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Nada dura para sempre [em Português]

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Nada dura para sempre [em Português]
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Kat falava de um dos seus doentes e Mallory olhava-a nos olhos, sem ouvir uma só palavra do que ela dizia. Tinha coisas mais importantes em que pensar.

O jantar estava quase a terminar e o empregado servia o café. Kat olhou para o relógio:

- Tenho de me levantar cedo, Ken. Acho melhor irmos embora.

Ele manteve-se sentado, a olhar para a mesa:

- Kat… - disse, levantando a cabeça. - Tenho uma coisa para te dizer.

- Sim?

- Tenho uma confissão a fazer - respirou fundo.

- Não é fácil para mim.

Olhou para ele, confusa:

- O que é?

- Tenho vergonha de te dizer - afirmou, escolhe ndo as palavras. - Eu… fiz uma aposta estúpida com alguns dos médicos… de que havia de te levar para a cama.

Kat olhou para ele:

- Tu…

- Não digas nada. Sinto vergonha do que fiz. Tudo começou com uma brincadeira, mas o centro fui eu.

Aconteceu algo que não esperava. Apaixonei-me por ti.

- Ken…

- Nunca me tinha apaixonado antes, Kat. Conheci muitas mulheres mas nunca senti nada por elas. Não tenho conseguido deixar de pensar em ti. - Deu um suspiro. - Quero casar-me contigo.

A mente de Kat começou a rodopiar. Estava tudo a virar-se de pernas para o ar.

- Eu… eu não sei o que…

- És a única a quem me declarei. Por favor, aceita.

Casas comigo, Kat?

Então ele sentira mesmo tudo o que lhe tinha dito! O coração batia mais depressa. Era como um sonho maravilhoso que subitamente se tornava real.

Tudo o que quis dele era honestidade. E agora ele estava a ser honesto consigo. Todo esse tempo tinha-se sentido culpado pelo que fizera. Não era como os outros. Era genuíno e sensível.

Quando Kat olhou para ele, os olhos brilhavam.

- Sim, Ken. Oh, sim!

A alegria dele iluminou a sala:

- Kat… - Inclinou-se e deu-lhe um beijo. - Perdoa aquela aposta estúpida. - Abanou a cabeça, em sinal de escárnio por si próprio. - Dez mil dólares.

Poderíamos ter utilizado esse dinheiro na nossa lua-de-mel. Mas vale a pena perdê-lo para te ter.

Kat ficou pensativa. “Dez mil dólares!

- Fui um autêntico tolo.

- Qual é o prazo-limite?

- A meia-noite de hoje, mas isso já não tem importância. A coisa mais importante somos nós. Que nos vamos casar. Nós…

- Ken?

- Sim, querida?

- Vamos para sua casa. - Havia um olhar malicioso nos olhos de Kat. - Ainda tens tempo para ganhar a aposta.

Kat foi violenta na cama.

“Meu Deus! Valeu a pena esperar…”, pensou Mallory.

Todos os sentimentos que Kat tinha guardado ao longo dos anos explodiram subitamente. Era a mulher mais apaixonada que Ken Mallory jamais conhecera. Ao cabo de duas horas, ele estava exausto. Abraçou-a e disse:

- És incrível.

Apoiou-se nos cotovelos e olhou para ele.

- Tu também és, querido. Sou tão feliz.

Mallory sorriu:

- E eu também. - “Um prémio de dez mil dólares!” pensou.

“E um sexo fantástico.” - Promete-me que será sempre assim, Ken.

- Prometo - disse com a voz mais sincera possível.

Kat olhou para o relógio.

- É melhor vestir-me.

- Não podes passar aqui a noite?

- Não, tenho de ir muito cedo com Paige para o hospital.

- Deu-lhe um beijo quente. - Não te preocupes.

Teremos toda a nossa vida para passarmos juntos.

Ele ficou a vê-la vestir-se.

- Mal posso esperar para receber o dinheiro da aposta. Vamos fazer uma grande lua-de-mel. - Franziu as sobrancelhas. - E se os rapazes não acreditarem em mim?

Não vão acreditar na minha palavra.

Kat ficou um momento pensativa. Por fim disse:

- Não te preocupes. Farei com que saibam.

Mallory sorriu:

- Volta para a cama.

O negro, de pistola apontada para Honey, gritou:

- Disse-lhe para ficar calada!

- Des… culpe - disse Honey. Estava a tremer. - O que… que quer daqui?

Com a mão, tentava estancar o sangue.

- Quero a minha irmã.

Honey olhou para ele, confusa. Ele estava obviamente louco.

- Sua irmã?

- Kat - a voz começou a desvanecer - Oh, meu Deus! Você é Mike!

- Sim.

A arma caiu e ele escorregou para o chão. Honey correu para ele. O sangue corria de um ferimento que mais parecia ter sido causado por uma bala.

- Fique quieto - disse Honey. Correu para a casa de banho e pegou na água oxigenada e numa toalha grande.

Regressou para junto de Mike.

- Isto vai doer - avisou.

Ele permaneceu ali, demasiado fraco para se mexer.

Deitou água oxigenada no ferimento e pressionou a toalha sobre este. Mike mordeu a mão para não gritar.

- Vou chamar uma ambulância e levá-lo para o hospital - disse Honey.

Ele pegou-lhe num braço e disse:

- Não! Nada de hospitais. Nada de polícia. - A voz estava cada vez mais fraca. - Onde está Kat?

- Não sei - respondeu Honey, impotentemente. Sabia que Kat estava algures com Mallory, mas não sabia onde.

- Deixe-me chamar uma pessoa minha amiga.

- Paige? - perguntou ele.

Honey concordou:

- Sim. - “Então Kat falou-lhe de nós”.

No hospital, só conseguiram encontrar Paige dez minutos depois.

- É melhor vires a casa - disse Honey.

- Estou de serviço, Honey. Estou a meio de…

- O irmão de Kat está aqui.

- Oh, bem, dize-lhe…

- Levou um tiro.

- Ele o quê?

- Levou um tiro!

- Vou mandar os paramédicos e…

- Ele não quer nada com hospitais ou polícia. Não sei o que fazer. - é muito grave?

- Bastante.

Houve uma pausa:

- Vou procurar alguém para me substituir. Estarei aí dentro de meia hora.

Honey poisou o telefone e voltou-se para Mike.

- Paige vem aí.

Duas horas mais tarde, de regresso ao apartamento, Kat tinha uma enorme sensação de bem-estar. Estivera nervosa por ter de fazer amor, com medo de o detestar depois da terrível experiência que tinha vivido, mas, em vez disso, Ken Mallory transformara o ato em algo maravilhoso. Tinha soltado emoções nela que nunca pensara que existissem.

Sorrindo consigo própria ao pensar no modo como, no último momento, tinham passado a perna aos médicos e vencido a aposta, Kat abriu a porta do apartamento e ali permaneceu, chocada. Paige e Honey estavam ajoelhadas ao lado de Mike.

Este estava deitado no chão, com uma almofada debaixo da cabeça, uma toalha colocada contra o lado do corpo e as roupas sujas de sangue.

Paige e Honey levantaram a cabeça quando Kat entrou.

- Mike! Meu Deus! - Correu para ele e ajoelhou-se ao seu lado. - O que aconteceu?

- Olá, mana - a voz mal se ouvia.

- Levou um tiro - disse Paige. - Está com hemorragia.

- Vamos levá-lo para o hospital - disse Kat.

Mike abanou a cabeça:

- Não - murmurou. - Tu és médica. Cuida de mim.

Kat olhou para Paige.

“Estanquei o sangue o melhor que pude, mas a bala ainda lá está. Não temos aqui os instrumentos para…

- Ainda está a perder sangue - disse Kat. Pegando na cabeça de Mike, disse. - Ouve bem, Mike. Se não obtiveres ajuda, vais morrer.

- Não… podem… comunicar… isto… Não quero a polícia.

Kat perguntou-lhe baixinho:

- Em que é que te meteste, Mike?

- Nada. Estava num… negócio… que correu mal… e um fulano ficou enfurecido e deu-me um tiro.

Era o tipo de história que Kat ouvira durante anos a fio.

Mentiras. Tudo mentiras. Já na altura sabia disso e agora também, mas tinha procurado esconder a verdade de si própria.

Mike pegou-lhe num braço:

- Ajudas-me, mana?

- Sim. Vou ajudar-te, Mike. - Kat ajoelhou-se e deu-lhe um beijo na face.

Em seguida, dirigiu-se ao telefone. Levantou o auscultador e discou o número das urgências do hospital.

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