Nada dura para sempre [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 1996
- Язык: португальский
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «Nada dura para sempre [em Português]». Краткое содержание книги:
A comida estava maravilhosa.
- Vens aqui muitas vezes? - perguntou Paige.
- Sempre que posso.
Havia uma qualidade juvenil em Jason que Paige achou muito atraente.
- Dize-me - pediu Paige -, quiseste desde sempre ser arquiteto?
- Não tive outra escolha - respondeu Jason, a sorrir.
- Os meus primeiros brinquedos foram conjuntos Eretor. É tão bom sonhar com alguma coisa e depois ver esse sonho transformar-se em cimento, tijolos e pedras e erguer-se para o céu para fazer parte da cidade onde vives.
“Vou construir-te um Taj Mahal. Não importa o tempo que levar!” - Sou um dos sortudos, Paige, pois passo a vida a fazer aquilo que gosto.
Quem foi que disse que “Grande parte das pessoas vivem uma vida de desespero abafado”? “Faz-me lembrar muitos dos meus doentes”, pensou Paige.
- Não existe mais nada que queira fazer, nem nenhum outro lugar onde queira viver. Esta é uma cidade fabulosa. - A voz estava cheia de entusiasmo. - Tem tudo o que uma pessoa pode querer. Nunca me canso dela.
Paige estudou-o por um momento, divertindo-se com o entusiasmo dele.
- Nunca te casaste?
Jason encolhe u os ombros:
- Uma vez. Éramos ambos demasiado jovens. Não resultou.
- Lamento.
- Não tens de lamentar. Ela casou-se com um fabricante muito rico de carne enlatada. Já foste casada? “Também vou ser médico, quando crescer.
Havemos de nos casar e trabalharemos juntos.” - Não.
Fizeram um passeio de barco pela baía, passando sob a Golden Gate e a Bay Bridge. Jason assumiu de novo a voz de guia turístico.
- E ali está, senhoras e senhores, a Prisão de Alcatraz, antiga residência de alguns dos criminosos mais abomináveis do mundo: Machine Gun Kelly, Al Capone e Robert Stroud, mais conhecido por Birdman! “Alcatraz” significa pelicano em espanhol. Originariamente chamava-se Isla de los Alcatraces, nome dos pássaros que constituíam os únicos habitantes. Sabes porque tinham diariamente banho quente para os prisioneiros?
- Não.
- Para que não se habituassem à água fria da baía quando tentavam fugir.
- Isso é verdade? - perguntou Paige.
- Já alguma vez te menti?
A tarde estava quase no fim, quando Jason disse: -Já foste ao Noe Valley?
- Não - disse Paige.
- Gostaria de to mostrar. Antigamente eram quintas e riachos. Agora está cheio de casas vitorianas de cores vivas e jardins. As casas são muito velhas, pois foi praticamente a única zona que sobreviveu ao terramoto de mil novecentos e seis.
- Parece bonito.
Jason hesitou:
- Vivo lá. Queres lá ir? - Ele reparou na reaão de Paige.
- Paige, estou apaixonado por ti.
- Nós mal nos conhecemos. Como podes…?
- Soube-o desde o momento em que disseste “Não sabe que é suposto vestir uma bata branca durante as rondas?” Foi nesse momento que me apaixonei por ti.
- Jason…
- Acredito firmemente no amor à primeira vista.
O meu avô viu a minha avó a andar de bicicleta no parque e seguiu-a; casaram-se três meses depois. Viveram juntos durante cinquenta anos, até ele morrer. O meu pai viu a minha mãe a atravessar uma rua e soube que seria a sua mulher. Estão casados há quarenta e cinco anos. Como vês, é um mal de família. Quero casar-me contigo.
Tinha chegado o momento da verdade.
Paige olhou para Jason e pensou: “É o primeiro homem por quem me sinto atraída desde Alfred. É adorável, inteligente e genuíno. É tudo o que uma mulher pode desejar num homem. O que é que se passa comigo? Estou presa a um fantasma.” No entanto, bem no íntimo, ainda tinha a sensação de que um dia Alfred iria voltar para ela.
Olhou para Jason e tomou uma decisão:
- Jason…
Nesse momento, o telebip de Paige começou a tocar.
- Paige…
- Tenho de encontrar um telefone. - Dois minutos mais tarde, falava com o hospital.
Jason viu o rosto de Paige empalidecer.
Gritava para o telefone:
- Não! Decididamente, não! Diga-lhe s que vou já para aí.
- E desligou.
- O que é que se passa? - perguntou Jason.
Voltou-se para ele, com os olhos cheios de lágrimas.
- É Jimmy Ford, meu doente. Vão desligar a máquina. Vão deixá-lo morrer.
Quando Paige chegou ao quarto de Jimmy Ford, havia três pessoas além do paciente deitado, em coma: George Englund, Benjamin Wallace e um advogado, Silvester Damone.
- O que é que se passa aqui? - perguntou Paige.
Benjamin Wallace respondeu:
- Na reunião da Comissão de Ética hospitalar desta manhã, foi decidido que Jimmy Ford não tem salvação.
Decidimos retirar…
- Não! - disse Paige. - Não podem! Eu sou a médica dele.
Digo que ele tem hipóteses de sair do coma! Não o vamos deixar morrer.
Silvester Damone interviu:
- Não cabe a si tomar essa decisão, doutora.
Paige olhou para ele com ar de desafio:
- Quem é o senhor?
- Sou o advogado da família. - Puxou um documento e entregou-o a Paige.
- Este é o testamento de Jimmy Ford. Ele sublinha que, se sofrer de um trauma perigoso, não quer ser mantido vivo através de meios mecânicos.
- Mas eu tenho controlado o estado dele - implorou Paige.
- Está estável desde há semanas. Pode sair do coma a qualquer momento.
- Garante isso? - perguntou Damone.
- Não, mas…
- Então terá de fazer o que lhe foi ordenado, doutora.
Paige “olhou para Jimmy:
- Não! Terão de esperar um pouco mais.
O advogado disse persuasivamente:
- Doutora, tenho a certeza que manter os doentes aqui o mais possível beneficia o hospital, mas a família não tem meios para pagar durante mais tempo as despesas hospitalares.
Ordeno-lhe agora que desligue a máquina.
- Só mais um ou dois dias - pediu Paige, desesperada -, e tenho a certeza de que…
- Não - disse Damone, firmemente. - Hoje.
George Englund voltou-se para Paige:
- Lamento, mas parece que não temos outra alternativa.
- Obrigado, doutor - disse o advogado. - Tenho a certeza de que cumprirá o seu dever. Vou comunicar à família que isso será feito imediatamente, para que possam começar a tratar dos preparativos para o funeral. - Voltouse para Benjamin Wallace: - Obrigado pela sua cooperação. Bom dia.
Viram-no abandonar o quarto.
- Não podemos fazer isto a Jimmy! - protestou Paige.
O Dr. Wallace aclarou a voz:
- Paige…
- E se o tirarmos daqui e escondermos noutro quarto? Deve haver alguma coisa que deixámos escapar. Algo que…
Benjamin Wallace disse:
- Isto não é um pedido. É uma ordem. - Virou-se para George Englund: - Quer ser o senhor a…?
- Não! - disse Paige. - Eu… faço-o.
- Muito bem.
- Se não se importam, gostaria de ficar a sós com ele.
George Englund apertou-lhe o braço:
- Lamento, Paige.
- Eu sei.
Paige viu os dois homens abandonarem o quarto.
Ficou sozinha com o rapaz inconsciente. Olhou para a máquina que o mantinha vivo e para os tubos que alimentavam o seucorpo. Era tão simples desligar a máquina e acabar com uma vida… Mas ele tinha tido sonhos tão lindos, esperanças tão boas.
“Um dia serei médico. Quero ser como a senhora. Sabia que me vou casar?… O nome dela é Betsy… Vamos ter meia dúzia de filhos. A primeira menina chamar-se-á Paige.” Tinha tanto por que viver.
Paige permaneceu ali a olhar para ele, as lágrimas a correrem pela cara.
- Maldito sejas! - disse. - Não és um lutador! - Agora estava exaltada. - O que aconteceu aos teus sonhos? Pensei que quisesses ser médico!
Responde-me! Estás a ouvir? Abre os olhos! - Olhou para a figura pálida.
Não havia reaão. - Desculpa - disse Paige. - Peço mil desculpas. - Ajoelhou-se para lhe dar um beijo na face e, quando lentamente se endireitou, estava a olhar para os seus olhos abertos.