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Nada dura para sempre [em Português]

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Nada dura para sempre [em Português]
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- Existe apenas um problema, doutora Taylor. Não havia qualquer vestígio de hidrato de cloral no organismo dela.

- Tem de haver. O seu patologista cometeu um erro.

Peça-lhe para verificar de novo.

O inspetor começava a perder a paciência:

- Doutora…

- Por favor! Sei que tenho razão.

- A senhora está a fazer com que todos percam tempo.

Paige sentou-se à frente, com os olhos fixos nele.

O inspetor suspirou:

- Está bem. Vou falar outra vez com ele. Talvez tenha cometido mesmo um erro.

Jason foi buscar Paige para jantarem juntos.

- Vamos jantar em minha casa - disse. - Tenho uma coisa que gostaria que visses.

Durante o trajeto, Paige contou a Jason tudo o que descobrira.

- Hão-de descobrir o hidrato de cloral no organismo dela - disse Paige. - E Ken Mallory há-de receber o que bem merece.

- Lamento tanto tudo isto, Paige.

- Eu sei. - Pegou na mão dele e encostou-a à sua própria cara. - Graças a Deus que existes.

O carro parou em frente à casa de Jason.

Paige olhou pela janela e deu um salto. À volta do relvado havia uma vedação branca.

Estava sozinha no apartamento, com as luzes apagadas. Ken Mallory utilizou a chave que Kat lhe tinha dado e dirigiu-se rapidamente ao quarto.

Paige ouviu os passos na sua direão mas, antes de se poder mover, já ele saltara sobre ela e colocara as mãos em volta do pescoço.

- Sua cabra! Estás a tentar destruir-me. Bem, não vais vasculhar mais nada.

- Começou a apertar com mais força. - Fui mais esperto do que todos vós, não fui? - As mãos apertaram ainda mais. - Ninguém conseguirá provar que matei Kat.

Ela tentou gritar, mas era impossível respirar. Lutou para se libertar e, subitamente, acordou. Estava sozinha no seu quarto. Paige sentou-se na cama, a tremer.

Passou o resto da noite acordada, à espera da chamada do inspetor Burns.

Esta chegou às dez da manhã.

- Doutora Taylor?

- Sim. - Susteve a respiração.

- Acabei de receber o terceiro relatório do patologista legal.

- E? - O coração começou a bater mais depressa.

- Não havia nenhum vestígio de hidrato de cloral ou de qualquer outro sedativo no organismo da doutora Hunter.

Nenhum.

Isso era impossível! Tinha de ser. Não havia sinais de pancada ou qualquer outra coisa que a tivesse deixado inconsciente. Nenhuma nódoa negra na garganta. Nada daquilo fazia sentido. Kat tinha de estar inconsciente quando Mallory a matou. O patologista legal estava errado.

Paige decidiu ir falar ela própria com o patologista.

O Dr. Dolan estava irritado:

- Não gosto que duvidem assim - disse. - Verifiquei três vezes. Disse ao inspetor Burns que não havia qualquer vestígio de hidrato de cloral em nenhum dos órgãos dela, e realmente não havia.

- Mas…

- Mais alguma coisa, doutora?

Paige olhou para ele, desolada. Tinha perdido a sua última esperança. Ken Mallory iria safar-se do assassinato que cometera.

- Julgo… que não. Se não encontrou nenhum produto químico no organismo dela, eu não…

- Não disse que não tinha encontrado nenhum produto químico.

Olhou um momento para ele:

- Encontrou alguma coisa?

- Apenas um vestígio de tricloroetileno. Na descrição lia-se: “Um líquido volátil, incolor e transparente, com a gravidade específica de 1,47 a 59 graus F. E um hidrocarbono halogenizado, com a fórmula química Ccl2, CHCl.

E finalmente, no último minuto, ela encontrou o que procurava. “Quando o hidrato de cloral se metaboliza produz tricloroetileno como subproduto.” - Inspetor, está aqui a doutora Taylor.

- Outra vez? - Sentiu vontade de não a receber. Estava obcecada com a ideia do assassinato. Tinha de acabar com aquilo. - Mande-a entrar. - Quando Paige entrou no gabinete, ele adiantou-se: - Olhe, doutora, acho que isto já foi longe de mais. O doutor Dolan queixou-se de que…

- Eu sei como é que Ken Mallory fez tudo! - A voz soou bastante excitada.

- Havia tricloroetileno no organismo de Kat.

Ele anuiu:

- O doutor Dolan disse-me isso - concordou Burns. - Mas também me disse que não podia tê-la deixado inconsciente.

Ele…

- O hidrato de cloral transforma-se em tricloroetileno! - disse Paige, triunfante. - Mallory mentiu quando disse que não regressou com Kat ao apartamento. Colocou o hidrato de cloral na bebida dela. Não tem sabor quando misturado com álcool e leva apenas alguns minutos a atuar.

Depois, quando ela ficou inconsciente, matou-a e fez com que parecesse um aborto mal sucedido.

- Doutora, peço desculpa pelo que vou dizer, mas isso é muita especulação junta.

- Não, não é. Ele escreveu a receita para um doente chamado Spyros Levathes, mas nunca lhe deu.

- Como sabe isso?

- Porque não podia. Verifiquei o Spyros Levathes.

Sofre de erythropoietir porphyria.

- O que é isso?

- É um problema metabólico genético. Causa fotossensibilidade e lesões, hipertensão, taquicardia e alguns outros sintomas desagradáveis. É o resultado de um gene defeituoso.

- Ainda não compreendo.

- O doutor Mallory não deu hidrato de cloral ao doente porque matá-lo-ia!

O hidrato de cloral é contra-indicado para a porphyria. Teria causado convulsões imediatas.

Pela primeira vez, o inspetor Burns ficou impressionado.

- A senhora trabalhou mesmo bem, não foi? Paige continuou:

- Porque é que Ken Mallory iria a uma farmácia distante aviar uma receita a um doente que sabia que não podia tomar esse medicamento? O senhor tem de o prender.

Tinha as mãos apoiadas na secretária:

- Não é assim tão simples.

- O senhor tem de…

O inspetor Burns levantou uma mão:

- Está bem. Digo-lhe o que irei fazer. Entrarei em contato com o gabinete do promotor público e verei se acham que temos aqui um caso.

Paige sabia que tinha feito tudo o que podia.

- Obrigada, inspetor.

- Falarei consigo depois.

Assim que Paige Taylor saiu, o inspetor Burns ficou a pensar na conversa.

Não havia qualquer prova insofismável contra o Dr. Mallory, mas apenas a suspeita de uma mulher persistente. Reviu os poucos fatos que possuía.

O Dr. Mallory tinha-se comprometido com Kat Hunter.

Dois dias depois de ela ter morrido, estava comprometido com a filha de Alex Harrison. Interessante, mas não contra a lei.

Mallory dissera que deixara a Dra. Hunter à porta do apartamento e que não entrara. Foi encontrado sêmen no corpo dela, mas ele deu uma explicação plausível para isso.

Depois surgiu o hidrato de cloral. Mallory tinha aviado uma receita desse medicamento para um doente que, se o tivesse tomado, morreria. Era culpado de assassinato? Ou não?

Burns chamou a secretária através do intercomunicador.

- Bárbara, marque-me uma reunião com o promotor público para esta tarde.

Estavam quatro homens no gabinete, quando Paige entrou: o promotor público, o seu assistente, um homem chamado Warren e o inspetor Burns.

- Obrigada por ter vindo, doutora Taylor - agradeceu o promotor público. - O inspetor Burns falou-me do seu interesse na morte da doutora Hunter.

Admiro isso. A doutora Hunter era sua companheira e a senhora quer que a justiça seja cumprida.

“Então, apesar de tudo, vão prender Ken Mallory!” - Sim - afirmou Paige. - Não há qualquer dúvida.

O doutor Mallory matou-a. Quando o prenderem, ele…

- Lamento, mas não podemos fazer isso.

Paige ficou pálida a olhar para ele:

- O quê?

- Não podemos prender o doutor Mallory.

- Mas porquê?

- Não temos caso.

- É claro que têm! - exclamou Paige. - O tricloroetileno prova que…

- Doutora, no tribunal, a ignorância da lei não é desculpa.

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