Nada dura para sempre [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 1996
- Язык: португальский
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «Nada dura para sempre [em Português]». Краткое содержание книги:
- Certo.
Um dos residentes perguntou:
- Qual é o problema?
- Ontem o doutor Barker substituiu a válvula mitral.
Penso que rebentou. - Paige olhou para o Dr. Koch. - Já está inconsciente?
Koch anuiu:
- A dormir como se estivesse em casa, na sua própria cama.
“Quem me dera que você estivesse” pensou Paige.
- O que é que está a utilizar?
- Propofol.
Ela concordou:
- Está bem.
Viu Kelly ser ligado ao pulmão artificial para que ela pudesse efetuar o desvio cardiopulmonar. Paige estudou os monitores da parede. Pulsação 140… saturação de oxigénio no sangue 92 por cento… pressão arterial
80/60.
- Vamos - disse.
Um dos residentes ligou a música.
Paige aproximou-se da mesa de operações, colocada sob mil e cem watts de luz quente, e pediu à enfermeira-assistente:
- Bisturi, por favor.
A operação começou.
Paige retirou todas as ligações externas que tinham sido feitas no dia anterior. Em seguida, cortou desde a base do pescoço até à extremidade inferior do esterno, enquanto um residente limpava o sangue com compressas de gaze.
Cuidadosamente, atravessou as camadas de gordura e músculo e, à sua frente, surgiu o coração, que batia irregularmente.
- Aqui está o problema - disse Paige. - O átrio está perfurado. O sangue está a acumular-se em volta do coração, comprimindo-o. - Paige olhou para o monitor da parede. A pressão tinha caído perigosamente.
- Aumentem a intensidade - ordenou Paige.
A porta da sala de operações abriu-se para dar passagem a Lawrence Barker. Aproximou-se de um dos lados para ver o que estava a acontecer.
Paige perguntou:
- Doutor Barker. Quer fazer…?
- A operação é sua.
Paige verificou rapidamente o que Koch estava a fazer: -Tenha cuidado.
Vai anestesiá-lo de mais, merda! Tenha calma!
- Mas eu…
- Ele entrou em choque! A pressão está a cair!
- Que quer que faça? - perguntou Koch, impotente.
“Devias saber”, pensou Paige furiosa.
- Dê-lhe lidocaína e epinefrina! Já! - gritou.
- Certo.
Paige viu Koch pegar numa seringa e injetá-la no doente.
Um residente olhou para o monitor e disse em voz alta:
- A pressão arterial está a cair.
Paige tentava freneticamente estancar o sangue. Olhou para Koch e disse:
- Intensidade a mais! Disse-lhe para…
O ruído da batida cardíaca no monitor tornou-se subitamente caótico.
- Meu Deus! Alguma coisa correu mal!
- Passem-me o desfibrilador! - gritou Paige.
A enfermeira auxiliar retirou o desfibrilador do carrinho de mão, abriu duas almofadas esterilizadas e aplicou-as no devido lugar. Rodou os botões para as carregar e, dez segundos mais tarde, entregou-as a Paige.
Esta pegou nas almofadas e colocou-as diretamente sobre o coração de Kelly. O corpo do doente deu um solavanco e depois caiu.
Paige tentou novamente, esperando que ele voltasse a viver, esperando que ele voltasse a respirar. Nada. O coração continuou parado: um órgão morto e inútil.
Paige estava furiosa. O seu papel na operação tinha sido bem sucedido, mas Koch anestesiara de mais o doente.
Enquanto Paige aplicava o desfibrilador no corpo de Lance Kelly pela terceira e inútil vez, o Dr. Barker aproximou-se da mesa de operações e voltou-se para Paige:
- Você matou-o.
Jason estava a meio de uma reunião de design quando a secretária informou:
- A doutora Taylor está ao telefone. Digo que lhe ligará mais tarde?
- Não, eu atendo. - Paige levantou o telefone. - Paige? -Jason… preciso de ti! - soluçava.
- O que foi que aconteceu?
- Podes vir ao meu apartamento?
- Claro. Vou já para aí. - Levantou-se. - A reunião está terminada. Amanhã de manhã continuaremos.
Meia hora mais tarde, Jason chegava ao apartamento.
Paige abriu-lhe a porta e atirou-se ao pescoço dele. Tinha os olhos vermelhos de chorar.
- O que foi que aconteceu? - perguntou Jason.
- É horrível! O doutor Barker disse que eu… eu matei um doente e, sinceramente, não tive a culpa! - A voz começou a fugir. - Não consigo suportar mais nenhuma das suas…
- Paige - disse Jason, suavemente -, tu contaste-me como ele é sempre mau. É o caráter dele.
Paige abanou a cabeça:
- É mais do que isso. Tem tentado obrigar-me a abandonar tudo, desde o dia em que comecei a trabalhar com ele. Jason, se ele fosse um mau médico e pensasse que eu não servia para nada, não me importaria tanto; mas o homem é brilhante. Tenho de respeitar a sua opinião.
Penso somente que não sou suficientemente boa para isto.
- Disparate - disse Jason, zangado. - Claro que és boa. Toda a gente com quem conversei me disse que és uma médica maravilhosa.
- Mas não Lawrence Barker.
- Esquece o Barker.
- Vou esquecer - disse Paige. - Vou deixar o hospital.
Jason abraçou-a.
- Paige, sei que gostas de mais da sua profissão para desistires dela.
- Não vou desistir. Só não quero ver mais aquele hospital.
- Jason tirou o lenço e limpou as lágrimas de Paige.
- Perdoa-me por te incomodar com tudo isto - disse Paige. - é para isso que servem os futuros maridos, não é? Conseguiu sorrir:
- Gosto de ouvir isso. Está bem. - Paige respirou fundo.
- Já me sinto melhor. Obrigada por teres conversado comigo.
Telefonei ao doutor Wallace e disse-lhe que me retirava. Vou agora falar com ele.
- Vemo-nos logo ao jantar.
Paige atravessou os corredores do hospital, sabendo que os via pela última vez. Ali estavam os sons familiares e as pessoas a correrem ao longo dos corredores, de um lado para o outro. Para ela, tinha-se transformado mais num lar do que aquilo que imaginava. Lembrou-se de Jimmy e de Chang, bem como de todos os médicos maravilhosos com quem tinha trabalhado.
O querido Jason a fazer a ronda com ela na sua bata branca.
Passou pela cafetaria, onde ela, Honey e Kat tinham tomado centenas de pequenos-almoços e pela sala de reuniões, onde tentaram fazer uma festa.
Os corredores e os quartos estavam repletos de tantas recordações. “Vou ter saudades disto”, pensou, “mas recuso-me trabalhar debaixo do mesmo teto que aquele monstro.”
Dirigiu-se ao gabinete do Dr. Wallace. Ele esperava-a.
- Bem, devo dizer que a sua chamada telefônica surpreendeu-me, Paige!
Está completamente decidida?
- Sim.
Benjamin Wallace suspirou:
- Muito bem. Antes de ir, o doutor Barker quer vê-la.
- Eu é que o quero ver. - Toda a fúria reprimida subiu à superfície.
- Ele está no laboratório. Bem… boa sorte.
- Obrigada. - Paige começou a caminhar em direão ao laboratório.
O Dr. Barker estava a examinar alguns exemplares sob o microscópio, quando Paige entrou. Ele levantou a cabeça.
- Disseram-me que decidiu deixar o hospital.
- Exato. Finalmente conseguiu o que queria.
- E o que foi que eu quis? - perguntou Barker.
- Quis-me fora daqui desde o primeiro momento em que me viu.
Bem, venceu. Já não consigo lutar mais contra si. Quando disse que matei o doente, eu… - a voz de Paige começou a falhar.
- Penso que é um sádico filho da puta com coração de pedra e eu odeio-o.
- Sente-se - disse o Dr. Barker.
- Não. Não tenho mais nada para dizer.
- Bom, mas eu tenho. Quem diabo julga que…? Parou subitamente e começou a ficar sufocado.
Enquanto Paige olhava horrorizada, ele agarrou-se ao peito e conseguiu sentar-se na cadeira, com o rosto torcido para um lado num grito pavoroso.
Paige aproximou-se de imediato:
- Doutor Barker! - Pegou no telefone e gritou: - Código vermelho! Código vermelho!
O Dr. Peterson disse:
- Sofreu um enfarte massivo. É muito cedo para dizer se irá conseguir superar.