente esperava-o no corredor, junto ao quarto.

- Julgo que temos aqui um problema - disse. - É um dos doentes do doutor Peterson, mas o doutor não está aqui. Tive uma discussão com um dos outros médicos.

Entraram. Estavam mais três pessoas no quarto: um homem deitado, uma enfermeira e um médico que Mallory nunca tinha visto antes.

O residente apresentou-os:

- Este é o doutor Edwards. Precisamos dos seus conselhos, doutor Mallory.

- Qual é o problema?

O residente explicou:

- Este doente sofre de erythropoietic porphyria e o doutor Edwards insiste em dar-lhe um sedativo.

- Não vejo onde está o problema.

- Obrigado - disse o Dr. Edwards. - O homem não dorme há quarenta e oito horas. Receitei-lhe hidrato de cloral para que possa descansar e…

Mallory olhou para ele, incrédulo:

- Está louco? Isso pode matá-lo! Teria convulsões, taquicardia e provavelmente acabaria por morrer. Onde diabo estudou medicina?

O homem olhou para Mallory e respondeu calmamente:

- Não estudei. - Puxou do distintivo. - Trabalho no Departamento de Polícia de São Francisco, Homicídios.

- Voltou-se para o homem que estava deitado.

- Capou tudo?

O homem retirou um gravador colocado debaixo da almofada:

- Tudo.

Mallory olhava de um para o outro, de sobrancelhas franzidas:

- Não compreendo. O que é isto? O que se passa? O inspetor voltou-se para ele:

- Doutor Mallory, o senhor está preso pelo assassinato da doutora Kat Hunter.

Na primeira página do San Francisco Chronicle lia-se: MÉDICO PRESO NUM TRIâNGULO AMOROSO. A história por baixo era bastante longa, para relatar em pormenor os fatos lúridos do caso.

Mallory leu o jornal na cela. Atirou com ele para o chão.

O companheiro de cela disse:

- Tudo indica que foste apanhado em cheio, amigo.

- Não acredite nisso - disse Mallory, confidencialmente.

- Tenho bons conhecimentos e eles irão contratar o melhor advogado do mundo. Sairei daqui dentro de vinte e quatro horas. Só tenho de fazer um telefonema.

Os Harrisons liam o jornal à mesa do pequeno-almoço.

- Meu Deus! - exclamou Lauren. - Ken! Não posso acreditar! O mordomo aproximou-se com o tabuleiro do pequeno-almoço.

- Desculpe, Miss Harrison. O doutor Mallory está ao telefone. Julgo que está a telefonar da cadeia.

- Eu atendo.

Lauren começou a levantar-se da mesa.

- Você fica aqui a tomar o pequeno-almoço - disse Alex Harrison com firmeza. Virou-se para o mordomo:

- Não conhecemos nenhum doutor Mallory.

Paige leu o jornal enquanto se vestia. Mallory iria ser castigado pelo terrível ato que cometera, mas isso não causou satisfação a Paige. Nada do que lhe pudessem fazer traria Kat de volta.

A campainha da porta soou e ela foi atender. Deparou-se-lhe um estranho.

Vestia fato escuro e trazia uma pasta.

- Doutora Taylor?

- Sim…

- Chamo-me Roderick Pelham. Sou advogado da Rothman Rothman.

Posso entrar?

Paige estudou-o, confusa:

- Sim.

Ele entrou no apartamento.

- O que deseja de mim?

Viu-o abrir a pasta e retirar alguns papéis.

- Tem conhecimento, claro, de que é a principal beneficiária do testamento de John Cronin?

Paige ficou branca a olhar para ele:

- De que é que está a falar? Deve haver algum erro.

- Oh, não existe qualquer erro. O senhor Cronin deixou-lhe a soma de um milhão de dólares.

Paige afundou-se na cadeira, estupefata, tentando lembrar-se.

“Tem de ir à Europa. Faça-me um favor. Vá a Paris… fique no Crillon, jante no Maxim’s, peça um bife grande e espesso e uma garrafa de champanhe e, quando estiver a comer o bife e a beber o champanhe, quero que pense em mim.” - Se fizer o favor de assinar aqui, poderemos tratar de toda a papelada necessária.

Paige levantou a cabeça:

- Eu… não sei o que dizer. Eu… ele tinha família.

- De acordo com os termos do testamento, eles receberão apenas o restante dos bens, que não perfazem uma importância muito grande.

- Não posso aceitar isto - disse-lhe Paige.

Pelham olhou para ela, surpreendido:

- Porque não?

Não soube responder. John Cronin tinha querido que ela ficasse com esse dinheiro.

- Não sei. De… certa maneira, isso parece-me pouco ético.

Ele era meu doente.

- Bem, vou deixar o cheque aqui consigo. A senhora poderá decidir o que fazer com ele. Assine aqui, por favor.

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