Nada dura para sempre [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 1996
- Язык: португальский
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «Nada dura para sempre [em Português]». Краткое содержание книги:
- Eu compreendo.
- Sei que já conhece a Hazel, hem?
- Hazel?
- A minha mulher. A bimba. Ela e os irmãos vieram ver-me.
Disseram-me que tinham falado consigo.
- Sim.
- Ela é boazona, não é? Tenho a certeza que me meti num monte de sarilhos por causa dela. Estão só à espera que eu bata a bota.
- Não diga isso.
- É verdade. A única razão por que Hazel se casou comigo foi por dinheiro.
Para dizer a verdade, não me importei muito.
Passámos juntos muitos bons momentos na cama, mas depois ela e os irmãos começaram a ficar gananciosos. Estavam sempre a querer mais.
Os dois ficaram ali num confortável silêncio.
- Já lhe disse que costumava viajar muito?
- Não.
- Sim. Estive na Suécia… Dinamarca… Alemanha. Já esteve na Europa?
Lembrou-se do dia em que fora à agência de viagens.
“Estou ansiosa por conhecer Londres. Paris é para onde gostaria de ir.
Quero passear ao luar numa gôndola em Veneza.
- Não. Nunca.
- Devia ir.
- Talvez vá um dia.
- Julgo que não ganha muito dinheiro a trabalhar num hospital como este, hem?
- Ganho o suficiente.
Anuiu para si mesmo:
- Sim. Tem de ir à Europa. Faça-me um favor. Vá a Paris… fique no Crillon, jante no Maxim, peça um bife grande e alto e uma garrafa de champanhe e, quando estiver a comer esse bife e a beber o champanhe, quero que pense em mim. Faze-me esse favor?
Paige respondeu lentamente:
- Um dia farei isso.
John Cronin estudou-a:
- Muito bem. Agora estou cansado. Voltará amanhã para conversar comigo?
- Voltarei - respondeu Paige.
John Cronin adormeceu.
Ken Mallory acreditava piamente na dona sorte e, depois de ter conhecido os Harrisons, passou a acreditar ainda mais que esta estava do seu lado. Era impensável que um homem tão rico quanto Alex Harrison fosse alguma vez parar ao Embarcadero County Hospital. “Fui eu quem lhe salvou a vida e ele pretende demonstrar a sua gratidão”, pensou Mallory, jubiloso.
Tinha pedido a um amigo que lhe fornecesse informações sobre os Harrisons.
- A palavra rico nem sequer o define bem - disse o amigo.
- É uma dúzia de vezes mais rico do que qualquer milionário. E tem uma filha muito bonita. Já foi casada três ou quatro vezes. A última, com um conde.
- Já conheces os Harrisons?
- Não. Não se misturam com zés-ninguém.
Um sábado de manhã, Alex Harrison telefonou a Ken Mallory.
- Ken, acha que estarei em forma para dar um jantar daqui a uma semana?
- Se não abusar, não vejo qualquer objeão - respondeu Mallory.
Alex Harrison sorriu:
- Ainda bem. Você é o convidado de honra.
Mallory sentiu-se subitamente excitado. “O velho sentiu mesmo o que disse.” - Bem… obrigado.
- Lauren e eu contamos consigo às sete e meia do próximo sábado à noite. - E deu a Mallory uma morada na Nob Hill.
- Lá estarei - afirmou Mallory. “Podem ter a certeza! “ Tinha prometido levar Kat ao teatro nessa noite, mas seria fácil cancelar. Recebera o dinheiro da aposta e gostara de ter relações sexuais com ela. Várias vezes por semana, conseguiram escapar para um dos quartos para médicos de serviço ou um dos quartos vazios do hospital, para o apartamento dele ou para o dela. “O fogo dela estivera muito tempo guardado”, pensou Mallory, alegremente, mas quando a explosão surgiu… uau! Bem, um destes dias terei de lhe dizer arrivederci”.
Quando chegou o dia do jantar em casa dos Harrisons, Mallory telefonou a Kat:
- Más notícias, querida.
- O que se passa, amor?
- Um dos médicos está doente e pediram-me que o substituísse. Lamento, mas vamos ter de cancelar a saída de hoje.
Kat não quis que percebesse o seu desapontamento nem o quanto queria estar com ele. Disse em voz normaclass="underline"
- Esse é o negócio dos médicos, não é?
- Sim. Hei-de compensar-te.
- Não tens de me compensar de nada - disse, calorosamente.
- Amo-te.
- Ken, quando vamos falar de nós?
- O que queres dizer com isso?
Sabia exatamente a resposta. Um compromisso. Eram todas iguais.
“Utilizam a rata como isca, na esperança de convencer um parvalhão a passar a vida com elas.,” Bem, ele era demasiado esperto para cair numa dessas. Quando chegasse o momento, terminaria tudo, tal como já tinha feito uma dúzia de vezes.
Kat perguntou:
- Não achas que devíamos marcar a data, Ken? Tenho muitos planos a fazer.
- Claro. Faremos isso.
- Pensei em Junho. O que é que achas? “Não queiras saber o que é que eu acho. Se jogar as cartas certas haverá um casamento, mas não será contigo.” - Falaremos disso mais tarde, querida. Agora tenho mesmo de ir.
A casa dos Harrisons era uma mansão só vista em cinema, situada num vasto terreno muito bem cuidado.
A casa por si só parecia nunca mais acabar. Estavam lá cerca de duas dúzias de convidados e, no enorme salão de visitas, tocava uma orquestra.
Quando Mallory entrou, Lauren correu a cumprimentá-lo. Trazia um vestido de seda de ombros caídos.
Apertou a mão de Mallory e disse:
- Bem-vindo, convidado de honra. Fico feliz por aqui estar.
- Também eu. Como está o seu pai?
- Muito vivo, graças a si. O senhor é um verdadeiro herói nesta casa.
Mallory sorriu modestamente:
- Apenas cumpri o meu dever.
- Julgo que é isso que Deus diz todos os dias. - Pegou-lhe na mão e começou a apresentá-lo aos outros convidados.
Estes pertenciam à alta sociedade. Encontravam-se ali o governador da Califórnia, o embaixador francês, um juiz do Supremo Tribunal e uma dúzia de outras pessoas, como políticos, artistas e grandes homens de negócios.
Mallory sentia o poder na sala e isso causou-lhe um calafrio.
“É aqui que eu pertenço”, pensou. “Exatamente aqui, no meio desta gente.”
O jantar foi delicioso e elegantemente servido. No final da noite, quando os convidados começaram a sair, Harrison disse a Mallory:
- Não tenha pressa de sair, Ken. Gostaria de falar consigo.
- Com todo o prazer.
Harrison, Lauren e Mallory foram para a biblioteca.
Harrison sentou-se numa cadeira próximo da filha.
- Quando no hospital lhe disse que achava que tinha um grande futuro, disse-o sinceramente.
- Agradeço muito a sua confidência, sir.
- Devia estar a praticar clínica privada.
Mallory sorriu, autodesvalorizando-se:
- Infelizmente, não é assim tão fácil, senhor Harrison. É preciso muito tempo para se obter prática e eu…
- Vulgarmente, sim. Mas você não é um homem vulgar.
- Não compreendo.
- Quando terminar a residência, o pai quer montar-lhe a sua própria clínica - disse Lauren.
Por um momento Mallory ficou sem saber o que dizer. Era fácil de mais.
Sentiu que estava a viver um sonho maravilhoso.
- Eu… nem sei o que dizer.
- Tenho vários amigos muito ricos. Já falei sobre si com alguns deles.
Garanto-lhe que será famoso no minuto em que pendurar a sua tabuleta.
- Pai, os advogados penduram tabuletas - disse Lauren.
- É claro. De qualquer modo, gostaria de o financiar.
Está interessado?
Mallory tinha dificuldade em respirar:
- Bastante. Mas… não sei quando poderei pagar-lhe.
- Você não entendeu. Eu é que estou a pagar-lhe. Você não irá ficar a dever-me nada.
Lauren olhou melancólica para Mallory:
- Por favor, diga sim.
- Seria estúpido se recusasse, não seria?
- Exato - respondeu Lauren, suavemente. - E tenho a certeza de que não é estúpido.
A caminho de casa, Ken Mallory estava eufórico. “É o máximo que vais conseguir”, pensou. Mas estava errado.
Tornou-se ainda melhor.
Lauren telefonou-lhe:
- Espero que não se importe de misturar os negócios com o prazer.