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Nada dura para sempre [em Português]

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Nada dura para sempre [em Português]
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- Fui suficientemente esperto para ter um pai inteligente - respondeu Bowman. - Deixou-me todo o seu dinheiro.

- E você trabalha? - perguntou Kat, maravilhada.

Bowman sorriu:

- Gosto de ser médico.

O bufete era constituído por caviar Beluga Malossol, patê de campagne, salmão escocês fumado, ostras na concha, pernas de caranguejo, crudités com molho vinagrete e champanhe Cristal.

Bowman tivera razão. Na realidade, as três divertiram-se bastante.

- Nem sei como agradecer - disse Paige a Bowman ‘ no final da noite, quando estavam de saída.

- Estão livres no sábado? - perguntou.

- Sim.

- Tenho um pequeno barco a motor. Vou levá-las a dar um passeio.

- Parece ótimo - às quatro da manhã Kat foi acordada, quando dormia profundamente no quarto dos médicos de serviço.

- Doutora Hunter, sala de urgências três… Doutora Hunter, urgências três.

Kat levantou-se, tentando lutar contra o cansaço. Esfregando os olhos para afastar o sono, apanhou o elevador para baixo até à sala de urgências.

Um empregado cumprimentou-a à porta:

- Ele está ali no canto. Está cheio de dores.

Kat caminhou para o doente:

- Sou a doutora Hunter - disse, sonolenta.

Este resmungou:

- Jesus, doutora. Tem de fazer qualquer coisa. As minhas costas estão a matar-me.

Kat bocejou:

- Há quanto tempo tem dores?

- Desde há cerca de duas semanas.

Kat olhou para ele, confusa:

- Duas semanas? Porque não veio logo?

O doente tentou mexer-se e estremeceu:

- Para dizer a verdade, detesto hospitais.

- Então porque veio agora?

Com um ar mais alegre, respondeu:

- Vai haver um grande torneio de golfe e se não tratar das minhas costas não poderei estar presente.

Kat respirou profundamente:

- Um torneio de golfe.

- Sim.

Teve de se esforçar para se controlar:

- Vou dizer-lhe o que deve fazer. Vá para casa. Tome duas aspirinas e, se de manhã não estiver melhor, telefone-me.

- Voltou-se e saiu rapidamente da sala, deixando-o a gesticular.

O pequeno barco a motor de Harry Bowman era uma suave lancha-cruzeiro de quinze metros.

- Bem-vindas a bordo! - disse ele, quando cumprimentou Paige, Kat e Honey no cais.

As mulheres olharam com admiração para o barco.

- É lindo - disse Paige.

Deram um passeio pela baía durante três horas, saboreando o dia quente e solarengo. Era a primeira vez que qualquer uma delas descansava desde há semanas.

Enquanto estavam ancorados ao largo da ilha Angel, a comer um almoço delicioso, Kat disse:

- Isto é que é viver. Não vamos regressar para terra.

- Bem pensado - afirmou Honey.

Em resumo, tinha sido um dia divinal.

Quando regressaram ao cais, Paige disse:

- Não encontro as palavras para descrever o quanto me diverti hoje.

- O prazer foi meu - Bowman deu umas palmadinhas no braço dela. - Havemos de repetir. Em qualquer altura. Vocês as três são sempre bemvindas.

“Que homem encantador”, pensou Paige.

Honey gostava de trabalhar na obstetrícia. Era uma ala cheia de vida e esperança novas, num ritual alegre e interminável.

As novas mães estavam ansiosas e apreensivas. As veteranas ansiavam que tudo passasse.

Uma das mulheres que estava prestes a ter o bebê disse a Honey:

- Graças a Deus! Vou poder ver de novo os meus pés.

Se Paige tivesse um diário, teria marcado o dia quinze de Agosto como um dia especial. Foi o dia em que Jimmy Ford entrara na sua vida.

Jimmy era empregado do hospital, com o sorriso mais franco e a melhor disposição que Paige jamais vira. Era baixo e magro e parecia ter dezesete anos. Tinha vinte e cinco e movia-se pelos corredores do hospital como um alegre furacão. Para ele, nada representava um problema.

Passava a vida a fazer recados para todos. Não tinha qualquer sentido de condição social e tratava do mesmo modo médicos, enfermeiras e zeladores.

Jimmy Ford adorava contar anedotas.

- Sabe daquela sobre o doente com o corpo engessado? O doente da cama ao lado perguntou-lhe o que fazia para viver.

Ele respondeu: “Lavava as janelas do Empire State Building.” O outro perguntou: “Quando é que deixou de trabalhar?” - “Quando estava a descer.”

E Jimmy arreganhava os dentes e apressava-se a ajudar mais alguém.

Adorava Paige:

- Um dia serei médico. Quero ser como a senhora.

Levava-lhe pequenos presentes - chocolates e brinquedos insignificantes.

A cada um dos presentes juntava uma piada.

- Em Houston, um homem perguntou a um peão: “Qual é o caminho mais rápido para o hospital?” O outro respondeu: “Diga mal do Texas.”

As anedotas eram terríveis mas Jimmy contava-as de um modo engraçado.

Chegava de motorizada ao hospital ao mesmo tempo que Paige e aproximava-se rapidamente dela.

- O doente perguntou: “A minha operação é perigosa?,” E o cirurgião respondeu: “Não. Uma operação de dois mil dólares nunca é perigosa.”

E depois desaparecia.

Sempre que Paige, Kat e Honey estavam livres no mesmo dia, iam explorar São Francisco. Visitaram o Dutch Mill e o Japanese Tea Garden. Foram ao Fisherman’s Wharf e passearam de elétrico. Assistiram a peças de teatro no Curran Theater e jantaram no Maharani, na Post Street. Todos os empregados de mesa eram indianos e, para espanto de Kat e Honey, Paige falava como eles em hindi.

- Hum Hindustani baht bahut ocho bolta hi. - E, a partir desse momento, o restaurante era delas.

- Como diabo aprendeste tu a falar indiano? - perguntou Honey.

- Hindi - corrigiu Paige. Hesitou: - Nós… Vivi uns tempos na índia. - Lembrava-se claramente de tudo.

Ela e Alfred estavam em Agra, a olhar para o Taj Mahal.

“Shah Jahan construiu-o em memória da sua mulher.

A construção durou vinte anos, Alfred.”

“Vou construir-te um Taj Mahal. Não interessa o tempo que irei levar!”

“Esta é Karen Turner. Minha mulher.”

Ouviu o seu nome e voltou-se.

- Paige… - Havia um olhar de preocupação no rosto de Kat.

- Estás bem?

- Sim. Estou bem.

As horas impossíveis continuaram. Outra véspera de Ano Novo chegou e passou e o segundo ano deslizou para o terceiro sem nada ter mudado. O mundo exterior não afetava o hospital. As guerras, fomes e desastres de países longínquos nada eram em comparação com as crises de vida e morte que tinham de enfrentar vinte e quatro horas por dia.

Sempre que Kat e Paige se encontravam nos corredores do hospital, Kat sorria e dizia:

- Estás a divertir-te?

- Quando foi a última vez que dormiste? - perguntava Paige.

Kat suspirava:

- Quem se lembra disso?

Passaram os longos dias e noites a tentar vencer a incessante e exigente pressão, comendo sanduíches quando tinham tempo e bebendo café frio em copos de papel.

O assédio sexual parecia fazer parte da vida de Kat.

Havia as insinuações constantes, não só de médicos como também de doentes, que tentavam que ela se metesse na cama com eles.

Estes recebiam a mesma resposta que os médicos. “Não há homem no mundo que eu deixe tocar-me.”

E ela assim acreditava.

A meio de uma manhã movimentada, houve outra chamada de Mike.

- Olá, mana.

E Kat sabia o que vinha dali. Tinha-lhe enviado todo o dinheiro que conseguira poupar, mas, bem lá no fundo, sabia que tudo o que pudesse enviar nunca seria o suficiente.

- Detesto incomodar-te, Kat. Realmente detesto.

Mas meti-me num pequeno sarilho. - A voz soou constrangida.

- Mike… estás bem?

- Oh, sim. Não é nada de grave. Estou apenas a dever a alguém que me está a pedir já o dinheiro e eu pergunto…

- Vou ver o que posso fazer - respondeu Kat, saturada.

- Obrigado. Posso sempre contar contigo, não posso, mana? Gosto muito de ti.

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