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Nada dura para sempre [em Português]

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Nada dura para sempre [em Português]
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Telefonou para Paige, no hospitaclass="underline"

- É o seu parceiro quem fala.

- Peço desculpa por ontem à noite - disse Paige.

- Estou envergonhada.

- Não esteja. Mas tenho uma pergunta.

- Sim?

- RIP significa “Repouse em Infinita Paz ou “Rip van Winkle?

Paige riu:

- Escolha.

- A minha escolha é jantar logo à noite. Podemos tentar de novo?

Ela hesitou: “Não quero envolver-me. Ainda estás presa a Alfred, não estás?

- Está? Está aí?

- Sim. - “Uma noite não faz mal a ninguém, decidiu Paige.

- Sim. Podemos jantar.

- Maravilha!

Nessa noite, enquanto Paige se vestia, Kat observou:

- Parece que vais sair com alguém muito importante.

Quem é?

- É um médico-arquiteto - respondeu Paige - Um quê? Paige contou-lhe a história.

- Parece divertido. Estás interessada nele?

- Nem por isso.

A noite passou alegremente. Paige achou que Jason era uma pessoa agradável. Falaram de tudo um pouco e as horas pareceram voar:

- Fala-me de ti - pediu Jason. - Onde cresceste?

- Não vais acreditar em mim.

- Prometo que vou.

- Está bem. No Congo, índia, Birmânia, Nigéria, Quénia…

- Não acredito em ti.

- É verdade. O meu pai trabalhava para a OMS.

- Quem? Desisto. Vai ser uma reposição de Abbott e Costello.

- Organização Mundial de Saúde. Ele era médico.

Passei a infância a viajar com ele para a maior parte dos países do Terceiro Mundo.

- Deve ter sido difícil para ti.

- Era entusiasmante. A parte mais difícil era que eu nunca podia ficar o tempo suficiente para fazer amizades. - “Não precisamos de mais ninguém, Paige. Teremos sempre um ao outro…

Esta é a minha mulher, Karen. Afastou as lembranças:

- Aprendi muitas línguas estranhas e costumes exóticos.

- Por exemplo?

- Bem, por exemplo, eu… - pensou por momentos.

- Na índia acreditavam na vida depois da morte e que a vida seguinte depende de como se comporta nesta. Se foste mau, voltarás sob a forma de animal. Lembro-me que, numa aldeia, tivemos um cão e eu costumava pensar em quem ele fora e que teria feito de tão mau.

Jason interrompeu:

- Provavelmente ladrou para a árvore errada.

Paige sorriu:

- E depois havia o gherao.

- O gherao?

- É uma forma poderosa de castigar. Uma multidão rodeia um homem. - Calou-se.

- E?

- É tudo.

- É tudo?

- Não dizem nem fazem nada. Mas ele não consegue mexer-se nem fugir.

Fica encurralado até aceder àquilo que eles pretendem. Tudo pode durar muitas e muitas horas. Ele permanece no meio do círculo, mas a multidão faz turnos. Uma vez vi um homem a tentar escapar do gherao. Deram-lhe uma tareia de morte.

A lembrança do caso fez Paige estremecer. As pessoas normalmente pacíficas tinham-se transformado numa multidão enfurecida. “Vamo-nos afastar daqui”, dissera Alfred.

Abraçara-a e levara-a para uma rua sossegada.

- Isso é terrível - disse Jason.

- No dia seguinte, fomo-nos embora.

- Quem me dera ter conhecido o teu pai.

- Era um médico maravilhoso. Poderia ter tido muito êxito na Park Avenue, mas não estava interessado em dinheiro. O seu único interesse era ajudar os outros. - “Tal como Alfred”, pensou.

- O que é que lhe aconteceu?

- Foi morto numa guerra tribal.

- Lamento.

- Ele gostava de fazer o que fez. No início, os nativos lutavam contra ele.

Eram muito supersticiosos. Nas aldeias indianas mais afastadas todos têm um jatak, um horóscopo feito pelo astrólogo da aldeia, e vivem de acordo com ele - sorriu.

- Gostei muito de ter um só para mim.

- E disseram-te que ias casar com um jovem e belo arquiteto?

Paige olhou para ele e respondeu com firmeza:

- Não. - A conversa estava a tornar-se demasiado íntima.

- Tu és arquiteto, por isso irás gostar disto. Cresci em cabanas feitas de adobe, com solos de terra batida e telhados de palha, onde ratos e morcegos gostavam de habitar. Vivi em tukuls, com telhados de capim e sem janelas.

O meu sonho era viver um dia numa casa confortável de dois pisos, com varanda, um jardim relvado e uma vedação branca, e… - Paige calou-se. - Desculpa. Não pretendia continuar deste modo, mas tu perguntaste.

- Ainda bem que perguntei - disse Jason.

Paige olhou para o relógio:

- Não pensei que fosse tão tarde.

- Podemos repetir? “Não quero alimentar-lhe as esperanças,”, pensou Paige.

“Isto não vai resultar em nada.” Lembrou-se de algo que Kat lhe tinha dito. “Estás presa a um fantasma. Solta-o.” Olhou para Jason e disse:

- Sim.

Na manhã seguinte, muito cedo, chegou um mensageiro com um pacote.

Paige abriu-lhe a porta.

- Tenho uma coisa para a doutora Taylor.

- Sou a doutora Taylor.

O mensageiro olhou para ela, surpreendido:

- É médica?

- Sim - respondeu Paige, pacientemente. - Sou médica.

Importa-se?

Ele encolhe u os ombros:

- Não, senhora. De modo algum. Importa-se de assinar aqui, por favor?

O pacote era surpreendentemente pesado. Curiosa, Paige transportou-o para a mesa da sala e desembrulhou-o. Era uma miniatura de uma bonita casa de dois pisos com varanda.

Enfrente da casa havia um pequeno jardim relvado, rodeado por uma vedação branca. “Deve ter passado toda a noite acordado para fazer isto.”

Havia um cartão onde se lia: minha ()

Nossa ()

Por favor, coloca uma cruz.

Ficou muito tempo sentada a olhar para a casa. Era a casa certa, mas o homem errado.

“O que é que se passa comigo?,”, perguntou-se a si própria.

“Ele é inteligente, atraente e encantador.” Mas sabia qual era o problema.

Ele não era Alfred.

O telefone começou a tocar.

Era Jason.

- Recebeste a sua casa? - perguntou.

- É linda! - respondeu Paige. - Muitíssimo obrigada.

- Gostaria de te construir a verdadeira. Colocaste a cruz?

- Não.

- Sou um homem paciente. Estás livre ao jantar?

- Sim, mas devo avisar-te que vou fazer operações durante todo o dia e, à noite, estarei exausta.

- Jantaremos cedo. A propósito, vai ser em casa dos meus pais.

Paige hesitou um momento:

- Oh?

- Contei-lhe s tudo sobre ti.

- Está bem - disse Paige. As coisas estavam a andar depressa de mais. Isso deixava-a nervosa.

Quando Paige desligou, pensou: “Não devia estar a fazer isto. Logo à noite estarei demasiado cansada para fazer o que quer que seja a não ser dormir.”

Sentiu vontade de ligar a Jason e cancelar o jantar. “Já é tarde para isso.

Jantaremos cedo.”

Nessa noite, enquanto Paige se vestia, Kat observou:

- Pareces exausta.

- E estou.

- Porque vais sair? Devias ir para a cama. Ou isso é redundante?

- Não. Hoje não.

- Outra vez Jason?

- Sim. Vou conhecer os pais dele.

- Ah! - Kat abanou a cabeça.

- Não é nada disso - disse Paige. “Realmente não é”.

Os pais de Jason moravam numa antiga e encantadora casa, no distrito de Pacific Heights. O pai era um sepuagenário de aspecto aristocrático. A mãe era uma mulher simpática e realista. Fizeram com que Paige se sentisse instantaneamente em casa.

- Jason falou-nos tanto de si - disse a Sra. Curtis.

- Mas não nos disse que era assim tão bonita.

- Obrigada.

Foram para a biblioteca, que estava repleta de miniaturas de construções que Jason e o pai tinham desenhado.

- Cá entre nós, julgo que Jason, o avô e eu somos os responsáveis por grande parte da paisagem de São Francisco - disse o pai de Jason. - O meu filho é um génio.

- É isso que eu estou sempre a dizer a Paige.

Paige riu:

- Acredito. - Os olhos começaram a pesar e ela lutava por mantê-los abertos.

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