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Nada dura para sempre [em Português]

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Nada dura para sempre [em Português]
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Quando Paige saiu, Walter Herzog estava numa pilha de nervos.

Alguns minutos mais tarde, Jimmy encontrou Paige na sala de reuniões.

Aproximou-se dela com um grande sorriso:

- Parabéns! Soube que vai operar.

“A palavra espalha-se rapidamente”, pensou Paige.

- Sim.

- Quem quer que seja, tem sorte - disse Jimmy. - Se alguma vez me acontecer algo, a senhora é a única pessoa a quem eu deixaria operar-me.

- Obrigada, Jimmy.

E, é claro, com Jimmy havia sempre uma anedota.

- Já sabe daquela sobre o homem que tinha uma dor esquisita nos tornozelos? Era demasiado medroso para ir a um médico; então, quando o amigo lhe contou que tinha exatamente a mesma dor, disse: “Deves ir imediatamente ao médico. E conta-me tudo o que ele te disser. - No dia seguinte, soube que o amigo tinha morrido.

Correu para o hospital e gastou cinco mil dólares em exames e análises.

Não conseguiram encontrar nada de errado.

Ligou à viúva do amigo e perguntou: “Chester sofreu muito antes de morrer?” - “Não”, disse ela. “Nem sequer viu o camião que o atropelou!” - E Jimmy desapareceu.

Paige estava demasiado excitada para jantar. Passou o serão a treinar nós cirúrgicos nas pernas das mesas e candeeiros.

“Vou tentar passar uma boa noite de sono”, decidiu, “para estar bonita e fresca de manhã.”

Passou a noite acordada, revendo e tornando a rever mentalmente a operação.

Existem três tipos de hérnia: hérnia redutível, onde é possível voltar a colocar os intestinos no abdome; hérnia irredutível, onde as ligações impedem o retorno do conteúdo para o abdome; e hérnia estrangulada, a mais perigosa, onde o sangue que corre através dela é cortado, lesando os intestinos. A de Walter Herzog era uma hérnia redutível.

Às seis da manhã, Paige conduziu até ao parque de estacionamento do hospital. Um novo Ferrari vermelho encontrava-se ao lado do seu estacionamento. Em vão, Paige pensou de quem seria, mas quem quer que fosse tinha de ser rico.

Às sete horas, Paige já estava a ajudar Walter Herzog a tirar o pijama para vestir uma bata azul do hospital. A enfermeira já lhe tinha dado um sedativo para o acalmar enquanto esperavam pela maca que o iria levar para a sala de operações.

- Esta é a minha primeira operação - disse Walter Herzog.

“Minha também”, pensou Paige.

A maca chegou quando Walter Herzog já se dirigia para a SO três. Paige percorreu o corredor ao seu lado, com o coração a bater tão depressa que temeu que ele pudesse ouvir.

A SO três era uma das maiores salas de operações, albergando um monitor cardíaco, uma máquina cardiopulmonar e uma série de outros acessórios técnicos. Quando Paige entrou na sala, o pessoal já lá se encontrava a preparar o equipamento. Havia um médico-assistente, o anestesista, dois residentes, uma enfermeira-assistente e duas enfermeiras auxiliares.

O pessoal olhou esperançosamente para ela, ansiosos por ver como é que iria sair-se na sua primeira operação.

Paige aproximou-se da marquesa. Walter Herzog já tinha a virilha rapada e desinfectada. Tinham sido colocados panos esterilizados em volta da área a operar.

Herzog olhou para Paige e disse, sonolento:

- Não me vai deixar morrer, vai?

Paige sorriu:

- O quê? E estragar a minha reputação?

Olhou para o anestesista, que deu ao doente uma anestesia epidural, uma autêntica dose de cavalo. Paige respirou fundo e anuiu com a cabeça.

A operação começou.

- Bisturi.

Quando Paige estava prestes a fazer o primeiro corte na pele, a enfermeira auxiliar disse qualquer coisa.

- O quê?

- Quer música, doutora?

Era a primeira vez que lhe faziam semelhante pergunta. Paige sorriu:

- Certamente. Vamos ouvir Jimmy Buffett.

No momento em que Paige fez a primeira incisão, os nervos desapareceram. Era como se tivesse feito isto durante toda a vida.

Habilmente, cortou as primeiras camadas de gordura e músculo até chegar à hérnia. Contudo, prestava atenção ao som familiar que ecoava através da sala.

- Esponja…

- Dê-me um bovie…

- Aqui está…

- Parece que chegámos mesmo a tempo…

- Grampo…

- Sucção, por favor…

A mente de Paige estava totalmente concentrada naquilo que estava a fazer.

Localizar o saco hernial… libertá-lo… voltar a colocar os órgãos na cavidade abdominal… atar a base do saco… cortar o restante… anel inguinal… suturar…

Uma hora e vinte minutos após a primeira incisão, a operação chegou ao fim.

Paige devia sentir-se extenuada, mas, em vez disso, sentia-se terrivelmente animada.

Depois de Walter Herzog ter sido cosido, a enfermeira-assistente voltou-se para Paige e disse:

- Doutora Taylor…

Paige levantou a cabeça:

- Sim?

A enfermeira sorriu:

- Foi magnífica, doutora.

Era domingo e as três mulheres tinham o dia livre.

- Que vamos fazer hoje? - perguntou Kat.

Paige não fazia ideia:

- Está um dia tão bonito! Porque não vamos ao Tree Park? Podíamos arranjar qualquer coisa e fazer um piquenique ao ar livre.

- Soa-me bem - respondeu Honey.

- Vamos a isso! - concordou Kat.

O telefone tocou. As três olharam para ele.

- Jesus! - disse Kat. - Pensei que Lincoln nos tivesse liberado. Não atendam.

É a nossa folga.

- Não temos folgas - lembrou-lhe Paige.

Kat dirigiu-se ao telefone e levantou-o:

- Doutora Hunter. - Escutou por momentos e entregou o telefone a Paige. - É para si, doutora Taylor.

Paige anuiu, resignadamente:

- Está bem. - Pegou no auscultador e respondeu:

- Doutora Taylor… Olá, Tom… O quê?… Não, estava de saída… Entendi…

Está bem. Estarei aí dentro de quinze minutos. - Colocou o auscultador no lugar.

“Lá se vai o piquenique,”, pensou.

- É grave? - perguntou Honey.

- Sim, estamos prestes a perder um doente. Vou tentar estar de volta para jantar.

Quando Paige chegou ao hospital, dirigiu-se ao parque dos médicos e estacionou ao lado do Ferrari vermelho.

“Quantas operações terão sido precisas para comprar aquilo?,” Vinte minutos mais tarde, Paige dirigia-se à sala de espera das visitas. Um homem de fato escuro estava sentado numa cadeira a olhar pela janela.

- Senhor Newton?

Este levantou-se:

- Sim?

- Sou a doutora Taylor. Acabei de examinar o seu filhinho.

Deu entrada por estar a sofrer de dores abdominais.

- Sim. Vou levá-lo para casa.

- Creio que não. Peter tem uma rotura no baço. Necessita de uma transfusão imediata e de ser operado, ou morrerá.

Newton abanou a cabeça:

- Somos testemunhas de Jeová. Deus não deixará que ele morra e eu não vou permitir que o contaminem com o sangue de mais alguém. Foi a minha mulher quem o trouxe para aqui. Será castigada por isso.

- Senhor Newton, penso que não está a compreender bem a gravidade da situação. Se não operarmos imediatamente, o seu filho morrerá.

O homem olhou para ela e sorriu:

- A senhora não conhece os desígnios de Deus, conhece? Paige estava furiosa:

- Posso não saber muito acerca dos desígnios de deus, mas sei bastante sobre um baço rebentado. - Pegou numa folha de papel. - Ele é menor; por isso, terá de assinar este termo de responsabilidade. - E entregou-lhe a folha.

- E se eu não assinar?

- Porquê… então não poderemos operar.

Ele anuiu:

- Julga que os seus poderes são mais fortes do que os de Deus?

Paige olhou para ele:

- Não vai assinar, não é assim?

- Não. Um poder mais forte que o seu irá ajudar o meu filho.

Verá.

Quando Paige regressou à ala, o pequeno Peter Newton de seis anos tinha perdido a consciência.

- Não vai conseguir salvar-se - disse Chang. - Perdeu muito sangue. O que quer fazer?

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