Nada dura para sempre [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 1996
- Язык: португальский
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «Nada dura para sempre [em Português]». Краткое содержание книги:
Quanto mais tempo passava, mais Paige via Kane fazer operações desnecessárias e extirpar órgãos sãos.
Um dia, quando ela e Kane se dirigiam à sala de operações, Paige perguntou:
- Vamos fazer uma operação a quê, doutor? - à bolsa dele! - Reparou no olhar de Paige. - Estou a brincar, querida.
- Ele devia estar a trabalhar num talho - disse Paige mais tarde a Honey, zangada. - Não tem o direito de operar pessoas.
Após uma operação ao fígado particularmente absurda, o Dr.
Kane virou-se para Paige e, abanando a cabeça, disse:
- É pena. Não sei se ele se safa.
Paige não conseguiu conter a fúria por mais tempo.
Decidiu ter uma conversa com Tom Chang.
- Alguém deveria participar do doutor Kane - disse Paige.
- Está a assassinar os doentes dele!
- Tenha calma.
- Não consigo! Não é justo que deixem um homem destes fazer operações.
É criminoso. Devia ser denunciado à Ordem dos Médicos.
- O que ganharias com isso? Terias de arranjar outros médicos que testemunhassem contra ele e ninguém faria uma coisa dessas. Esta é uma comunidade fechada e todos nós temos de viver dentro dela, Paige. É quase impossível fazer com que um médico testemunhe contra outro. Todos somos vulneráveis e precisamos muito uns dos outros. Acalme-se. Venha comigo que eu pago-lhe o almoço.
Paige suspirou:
- Está bem, mas é um sistema repugnante.
Ao almoço, Paige perguntou:
- Como está você e Sye?
Levou um momento a responder:
- Eu… estamos a ter problemas. O meu trabalho está a destruir o nosso casamento. Não sei o que fazer.
- Tenho a certeza que irá solucionar-se - disse Paige.
Chang disse com firmeza:
- Será melhor que isso aconteça.
Paige olhou para ele.
- Matava-me se ela me deixasse.
Na manhã seguinte, Arthur Kane foi designado para fazer uma operação aos rins. O chefe da cirurgia disse a Paige:
- O doutor Kane mandou-a chamar, para o assistir na sala de operações quatro.
A garganta de Paige ficou subitamente seca. Odiava a ideia de estar perto dele.
- Não pode pedir a mais alguém para…? - pediu ela.
- Ele está à sua espera, doutora.
Paige suspirou:
- Okay…
Quando finalmente estava preparada, a operação já tinha começado.
- Dê-me uma ajuda aqui, querida - disse Kane a Paige.
O abdome do doente tinha sido pintado com uma solução de iodo e feita uma incisão no respectivo quadrante superior direito, logo abaixo da caixa torácica. “Até aqui, tudo bem”, pensou Paige.
- Bisturi! - A enfermeira-ajudante entregou um bisturi ao Dr. Kane, que levantou a cabeça: - Ponham música.
Um momento mais tarde, começou a tocar um CD.
O Dr. Kane continuou a cortar: - Vamos animar isto um pouco.
- Olhou para Paige. - Ligue o bovie, “doçura”.
“Doçura”. Paige cerrou os dentes e pegou num bovie - um cauterizador elétrico. Começou a cauterizar as artérias para reduzir a quantidade de sangue no abdome.
A operação estava a correr bem.
“Graças a Deus”, pensou Paige.
- Esponja.
A enfermeira-ajudante entregou uma esponja a Kane.
- Muito bem. Vamos fazer uma sucção. - Cortou em volta do rim até este ficar exposto. - Aqui está o malandro - disse ele. - Mais sucção. - Levantou o rim com o auxílio de fórceps.
- Bem. Vamos cosê-lo.
Por uma vez tudo correra bem e, contudo, algo preocupava Paige.
Examinou melhor o rim. Parecia são. Franziu o sobrolho e ficou a pensar se…
Quando o Dr. Kane começou a coser o doente, Paige correu para a radiografia colocada na moldura iluminada.
Estudou-a por momentos e disse baixinho:
- Oh, meu Deus!
A radiografia tinha sido ali colocada ao contrário.
O Dr. Kane tinha extirpado o rim errado.
Trinta minutos mais tarde, Paige encontrava-se no gabinete de bem Wallace.
- Ele extraiu o rim são e deixou o lesado! - A voz de Paige tremia. - O homem devia ir para a cadeia! Benjamin Wallace disse, apaziguadoramente:
- Paige, concordo que isto é lamentável. Mas com certeza que não foi intencional. Foi um erro e…
- Um erro? Esse doente vai ter de viver de diálise durante o resto da vida.
Alguém devia pagar por isso!
- Acredite-me, iremos fazer uma avaliação pormenorizada.
Paige sabia o que ele queria dizer: um grupo de médicos iria examinar o sucedido, mas isso iria ser feito confidencialmente. A informação nunca chegaria ao público e ao doente.
- Doutor Wallace…
- Você faz parte da nossa equipa, Paige. Terá de ser uma jogadora.
- Ele não devia trabalhar neste hospital, nem em nenhum outro.
- Deve examinar todo o quadro. Se fôssemos retirados, haveria uma má publicidade e a reputação do hospital ficaria afetada. Provavelmente teríamos de enfrentar muitas práticas erradas.
- E os doentes?
- Iremos vigiar melhor o doutor Kane. - Inclinou-se na cadeira. - Vou darlhe um conselho. Quando exercer medicina privada, irá necessitar da boa vontade de outros médicos para fornecerem referências. Sem isso, não irá a parte alguma e se tiver a reputação de ser desonesta e falar mal dos seus colegas, nunca obterá boas referências.
Garanto-lhe isso.
Paige levantou-se:
- Então não vai fazer nada?
- Já lhe disse, vamos fazer uma avaliação pormenorizada.
- Só isso?
- Só isso.
- Não é justo - disse Paige. Estava na cafetaria a almoçar com Kat e Honey.
Kat abanou a cabeça:
- Ninguém disse que a vida tinha de ser justa.
Paige olhou em volta da sala assépica de azulejos brancos.
- Tudo isto deixa-me deprimida. Toda a gente está doente.
- Ou não estariam aqui - sublinhou Kat.
- Porque não organizamos uma festa? - sugeriu Honey.
- Uma festa? De que é que estás a falar? Honey sentiu-se subitamente entusiasmada:
- Podíamos encomendar comida e algumas bebidas e fazer uma grande festa! Penso que todas nós precisamos de nos animarmos.
Por momentos, Paige ficou pensativa:
- Sabem - disse -, não é uma má ideia. Vamos a isso!
- Combinado. Eu trato de tudo - informou Honey.
- Fica para amanhã, depois das rondas.
Arthur Kane aproximou-se de Paige no corredor.
A voz soou gélida:
- Você tem sido malandra. Alguém devia ensiná-la a manter a boca fechada! - E afastou-se.
Paige olhou para ele incrédula. Wallace contou-lhe o que eu disse. Não devia ter feito aquilo. “Se tiver a reputação de ser desonesta e falar mal dos seus colegas…” “Tornarei a participar?”, ponderou Paige. “É claro que sim!”
A notícia da próxima festa espalhou-se rapidamente.
Todos os residentes contribuíram. Foi encomendado um grande menu ao Restaurante Ernie’s e as bebidas a um armazém próximo.
A festa foi marcada para as cinco horas, na sala de reuniões dos médicos. A comida e as bebidas chegaram às quatro e meia.
Foi um banquete: travessas de lagosta e camarão, uma variedade de patês, almôndegas suecas, massa quente, fruta e sobremesas.
Às cinco e um quarto, quando Paige, Kat e Honey entraram na sala, esta já estava cheia de residentes, internos e enfermeiras ansiosos, a comer e a divertir-se.
Paige virou-se para Honey:
- Foi uma ótima ideia!
- Obrigada - agradeceu Honey.
Ouviu-se uma voz no altofalante:
- Doutores Finley e Ketler para SU. Stat. - E os dois médicos, que ainda estavam a comer camarões, olharam um para o outro, suspiraram e abandonaram rapidamente a sala.
Tom Chang aproximou-se de Paige:
- Devíamos fazer isto todas as semanas - disse.