Nada dura para sempre [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 1996
- Язык: португальский
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «Nada dura para sempre [em Português]». Краткое содержание книги:
Kat falava de um dos seus doentes e Mallory olhava-a nos olhos, sem ouvir uma só palavra do que ela dizia. Tinha coisas mais importantes em que pensar.
O jantar estava quase a terminar e o empregado servia o café. Kat olhou para o relógio:
- Tenho de me levantar cedo, Ken. Acho melhor irmos embora.
Ele manteve-se sentado, a olhar para a mesa:
- Kat… - disse, levantando a cabeça. - Tenho uma coisa para te dizer.
- Sim?
- Tenho uma confissão a fazer - respirou fundo.
- Não é fácil para mim.
Olhou para ele, confusa:
- O que é?
- Tenho vergonha de te dizer - afirmou, escolhe ndo as palavras. - Eu… fiz uma aposta estúpida com alguns dos médicos… de que havia de te levar para a cama.
Kat olhou para ele:
- Tu…
- Não digas nada. Sinto vergonha do que fiz. Tudo começou com uma brincadeira, mas o centro fui eu.
Aconteceu algo que não esperava. Apaixonei-me por ti.
- Ken…
- Nunca me tinha apaixonado antes, Kat. Conheci muitas mulheres mas nunca senti nada por elas. Não tenho conseguido deixar de pensar em ti. - Deu um suspiro. - Quero casar-me contigo.
A mente de Kat começou a rodopiar. Estava tudo a virar-se de pernas para o ar.
- Eu… eu não sei o que…
- És a única a quem me declarei. Por favor, aceita.
Casas comigo, Kat?
Então ele sentira mesmo tudo o que lhe tinha dito! O coração batia mais depressa. Era como um sonho maravilhoso que subitamente se tornava real.
Tudo o que quis dele era honestidade. E agora ele estava a ser honesto consigo. Todo esse tempo tinha-se sentido culpado pelo que fizera. Não era como os outros. Era genuíno e sensível.
Quando Kat olhou para ele, os olhos brilhavam.
- Sim, Ken. Oh, sim!
A alegria dele iluminou a sala:
- Kat… - Inclinou-se e deu-lhe um beijo. - Perdoa aquela aposta estúpida. - Abanou a cabeça, em sinal de escárnio por si próprio. - Dez mil dólares.
Poderíamos ter utilizado esse dinheiro na nossa lua-de-mel. Mas vale a pena perdê-lo para te ter.
Kat ficou pensativa. “Dez mil dólares!
- Fui um autêntico tolo.
- Qual é o prazo-limite?
- A meia-noite de hoje, mas isso já não tem importância. A coisa mais importante somos nós. Que nos vamos casar. Nós…
- Ken?
- Sim, querida?
- Vamos para sua casa. - Havia um olhar malicioso nos olhos de Kat. - Ainda tens tempo para ganhar a aposta.
Kat foi violenta na cama.
“Meu Deus! Valeu a pena esperar…”, pensou Mallory.
Todos os sentimentos que Kat tinha guardado ao longo dos anos explodiram subitamente. Era a mulher mais apaixonada que Ken Mallory jamais conhecera. Ao cabo de duas horas, ele estava exausto. Abraçou-a e disse:
- És incrível.
Apoiou-se nos cotovelos e olhou para ele.
- Tu também és, querido. Sou tão feliz.
Mallory sorriu:
- E eu também. - “Um prémio de dez mil dólares!” pensou.
“E um sexo fantástico.” - Promete-me que será sempre assim, Ken.
- Prometo - disse com a voz mais sincera possível.
Kat olhou para o relógio.
- É melhor vestir-me.
- Não podes passar aqui a noite?
- Não, tenho de ir muito cedo com Paige para o hospital.
- Deu-lhe um beijo quente. - Não te preocupes.
Teremos toda a nossa vida para passarmos juntos.
Ele ficou a vê-la vestir-se.
- Mal posso esperar para receber o dinheiro da aposta. Vamos fazer uma grande lua-de-mel. - Franziu as sobrancelhas. - E se os rapazes não acreditarem em mim?
Não vão acreditar na minha palavra.
Kat ficou um momento pensativa. Por fim disse:
- Não te preocupes. Farei com que saibam.
Mallory sorriu:
- Volta para a cama.
O negro, de pistola apontada para Honey, gritou:
- Disse-lhe para ficar calada!
- Des… culpe - disse Honey. Estava a tremer. - O que… que quer daqui?
Com a mão, tentava estancar o sangue.
- Quero a minha irmã.
Honey olhou para ele, confusa. Ele estava obviamente louco.
- Sua irmã?
- Kat - a voz começou a desvanecer - Oh, meu Deus! Você é Mike!
- Sim.
A arma caiu e ele escorregou para o chão. Honey correu para ele. O sangue corria de um ferimento que mais parecia ter sido causado por uma bala.
- Fique quieto - disse Honey. Correu para a casa de banho e pegou na água oxigenada e numa toalha grande.
Regressou para junto de Mike.
- Isto vai doer - avisou.
Ele permaneceu ali, demasiado fraco para se mexer.
Deitou água oxigenada no ferimento e pressionou a toalha sobre este. Mike mordeu a mão para não gritar.
- Vou chamar uma ambulância e levá-lo para o hospital - disse Honey.
Ele pegou-lhe num braço e disse:
- Não! Nada de hospitais. Nada de polícia. - A voz estava cada vez mais fraca. - Onde está Kat?
- Não sei - respondeu Honey, impotentemente. Sabia que Kat estava algures com Mallory, mas não sabia onde.
- Deixe-me chamar uma pessoa minha amiga.
- Paige? - perguntou ele.
Honey concordou:
- Sim. - “Então Kat falou-lhe de nós”.
No hospital, só conseguiram encontrar Paige dez minutos depois.
- É melhor vires a casa - disse Honey.
- Estou de serviço, Honey. Estou a meio de…
- O irmão de Kat está aqui.
- Oh, bem, dize-lhe…
- Levou um tiro.
- Ele o quê?
- Levou um tiro!
- Vou mandar os paramédicos e…
- Ele não quer nada com hospitais ou polícia. Não sei o que fazer. - é muito grave?
- Bastante.
Houve uma pausa:
- Vou procurar alguém para me substituir. Estarei aí dentro de meia hora.
Honey poisou o telefone e voltou-se para Mike.
- Paige vem aí.
Duas horas mais tarde, de regresso ao apartamento, Kat tinha uma enorme sensação de bem-estar. Estivera nervosa por ter de fazer amor, com medo de o detestar depois da terrível experiência que tinha vivido, mas, em vez disso, Ken Mallory transformara o ato em algo maravilhoso. Tinha soltado emoções nela que nunca pensara que existissem.
Sorrindo consigo própria ao pensar no modo como, no último momento, tinham passado a perna aos médicos e vencido a aposta, Kat abriu a porta do apartamento e ali permaneceu, chocada. Paige e Honey estavam ajoelhadas ao lado de Mike.
Este estava deitado no chão, com uma almofada debaixo da cabeça, uma toalha colocada contra o lado do corpo e as roupas sujas de sangue.
Paige e Honey levantaram a cabeça quando Kat entrou.
- Mike! Meu Deus! - Correu para ele e ajoelhou-se ao seu lado. - O que aconteceu?
- Olá, mana - a voz mal se ouvia.
- Levou um tiro - disse Paige. - Está com hemorragia.
- Vamos levá-lo para o hospital - disse Kat.
Mike abanou a cabeça:
- Não - murmurou. - Tu és médica. Cuida de mim.
Kat olhou para Paige.
“Estanquei o sangue o melhor que pude, mas a bala ainda lá está. Não temos aqui os instrumentos para…
- Ainda está a perder sangue - disse Kat. Pegando na cabeça de Mike, disse. - Ouve bem, Mike. Se não obtiveres ajuda, vais morrer.
- Não… podem… comunicar… isto… Não quero a polícia.
Kat perguntou-lhe baixinho:
- Em que é que te meteste, Mike?
- Nada. Estava num… negócio… que correu mal… e um fulano ficou enfurecido e deu-me um tiro.
Era o tipo de história que Kat ouvira durante anos a fio.
Mentiras. Tudo mentiras. Já na altura sabia disso e agora também, mas tinha procurado esconder a verdade de si própria.
Mike pegou-lhe num braço:
- Ajudas-me, mana?
- Sim. Vou ajudar-te, Mike. - Kat ajoelhou-se e deu-lhe um beijo na face.
Em seguida, dirigiu-se ao telefone. Levantou o auscultador e discou o número das urgências do hospital.