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Nada dura para sempre [em Português]

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Nada dura para sempre [em Português]
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E nesse momento o telebip de Kat começou a tocar.

Mallory ficou espantado:

- Que raio…

- Estão a chamar-me - disse Kat. - Posso usar o teu telefone?

- Agora?

- Sim. Deve ser uma urgência.

- Agora? Isso não pode esperar?

- Querido, conheces bem as regras.

- Mas…

Sob o olhar de Mallory, Kat aproximou-se do telefone e discou um número.

- Doutora Hunter. - Calou-se. - Verdade? Claro.

Vou já para aí.

Mallory olhava para ela, estupefato:

- O que é que se passa?

- Tenho de ir ao hospital, meu anjo.

- Agora?

- Sim. Um dos meus doentes está a morrer.

- Ele não pode esperar até…?

- Desculpa. Faremos isto uma outra noite.

Ken Mallory permaneceu ali, completamente nu, a ver Kat deixar o seu apartamento e, quando a porta se fechou, pegou no copo dela e atirou-o contra a parede. “Puta… puta… puta…”.

Quando Kat regressou ao apartamento, Paige e Honey estavam ansiosas à sua espera.

- Como é que correu? - perguntou Paige. - Cheguei a tempo? Kat deu uma gargalhada:

- Chegaste na hora agá!

Começou a descrever a noite. Quando chegou ao momento referente a Mallory, todo nu no quarto, ereto, desataram a rir até às lágrimas.

Kat teve a tentação de lhe s contar que realmente gostara de Ken Mallory, mas sentiu que seria uma tolice. Afinal, ele só tinha saído com ela para ganhar uma aposta.

Por qualquer razão, Paige pareceu ter percebido o que Kat estava a sentir.

- Tem cuidado com ele, Kat.

Kat sorriu:

- Não te preocupes. Mas admito que se não tivesse sabido da aposta… Ele é venenoso, mas o seu veneno é agradável.

- Quando vais voltar a vê-lo? - perguntou Honey.

- Vou dar-lhe uma semana para acalmar os ânimos.

Paige estudou-a e perguntou:

- A ele ou a ti?

A limusina preta de Dinetto esperava por Kat, à frente do hospital. Desta vez, o Sombra estava sozinho. Kat desejou que Rhino lá estivesse. Havia algo n’o Sombra que a deixava petrificada. Nunca sorria e raramente falava, mas transpirava perigo.

- Entre - disse quando Kat se aproximou do carro.

- Olhe - disse Kat, indignada -, diga ao senhor Dinetto que ele não me pode dar ordens. Não trabalho para ele. Só porque lhe fiz um favor uma vez…

- Entre. Pode dizer-lhe isso pessoalmente.

Kat hesitou. Seria fácil afastar-se e não se envolver mais, mas até que ponto isso iria afetar Mike? Kat entrou no carro.

Desta vez a vítima tinha sido muito espancada e chicotiada com uma corrente. Lou Dinetto estava ali com ele.

Kat olhou para o doente e disse:

- Têm de o levar imediatamente para o hospital.

- Kat - disse Dinetto -, tem de o tratar aqui.

- Porquê? - perguntou Kat. Mas sabia a resposta e isso deixava-a aterrorizada.

Era um daqueles belos dias de São Francisco em que corria magia no ar. O vento noturno tinha afastado as nuvens de chuva, produzindo uma bonita e radiosa manhã de domingo.

Jason tinha combinado ir buscar Paige ao apartamento.

Quando lá chegou, ficou surpreendido ao perceber o quanto ficara satisfeita de o ver.

- Bom dia - disse Jason. - Estás linda.

- Obrigada.

- Que gostarias de fazer hoje?

Paige respondeu:

- A cidade é tua. Tu indicas, eu sigo.

- De acordo.

- Se não te importas - pediu Paige -, gostaria de fazer uma breve paragem no hospital.

- Pensei que fosse o teu dia de folga.

- E é, mas há um doente que me deixa preocupada.

- Não há problema. - Jason levou-a ao hospital.

- Não me demoro - prometeu Paige quando saiu do carro - Fico aqui à sua espera.

Paige dirigiu-se ao terceiro andar e entrou no quarto de Jimmy Ford. Ainda estava em coma, ligado a uma série de tubos que o alimentavam por via intravenosa.

Estava também uma enfermeira. Levantou a cabeça quando Paige entrou.

- Bom dia, doutora Taylor.

- Bom dia. - Paige aproximou-se da cabeceira da cama. - Houve alguma alteração?

- Até agora, nenhuma.

Paige tomou a pulsação de Jimmy e escutou a batida cardíaca.

- Já passaram várias semanas - disse a enfermeira, - Isto está mal, não está?

- Ele irá sair do coma - disse Paige com firmeza.

Voltou-se para o vulto inconsciente que estava na cama e disse em voz alta: - Ouve-me? Vai ficar bom! - Não houve reaão.

Fechou os olhos por momentos e rezou baixinho: “Dê-me imediatamente um sinal se houver alguma hipótese.” - Sim, doutora.

“Ele não vai morrer” pensou Paige. “Não o deixarei morrer…”

Jason saiu do carro quando viu Paige aproximar-se.

- Está tudo bem?

Não havia motivo para o incomodar com os seus problemas.

- Tudo bem - respondeu Paige.

- Hoje, vamos fazer de conta que somos verdadeiros turistas - disse Jason. - Existe uma lei estatal que diz que todos os tours têm de começar no Fisherman’s Wharf.

Paige sorriu:

- Não devemos ir contra a lei.

Fisherman’s Wharf era como um carnaval ao ar livre.

Estava repleto de artistas de rua que trabalhavam a todo o gás. Havia mimos, palhaços, dançarinos e músicos. Os vendedores ambulantes vendiam caldeirões fumegantes de caranguejos Dungeness e ensopado de marisco com pão fresco.

- Não há lugar como este em todo o mundo - disse jason, calorosamente.

Paige emocionou-se com o entusiasmo dele. Já tinha estado no Fisherman’s Wharf e na maioria dos outros lugares turísticos de São Francisco, mas não queria estragar a alegria dele.

- Já andaste de elétrico? - perguntou Jason.

- Não. - “Não desde a semana passada.” - Não tens vivido! Anda daí.

Foram até à Power Street e entraram num elétrico.

Assim que começou a subir a rampa, Jason disse:

- Isto era conhecido por Hallidie’s Folly. Ele construiu-o em mil oitocentos e setenta e três.

- E aposto que disseram que não iria durar! Jason riu:

- Exato. Quando frequentei o liceu, trabalhava aos fins-de-semana como guia turístico.

- Tenho a certeza que eras bom.

- O melhor. Gostarias de ouvir alguns dos meus discursos?

- Gostaria muito.

Jason adopou o tom nasalado de um guia turístico:

- Senhoras e senhores, para vossa informação, a rua mais antiga de São Francisco é a Grant Avenue, a mais comprida é a Mission Street (com onze quilómetros de comprimento), a mais larga é a Van Ness Avenue, com trinta e oito metros, e ficarão surpreendidos quando souberem que a mais estreita, DeForest Street, tem apenas um metro e meio de largura. Exato, senhoras e senhores, um metro e meio. A rua mais íngreme que podemos oferecer-lhe s é a Filbert Street, com uma inclinação de trinta e oito por cento. - Olhou para Paige e sorriu.

- Estou espantado por ainda me lembrar de tudo isto.

Quando desceram do elétrico, Paige olhou para Jason e sorriu:

- Onde vamos a seguir?

- Vamos dar um passeio de carruagem.

Dez minutos mais tarde, estavam sentados numa carruagem puxada a cavalo, que os transportou desde Fisherman’s Wharf a Ghirardelli Square e a North Beach. Durante o trajeto, Jason indicou os lugares de maior interesse e Paige ficou admirada consigo própria por estar a divertir-se tanto. “Não te deixes levar.”

Subiram a Coit Tower para verem a cidade de cima.

Enquanto subiam, Jason perguntou:

- Tens fome?

O ar puro fez Paige sentir muita fome.

- Sim.

- Ainda bem. Vou levar-te a um dos melhores restaurantes chineses do mundo: o Tommy Toy’s.

Paige já tinha ouvido o pessoal do hospital falar dele.

A refeição acabou por ser um banquete. Começaram com pedaços de lagosta e molho picante e sopa de marisco agridoce. A seguir comeram bifes de frango com puré de ervilhas e nozes, vitela com molho Szechuan e arroz frito de quatro sabores.

Como sobremesa, mousse de pêssego.

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