Nada dura para sempre [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 1996
- Язык: португальский
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «Nada dura para sempre [em Português]». Краткое содержание книги:
Por amor de Deus, ajude-me!
Contorceu-se todo devido a um espasmo súbito.
Quando tornou a falar, a voz estava ainda mais fraca.
- Ajude-me… por favor…
Paige sabia o que tinha a fazer. Tinha de comunicar o pedido de John Cronin a Wallace Benjamin. Ele passá-lo-ia à comissão administrativa.
Esta iria reunir um grupo de médicos para estudar o estado de Cronin e depois tomariam uma decisão.
Depois disso, teria de ser aprovado pelo…
- Paige… a vida é minha. Deixe-me fazer com ela o que me apetecer.
Ela olhou para a figura indefesa que gemia de dores.
- Imploro-lhe…
Ela pegou-lhe na mão e segurou-a durante um longo tempo.
Quando falou, disse:
- Está bem, John. Fá-lo-ei.
Ele conseguiu sorrir ligeiramente:
- Sabia que podia contar consigo.
Paige inclinou-se e deu-lhe um beijo na testa:
- Feche os olhos e tente dormir.
- Boa noite, Paige.
- Boa noite, John.
John Cronin suspirou e fechou os olhos, com um sorriso beatífico no rosto.
Paige ficou a vê-lo, pensando naquilo que estava prestes a fazer. Lembrouse de como tinha ficado horrorizada no seu primeiro dia de rondas com o Dr. Radnor. “Há seis semanas que ela está em coma. Os sinais vitais estão a falhar. Nada mais podemos fazer por ela. Vamos desligar a máquina esta tarde.
Que mal há em libertar um ser humano do sofrimento? Lentamente, como se estivesse a caminhar debaixo de água, Paige levantou-se e dirigiu-se a um armário do canto, onde estava guardado um frasco de insulina para ser utilizado em caso de emergência. Pegou no frasco e ficou a olhar para ele.
Em seguida, abriu-o. Encheu uma seringa de insulina e aproximou-se de John Cronin. Ainda tinha tempo para recuar.
“Estou aqui deitado como um animal encurralado… Isto não é viver; é morrer. Por amor de Deus, ajude-me!” Paige inclinou-se para a frente e, lentamente, injetou a insulina no sistema IV ligado ao braço de Cronin.
- Durma bem - sussurrou Paige. Nem sequer tinha percebido que soluçava.
Paige foi para casa e ficou acordada o resto da noite, a pensar no que tinha acabado de fazer.
Às seis horas da manhã, recebeu uma chamada telefônica de um dos residentes do hospital.
- Lamento dar-lhe uma má notícia, doutora Taylor.
O seu doente John Cronin morreu de ataque cardíaco esta manhã, muito cedo.
O médico de serviço nessa manhã era o Dr. Arthur Kane.
Numa das vezes que Ken Mallory fora ver uma ópera, tinha adormecido.
Nessa noite estava a ver Rigoletto no São Francisco Opera House, com todo o prazer. Estava sentado num camarote com Lauren Harrison e o pai.
Durante um intervalo, no vestíbulo da casa de ópera, Alex Harrison apresentou-o a um grande número de amigos.
- Este é Ken Mallory, meu futuro genro e médico brilhante.
Ser genro de Alex Harrison era suficiente para o tornar brilhante.
Depois do espetáculo, os Harrisons e Mallory foram cear na elegante sala de jantar principal do Hotel Fairmont. Mallory gostou da deferência com que o maitre tratou Alex Harrison quando os conduziu ao lugar. “Daqui em diante, poderei entrar em lugares como este”, pensou Mallory, “e todos irão saber quem sou”.
Depois de terem feito os pedidos, Lauren disse:
- Querido, acho que devíamos fazer uma festa para anunciar o nosso noivado.
- É uma boa ideia! - afirmou o pai. - Será uma festa à altura. O que é que acha, Ken?
Soou uma campainha de alerta na mente de Mallory.
Uma festa de noivado significaria publicidade. “Primeiro, tenho de terminar tudo com Kat. Algum dinheiro e o assunto ficará arrumado.”
Mallory amaldiçoou a aposta estúpida que fizera. Por uns meros dez mil dólares, talvez todo o seu brilhante futuro estivesse em risco. Imaginava o que aconteceria se tentasse explicar a existência de Kat aos Harrisons.
“A propósito, esqueci-me de dizer que já estou comprometido com uma médica do hospital. Ela é negra…” Ou: “Querem ouvir uma coisa engraçada? Apostei dez mil dólares com os rapazes do hospital que conseguiria foder esta médica negra…”; Ou: “Já tenho um casamento planejado…” “Não”, pensou, “tenho de descobrir uma forma de afastar Kat.”
Olhavam na expectativa para Mallory, que sorriu:
- Uma festa, parece-me uma ideia maravilhosa.
Lauren acrescentou, entusiasticamente:
- Ainda bem. Vou fazer os preparativos. Vocês homens nem calculam o trabalho que dá organizar uma festa.
Alex Harrison voltou-se para Mallory:
- Já dei um empurrão em seu favor, Ken.
- Sir?
- Gary Gitlin, o diretor do North Shore Hospital, é um velho companheiro de golfe. Falei-lhe de si e ele disse-me que não via qualquer inconveniente em sabê-lo integrado no hospital. Isso é bastante prestigioso, sabe? Por outro lado, vou tratar da sua própria clínica.
Mallory escutou, sentindo uma enorme euforia.
- Maravilhoso.
- É claro que são precisos alguns anos para construir uma clínica verdadeiramente lucrativa, mas penso que conseguirá fazer duzentos ou trezentos mil dólares no primeiro ou segundo ano.
“Duzentos ou trezentos mil dólares! Meu Deus! Pensou Mallory. “Diz isso como se fossem amendoins.”,
- Isso… seria muito bom, sir.
Alex Harrison sorriu:
- Ken, uma vez que vou ser seu sogro, deixemos os sir de fora. Trate-me por Alex.
- Certo, Alex.
- Sabes, nunca fui uma noiva de Junho - disse Lauren. - Junho está bem para ti, querido?
Lembrou-se da voz de Kat: “Não achas que devíamos marcar a data?
Pensei em Junho.”
Mallory apertou a mão de Lauren.
- Por mim está tudo bem. - “Isso dá-me bastante tempo para resolver o assunto com Kat”, decidiu. Sorriu para si. “Vou oferecer-lhe algum do dinheiro que ganhei por a ter levado para a cama.” - Temos um iate no Sul de França - dizia Alex. - Vocês gostariam de passar a lua-de-mel na Riviera Francesa? Podem ir de avião até ao nosso Gulfstream.
Um iate. A Riviera Francesa. Era como o sonho tornado realidade. Mallory olhou para Lauren.
- Passaria a lua-de-mel com Lauren em qualquer lugar.
Alex Harrison concordou:
- Bem, parece que está tudo resolvido. - Sorriu para a filha: - Vou sentir saudades, querida.
- Não me está a perder, pai. Está a ganhar um médico! Alex Harrison concordou:
- E um muitíssimo bom. Nunca poderei agradecer o suficiente por ter salvo a minha vida, Ken.
Lauren afagou a mão de Mallory:
- Agradeço-lhe por si.
- Ken, porque não almoçamos juntos na próxima semana? - perguntou Alex Harrison. - Poderemos escolher um local decente para o seu consultório, talvez no Post Building, e marcar-lhe -ei um encontro com Gary Gitlin. Muitos dos meus amigos estão ansiosos por o conhecer.
- Acho melhor repetir isso, pai - sugeriu Lauren e voltou-se para Ken. - Tenho conversado sobre ti com as minhas amigas e também elas não vêem o momento de te conhecerem; só que eu não lhe s vou permitir isso.
- Só estou interessado em ti - respondeu Mallory, calorosamente.
Quando entraram no seu Rolls-Royce com motorista, Lauren perguntou:
- Onde podemos deixar-te, querido?
- No hospital. Tenho de ver alguns doentes. - Não tinha a intenção de ver qualquer doente. Kat estava de serviço no hospital.
Lauren afagou-lhe o queixo:
- Meu pobre querido. Trabalhas demasiado.
Mallory suspirou:
- Não tem importância. Desde que ajude os outros…
Mallory foi rapidamente ao vestiário dos médicos e trocou o casaco de jantar.
Encontrou Kat na ala geriátrica.
- Olá, Kat.
Estava zangada:
- Tínhamos um encontro a noite passada, Ken.
- Eu sei. Desculpa. Não pude aparecer e…
- É a terceira vez numa semana. O que se passa? Ela estava a tornar-se um impecilho.