Nada dura para sempre [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 1996
- Язык: португальский
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
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- Jimmy! Jimmy!
Ele pestanejou e tornou a fechar os olhos. Paige apertou-lhe a mão.
Inclinou-se para a frente e disse entre os soluços: -Jimmy, sabes daquela sobre o doente que era alimentado por via intravenosa? Pediu ao médico uma garrafa extra. Tinha um convidado para o almoço!
Honey estava mais feliz do que nunca. Poucos eram os médicos que tinham uma relação tão calorosa com os doentes como ela.
Preocupava-se com eles, genuinamente.
Trabalhava nas alas de geriatria, pediatria e em muitas outras e o Dr.
Wallace fez com que lhe dessem trabalhos que a mantivessem afastada de caminhos perigosos. Queria ter a certeza de que ela permanecia no hospital e estava à sua disposição.
Honey invejava as enfermeiras. Eram capazes de cuidar dos doentes sem se preocuparem com a maior parte das decisões médicas. “Nunca quis ser médica”, pensou Honey. “Sempre quis ser enfermeira. Não existem enfermeiras na família Taft.” à tarde, quando Honey saía do hospital, ia fazer compras à Bay Company e Streetlight Records e adquiria presentes para as crianças da pediatria.
- Adoro crianças - disse a Kat.
- Tencionas ter uma família grande?
- Um dia - respondeu Honey, melancólica. - Primeiro terei de encontrar o pai delas.
Um dos doentes favoritos de Honey da ala de geriatria era Daniel McGuire, um homem alegre com cerca de noventa anos e que sofria de uma doença hepática. Quando jovem, fora apostador e gostava de fazer apostas com Honey:
- Aposto cinquenta cêntimos em como a enfermeira vai atrasar-se com o pequeno-almoço; aposto um dólar em como vai chover esta tarde; aposto que os Giants vão ganhar.
Honey aceitava sempre as apostas dele.
- Aposto dez contra um em como vou vencer esta coisa - disse.
- Desta vez não vou apostar contra - disse-lhe Honey.
- Estou do seu lado.
Pegou na mão dela:
- Eu sei que está. - Sorriu. - Se fosse alguns meses mais novo…
Honey riu:
- Não faz mal. Gosto de homens mais velhos.
Uma manhã, chegou ao hospital uma carta para ele.
Honey levou-a ao quarto.
- É capaz de a ler, por favor? - Já não conseguia ler.
- Claro - respondeu Honey. Abriu o sobrescrito, passou os olhos pela carta e deu um grito: - Ganhou a lotaria! Cinquenta mil dólares! Parabéns!
- Esta agora! - gritou. - Sempre soube que um dia iria ganhar a lotaria! Dême um abraço.
Honey inclinou-se e deu-lhe um abraço.
- Sabe uma coisa, Honey? Sou o homem mais sortudo do mundo.
Nessa tarde, quando Honey foi visitá-lo de novo, ele tinha falecido.
Perdera a aposta mais importante da sua vida.
Honey encontrava-se na sala de reuniões dos médicos quando o Dr.
Stevens entrou:
- Está aí uma Virgem?
Um dos médicos deu uma gargalhada:
- Se quer dizer uma virgem, duvido.
- Uma virgem - repetiu Stevens. - Preciso de uma virgem.
- Eu sou virgem - disse Honey. - Qual é o problema? Aproximou-se dela:
- O problema é que tenho uma maldita maníaca nas minhas mãos. Não deixa ninguém aproximar-se dela a não ser uma virgem.
Honey levantou-se:
- Vou vê-la.
- Obrigado. O nome dela é Frances Gordon. Frances Gordon tinha sido submetida a uma correão da anca. Assim que Honey entrou no quarto, a mulher levantou a cabeça e disse:
- Você é Virgem. Nasceu no vértice, certo? Honey sorriu:
- Certo.
- Os aquários e os leões não sabem o que fazem.
Tratam dos doentes como se estivessem a tratar de carne.
- Aqui os médicos são muito bons - protestou Honey.
- Eles…
- Ah! A maioria exerce medicina pelo dinheiro. - Examinou melhor Honey:
- Você é diferente.
Honey olhou para o gráfico aos pés da cama e mostrou ficar surpreendida.
- O que se passa? Para onde está a olhar?
Honey pestanejou:
- Diz aqui que a senhora é uma… uma médium.
Frances Gordon anuiu:
- Exato. Não acredita em médiuns?
Honey abanou a cabeça:
- Lamento, mas não.
- É pena. Sente-se um minuto.
Honey puxou uma cadeira.
- Deixe-me pegar na sua mão.
Honey abanou a cabeça:
- Eu realmente não…
- Vamos lá, dê-me a sua mão.
Com relutância, Honey estendeu-lha.
Frances Gordon segurou-a por momentos e fechou os olhos.
Quando os abriu, disse:
- Tem tido uma vida difícil, não tem? “Todos têm tido uma vida difícil”, pensou Honey.
E A seguir vai dizer-me que vou atravessar a água.” - Tem-se servido de muitos homens, não tem? Honey sentiu-se rígida.
- Houve uma espécie de mudança em si… muito recentemente…, não houve?
Honey só queria sair do quarto. A mulher estava a pô-la nervosa.
Começou a afastar-se.
- Você vai-se apaixonar.
Honey disse:
- Lamento, mas tenho de…
- Ele é artista.
- Não conheço nenhum artista.
- Irá conhecer. - Frances Gordon soltou a mão. - Venha ver-me mais tarde - ordenou.
- Claro.
Honey fugiu.
Honey foi fazer uma visita à Sra. Owens, uma nova doente, uma mulher magra que aparentava ter quarenta e muitos anos. O gráfico dizia que tinha vinte e nove. Tinha o nariz partido e os olhos roxos e o rosto estava inchado e cheio de nódoas negras.
Honey aproximou-se da cama:
- Sou a doutora Taft.
A mulher olhou para ela, com olhos mortiços e sem expressão.
Manteve-se calada.
- O que é que lhe aconteceu?
- Caí das escadas.
Quando abriu a boca, viu-se um espaço onde faltavam dois dentes.
Honey olhou para o gráfico:
- Diz aqui que tem duas costelas partidas e a bacia fraturada.
- Sim. Caí mal.
- Como é que ficou com os olhos roxos?
- Quando caí.
- É casada?
- Sim.
- Tem filhos?
- Dois.
- O que é que o seu marido faz?
- Vamos deixar o meu marido fora disto, está bem?
- Lamento, mas não está bem - disse Honey. - Foi ele quem lhe bateu?
- Ninguém me bateu.
- Vou ter de preencher o relatório da polícia.
Subitamente, a Sra. Owens entrou em pânico:
- Não! Por favor não faça!
- Porque não?
- Ele mata-me! A senhora não o conhece!
- Ele já lhe tinha batido antes?
- Sim, mas… não é intenção dele. Fica bêbedo e perde a cabeça.
- Porque é que o não deixou?
A Sra. Owens encolhe u os ombros e o movimento causou-lhe dor.
- Eu e os meus filhos não temos para onde ir.
Honey ouvia, furiosa:
- Sabe, não tem de suportar isso. Existem abrigos e agências que cuidarão de si e protegerão as crianças.
A mulher abanou a cabeça em desespero:
- Não tenho dinheiro. Perdi o meu emprego de secretária quando ele começou… - Não conseguiu continuar.
Honey apertou-lhe a mão:
- A senhora vai ficar boa. Vou arranjar alguém para cuidar de si.
Cinco minutos mais tarde, Honey entrava no gabinete de Benjamin Wallace. Este ficou feliz quando a viu. Imaginou o que teria ela trazido desta vez. Das outras vezes tinha trazido mel quente, água quente, chocolate derretido e - o seu favorito - xarope de bordo. A ingenuidade dela era ilimitada.
- Tranca a porta, querida.
- Não posso ficar, bem. Tenho de regressar.
Contou-lhe tudo sobre a doente.
- Terás de preencher o relatório da polícia - disse Wallace.
- É de lei.
- A lei não a protegeu antes. Olha, tudo o que ela quer é afastar-se do marido. Trabalhou como secretária.
Não disseste que precisavas de outra secretária para o arquivo?
- Bem, sim, mas… espera um minuto!
- Obrigada - disse Honey. - Vamos tratar dela e encontrar-lhe um lugar para viver, e irá ter um novo emprego! Wallace suspirou:
- Vou ver o que posso fazer.
- Sabia que podia contar contigo - disse Honey.