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Nada dura para sempre [em Português]

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Nada dura para sempre [em Português]
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- Sentes-te bem? - perguntou Mallory.

- Não sei. Desculpas-me um momento?

- Com certeza. - Viu-a levantar e dirigir-se à casa de banho das senhoras.

Quando regressou, disse:

- É o momento errado, querido. Peço desculpa. É melhor levares-me a casa.

Olhou para ela, tentando esconder a frustração. A maldita sina estava a conspirar contra ele.

- Está bem - respondeu Mallory, bruscamente. Estava prestes a explodir.

Vai perder cinco preciosos dias.

Cincp minutos depois de Kat ter regressado ao apartamento, a campainha da porta começou a tocar. Kat sorriu.

Mallory tinha encontrado uma desculpa para regressar e ela odiava-se a si própria por ficar tão satisfeita.

Dirigiu-se à porta e abriu-a.

- Ken…

Eram Rhino e o Sombra. Kat sentiu uma súbita onda de medo.

Os dois empurraram-na para dentro do apartamento; Rhino perguntou-lhe:

- É você quem vai operar o senhor Dinetto?

- Sim - esclareceu Kat, e engoliu em seco.

- Não queremos que lhe aconteça nada.

- Nem eu - disse Kat. - Agora, se me derem licença, estou cansada e…

- Ele corre o risco de morrer? - perguntou o Sombra.

Kat hesitou:

- Na cirurgia cerebral existe sempre o risco de…

- É melhor que não deixe que isso aconteça.

- Acreditem, eu…

- Não deixe que isso aconteça. - Olhou para Rhino.

- Vamos.

Kat viu-os prepararem-se para sair.

À porta, o Sombra voltou-se e disse:

- Diga “olá” a Mike por nós.

Kat ficou subitamente imóveclass="underline"

- Isto… isto é alguma espécie de ameaça?

- Nós não ameaçamos ninguém, doutora. Nós estamos a dizer-lhe. Se o senhor Dinetto morrer, você e a merda da sua família desaparecerão da face da Terra.

No vestiário, meia dúzia de médicos esperavam que Ken Mallory aparecesse.

Quando este entrou, Grundy saudou:

- Avé ao herói conquistador! Queremos ouvir todos os pormenores lúridos.

- Sorriu. - Mas, tal como foi combinado, irmão, queremos ouvir da boca dela.

- Tive um pouco de má sorte - lamentou-se Mallory a sorrir.

- Mas todos vocês podem começar a pôr dinheiro de lado.

Kat e Paige estavam a preparar-se para operar.

- Já alguma vez operaste um médico? - perguntou Kat.

- Não.

- Tens sorte. São os piores doentes do mundo. Sabem de mais.

- Quem vais operar?

- O doutor Mervyn “Não Me Magoe,” Franklin.

- Boa sorte.

- Bem preciso dela.

O Dr. Mervyn Franklin era sexagenário, magro, calvo e irascível.

Quando Kat entrou no quarto, ele disse bruscamente:

- Já era tempo de ter chegado. Já tem o resultado dos malditos eletrólitos?

- Sim - disse Kat. - São normais.

- Quem é que o diz? Não confio na merda do laboratório.

Cinquenta por cento das vezes não sabem o que fazem. E certifique-se de que não há misturas na transfusão de sangue.

- Certificar-me-ei - respondeu Kat, pacientemente.

- Quem vai fazer a operação?

- O doutor Jurgenson e eu. Doutor Franklin, prometo-lhe que não tem de se preocupar com nada.

- Qual é o cérebro que vai ser operado, o meu ou o seu? Todas as operações são arriscadas. Sabe porquê? Porque metade dos malditos cirurgiões escolheram a profissão errada. Deviam antes ter sido carniceiros.

- O doutor Jurgenson é uma pessoa muito capaz.

- Sei que é, ou não o deixaria tocar-me. Quem é o anestesista?

- Julgo que é o doutor Miller.

- Esse charlatão? Não o quero. Arranje-me outro.

- Doutor Franklin…

- Arranje-me outro. Veja se Haliburton está disponível.

- Está bem.

- E traga-me o nome das enfermeiras da sala de operações.

Quero saber quem são.

Kat olhou-o nos olhos:

- Prefere ser o senhor a fazer a operação?

- O quê? - Olhou um momento para ela e depois sorriu envergonhado. - Acho que não.

Kat disse suavemente:

- Então, porque não nos deixa tratar de tudo?

- Certo. Sabe uma coisa? Gosto de si.

- Também gosto de si. A enfermeira já lhe deu um sedativo?

- Sim.

- Bem. Estaremos prontos dentro de alguns minutos.

Posso fazer alguma coisa por si?

- Sim. Ensine à estúpida da minha enfermeira onde estão localizadas as minhas veias.

Na sala de operações quatro, a cirurgia cerebral do dr.

Mervyn Franklin corria perfeitamente. Tinha-se queixado durante todo o trajeto desde o quarto até à sala.

- Agora, se não se importa - disse -, dê-me o mínimo de anestesia. O cérebro não possui sensibilidade e por isso, assim que lá chegarem, não irão precisar de uma grande quantidade.

- Eu sei disso - disse Kat, impacientemente.

- E procure manter a temperatura abaixo dos quarenta graus.

É o máximo.

- Certo.

- Ponha música mexida durante a operação. Isso manter-vos-á bem despertos.

- Okay!

- E certifique-se de que tem aqui a melhor enfermeira-assistente.

- Tudo bem.

E continuou por aí fora.

Quando foi feita a incisão no cérebro do Dr. Franklin, Kat disse:

- Estou a ver o coágulo. Não parece muito mau. - E continuou a trabalhar.

Três horas mais tarde, quando começavam a coser a incisão, George Englund, chefe de cirurgia, entrou na sala de operações e aproximou-se de Kat.

- Kat, falta muito para terminar aqui?

- Estamos só a tapar o corte.

- Deixe o doutor Jurgenson terminar. Precisamos urgentemente de si.

Temos uma emergência.

Kat anuiu:

- Vou já. - E voltou-se para Jurgenson: - Importa-se de terminar?

- Não há problema.

Kat saiu com George Englund.

- O que se passa?

- Tem marcada outra operação para mais tarde, mas o seu doente começou a ter hemorragias. Estão agora a transportá-lo para a sala três. Tudo indica que não se salva. Vai ter de o operar imediatamente.

- Quem…

- Um tal senhor Dinetto.

Kat olhou para ele, aterrorizada:

- Dinetto? - “Se o senhor Dinetto morrer, você e toda a merda da sua família desaparecerão da face da Terra.

Kat atravessou a correr o corredor que conduzia à sala de operações três.

Na sua direão vinham Rhino e o Sombra.

- Que se passa? - indagou Rhino.

A boca de Kat estava tão seca que tinha dificuldade em falar.

- O senhor Dinetto começou a ter hemorragias. Temos de o operar imediatamente.

O Sombra pegou-lhe no braço.

- Então faça-o! Mas lembre-se do que lhe dissemos.

Mantenha-o vivo.

Kat afastou-se e correu para a sala de operações.

O Dr. Vance fazia a operação com Kat. Era um bom cirurgião.

Kat iniciou o ritual de desinfecção: primeiro, meio minuto em cada braço e depois meio minuto em cada mão. Repetiu e depois desinfetou as unhas.

O Dr. Vance entrou e começou a fazer o mesmo.

- Como se sente hoje?

- Bem - mentiu Kat.

Lou Dinetto foi transportado numa maca, semiconsciente, para a sala de operações e cuidadosamente transferido para a mesa operatória. A sua cabeça rapada foi desinfetada e pincelada com solução de mertiolato, que se tornava laranja brilhante sob as lâmpadas operatórias. Estava branco como a morte.

A equipa já tinha tomado as posições: o Dr. Vance, outro residente, um anestesista, duas enfermeiras-assistentes e uma enfermeira auxiliar. Kat procurou certificar-se de que tinha à mão tudo o que pudesse precisar.

Olhou para os monitores de parede - saturação de oxigénio, dióxido de carbono, temperatura, estimuladores musculares, estetoscópio precordial, ECG, pressão arterial automática e alarmes desligados. Tudo estava em ordem.

O anestesista apertou o punho de medição da pressão arterial no braço de Dinetto e depois colocou uma máscara de borracha sobre o rosto do doente.

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