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Nada dura para sempre [em Português]

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Nada dura para sempre [em Português]
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Quanto mais tempo passava, mais Paige via Kane fazer operações desnecessárias e extirpar órgãos sãos.

Um dia, quando ela e Kane se dirigiam à sala de operações, Paige perguntou:

- Vamos fazer uma operação a quê, doutor? - à bolsa dele! - Reparou no olhar de Paige. - Estou a brincar, querida.

- Ele devia estar a trabalhar num talho - disse Paige mais tarde a Honey, zangada. - Não tem o direito de operar pessoas.

Após uma operação ao fígado particularmente absurda, o Dr.

Kane virou-se para Paige e, abanando a cabeça, disse:

- É pena. Não sei se ele se safa.

Paige não conseguiu conter a fúria por mais tempo.

Decidiu ter uma conversa com Tom Chang.

- Alguém deveria participar do doutor Kane - disse Paige.

- Está a assassinar os doentes dele!

- Tenha calma.

- Não consigo! Não é justo que deixem um homem destes fazer operações.

É criminoso. Devia ser denunciado à Ordem dos Médicos.

- O que ganharias com isso? Terias de arranjar outros médicos que testemunhassem contra ele e ninguém faria uma coisa dessas. Esta é uma comunidade fechada e todos nós temos de viver dentro dela, Paige. É quase impossível fazer com que um médico testemunhe contra outro. Todos somos vulneráveis e precisamos muito uns dos outros. Acalme-se. Venha comigo que eu pago-lhe o almoço.

Paige suspirou:

- Está bem, mas é um sistema repugnante.

Ao almoço, Paige perguntou:

- Como está você e Sye?

Levou um momento a responder:

- Eu… estamos a ter problemas. O meu trabalho está a destruir o nosso casamento. Não sei o que fazer.

- Tenho a certeza que irá solucionar-se - disse Paige.

Chang disse com firmeza:

- Será melhor que isso aconteça.

Paige olhou para ele.

- Matava-me se ela me deixasse.

Na manhã seguinte, Arthur Kane foi designado para fazer uma operação aos rins. O chefe da cirurgia disse a Paige:

- O doutor Kane mandou-a chamar, para o assistir na sala de operações quatro.

A garganta de Paige ficou subitamente seca. Odiava a ideia de estar perto dele.

- Não pode pedir a mais alguém para…? - pediu ela.

- Ele está à sua espera, doutora.

Paige suspirou:

- Okay…

Quando finalmente estava preparada, a operação já tinha começado.

- Dê-me uma ajuda aqui, querida - disse Kane a Paige.

O abdome do doente tinha sido pintado com uma solução de iodo e feita uma incisão no respectivo quadrante superior direito, logo abaixo da caixa torácica. “Até aqui, tudo bem”, pensou Paige.

- Bisturi! - A enfermeira-ajudante entregou um bisturi ao Dr. Kane, que levantou a cabeça: - Ponham música.

Um momento mais tarde, começou a tocar um CD.

O Dr. Kane continuou a cortar: - Vamos animar isto um pouco.

- Olhou para Paige. - Ligue o bovie, “doçura”.

“Doçura”. Paige cerrou os dentes e pegou num bovie - um cauterizador elétrico. Começou a cauterizar as artérias para reduzir a quantidade de sangue no abdome.

A operação estava a correr bem.

“Graças a Deus”, pensou Paige.

- Esponja.

A enfermeira-ajudante entregou uma esponja a Kane.

- Muito bem. Vamos fazer uma sucção. - Cortou em volta do rim até este ficar exposto. - Aqui está o malandro - disse ele. - Mais sucção. - Levantou o rim com o auxílio de fórceps.

- Bem. Vamos cosê-lo.

Por uma vez tudo correra bem e, contudo, algo preocupava Paige.

Examinou melhor o rim. Parecia são. Franziu o sobrolho e ficou a pensar se…

Quando o Dr. Kane começou a coser o doente, Paige correu para a radiografia colocada na moldura iluminada.

Estudou-a por momentos e disse baixinho:

- Oh, meu Deus!

A radiografia tinha sido ali colocada ao contrário.

O Dr. Kane tinha extirpado o rim errado.

Trinta minutos mais tarde, Paige encontrava-se no gabinete de bem Wallace.

- Ele extraiu o rim são e deixou o lesado! - A voz de Paige tremia. - O homem devia ir para a cadeia! Benjamin Wallace disse, apaziguadoramente:

- Paige, concordo que isto é lamentável. Mas com certeza que não foi intencional. Foi um erro e…

- Um erro? Esse doente vai ter de viver de diálise durante o resto da vida.

Alguém devia pagar por isso!

- Acredite-me, iremos fazer uma avaliação pormenorizada.

Paige sabia o que ele queria dizer: um grupo de médicos iria examinar o sucedido, mas isso iria ser feito confidencialmente. A informação nunca chegaria ao público e ao doente.

- Doutor Wallace…

- Você faz parte da nossa equipa, Paige. Terá de ser uma jogadora.

- Ele não devia trabalhar neste hospital, nem em nenhum outro.

- Deve examinar todo o quadro. Se fôssemos retirados, haveria uma má publicidade e a reputação do hospital ficaria afetada. Provavelmente teríamos de enfrentar muitas práticas erradas.

- E os doentes?

- Iremos vigiar melhor o doutor Kane. - Inclinou-se na cadeira. - Vou darlhe um conselho. Quando exercer medicina privada, irá necessitar da boa vontade de outros médicos para fornecerem referências. Sem isso, não irá a parte alguma e se tiver a reputação de ser desonesta e falar mal dos seus colegas, nunca obterá boas referências.

Garanto-lhe isso.

Paige levantou-se:

- Então não vai fazer nada?

- Já lhe disse, vamos fazer uma avaliação pormenorizada.

- Só isso?

- Só isso.

- Não é justo - disse Paige. Estava na cafetaria a almoçar com Kat e Honey.

Kat abanou a cabeça:

- Ninguém disse que a vida tinha de ser justa.

Paige olhou em volta da sala assépica de azulejos brancos.

- Tudo isto deixa-me deprimida. Toda a gente está doente.

- Ou não estariam aqui - sublinhou Kat.

- Porque não organizamos uma festa? - sugeriu Honey.

- Uma festa? De que é que estás a falar? Honey sentiu-se subitamente entusiasmada:

- Podíamos encomendar comida e algumas bebidas e fazer uma grande festa! Penso que todas nós precisamos de nos animarmos.

Por momentos, Paige ficou pensativa:

- Sabem - disse -, não é uma má ideia. Vamos a isso!

- Combinado. Eu trato de tudo - informou Honey.

- Fica para amanhã, depois das rondas.

Arthur Kane aproximou-se de Paige no corredor.

A voz soou gélida:

- Você tem sido malandra. Alguém devia ensiná-la a manter a boca fechada! - E afastou-se.

Paige olhou para ele incrédula. Wallace contou-lhe o que eu disse. Não devia ter feito aquilo. “Se tiver a reputação de ser desonesta e falar mal dos seus colegas…” “Tornarei a participar?”, ponderou Paige. “É claro que sim!”

A notícia da próxima festa espalhou-se rapidamente.

Todos os residentes contribuíram. Foi encomendado um grande menu ao Restaurante Ernie’s e as bebidas a um armazém próximo.

A festa foi marcada para as cinco horas, na sala de reuniões dos médicos. A comida e as bebidas chegaram às quatro e meia.

Foi um banquete: travessas de lagosta e camarão, uma variedade de patês, almôndegas suecas, massa quente, fruta e sobremesas.

Às cinco e um quarto, quando Paige, Kat e Honey entraram na sala, esta já estava cheia de residentes, internos e enfermeiras ansiosos, a comer e a divertir-se.

Paige virou-se para Honey:

- Foi uma ótima ideia!

- Obrigada - agradeceu Honey.

Ouviu-se uma voz no altofalante:

- Doutores Finley e Ketler para SU. Stat. - E os dois médicos, que ainda estavam a comer camarões, olharam um para o outro, suspiraram e abandonaram rapidamente a sala.

Tom Chang aproximou-se de Paige:

- Devíamos fazer isto todas as semanas - disse.

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