Nada dura para sempre [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 1996
- Язык: португальский
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «Nada dura para sempre [em Português]». Краткое содержание книги:
- Estou ansiosa por isso.
“Estou ansiosa por isso” foi uma forma incompleta de dizer o que sentia.
Paige tinha sonhado trabalhar com alguém como o Dr. Lawrence Barker.
“Que quero dizer com alguém como o Dr.
Barker? Só existe um Dr. Lawrence Barker.” Nunca tinha visto uma fotografia dele, mas imaginava o seu aspeto: devia ser alto e bonito, com cabelos cinza-prata, magro e mãos sensíveis. Um homem caloroso e gentil.
“Iremos trabalhar juntos”, pensou ela “e vou tornar-me absolutamente indispensável. Será que é casado?”
Nessa noite, Paige teve um sonho erótico com o Dr. Barker.
Ambos estavam nus a fazer uma operação.
A meio desta, o Dr. Barker disse: “Quero-a.” Uma enfermeira tirou o doente da marquesa e o Dr. Barker levantou Paige, deitou-a e fez amor com ela.
“ Quando Paige acordou, estava quase a cair da cama.
Às seis horas da manhã seguinte, Paige esperava nervosa no corredor do segundo andar, juntamente com Joel lips, o residente chefe, e cinco outros residentes, quando um homem baixo e carrancudo começou a dirigir-se a eles num passo curto e rápido. Caminhava inclinado para a frente, como se estivesse a lutar contra o vento.
Ele aproximou-se do grupo:
- Por que raio estão todos aqui parados? Vamos embora! Foi preciso um momento para Paige se recompor.
Correu para se juntar aos restantes elementos do grupo, Enquanto atravessavam o corredor, o Dr. Barker atirou:
- Todos vocês têm trinta a trinta e cinco doentes para cuidar por dia. Espero que tomem notas pormenorizadas de cada um deles. Entendido?
Houve um murmúrio de “Sim, senhor”.
Tinham chegado à primeira ala. O Dr. Barker aproximou-se da cama de um doente, um homem com cerca de quarenta anos. O ar rude e modos grosseiros de Barker desapareceram num instante.
Tocou suavemente no ombro do doente e sorriu:
- Bom dia. Sou o doutor Barker.
- Bom dia, doutor.
- Como se sente hoje?
- Dói-me o peito.
O Dr. Barker estudou o gráfico aos pés da cama e depois voltou-se para o Dr. Philips:
- O que mostra esta radiografia?
- Nenhuma alteração. Está a sarar bem.
- Vamos fazer outro CBC.
O Dr. Philips tomou nota.
O Dr. Barker deu uma palmadinha no braço do homem e sorriu:
- Tem bom aspeto. Vê-lo-emos sair daqui dentro de uma semana. - E, virando-se para os residentes, disse: - Mexam-se! Temos muitos doentes para ver.
“Meu Deus!”,, pensou Paige. “E há quem fale do Dr.
Jekyll e do Mr. Hyde!”
O doente seguinte era uma mulher obesa em que fora implantado um pacemaker. O Dr. Barker estudou o gráfico dela:
- Bom dia, senhora Shelby. - A voz era agradável - Sou o doutor Barker.
- Quanto tempo irão manter-me neste lugar?
- Bem, a senhora é tão encantadora que gostaria de a manter aqui para sempre, mas eu tenho mulher.
A Sra. Shelby deu uma risada reprimida:
- É uma mulher sortuda.
Barker examinou novamente o gráfico:
- Posso dizer que está quase a ir para casa.
- Que bom.
- Logo à tarde vê-la-ei outra vez. - Lawrence Barker virou-se para os residentes. - Avancem.
Seguiram obedientemente o médico até um quarto semiprivado onde um jovem guatemalense se encontrava deitado e rodeado pela família.
- Bom dia - disse calorosamente o Dr. Barker enquanto examinava o gráfico do doente. - Como se sente esta manhã?
- Sinto-me bem, doutor.
Virando-se para Philips, o médico perguntou:
- Alguma alteração nos eletrólitos?
- Não, doutor.
- Essa é uma boa notícia. - Tocou no braço do rapaz:
- Mantenha-se aí, Juan.
A mãe perguntou, ansiosamente:
- O meu filho vai ficar bem?
O Dr. Barker sorriu:
- Vamos fazer tudo o que pudermos por ele.
- Obrigada, doutor.
O Dr. Barker saiu para o corredor e os outros seguiram-no.
Parou.
- O doente sofre de miocardiopatia, tremuras de febre irregular, dores de cabeça e edema localizado. Pode algum de vocês, génios, dizer qual é a causa comum? Houve silêncio. Hesitando, Paige respondeu:
- Creio que é congénito… hereditário.
O Dr. Barker olhou para ela e anuiu encorajadoramente.
Satisfeita, Paige continuou:
- Salta… espere… - Procurou lembrar-se: - Salta uma geração e é transmitida através do genes da mãe. - Interrompeu, corou e sentiu-se orgulhosa.
O Dr. Barker olhou um momento para ela:
- Que disparate! É a doença de Chagas. Afeta os habitantes dos países latino-americanos. - Olhou desgostoso para Paige.
- Jesus! Quem foi que lhe disse que era médica? O rosto dela corou intensamente.
Para ela, o resto da ronda foi um castigo. Viram vinte e quatro doentes e Paige ficou com a impressão de que o Dr.
Barker tinha passado a manhã a tentar humilhá-la. Era sempre ela a quem fazia perguntas, testando-a. Quando respondia certo, nunca a elogiava.
Quando errava, dava-lhe um berro. A dada altura, quando Paige cometeu um erro, Barker resmungou:
- Nunca a deixaria operar o meu cão!
Quando finalmente a ronda chegou ao fim, o Dr. Philips, residente chefe, disse:
- Faremos outra ronda às duas horas. Peguem nos vossos blocos, tomem notas sobre cada um dos doentes e não deixem nada de fora.
Deitou um olhar piedoso a Paige, começou a dizer algo e depois virou as costas para se juntar ao Dr. Barker.
Paige pensou: “Nunca mais quero ver esse animal.
Na noite seguinte, Paige estava de serviço. Correu de uma crise para outra, procurando acudir prontamente à maré de desastres que inundou as salas de urgências.
À uma da manhã, finalmente adormeceu. Não ouviu o som estridente de uma sirena anunciando a paragem de uma ambulância à frente da entrada das urgências do hospital. Dois paramédicos abriram a porta da ambulância, passaram o doente inconsciente da maca para uma marquesa e atravessaram a correr as portas de entrada para a sala de operações um.
O pessoal tinha sido alertado através de radiofonia.
Uma enfermeira corria ao lado do doente, enquanto uma segunda esperava no topo da rampa. Sessenta segundos mais tarde, o doente foi transferido da marquesa para uma mesa de exame.
Era um jovem e tinha tanto sangue no rosto que mal se lhe viam as feições.
Uma enfermeira começou a trabalhar, cortando-lhe com uma tesoura grande as roupas rasgadas.
- Parece que tem tudo partido.
- Sangra como um porco no matadouro.
- Não sinto a pulsação.
- Quem está de serviço?
- A doutora Taylor.
- Chame-a. Se vier depressa, talvez ele ainda esteja vivo.
Paige foi acordada pela campainha do telefone.
- Está…
- Temos uma urgência na sala um, doutora. Penso que não se salva.
Paige sentou-se imediatamente:
- Está bem. Vou já para aí.
Olhou para o relógio de pulso. Uma e meia da manhã.
Saiu da cama e dirigiu-se ao elevador.
Um minuto mais tarde, estava a entrar na sala um.
A meio da sala, na mesa de exame, encontrava-se o doente coberto de sangue.
- Que temos aqui? - perguntou Paige.
- Um acidente de moto. Foi atropelado por um autocarro. Não trazia capacete.
Paige aproximou-se da figura inconsciente e, mesmo antes de lhe ver o rosto, sentia que sabia quem era.
Ficou subitamente bem desperta:
- Coloquem nele três linhas IV! - ordenou Paige.
- Dêem-lhe oxigénio. Mandem vir sangue para baixo stat.
Liguem para o arquivo para saber o grupo sanguíneo.
A enfermeira olhou para ela, surpreendida:
- Conhece-o?
- Sim. - Teve de se esforçar para falar. - Chama-se Jimmy Ford.
Paige passou os dedos pelos cabelos dele:
- Tem um edema profundo. Quero uma ecografia e radiografias à cabeça.
Vamos ter de fazer tudo por tudo.