Nada dura para sempre [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 1996
- Язык: португальский
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «Nada dura para sempre [em Português]». Краткое содержание книги:
Telefonou para Paige, no hospitaclass="underline"
- É o seu parceiro quem fala.
- Peço desculpa por ontem à noite - disse Paige.
- Estou envergonhada.
- Não esteja. Mas tenho uma pergunta.
- Sim?
- RIP significa “Repouse em Infinita Paz ou “Rip van Winkle?
Paige riu:
- Escolha.
- A minha escolha é jantar logo à noite. Podemos tentar de novo?
Ela hesitou: “Não quero envolver-me. Ainda estás presa a Alfred, não estás?
- Está? Está aí?
- Sim. - “Uma noite não faz mal a ninguém, decidiu Paige.
- Sim. Podemos jantar.
- Maravilha!
Nessa noite, enquanto Paige se vestia, Kat observou:
- Parece que vais sair com alguém muito importante.
Quem é?
- É um médico-arquiteto - respondeu Paige - Um quê? Paige contou-lhe a história.
- Parece divertido. Estás interessada nele?
- Nem por isso.
A noite passou alegremente. Paige achou que Jason era uma pessoa agradável. Falaram de tudo um pouco e as horas pareceram voar:
- Fala-me de ti - pediu Jason. - Onde cresceste?
- Não vais acreditar em mim.
- Prometo que vou.
- Está bem. No Congo, índia, Birmânia, Nigéria, Quénia…
- Não acredito em ti.
- É verdade. O meu pai trabalhava para a OMS.
- Quem? Desisto. Vai ser uma reposição de Abbott e Costello.
- Organização Mundial de Saúde. Ele era médico.
Passei a infância a viajar com ele para a maior parte dos países do Terceiro Mundo.
- Deve ter sido difícil para ti.
- Era entusiasmante. A parte mais difícil era que eu nunca podia ficar o tempo suficiente para fazer amizades. - “Não precisamos de mais ninguém, Paige. Teremos sempre um ao outro…
Esta é a minha mulher, Karen. Afastou as lembranças:
- Aprendi muitas línguas estranhas e costumes exóticos.
- Por exemplo?
- Bem, por exemplo, eu… - pensou por momentos.
- Na índia acreditavam na vida depois da morte e que a vida seguinte depende de como se comporta nesta. Se foste mau, voltarás sob a forma de animal. Lembro-me que, numa aldeia, tivemos um cão e eu costumava pensar em quem ele fora e que teria feito de tão mau.
Jason interrompeu:
- Provavelmente ladrou para a árvore errada.
Paige sorriu:
- E depois havia o gherao.
- O gherao?
- É uma forma poderosa de castigar. Uma multidão rodeia um homem. - Calou-se.
- E?
- É tudo.
- É tudo?
- Não dizem nem fazem nada. Mas ele não consegue mexer-se nem fugir.
Fica encurralado até aceder àquilo que eles pretendem. Tudo pode durar muitas e muitas horas. Ele permanece no meio do círculo, mas a multidão faz turnos. Uma vez vi um homem a tentar escapar do gherao. Deram-lhe uma tareia de morte.
A lembrança do caso fez Paige estremecer. As pessoas normalmente pacíficas tinham-se transformado numa multidão enfurecida. “Vamo-nos afastar daqui”, dissera Alfred.
Abraçara-a e levara-a para uma rua sossegada.
- Isso é terrível - disse Jason.
- No dia seguinte, fomo-nos embora.
- Quem me dera ter conhecido o teu pai.
- Era um médico maravilhoso. Poderia ter tido muito êxito na Park Avenue, mas não estava interessado em dinheiro. O seu único interesse era ajudar os outros. - “Tal como Alfred”, pensou.
- O que é que lhe aconteceu?
- Foi morto numa guerra tribal.
- Lamento.
- Ele gostava de fazer o que fez. No início, os nativos lutavam contra ele.
Eram muito supersticiosos. Nas aldeias indianas mais afastadas todos têm um jatak, um horóscopo feito pelo astrólogo da aldeia, e vivem de acordo com ele - sorriu.
- Gostei muito de ter um só para mim.
- E disseram-te que ias casar com um jovem e belo arquiteto?
Paige olhou para ele e respondeu com firmeza:
- Não. - A conversa estava a tornar-se demasiado íntima.
- Tu és arquiteto, por isso irás gostar disto. Cresci em cabanas feitas de adobe, com solos de terra batida e telhados de palha, onde ratos e morcegos gostavam de habitar. Vivi em tukuls, com telhados de capim e sem janelas.
O meu sonho era viver um dia numa casa confortável de dois pisos, com varanda, um jardim relvado e uma vedação branca, e… - Paige calou-se. - Desculpa. Não pretendia continuar deste modo, mas tu perguntaste.
- Ainda bem que perguntei - disse Jason.
Paige olhou para o relógio:
- Não pensei que fosse tão tarde.
- Podemos repetir? “Não quero alimentar-lhe as esperanças,”, pensou Paige.
“Isto não vai resultar em nada.” Lembrou-se de algo que Kat lhe tinha dito. “Estás presa a um fantasma. Solta-o.” Olhou para Jason e disse:
- Sim.
Na manhã seguinte, muito cedo, chegou um mensageiro com um pacote.
Paige abriu-lhe a porta.
- Tenho uma coisa para a doutora Taylor.
- Sou a doutora Taylor.
O mensageiro olhou para ela, surpreendido:
- É médica?
- Sim - respondeu Paige, pacientemente. - Sou médica.
Importa-se?
Ele encolhe u os ombros:
- Não, senhora. De modo algum. Importa-se de assinar aqui, por favor?
O pacote era surpreendentemente pesado. Curiosa, Paige transportou-o para a mesa da sala e desembrulhou-o. Era uma miniatura de uma bonita casa de dois pisos com varanda.
Enfrente da casa havia um pequeno jardim relvado, rodeado por uma vedação branca. “Deve ter passado toda a noite acordado para fazer isto.”
Havia um cartão onde se lia: minha ()
Nossa ()
Por favor, coloca uma cruz.
Ficou muito tempo sentada a olhar para a casa. Era a casa certa, mas o homem errado.
“O que é que se passa comigo?,”, perguntou-se a si própria.
“Ele é inteligente, atraente e encantador.” Mas sabia qual era o problema.
Ele não era Alfred.
O telefone começou a tocar.
Era Jason.
- Recebeste a sua casa? - perguntou.
- É linda! - respondeu Paige. - Muitíssimo obrigada.
- Gostaria de te construir a verdadeira. Colocaste a cruz?
- Não.
- Sou um homem paciente. Estás livre ao jantar?
- Sim, mas devo avisar-te que vou fazer operações durante todo o dia e, à noite, estarei exausta.
- Jantaremos cedo. A propósito, vai ser em casa dos meus pais.
Paige hesitou um momento:
- Oh?
- Contei-lhe s tudo sobre ti.
- Está bem - disse Paige. As coisas estavam a andar depressa de mais. Isso deixava-a nervosa.
Quando Paige desligou, pensou: “Não devia estar a fazer isto. Logo à noite estarei demasiado cansada para fazer o que quer que seja a não ser dormir.”
Sentiu vontade de ligar a Jason e cancelar o jantar. “Já é tarde para isso.
Jantaremos cedo.”
Nessa noite, enquanto Paige se vestia, Kat observou:
- Pareces exausta.
- E estou.
- Porque vais sair? Devias ir para a cama. Ou isso é redundante?
- Não. Hoje não.
- Outra vez Jason?
- Sim. Vou conhecer os pais dele.
- Ah! - Kat abanou a cabeça.
- Não é nada disso - disse Paige. “Realmente não é”.
Os pais de Jason moravam numa antiga e encantadora casa, no distrito de Pacific Heights. O pai era um sepuagenário de aspecto aristocrático. A mãe era uma mulher simpática e realista. Fizeram com que Paige se sentisse instantaneamente em casa.
- Jason falou-nos tanto de si - disse a Sra. Curtis.
- Mas não nos disse que era assim tão bonita.
- Obrigada.
Foram para a biblioteca, que estava repleta de miniaturas de construções que Jason e o pai tinham desenhado.
- Cá entre nós, julgo que Jason, o avô e eu somos os responsáveis por grande parte da paisagem de São Francisco - disse o pai de Jason. - O meu filho é um génio.
- É isso que eu estou sempre a dizer a Paige.
Paige riu:
- Acredito. - Os olhos começaram a pesar e ela lutava por mantê-los abertos.