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Nada dura para sempre [em Português]

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Nada dura para sempre [em Português]
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Mallory perguntou:

- Que tal sairmos amanhã à noite?

- Gostaria muito… - ótimo! - mas não posso.

- Oh! Bem, e na sexta-feira?

Kat franziu as sobrancelhas:

- Deixa ver. Lamento, mas na sexta também não pode ser.

Mallory começava a ficar desesperado:

- Sábado?

Kat sorriu:

- Sábado está ótimo.

Ele concordou, aliviado:

- Muito bem. Então fica para sábado. - Voltou-se para Paige e Honey: - Boa noite.

- Boa noite.

Kat acompanhou Mallory até à porta.

- Sonhos cor-de-rosa - disse suavemente. - Vou sonhar contigo.

Mallory apertou-lhe a mão:

- Acredito em tornar os sonhos realidade. Havemos de compensar o dia de hoje no sábado à noite.

- Mal posso esperar.

Nessa noite, Kat deitou-se na cama a pensar em Mallory.

Odiava-o. Mas, para sua surpresa, tinha gostado da noite.

Estava certa de que Mallory também tinha gostado, apesar do fato de tudo ter sido um jogo. “Se, pelo menos, isto fosse realmente verdade”, pensou Kat, “e não um jogo.” Não fazia ideia o quão perigoso era o jogo.

“Talvez seja do tempo”, pensou Paige, fatigada. Lá fora estava frio e escuro e caía uma chuva cinzenta que deprimia os espíritos. O dia dela tinha começado às seis horas da manhã e estava repleto de problemas constantes.

O hospital parecia estar cheio de smsus e todos se queixavam ao mesmo tempo. As enfermeiras estavam mal-humoradas e desatentas. Tiraram sangue a doentes errados, perderam radiografias que eram urgentes e responderam rudemente aos pacientes. Além disso, havia falta de pessoal, devido a uma epidemia de gripe. Era um daqueles dias.

A única coisa boa foi a chamada telefônica de Jason Curtis.

- Olá - disse alegremente. - Achei que devia telefonar para saber como vão todos os nossos doentes.

- Sobrevivem.

- Há alguma possibilidade para o nosso almoço? Paige riu:

- Que almoço? Se tiver sorte, poderei comer uma sanduíche por volta das quatro da tarde. Isto aqui está bastante agitado.

- Está bem. Não te empato mais. Posso telefonar-te mais tarde?

- Está bem. - “Não há nada de mal nisso.” - Adeus.

Paige trabalhou até à meia-noite sem descansar um só momento e, quando por fim teve sossego, estava demasiado cansada para se mexer. Pensou em ficar no hospital e dormir no quarto dos médicos de serviço, mas era tentadora a lembrança da sua própria cama acolhe dora. Mudou de roupa e dirigiu-se ao elevador.

O Dr. Peterson foi ter com ela.

- Meu Deus! - disse. - Onde está o gato que a encurralou? Paige forçou um sorriso:

- Tenho um aspeto assim tão mau?

- Pior - sorriu Peterson. - Vai agora para casa? Paige abanou a cabeça.

- Tem sorte. Eu entrei agora.

O elevador chegou. Paige manteve-se ali, meio a dormir.

Peterson disse com suavidade:

- Paige?

Ela deu um salto:

- Sim?

- Vai conseguir chegar a casa?

- Claro - murmurou Paige. - E quando lá chegar, vou dormir vinte e quatro horas seguidas.

Dirigiu-se ao parque de estacionamento e entrou no carro.

Manteve-se algum tempo sentada, inerte, pois estava demasiado cansada para ligar a ignição. “Não posso dormir aqui. Vou dormir a casa.”

Paige saiu do estacionamento e dirigiu-se ao apartamento.

Não percebeu que estava a conduzir desordenadamente, até um condutor lhe gritar:

- Eh, sai da estrada, puta bêbeda!

Procurou concentrar-se. “Não posso adormecer… Não posso adormecer.”

Ligou o rádio e subiu o volume.

Quando chegou ao edifício, manteve-se muito tempo sentada no carro até retomar forças suficientes para subir.

Kat e Honey estavam deitadas, a dormir. Paige olhou para o relógio da mesa-de-cabeceira. “Uma da manhã.

Entrou no quarto e começou a despir-se, mas o esforço era excessivo para ela. Deixou-se cair na cama, vestida, e num instante dormia profundamente.

Foi acordada pela campainha insistente de um telefone que parecia estar num planeta muito distante. Paige procurou continuar a dormir, mas a campainha parecia agulhas a penetrarem no cérebro. Ainda tonta, sentou-se e levantou o telefone: - ‘Tá?

- Doutora Taylor?

- Sim. - A voz era apenas um murmúrio.

- O doutor Barker quer que o venha assistir na sala de operações quatro, stat.

Paige engoliu em seco:

- Deve haver um engano - murmurou. - Acabei de sair de serviço.

- Sala de operações quatro. Ele está à espera. - E a linha caiu.

Ainda tonta, Paige sentou-se na borda da cama com a mente nublada pelo sono. Olhou para o relógio da mesa-de-cabeceira.

Quatro e um quarto. Porque é que o Dr. Barker a chamava a meio da noite?

Havia apenas uma resposta. Tinha acontecido algo a um dos seus doentes.

Paige enfiou-se na casa de banho e lavou a cara com água fria. Olhou-se ao espelho e pensou: “Meu Deus! Parece que tenho oitenta anos.

Dez minutos mais tarde, Paige dirigia-se ao hospital.

Ainda estava meio a dormir quando apanhou o elevador até ao quarto andar para ir à SO quatro. Entrou no vestiário e mudou de roupa, depois desinfectou-se e entrou na sala de operações.

Estavam três enfermeiras e um residente a assistirem o Dr.

Barker.

Este levantou a cabeça quando Paige entrou e gritou:

- Por amor de Deus, vestiu uma bata do hospital! Ninguém lhe informou que deve vestir roupa desinfetada numa sala de operações?

Paige ficou abismada, totalmente desperta, de olhos esbugalhados:

- Escute-me - disse, furiosa. - É suposto estar fora de serviço. Vim fazerlhe um favor. Eu não…

- Não discuta comigo - disse o Dr. Barker, bruscamente.

- Chegue aqui e segure neste retrator.

Paige aproximou-se da mesa de operações e olhou para baixo.

Não era seu o doente que ali se encontrava. Era um estranho.

“Barker não tinha motivos para me chamar.

Está a tentar obrigar-me a deixar o hospital. Bem, raios o partam se saio!”

Deitou-lhe um olhar de ódio, pegou no retrator e começou a trabalhar.

Tratava-se de uma operação urgente de enxerto de bypass na artéria coronária. A incisão cutânea já tinha sido feita no centro do tórax até ao esterno, o qual fora separado a meio com uma serra elétrica. O coração e principais vasos sanguíneos estavam expostos.

Paige inseriu o retrator metálico entre os lados cortados do esterno, obrigando-os a afastarem-se. Viu como o Dr. Barker abria habilmente o saco pericárdico, expondo o coração.

Ele apontou para as artérias coronárias:

- Aqui está o problema - disse Barker. - Vamos fazer um enxerto.

Já tinha retirado um longo pedaço de veia de uma perna.

Coseu uma das extremidades à artéria principal que sai do coração. Ligou a outra a uma das artérias coronárias para além da área obstruída, enviando sangue através do enxerto e desviando-o da obstrução.

Paige via um mestre a trabalhar. “Se pelo menos não fosse tão filho da mãe!”, Quando chegou ao fim, Paige estava apenas meio consciente. Assim que a incisão foi cosida, o Dr. Barker virou-se para o pessoal e disse:

- Quero agradecer a todos vós. - Não olhou para Paige.

Esta cambaleou para fora da sala sem dizer uma palavra e dirigiu-se ao gabinete do Dr. Benjamin Wallace.

Wallace acabava de chegar:

- Parece exausta - disse. - Devia ir descansar.

Paige respirou fundo para controlar a fúria:

- Quero ser transferida para outra equipa cirúrgica.

Wallace estudou-a por momentos:

- A senhora foi designada para assistir o doutor Barker, certo?

- Certo.

- Qual é o problema?

- Pergunte-lhe a ele. Odeia-me. Só ficará satisfeito quando me vir daqui para fora. Assistirei qualquer outro médico. Um qualquer.

- Terei uma conversa com ele - respondeu Wallace.

- Obrigada.

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