Nada dura para sempre [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 1996
- Язык: португальский
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «Nada dura para sempre [em Português]». Краткое содержание книги:
“A culpa é minha”, pensou Paige. “Quis que morresse.” Sentiu-se miserável.
Voltou ao gabinete do Dr. Wallace:
- Lamento o que sucedeu - disse Paige. - Era um bom médico.
- Sim. É lamentável. Muito… - Wallace estudou-a por momentos. - Paige, se o doutor Barker não puder exercer mais, não quer pensar em continuar cá?
Paige hesitou:
- Sim. Claro.
No gráfico lia-se: “John Cronin, sexo masculino, raça branca, idade 70.
Diagnóstico: Tumor cardíaco.” Paige ainda não conhecia John Cronin.
Estava marcado para uma cirurgia cardíaca. Ela entrou no quarto juntamente com uma enfermeira e um médico auxiliar. Sorriu cortesmente e saudou:
- Bom dia, senhor Cronin.
Tinham acabado de retirar os tubos e havia marcas de adesivo à volta da boca. As garrafas IV estavam suspensas sobre a cabeça e a tubagem fora inserida no braço esquerdo.
Cronin olhou para Paige:
- Quem diabo é a senhora?
- Sou a doutora Taylor. Vou examiná-lo e…
- O diabo é que vai! Mantenha a merda das suas mãos longe de mim.
Porque é que não me mandaram um verdadeiro médico? O sorriso de Paige desvaneceu-se:
- Sou cirurgiã cardíaca. Vou fazer tudo o que puder para que volte a ficar bem.
- A senhora vai operar o meu coração?
- Exato. Eu…
John Cronin olhou para o médico auxiliar e disse:
- Por amor de Deus, isto é o melhor que este hospital pode fazer?
- Garanto-lhe que a doutora Taylor é bastante qualificada - respondeu o médico.
- Também o meu cu.
Paige perguntou em tom seco:
- Quer mandar vir o seu próprio cirurgião?
- Não tenho nenhum. Não posso pagar o que eles pedem. Vocês médicos são todos iguais. Só vos interessa o dinheiro. Querem lá saber das pessoas.
Para vocês, nós somos apenas uns pedaços de carne, não é assim?
Paige tentava conservar a calma:
- Sei que neste preciso momento o senhor está nervoso, mas…
- Nervoso? Só porque me vai cortar o coração? - gritou.
- Sei que vou morrer na mesa de operações. Você vai matar-me e espero que a condenem por assassinato!
- Basta! - disse Paige.
Ele sorriu maliciosamente:
- Não ficaria bem na sua ficha se eu morresse, não é, doutora? Talvez resolva deixar que me opere.
Paige sentiu que começava a arfar. Voltou-se para a enfermeira:
- Quero um eletrocardiograma e um painel químico. - Olhou pela última vez para John Cronin e, em seguida, voltou-se e saiu do quarto.
Quando Paige regressou uma hora mais tarde com os relatórios dos exames, John Cronin afirmou:
- Oh, a puta está de volta!
Paige operou John Cronin às seis horas da manhã seguinte.
Assim que o abriu, soube que não havia esperança.
O problema principal não era o coração. Os órgãos de Cronin apresentavam sinais de melanoma.
Um residente disse:
- Oh, meu Deus! Que podemos fazer?
- Podemos rezar para que não viva assim muito tempo.
Quando Paige saiu da sala de operações, uma mulher e dois homens esperavam-na no corredor. A mulher tinha trinta e muitos anos. Era ruiva, estava demasiado maquilhada e usava um perfume barato e muito intenso.
Trazia um vestido justo, que acentuava a sua figura volupuosa.
Os homens estavam na casa dos quarenta anos e eram ambos ruivos. Para Paige, os três pareciam fazer parte de um grupo de circo.
A mulher disse a Paige:
- A doutora Taylor é a senhora?
- Sim.
- Sou a senhora Cronin. Estes são os meus irmãos.
Como está o meu marido?
Paige hesitou. Disse, cuidadosamente:
- A operação correu tão bem quanto esperávamos.
- Oh, graças a Deus! - disse melodramaticamente a Sra.
Cronin, limpando os olhos com um lenço. - Morreria se acontecesse algo a John!
Paige sentiu que estava a presenciar uma cena de teatro, representada por uma atriz barata.
- Já posso ver o meu querido?
- Ainda não, senhora Cronin. Ele está na sala de recuperação. Sugiro que regresse amanhã.
- Voltarei. - Voltou-se para os homens: - Venham daí, filhos.
Paige ficou a vê-los afastarem-se. “Pobre John Cronin”, pensou.
Paige recebeu o relatório na manhã seguinte. O cancro tinha-se disseminado por todo o corpo do doente. Já era demasiado tarde para um tratamento de irradiação.
O oncologista disse a Paige:
- Só nos resta tentar fazer com que se sinta confortável.
Vai ter dores infernais.
- Quanto tempo lhe resta?
- Uma a duas semanas no máximo.
Paige foi visitar John Cronin nos cuidados intensivos.
Estava a dormir. Já não era um homem amargo e mordaz, mas um ser humano a lutar desesperadamente pela vida.
Estava ligado ao pulmão artificial e a ser alimentado por via intravenosa.
Paige sentou-se ao lado, a observá-lo. Parecia cansado e derrotado. “É um dos azarados,, pensou Paige.
“Mesmo com todos os milagres da medicina, nada podemos fazer para o salvar.” Paige tocou-lhe suavemente no braço. Após algum tempo, saiu.
Mais tarde, Paige tornou a visitar John Cronin. Já não estava ligado ao pulmão artificial. Quando abriu os olhos e viu Paige, perguntou ainda tonto:
- A operação já terminou, hem?
Paige sorriu tranquilizadoramente:
- Sim. Passei por aqui só para saber se se sente confortável.
- Confortável? - desdenhou. - O que é que isso lhe interessa?
Paige afirmou:
- Por favor. Não vamos brigar.
Cronin ficou silencioso, estudando-a:
- O outro médico disse-me que você fez um bom trabalho. - Paige nada disse. - Tenho cancro, não é?
- Sim.
- Qual é a gravidade?
A pergunta colocou um dilema que todos os cirurgiões tinham de enfrentar, mais cedo ou mais tarde.
Paige respondeu:
- É bastante grave.
Houve um longo silêncio.
- E a irradiação ou quimioterapia?
- Lamento. Faria com que se sentisse ainda pior e isso não ajudaria em nada.
- Compreendi. Bem… tive uma vida boa.
- Tenho a certeza que sim.
- Talvez julgue que não, olhando para mim agora; mas tive muitas mulheres.
- Acredito.
- Sim. mulheres… bons bifes… bons charutos… É casada?
- Não.
- Devia ser. Todos deviam casar. Fui casado. Duas vezes.
Primeiro, durante trinta e cinco anos. Ela era uma mulher maravilhosa.
Morreu de ataque cardíaco.
- Lamento.
- Está tudo bem - suspirou. - Depois fui obrigado a casar com uma bimba.
Ela e os seus dois famintos irmãos. Errei por ter sido tão estúpido, julgo eu.
O cabelo ruivo dela excitava-me. Ela é cá um pedaço de mulher.
- Tenho a certeza que ela…
- Sem ofensas, mas sabe porque é que estou nesta merda de hospital? Foi ela quem me trouxe para cá. Não queria gastar dinheiro com um hospital particular. - Olhou para Paige.
- Quanto tempo tenho ainda?
- Quer ouvir a verdade?
- Não… sim.
- De uma a duas semanas.
- Meu Deus! As dores vão piorar, não é?
- Vou tentar mantê-lo o mais confortável possível, senhor Cronin.
- Trate-me por John.
- John.
- A vida é uma merda, não é?
- O senhor disse que teve uma boa vida.
- Tive. Torna-se cómico saber que tudo acabou. Para onde julga que vamos?
- Não sei.
Forçou um sorriso:
- Dir-lhe -ei quando lá chegar.
- Vem aí o medicamento. Posso fazer alguma coisa para o tornar mais confortável? -” Sim. Volte logo à noite para conversar comigo.
Era a folga de Paige e ela estava exausta.
- Voltarei mais logo.
Quando nessa noite Paige foi visitar John Cronin, este estava acordado.
- Como se sente?
Ele estremeceu:
- Terrível. Nunca suportei muito bem as dores. Acho que sou um fracalhote.