Nada dura para sempre [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 1996
- Язык: португальский
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «Nada dura para sempre [em Português]». Краткое содержание книги:
Quando Paige saiu, Walter Herzog estava numa pilha de nervos.
Alguns minutos mais tarde, Jimmy encontrou Paige na sala de reuniões.
Aproximou-se dela com um grande sorriso:
- Parabéns! Soube que vai operar.
“A palavra espalha-se rapidamente”, pensou Paige.
- Sim.
- Quem quer que seja, tem sorte - disse Jimmy. - Se alguma vez me acontecer algo, a senhora é a única pessoa a quem eu deixaria operar-me.
- Obrigada, Jimmy.
E, é claro, com Jimmy havia sempre uma anedota.
- Já sabe daquela sobre o homem que tinha uma dor esquisita nos tornozelos? Era demasiado medroso para ir a um médico; então, quando o amigo lhe contou que tinha exatamente a mesma dor, disse: “Deves ir imediatamente ao médico. E conta-me tudo o que ele te disser. - No dia seguinte, soube que o amigo tinha morrido.
Correu para o hospital e gastou cinco mil dólares em exames e análises.
Não conseguiram encontrar nada de errado.
Ligou à viúva do amigo e perguntou: “Chester sofreu muito antes de morrer?” - “Não”, disse ela. “Nem sequer viu o camião que o atropelou!” - E Jimmy desapareceu.
Paige estava demasiado excitada para jantar. Passou o serão a treinar nós cirúrgicos nas pernas das mesas e candeeiros.
“Vou tentar passar uma boa noite de sono”, decidiu, “para estar bonita e fresca de manhã.”
Passou a noite acordada, revendo e tornando a rever mentalmente a operação.
Existem três tipos de hérnia: hérnia redutível, onde é possível voltar a colocar os intestinos no abdome; hérnia irredutível, onde as ligações impedem o retorno do conteúdo para o abdome; e hérnia estrangulada, a mais perigosa, onde o sangue que corre através dela é cortado, lesando os intestinos. A de Walter Herzog era uma hérnia redutível.
Às seis da manhã, Paige conduziu até ao parque de estacionamento do hospital. Um novo Ferrari vermelho encontrava-se ao lado do seu estacionamento. Em vão, Paige pensou de quem seria, mas quem quer que fosse tinha de ser rico.
Às sete horas, Paige já estava a ajudar Walter Herzog a tirar o pijama para vestir uma bata azul do hospital. A enfermeira já lhe tinha dado um sedativo para o acalmar enquanto esperavam pela maca que o iria levar para a sala de operações.
- Esta é a minha primeira operação - disse Walter Herzog.
“Minha também”, pensou Paige.
A maca chegou quando Walter Herzog já se dirigia para a SO três. Paige percorreu o corredor ao seu lado, com o coração a bater tão depressa que temeu que ele pudesse ouvir.
A SO três era uma das maiores salas de operações, albergando um monitor cardíaco, uma máquina cardiopulmonar e uma série de outros acessórios técnicos. Quando Paige entrou na sala, o pessoal já lá se encontrava a preparar o equipamento. Havia um médico-assistente, o anestesista, dois residentes, uma enfermeira-assistente e duas enfermeiras auxiliares.
O pessoal olhou esperançosamente para ela, ansiosos por ver como é que iria sair-se na sua primeira operação.
Paige aproximou-se da marquesa. Walter Herzog já tinha a virilha rapada e desinfectada. Tinham sido colocados panos esterilizados em volta da área a operar.
Herzog olhou para Paige e disse, sonolento:
- Não me vai deixar morrer, vai?
Paige sorriu:
- O quê? E estragar a minha reputação?
Olhou para o anestesista, que deu ao doente uma anestesia epidural, uma autêntica dose de cavalo. Paige respirou fundo e anuiu com a cabeça.
A operação começou.
- Bisturi.
Quando Paige estava prestes a fazer o primeiro corte na pele, a enfermeira auxiliar disse qualquer coisa.
- O quê?
- Quer música, doutora?
Era a primeira vez que lhe faziam semelhante pergunta. Paige sorriu:
- Certamente. Vamos ouvir Jimmy Buffett.
No momento em que Paige fez a primeira incisão, os nervos desapareceram. Era como se tivesse feito isto durante toda a vida.
Habilmente, cortou as primeiras camadas de gordura e músculo até chegar à hérnia. Contudo, prestava atenção ao som familiar que ecoava através da sala.
- Esponja…
- Dê-me um bovie…
- Aqui está…
- Parece que chegámos mesmo a tempo…
- Grampo…
- Sucção, por favor…
A mente de Paige estava totalmente concentrada naquilo que estava a fazer.
Localizar o saco hernial… libertá-lo… voltar a colocar os órgãos na cavidade abdominal… atar a base do saco… cortar o restante… anel inguinal… suturar…
Uma hora e vinte minutos após a primeira incisão, a operação chegou ao fim.
Paige devia sentir-se extenuada, mas, em vez disso, sentia-se terrivelmente animada.
Depois de Walter Herzog ter sido cosido, a enfermeira-assistente voltou-se para Paige e disse:
- Doutora Taylor…
Paige levantou a cabeça:
- Sim?
A enfermeira sorriu:
- Foi magnífica, doutora.
Era domingo e as três mulheres tinham o dia livre.
- Que vamos fazer hoje? - perguntou Kat.
Paige não fazia ideia:
- Está um dia tão bonito! Porque não vamos ao Tree Park? Podíamos arranjar qualquer coisa e fazer um piquenique ao ar livre.
- Soa-me bem - respondeu Honey.
- Vamos a isso! - concordou Kat.
O telefone tocou. As três olharam para ele.
- Jesus! - disse Kat. - Pensei que Lincoln nos tivesse liberado. Não atendam.
É a nossa folga.
- Não temos folgas - lembrou-lhe Paige.
Kat dirigiu-se ao telefone e levantou-o:
- Doutora Hunter. - Escutou por momentos e entregou o telefone a Paige. - É para si, doutora Taylor.
Paige anuiu, resignadamente:
- Está bem. - Pegou no auscultador e respondeu:
- Doutora Taylor… Olá, Tom… O quê?… Não, estava de saída… Entendi…
Está bem. Estarei aí dentro de quinze minutos. - Colocou o auscultador no lugar.
“Lá se vai o piquenique,”, pensou.
- É grave? - perguntou Honey.
- Sim, estamos prestes a perder um doente. Vou tentar estar de volta para jantar.
Quando Paige chegou ao hospital, dirigiu-se ao parque dos médicos e estacionou ao lado do Ferrari vermelho.
“Quantas operações terão sido precisas para comprar aquilo?,” Vinte minutos mais tarde, Paige dirigia-se à sala de espera das visitas. Um homem de fato escuro estava sentado numa cadeira a olhar pela janela.
- Senhor Newton?
Este levantou-se:
- Sim?
- Sou a doutora Taylor. Acabei de examinar o seu filhinho.
Deu entrada por estar a sofrer de dores abdominais.
- Sim. Vou levá-lo para casa.
- Creio que não. Peter tem uma rotura no baço. Necessita de uma transfusão imediata e de ser operado, ou morrerá.
Newton abanou a cabeça:
- Somos testemunhas de Jeová. Deus não deixará que ele morra e eu não vou permitir que o contaminem com o sangue de mais alguém. Foi a minha mulher quem o trouxe para aqui. Será castigada por isso.
- Senhor Newton, penso que não está a compreender bem a gravidade da situação. Se não operarmos imediatamente, o seu filho morrerá.
O homem olhou para ela e sorriu:
- A senhora não conhece os desígnios de Deus, conhece? Paige estava furiosa:
- Posso não saber muito acerca dos desígnios de deus, mas sei bastante sobre um baço rebentado. - Pegou numa folha de papel. - Ele é menor; por isso, terá de assinar este termo de responsabilidade. - E entregou-lhe a folha.
- E se eu não assinar?
- Porquê… então não poderemos operar.
Ele anuiu:
- Julga que os seus poderes são mais fortes do que os de Deus?
Paige olhou para ele:
- Não vai assinar, não é assim?
- Não. Um poder mais forte que o seu irá ajudar o meu filho.
Verá.
Quando Paige regressou à ala, o pequeno Peter Newton de seis anos tinha perdido a consciência.
- Não vai conseguir salvar-se - disse Chang. - Perdeu muito sangue. O que quer fazer?