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Nada dura para sempre [em Português]

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Nada dura para sempre [em Português]
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- Jimmy! Jimmy!

Ele pestanejou e tornou a fechar os olhos. Paige apertou-lhe a mão.

Inclinou-se para a frente e disse entre os soluços: -Jimmy, sabes daquela sobre o doente que era alimentado por via intravenosa? Pediu ao médico uma garrafa extra. Tinha um convidado para o almoço!

Honey estava mais feliz do que nunca. Poucos eram os médicos que tinham uma relação tão calorosa com os doentes como ela.

Preocupava-se com eles, genuinamente.

Trabalhava nas alas de geriatria, pediatria e em muitas outras e o Dr.

Wallace fez com que lhe dessem trabalhos que a mantivessem afastada de caminhos perigosos. Queria ter a certeza de que ela permanecia no hospital e estava à sua disposição.

Honey invejava as enfermeiras. Eram capazes de cuidar dos doentes sem se preocuparem com a maior parte das decisões médicas. “Nunca quis ser médica”, pensou Honey. “Sempre quis ser enfermeira. Não existem enfermeiras na família Taft.” à tarde, quando Honey saía do hospital, ia fazer compras à Bay Company e Streetlight Records e adquiria presentes para as crianças da pediatria.

- Adoro crianças - disse a Kat.

- Tencionas ter uma família grande?

- Um dia - respondeu Honey, melancólica. - Primeiro terei de encontrar o pai delas.

Um dos doentes favoritos de Honey da ala de geriatria era Daniel McGuire, um homem alegre com cerca de noventa anos e que sofria de uma doença hepática. Quando jovem, fora apostador e gostava de fazer apostas com Honey:

- Aposto cinquenta cêntimos em como a enfermeira vai atrasar-se com o pequeno-almoço; aposto um dólar em como vai chover esta tarde; aposto que os Giants vão ganhar.

Honey aceitava sempre as apostas dele.

- Aposto dez contra um em como vou vencer esta coisa - disse.

- Desta vez não vou apostar contra - disse-lhe Honey.

- Estou do seu lado.

Pegou na mão dela:

- Eu sei que está. - Sorriu. - Se fosse alguns meses mais novo…

Honey riu:

- Não faz mal. Gosto de homens mais velhos.

Uma manhã, chegou ao hospital uma carta para ele.

Honey levou-a ao quarto.

- É capaz de a ler, por favor? - Já não conseguia ler.

- Claro - respondeu Honey. Abriu o sobrescrito, passou os olhos pela carta e deu um grito: - Ganhou a lotaria! Cinquenta mil dólares! Parabéns!

- Esta agora! - gritou. - Sempre soube que um dia iria ganhar a lotaria! Dême um abraço.

Honey inclinou-se e deu-lhe um abraço.

- Sabe uma coisa, Honey? Sou o homem mais sortudo do mundo.

Nessa tarde, quando Honey foi visitá-lo de novo, ele tinha falecido.

Perdera a aposta mais importante da sua vida.

Honey encontrava-se na sala de reuniões dos médicos quando o Dr.

Stevens entrou:

- Está aí uma Virgem?

Um dos médicos deu uma gargalhada:

- Se quer dizer uma virgem, duvido.

- Uma virgem - repetiu Stevens. - Preciso de uma virgem.

- Eu sou virgem - disse Honey. - Qual é o problema? Aproximou-se dela:

- O problema é que tenho uma maldita maníaca nas minhas mãos. Não deixa ninguém aproximar-se dela a não ser uma virgem.

Honey levantou-se:

- Vou vê-la.

- Obrigado. O nome dela é Frances Gordon. Frances Gordon tinha sido submetida a uma correão da anca. Assim que Honey entrou no quarto, a mulher levantou a cabeça e disse:

- Você é Virgem. Nasceu no vértice, certo? Honey sorriu:

- Certo.

- Os aquários e os leões não sabem o que fazem.

Tratam dos doentes como se estivessem a tratar de carne.

- Aqui os médicos são muito bons - protestou Honey.

- Eles…

- Ah! A maioria exerce medicina pelo dinheiro. - Examinou melhor Honey:

- Você é diferente.

Honey olhou para o gráfico aos pés da cama e mostrou ficar surpreendida.

- O que se passa? Para onde está a olhar?

Honey pestanejou:

- Diz aqui que a senhora é uma… uma médium.

Frances Gordon anuiu:

- Exato. Não acredita em médiuns?

Honey abanou a cabeça:

- Lamento, mas não.

- É pena. Sente-se um minuto.

Honey puxou uma cadeira.

- Deixe-me pegar na sua mão.

Honey abanou a cabeça:

- Eu realmente não…

- Vamos lá, dê-me a sua mão.

Com relutância, Honey estendeu-lha.

Frances Gordon segurou-a por momentos e fechou os olhos.

Quando os abriu, disse:

- Tem tido uma vida difícil, não tem? “Todos têm tido uma vida difícil”, pensou Honey.

E A seguir vai dizer-me que vou atravessar a água.” - Tem-se servido de muitos homens, não tem? Honey sentiu-se rígida.

- Houve uma espécie de mudança em si… muito recentemente…, não houve?

Honey só queria sair do quarto. A mulher estava a pô-la nervosa.

Começou a afastar-se.

- Você vai-se apaixonar.

Honey disse:

- Lamento, mas tenho de…

- Ele é artista.

- Não conheço nenhum artista.

- Irá conhecer. - Frances Gordon soltou a mão. - Venha ver-me mais tarde - ordenou.

- Claro.

Honey fugiu.

Honey foi fazer uma visita à Sra. Owens, uma nova doente, uma mulher magra que aparentava ter quarenta e muitos anos. O gráfico dizia que tinha vinte e nove. Tinha o nariz partido e os olhos roxos e o rosto estava inchado e cheio de nódoas negras.

Honey aproximou-se da cama:

- Sou a doutora Taft.

A mulher olhou para ela, com olhos mortiços e sem expressão.

Manteve-se calada.

- O que é que lhe aconteceu?

- Caí das escadas.

Quando abriu a boca, viu-se um espaço onde faltavam dois dentes.

Honey olhou para o gráfico:

- Diz aqui que tem duas costelas partidas e a bacia fraturada.

- Sim. Caí mal.

- Como é que ficou com os olhos roxos?

- Quando caí.

- É casada?

- Sim.

- Tem filhos?

- Dois.

- O que é que o seu marido faz?

- Vamos deixar o meu marido fora disto, está bem?

- Lamento, mas não está bem - disse Honey. - Foi ele quem lhe bateu?

- Ninguém me bateu.

- Vou ter de preencher o relatório da polícia.

Subitamente, a Sra. Owens entrou em pânico:

- Não! Por favor não faça!

- Porque não?

- Ele mata-me! A senhora não o conhece!

- Ele já lhe tinha batido antes?

- Sim, mas… não é intenção dele. Fica bêbedo e perde a cabeça.

- Porque é que o não deixou?

A Sra. Owens encolhe u os ombros e o movimento causou-lhe dor.

- Eu e os meus filhos não temos para onde ir.

Honey ouvia, furiosa:

- Sabe, não tem de suportar isso. Existem abrigos e agências que cuidarão de si e protegerão as crianças.

A mulher abanou a cabeça em desespero:

- Não tenho dinheiro. Perdi o meu emprego de secretária quando ele começou… - Não conseguiu continuar.

Honey apertou-lhe a mão:

- A senhora vai ficar boa. Vou arranjar alguém para cuidar de si.

Cinco minutos mais tarde, Honey entrava no gabinete de Benjamin Wallace. Este ficou feliz quando a viu. Imaginou o que teria ela trazido desta vez. Das outras vezes tinha trazido mel quente, água quente, chocolate derretido e - o seu favorito - xarope de bordo. A ingenuidade dela era ilimitada.

- Tranca a porta, querida.

- Não posso ficar, bem. Tenho de regressar.

Contou-lhe tudo sobre a doente.

- Terás de preencher o relatório da polícia - disse Wallace.

- É de lei.

- A lei não a protegeu antes. Olha, tudo o que ela quer é afastar-se do marido. Trabalhou como secretária.

Não disseste que precisavas de outra secretária para o arquivo?

- Bem, sim, mas… espera um minuto!

- Obrigada - disse Honey. - Vamos tratar dela e encontrar-lhe um lugar para viver, e irá ter um novo emprego! Wallace suspirou:

- Vou ver o que posso fazer.

- Sabia que podia contar contigo - disse Honey.

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