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Nada dura para sempre [em Português]

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Nada dura para sempre [em Português]
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- Pedi dinheiro a alguém para investir num negócio…

Kat nem quis saber que negócio era.

- E fracassou. Sim. E agora ele quer o dinheiro de volta.

- Quanto, Mike?

- Bem, se pudesses mandar cinco mil…

- O quê?

A enfermeira da secretaria olhava curiosamente para Kat.

Cinco mil dólares. Kat baixou a voz:

- Não tenho essa quantia. Posso… Posso enviar-te metade agora e o restante dentro de algumas semanas. Está bem assim?

- Acho que sim. Detesto aborrecer-te, mana, mas sabes como é.

Kat sabia exatamente como era. O irmão tinha vinte e dois anos e não raro envolvido em negócios misteriosos.

Estava sempre metido no meio de gangs e só Deus sabia o que faziam, mas Kat sentia uma grande responsabilidade para com ele. “É tudo por minha culpa”, pensou Kat. “Se não tivesse fugido de casa, abandonando-o…

- Não te metas em sarilhos, Mike. Gosto muito de ti.

- Também gosto de ti, Kat.

“De algum modo vou ter de arranjar esse dinheiro”, pensou.

“Mike é tudo o que possuo no mundo.

O Dr. Isler estava ansioso por trabalhar novamente com Honey Taft. Tinha perdoado o seu comportamento absurdo e, na realidade, sentia-se lisonjeado com a admiração que esta nutria por ele. Mas desta vez, de novo a fazer a ronda, Honey ficou atrás dos outros residentes e nunca tentou adiantar-se na resposta às perguntas dele.

Trinta minutos depois da ronda, o Dr. Isler estava sentado no gabinete de Benjamin Wallace.

- Qual é o problema? - perguntou Wallace.

- É a doutora Taft.

Wallace olhou para ele, verdadeiramente surpreendido:

- A doutora Taft? Tem as melhores recomendações que jamais vi.

- Isso é que me deixa intrigado - afirmou o Dr. Isler.

- Tenho recebido relatórios de alguns dos outros residentes.

Ela tem feito alguns diagnósticos errados e cometido alguns erros graves.

Quero saber que raio se passa aqui.

- Não compreendo. Ela frequentou uma ótima faculdade de medicina.

- Talvez fosse melhor ligar ao reitor da faculdade - sugeriu o Dr. Isler.

- É Jim Pearson. É um bom homem. Vou telefonar-lhe.

Alguns minutos mais tarde, Wallace falava ao telefone com Jim Pearson.

Conversaram de banalidades e depois Wallace disse:

- Liguei por causa de Betty Lou Taft.

Houve um breve silêncio:

- Sim?

- Estamos a ter alguns problemas com ela, Jim. Foi admitida aqui devido às suas maravilhosas recomendações.

- Exato.

- Para ser franco, tenho o teu relatório aqui à minha frente. Diz que ela foi uma das melhores alunas de sempre.

- Está correto.

- E que ela seria um louvor para a profissão médica.

- Sim.

- Houve alguma dúvida sobre…

- Nenhuma - disse o Dr. Pearson com firmeza.

- Nenhuma mesmo. Talvez seja um tanto nervosa. Ela é muito sensível, mas se lhe derem uma oportunidade, tenho a certeza que ficará bem.

- Bem, agradeço o conselho. Com certeza que iremos dar-lhe todas as oportunidades. Obrigado.

- De nada. - A linha caiu.

Jim Pearson ficou ali sentado, odiando-se pelo que acabara de fazer.

“A minha mulher e os meus filhos estão em primeiro lugar.”

Honey Taft teve a pouca sorte de ter nascido no seio de uma família de bem-sucedidos. O seu vistoso pai era o fundador e presidente de uma grande empresa de computadores de Mênfis, Tennessee, a sua bela mãe era uma cientista de genética e as irmãs gémeas mais velhas eram tão atraentes, inteligentes e ambiciosas como os pais. Os Tafts encontravam-se entre as famílias mais proeminentes de Mênfis.

Honey nascera inconvenientemente quando as irmãs tinham seis anos.

- Honey foi o nosso pequeno acidente -” dizia a mãe às amigas. - Eu quis fazer um aborto, mas Fred foi contra. Agora está arrependido.

Onde as irmãs eram espantosas, Honey era vulgar.

Onde elas eram brilhantes, Honey era mediana. As irmãs tinham começado a falar aos nove meses. Honey só disse a primeira palavra quase aos dois anos.

- Chamamos-lhe “a palerma” - troçava o pai. - Honey é o patinho feio da família Taft. Só que acho que ela nunca irá transformar-se num cisne.

Não é que Honey fosse feia, mas também não era bonita. Tinha um aspeto vulgar, com um rosto magro e comprido, cabelo alourado e um corpo pouco invejável.

O que Honey realmente possuía era uma extraordinária e doce disposição, qualidade não muito prezada numa família de pessoas competentes e bemsucedidas.

Honey lembrava-se que, desde muito cedo, o seu maior desejo era agradar aos pais e às irmãs, fazendo-os gostar dela. Foi um esforço fútil. Os pais estavam ocupados com as respectivas carreiras e as irmãs não tinham tempo para mais nada senão para concursos de beleza e bolsas de estudo.

Para agravar a situação, Honey era invulgarmente envergonhada.

Consciente ou inconscientemente, a família tinha-lhe incutido uma profunda sensação de inferioridade.

No liceu, Honey era conhecida como a Solitária. Ia sozinha aos bailes escolares e festas, sorria e procurava esconder as suas tristezas para não estragar a festa dos outros. Via as irmãs saírem com os rapazes mais populares do liceu e, em seguida, subia para o seu solitário quarto para se dedicar aos estudos.

E evitar chorar.

Nos fins-de-semana e durante as férias de Verão, Honey juntava algum dinheiro cuidando de crianças. Gostava de cuidar de crianças e estas adoravam-na.

Quando Honey não estava a trabalhar, saía de casa e ia sozinha explorar Mênfis. Visitou Graceland, onde Elvis Presley tinha vivido, e percorreu a Beale Street, onde os blues tiveram início. Visitou o Pink Palace Museum e o Planetarium, com o seu rugidor e assustador dinossauro.

Foi ao aquário.

E Honey estava sempre sozinha.

Não sabia que a sua vida estava prestes a sofrer uma mudança radical.

Honey sabia que muitas das suas colegas tinham encontros amorosos.

Falavam constantemente disso no liceu: -Já foste para a cama com o Ricky? Ele é o melhor…! -Joe é o máximo em orgasmos…

- Ontem à noite saí com o Tony. Estou exausta. Que animal! Logo à noite vou sair com ele outra vez…

Honey ali ficava a ouvir as conversas e sentia uma inveja doce-amarga e a sensação de que nunca iria saber como era o sexo. “Quem poderá quererme?,”, perguntava-se a si própria.

Numa sexta-feira, houve um baile no liceu. Honey não tencionava ir, mas o pai disse-lhe:

- Sabes, estou preocupado. As suas irmãs disseram-me que voce é uma solitária e que não vai ao baile por não conseguir arranjar um par.

Honey corou:

- Isso não é verdade - disse. - Tenho um par e vou. - “Não o deixes perguntar quem é o par,”, rezou Honey.

Ele não perguntou.

Assim, Honey viu-se no baile sentada no canto habitual, a ver os outros dançar e divertirem-se ao máximo.

Foi então que aconteceu o milagre.

Roger Merton, o capitão da equipa de futebol e o rapaz mais popular do liceu, estava na pista de dança a discutir com a namorada. Tinha estado a beber.

- Você é um parvalhão inútil e egoísta! - disse ela.

- E uma vagabunda.

- Vai-te foder.

- Não posso foder sozinho, Sally. Só posso foder alguém mais. Alguém que eu queira.

- Então vai! - Correu para fora da pista de dança.

Honey não pôde deixar de ouvir.

Merton viu-a olhar para ele:

- Para onde pensas que estás a olhar? - perguntou em tom zangado.

- Nada - respondeu Honey.

- Vou mostrar àquela puta! Julgas que não lhe mostro?

- Eu… sim.

- Podes ter a certeza. Vamos beber qualquer coisa.

Honey hesitou. Merton estava obviamente bêbedo.

- Bem, eu não…

- Ótimo. Tenho uma garrafa no carro.

- Acho que não devo…

Pegou no braço de Honey e puxou-a para fora da sala.

Ela seguiu-o, por não querer armar uma cena e deixá-lo embaraçado.

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