Nada dura para sempre [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 1996
- Язык: португальский
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «Nada dura para sempre [em Português]». Краткое содержание книги:
Sorriu para si próprio:
- De modo algum. O que tem em mente?
- Há uma festa de caridade no próximo sábado à noite. Quer acompanharme? “Oh, filha, vou acompanhar-te durante toda a noite.
- Com todo o prazer. - Estava de serviço no sábado à noite, mas iria telefonar a dizer que estava doente e eles teriam de arranjar alguém que o substituísse.
Mallory era um homem que acreditava em planejamento antecipado e o que lhe estava a acontecer agora ultrapassava os seus mais remotos sonhos.
Dentro de poucos dias seria introduzido no círculo social de Lauren e a sua vida daria um enorme passo em frente. Iria dançar com ela metade da noite e esperar que os dias de hospital passassem. Cada vez havia mais queixas do seu trabalho, mas ele não se importava com isso.
“Em breve estarei fora daqui”, disse para consigo.
A ideia de deixar aquele medonho hospital estatal e possuir a sua própria clínica era suficientemente excitante, mas Lauren era o bónus que a dona sorte lhe tinha dado.
Kat estava a tornar-se um estorvo. Mallory tinha de estar sempre a arranjar desculpas para não a ver. Quando ela o pressionava, ele respondia:
- Querida, estou louco por ti… claro que quero casar contigo, mas neste momento eu… - e inventava uma quantidade de desculpas.
Foi Lauren quem sugeriu que os dois passassem o fim-de-semana na casa de campo da família, em Big Sur. Mallory adorou a ideia. “Está tudo a correr num mar de rosas”, pensou. “Vou ser o dono de todo este mundo!”
A casa situava-se no meio de colinas cobertas de pinheiros e era uma construção de madeira, azulejos e pedra, virada para o oceano Pacífico.
Tinha um amplo quarto de casal, oito quartos para convidados, uma espaçosa sala de estar com lareira de pedra, uma piscina interior e um enorme tanque de água quente.
Tudo cheirava a dinheiro antigo.
Quando entraram, Lauren virou-se para Mallory e disse:
- Dei o fim-de-semana de folga aos empregados.
Mallory sorriu:
- Bem pensado.
Abraçou-a e acrescentou, suavemente:
- Estou louco por ti.
- Demonstra-me - afirmou Lauren.
Passaram o dia na cama e Lauren era quase tão insaciável como Kat.
- Estás a acabar comigo! - disse Mallory a rir.
- Ainda bem. Quero que não consigas fazer amor com mais ninguém. - Sentou-se na cama. - Não existe mais ninguém, existe, Ken?
- Claro que não - respondeu Mallory com sinceridade. - Para mim, não existe mais ninguém no mundo senão tu. Estou apaixonado por ti, Lauren. - Tinha chegado o momento de se atirar, de resolver o seu futuro de uma vez por todas. Uma coisa era ser um médico famoso com clínica própria e outra era ser o genro de Alex Harrison.
- Quero casar contigo.
Susteve a respiração, até ouvir a resposta dela.
- Oh, sim, querido - respondeu Lauren. - Sim.
No apartamento, Kat tentava desesperadamente encontrar Mallory. Ligou para o hospital.
- Lamento, doutora Hunter, mas o doutor Mallory não está de serviço e não responde ao telebip.
- Ele não disse onde poderia ser encontrado?
- Não temos aqui nada.
Kat desligou o telefone e voltou-se para Paige:
- Pressinto que lhe aconteceu alguma coisa. Caso contrário, já me teria ligado.
- Kat, pode haver centenas de motivos por ainda não te ter ligado. Talvez tivesse de sair subitamente da cidade, ou…
- Tens razão. Tenho a certeza que haverá uma boa desculpa.
Kat olhou para o telefone e desejou que tocasse.
Quando Mallory regressou a São Francisco, telefonou para o hospital para falar com Kat.
- A doutora Hunter não está de serviço - informou a recepcionista.
- Obrigado. - Mallory ligou para o apartamento.
Kat estava lá.
- Olá, querida!
- Ken! Onde estiveste? Tenho estado preocupada contigo.
Liguei para todo o lado à sua procura…
- Tive uma urgência familiar - disse lentamente.
- Desculpa. Não pude avisar-te. Tive de sair da cidade.
Posso ir aí?
- Sabes que sim. Fico feliz por saber que estás bem.
Eu…
- Daqui a meia hora. - Pousou o auscultador e pensou, feliz: “Chegou o momento”, disse, “de falar de muitas coisas. Kat querida, foi muito bom, mas…, sabes como é.”
Quando Mallory chegou ao apartamento, Kat agarrou-se-lhe ao pescoço:
- Tive tantas saudades tuas! - Não lhe podia dizer como tinha estado tão desesperadamente preocupada. Os homens detestavam esse tipo de coisas.
Afastou-se um pouco:
- Querido, pareces absolutamente exausto.
Mallory suspirou:
- Estou acordado há vinte e quatro horas. “Essa parte é verdade”, pensou.
Kat abraçou-o:
- Pobrezinho. Queres que te arranje alguma coisa?
- Não, estou bem. Tudo o que preciso é de uma boa noite de sono. Vamos sentar-nos, Kat. Temos de ter uma conversa.
- Sentou-se no sofá, ao lado dela.
- Passa-se alguma coisa? - perguntou Kat.
Mallory respirou fundo.
- Kat, ultimamente tenho pensado muito em nós.
Ela sorriu:
- Também eu. Tenho novidades para te dar…
- Não, espera. Deixa-me acabar. Kat, acho que estamos a precipitar os acontecimentos. Acho… acho que te pedi em casamento demasiado cedo.
Ela ficou pálida:
- Que… que estás tu a dizer?
- Estou a dizer que acho que devíamos adiar tudo.
Ela sentiu que o chão lhe fugia. Tinha dificuldade em respirar.
- Ken, não podemos adiar nada. Vou ter um filho teu.
Paige chegou a casa à meia-noite, esgotada. Tivera um dia exaustivo. Nem sequer conseguira almoçar e ao jantar comera apenas sanduíches entre as operações. Caiu na cama e adormeceu instantaneamente. Foi acordada pela campainha do telefone.
Tonta de sono, pegou no aparelho e automaticamente olhou para o relógio da mesinha-de-cabeceira. Eram três da manhã.
- Doutora Taylor? Peço desculpa por incomodá-la, mas um dos seus doentes insiste em que a quer ver imediatamente.
A garganta de Paige estava tão seca que mal podia falar.
- Já saí de serviço - murmurou. - Não consegue arranjar mais alguém…?
- Ele não fala com mais ninguém. Diz que tem de ser a senhora.
- Quem é?
- John Cronin.
Endireitou-se:
- Que foi que aconteceu?
- Não sei. Recusa falar com mais alguém a não ser consigo.
- Está bem - disse, fatigada. - Vou já.
Trinta minutos mais tarde, Paige chegou ao hospital.
Foi diretamente ao quarto de John Cronin. Ele estava deitado, mas acordado. Tinha tubos ligados ao nariz e aos braços.
- Obrigado por ter vindo. - A voz soou fraca e rouca.
Paige sentou-se numa cadeira ao lado da cama. Sorriu:
- Não faz mal, John. De qualquer modo, não tinha mais nada para fazer a não ser dormir. O que é que posso fazer por si, que mais ninguém neste imenso hospital poderia ter feito?
- Quero que converse comigo.
Paige resmungou:
- A esta hora? Pensei que fosse alguma emergência.
- É. Quero partir.
Ela abanou a cabeça:
- Isso é impossível. Não pode ir para casa agora. Não poderia receber o tipo de tratamento…
Ele interrompeu-a:
- Não quero ir para casa. Quero partir.
Olhou para ele e disse lentamente:
- O que é que está a dizer?
- Você sabe o que estou a dizer. Os medicamentos já não atuam. Não consigo suportar esta dor. Quero acabar com tudo.
Paige inclinou-se para a frente e pegou-lhe na mão: -John, não posso fazer isso. Vou dar-lhe um…
- Não. Estou farto, Paige. Quero ir para onde quer que seja e não quero ficar aqui a sofrer assim. Já estou farto.
- John…
- Quanto tempo me resta? Alguns dias mais? Já lhe disse, não suporto bem as dores. Estou aqui deitado como um animal encurralado, cheio destes malditos tubos.
O meu corpo está a ser consumido por dentro. Isto não é viver; é morrer.