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Nada dura para sempre [em Português]

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Nada dura para sempre [em Português]
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- Estou ansiosa por isso.

“Estou ansiosa por isso” foi uma forma incompleta de dizer o que sentia.

Paige tinha sonhado trabalhar com alguém como o Dr. Lawrence Barker.

“Que quero dizer com alguém como o Dr.

Barker? Só existe um Dr. Lawrence Barker.” Nunca tinha visto uma fotografia dele, mas imaginava o seu aspeto: devia ser alto e bonito, com cabelos cinza-prata, magro e mãos sensíveis. Um homem caloroso e gentil.

“Iremos trabalhar juntos”, pensou ela “e vou tornar-me absolutamente indispensável. Será que é casado?”

Nessa noite, Paige teve um sonho erótico com o Dr. Barker.

Ambos estavam nus a fazer uma operação.

A meio desta, o Dr. Barker disse: “Quero-a.” Uma enfermeira tirou o doente da marquesa e o Dr. Barker levantou Paige, deitou-a e fez amor com ela.

“ Quando Paige acordou, estava quase a cair da cama.

Às seis horas da manhã seguinte, Paige esperava nervosa no corredor do segundo andar, juntamente com Joel lips, o residente chefe, e cinco outros residentes, quando um homem baixo e carrancudo começou a dirigir-se a eles num passo curto e rápido. Caminhava inclinado para a frente, como se estivesse a lutar contra o vento.

Ele aproximou-se do grupo:

- Por que raio estão todos aqui parados? Vamos embora! Foi preciso um momento para Paige se recompor.

Correu para se juntar aos restantes elementos do grupo, Enquanto atravessavam o corredor, o Dr. Barker atirou:

- Todos vocês têm trinta a trinta e cinco doentes para cuidar por dia. Espero que tomem notas pormenorizadas de cada um deles. Entendido?

Houve um murmúrio de “Sim, senhor”.

Tinham chegado à primeira ala. O Dr. Barker aproximou-se da cama de um doente, um homem com cerca de quarenta anos. O ar rude e modos grosseiros de Barker desapareceram num instante.

Tocou suavemente no ombro do doente e sorriu:

- Bom dia. Sou o doutor Barker.

- Bom dia, doutor.

- Como se sente hoje?

- Dói-me o peito.

O Dr. Barker estudou o gráfico aos pés da cama e depois voltou-se para o Dr. Philips:

- O que mostra esta radiografia?

- Nenhuma alteração. Está a sarar bem.

- Vamos fazer outro CBC.

O Dr. Philips tomou nota.

O Dr. Barker deu uma palmadinha no braço do homem e sorriu:

- Tem bom aspeto. Vê-lo-emos sair daqui dentro de uma semana. - E, virando-se para os residentes, disse: - Mexam-se! Temos muitos doentes para ver.

“Meu Deus!”,, pensou Paige. “E há quem fale do Dr.

Jekyll e do Mr. Hyde!”

O doente seguinte era uma mulher obesa em que fora implantado um pacemaker. O Dr. Barker estudou o gráfico dela:

- Bom dia, senhora Shelby. - A voz era agradável - Sou o doutor Barker.

- Quanto tempo irão manter-me neste lugar?

- Bem, a senhora é tão encantadora que gostaria de a manter aqui para sempre, mas eu tenho mulher.

A Sra. Shelby deu uma risada reprimida:

- É uma mulher sortuda.

Barker examinou novamente o gráfico:

- Posso dizer que está quase a ir para casa.

- Que bom.

- Logo à tarde vê-la-ei outra vez. - Lawrence Barker virou-se para os residentes. - Avancem.

Seguiram obedientemente o médico até um quarto semiprivado onde um jovem guatemalense se encontrava deitado e rodeado pela família.

- Bom dia - disse calorosamente o Dr. Barker enquanto examinava o gráfico do doente. - Como se sente esta manhã?

- Sinto-me bem, doutor.

Virando-se para Philips, o médico perguntou:

- Alguma alteração nos eletrólitos?

- Não, doutor.

- Essa é uma boa notícia. - Tocou no braço do rapaz:

- Mantenha-se aí, Juan.

A mãe perguntou, ansiosamente:

- O meu filho vai ficar bem?

O Dr. Barker sorriu:

- Vamos fazer tudo o que pudermos por ele.

- Obrigada, doutor.

O Dr. Barker saiu para o corredor e os outros seguiram-no.

Parou.

- O doente sofre de miocardiopatia, tremuras de febre irregular, dores de cabeça e edema localizado. Pode algum de vocês, génios, dizer qual é a causa comum? Houve silêncio. Hesitando, Paige respondeu:

- Creio que é congénito… hereditário.

O Dr. Barker olhou para ela e anuiu encorajadoramente.

Satisfeita, Paige continuou:

- Salta… espere… - Procurou lembrar-se: - Salta uma geração e é transmitida através do genes da mãe. - Interrompeu, corou e sentiu-se orgulhosa.

O Dr. Barker olhou um momento para ela:

- Que disparate! É a doença de Chagas. Afeta os habitantes dos países latino-americanos. - Olhou desgostoso para Paige.

- Jesus! Quem foi que lhe disse que era médica? O rosto dela corou intensamente.

Para ela, o resto da ronda foi um castigo. Viram vinte e quatro doentes e Paige ficou com a impressão de que o Dr.

Barker tinha passado a manhã a tentar humilhá-la. Era sempre ela a quem fazia perguntas, testando-a. Quando respondia certo, nunca a elogiava.

Quando errava, dava-lhe um berro. A dada altura, quando Paige cometeu um erro, Barker resmungou:

- Nunca a deixaria operar o meu cão!

Quando finalmente a ronda chegou ao fim, o Dr. Philips, residente chefe, disse:

- Faremos outra ronda às duas horas. Peguem nos vossos blocos, tomem notas sobre cada um dos doentes e não deixem nada de fora.

Deitou um olhar piedoso a Paige, começou a dizer algo e depois virou as costas para se juntar ao Dr. Barker.

Paige pensou: “Nunca mais quero ver esse animal.

Na noite seguinte, Paige estava de serviço. Correu de uma crise para outra, procurando acudir prontamente à maré de desastres que inundou as salas de urgências.

À uma da manhã, finalmente adormeceu. Não ouviu o som estridente de uma sirena anunciando a paragem de uma ambulância à frente da entrada das urgências do hospital. Dois paramédicos abriram a porta da ambulância, passaram o doente inconsciente da maca para uma marquesa e atravessaram a correr as portas de entrada para a sala de operações um.

O pessoal tinha sido alertado através de radiofonia.

Uma enfermeira corria ao lado do doente, enquanto uma segunda esperava no topo da rampa. Sessenta segundos mais tarde, o doente foi transferido da marquesa para uma mesa de exame.

Era um jovem e tinha tanto sangue no rosto que mal se lhe viam as feições.

Uma enfermeira começou a trabalhar, cortando-lhe com uma tesoura grande as roupas rasgadas.

- Parece que tem tudo partido.

- Sangra como um porco no matadouro.

- Não sinto a pulsação.

- Quem está de serviço?

- A doutora Taylor.

- Chame-a. Se vier depressa, talvez ele ainda esteja vivo.

Paige foi acordada pela campainha do telefone.

- Está…

- Temos uma urgência na sala um, doutora. Penso que não se salva.

Paige sentou-se imediatamente:

- Está bem. Vou já para aí.

Olhou para o relógio de pulso. Uma e meia da manhã.

Saiu da cama e dirigiu-se ao elevador.

Um minuto mais tarde, estava a entrar na sala um.

A meio da sala, na mesa de exame, encontrava-se o doente coberto de sangue.

- Que temos aqui? - perguntou Paige.

- Um acidente de moto. Foi atropelado por um autocarro. Não trazia capacete.

Paige aproximou-se da figura inconsciente e, mesmo antes de lhe ver o rosto, sentia que sabia quem era.

Ficou subitamente bem desperta:

- Coloquem nele três linhas IV! - ordenou Paige.

- Dêem-lhe oxigénio. Mandem vir sangue para baixo stat.

Liguem para o arquivo para saber o grupo sanguíneo.

A enfermeira olhou para ela, surpreendida:

- Conhece-o?

- Sim. - Teve de se esforçar para falar. - Chama-se Jimmy Ford.

Paige passou os dedos pelos cabelos dele:

- Tem um edema profundo. Quero uma ecografia e radiografias à cabeça.

Vamos ter de fazer tudo por tudo.

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