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Nada dura para sempre [em Português]

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Nada dura para sempre [em Português]
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A comida estava maravilhosa.

- Vens aqui muitas vezes? - perguntou Paige.

- Sempre que posso.

Havia uma qualidade juvenil em Jason que Paige achou muito atraente.

- Dize-me - pediu Paige -, quiseste desde sempre ser arquiteto?

- Não tive outra escolha - respondeu Jason, a sorrir.

- Os meus primeiros brinquedos foram conjuntos Eretor. É tão bom sonhar com alguma coisa e depois ver esse sonho transformar-se em cimento, tijolos e pedras e erguer-se para o céu para fazer parte da cidade onde vives.

“Vou construir-te um Taj Mahal. Não importa o tempo que levar!” - Sou um dos sortudos, Paige, pois passo a vida a fazer aquilo que gosto.

Quem foi que disse que “Grande parte das pessoas vivem uma vida de desespero abafado”? “Faz-me lembrar muitos dos meus doentes”, pensou Paige.

- Não existe mais nada que queira fazer, nem nenhum outro lugar onde queira viver. Esta é uma cidade fabulosa. - A voz estava cheia de entusiasmo. - Tem tudo o que uma pessoa pode querer. Nunca me canso dela.

Paige estudou-o por um momento, divertindo-se com o entusiasmo dele.

- Nunca te casaste?

Jason encolhe u os ombros:

- Uma vez. Éramos ambos demasiado jovens. Não resultou.

- Lamento.

- Não tens de lamentar. Ela casou-se com um fabricante muito rico de carne enlatada. Já foste casada? “Também vou ser médico, quando crescer.

Havemos de nos casar e trabalharemos juntos.” - Não.

Fizeram um passeio de barco pela baía, passando sob a Golden Gate e a Bay Bridge. Jason assumiu de novo a voz de guia turístico.

- E ali está, senhoras e senhores, a Prisão de Alcatraz, antiga residência de alguns dos criminosos mais abomináveis do mundo: Machine Gun Kelly, Al Capone e Robert Stroud, mais conhecido por Birdman! “Alcatraz” significa pelicano em espanhol. Originariamente chamava-se Isla de los Alcatraces, nome dos pássaros que constituíam os únicos habitantes. Sabes porque tinham diariamente banho quente para os prisioneiros?

- Não.

- Para que não se habituassem à água fria da baía quando tentavam fugir.

- Isso é verdade? - perguntou Paige.

- Já alguma vez te menti?

A tarde estava quase no fim, quando Jason disse: -Já foste ao Noe Valley?

- Não - disse Paige.

- Gostaria de to mostrar. Antigamente eram quintas e riachos. Agora está cheio de casas vitorianas de cores vivas e jardins. As casas são muito velhas, pois foi praticamente a única zona que sobreviveu ao terramoto de mil novecentos e seis.

- Parece bonito.

Jason hesitou:

- Vivo lá. Queres lá ir? - Ele reparou na reaão de Paige.

- Paige, estou apaixonado por ti.

- Nós mal nos conhecemos. Como podes…?

- Soube-o desde o momento em que disseste “Não sabe que é suposto vestir uma bata branca durante as rondas?” Foi nesse momento que me apaixonei por ti.

- Jason…

- Acredito firmemente no amor à primeira vista.

O meu avô viu a minha avó a andar de bicicleta no parque e seguiu-a; casaram-se três meses depois. Viveram juntos durante cinquenta anos, até ele morrer. O meu pai viu a minha mãe a atravessar uma rua e soube que seria a sua mulher. Estão casados há quarenta e cinco anos. Como vês, é um mal de família. Quero casar-me contigo.

Tinha chegado o momento da verdade.

Paige olhou para Jason e pensou: “É o primeiro homem por quem me sinto atraída desde Alfred. É adorável, inteligente e genuíno. É tudo o que uma mulher pode desejar num homem. O que é que se passa comigo? Estou presa a um fantasma.” No entanto, bem no íntimo, ainda tinha a sensação de que um dia Alfred iria voltar para ela.

Olhou para Jason e tomou uma decisão:

- Jason…

Nesse momento, o telebip de Paige começou a tocar.

- Paige…

- Tenho de encontrar um telefone. - Dois minutos mais tarde, falava com o hospital.

Jason viu o rosto de Paige empalidecer.

Gritava para o telefone:

- Não! Decididamente, não! Diga-lhe s que vou já para aí.

- E desligou.

- O que é que se passa? - perguntou Jason.

Voltou-se para ele, com os olhos cheios de lágrimas.

- É Jimmy Ford, meu doente. Vão desligar a máquina. Vão deixá-lo morrer.

Quando Paige chegou ao quarto de Jimmy Ford, havia três pessoas além do paciente deitado, em coma: George Englund, Benjamin Wallace e um advogado, Silvester Damone.

- O que é que se passa aqui? - perguntou Paige.

Benjamin Wallace respondeu:

- Na reunião da Comissão de Ética hospitalar desta manhã, foi decidido que Jimmy Ford não tem salvação.

Decidimos retirar…

- Não! - disse Paige. - Não podem! Eu sou a médica dele.

Digo que ele tem hipóteses de sair do coma! Não o vamos deixar morrer.

Silvester Damone interviu:

- Não cabe a si tomar essa decisão, doutora.

Paige olhou para ele com ar de desafio:

- Quem é o senhor?

- Sou o advogado da família. - Puxou um documento e entregou-o a Paige.

- Este é o testamento de Jimmy Ford. Ele sublinha que, se sofrer de um trauma perigoso, não quer ser mantido vivo através de meios mecânicos.

- Mas eu tenho controlado o estado dele - implorou Paige.

- Está estável desde há semanas. Pode sair do coma a qualquer momento.

- Garante isso? - perguntou Damone.

- Não, mas…

- Então terá de fazer o que lhe foi ordenado, doutora.

Paige “olhou para Jimmy:

- Não! Terão de esperar um pouco mais.

O advogado disse persuasivamente:

- Doutora, tenho a certeza que manter os doentes aqui o mais possível beneficia o hospital, mas a família não tem meios para pagar durante mais tempo as despesas hospitalares.

Ordeno-lhe agora que desligue a máquina.

- Só mais um ou dois dias - pediu Paige, desesperada -, e tenho a certeza de que…

- Não - disse Damone, firmemente. - Hoje.

George Englund voltou-se para Paige:

- Lamento, mas parece que não temos outra alternativa.

- Obrigado, doutor - disse o advogado. - Tenho a certeza de que cumprirá o seu dever. Vou comunicar à família que isso será feito imediatamente, para que possam começar a tratar dos preparativos para o funeral. - Voltouse para Benjamin Wallace: - Obrigado pela sua cooperação. Bom dia.

Viram-no abandonar o quarto.

- Não podemos fazer isto a Jimmy! - protestou Paige.

O Dr. Wallace aclarou a voz:

- Paige…

- E se o tirarmos daqui e escondermos noutro quarto? Deve haver alguma coisa que deixámos escapar. Algo que…

Benjamin Wallace disse:

- Isto não é um pedido. É uma ordem. - Virou-se para George Englund: - Quer ser o senhor a…?

- Não! - disse Paige. - Eu… faço-o.

- Muito bem.

- Se não se importam, gostaria de ficar a sós com ele.

George Englund apertou-lhe o braço:

- Lamento, Paige.

- Eu sei.

Paige viu os dois homens abandonarem o quarto.

Ficou sozinha com o rapaz inconsciente. Olhou para a máquina que o mantinha vivo e para os tubos que alimentavam o seucorpo. Era tão simples desligar a máquina e acabar com uma vida… Mas ele tinha tido sonhos tão lindos, esperanças tão boas.

“Um dia serei médico. Quero ser como a senhora. Sabia que me vou casar?… O nome dela é Betsy… Vamos ter meia dúzia de filhos. A primeira menina chamar-se-á Paige.” Tinha tanto por que viver.

Paige permaneceu ali a olhar para ele, as lágrimas a correrem pela cara.

- Maldito sejas! - disse. - Não és um lutador! - Agora estava exaltada. - O que aconteceu aos teus sonhos? Pensei que quisesses ser médico!

Responde-me! Estás a ouvir? Abre os olhos! - Olhou para a figura pálida.

Não havia reaão. - Desculpa - disse Paige. - Peço mil desculpas. - Ajoelhou-se para lhe dar um beijo na face e, quando lentamente se endireitou, estava a olhar para os seus olhos abertos.

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