Nada dura para sempre [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 1996
- Язык: португальский
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «Nada dura para sempre [em Português]». Краткое содержание книги:
- Pedi dinheiro a alguém para investir num negócio…
Kat nem quis saber que negócio era.
- E fracassou. Sim. E agora ele quer o dinheiro de volta.
- Quanto, Mike?
- Bem, se pudesses mandar cinco mil…
- O quê?
A enfermeira da secretaria olhava curiosamente para Kat.
Cinco mil dólares. Kat baixou a voz:
- Não tenho essa quantia. Posso… Posso enviar-te metade agora e o restante dentro de algumas semanas. Está bem assim?
- Acho que sim. Detesto aborrecer-te, mana, mas sabes como é.
Kat sabia exatamente como era. O irmão tinha vinte e dois anos e não raro envolvido em negócios misteriosos.
Estava sempre metido no meio de gangs e só Deus sabia o que faziam, mas Kat sentia uma grande responsabilidade para com ele. “É tudo por minha culpa”, pensou Kat. “Se não tivesse fugido de casa, abandonando-o…
- Não te metas em sarilhos, Mike. Gosto muito de ti.
- Também gosto de ti, Kat.
“De algum modo vou ter de arranjar esse dinheiro”, pensou.
“Mike é tudo o que possuo no mundo.
O Dr. Isler estava ansioso por trabalhar novamente com Honey Taft. Tinha perdoado o seu comportamento absurdo e, na realidade, sentia-se lisonjeado com a admiração que esta nutria por ele. Mas desta vez, de novo a fazer a ronda, Honey ficou atrás dos outros residentes e nunca tentou adiantar-se na resposta às perguntas dele.
Trinta minutos depois da ronda, o Dr. Isler estava sentado no gabinete de Benjamin Wallace.
- Qual é o problema? - perguntou Wallace.
- É a doutora Taft.
Wallace olhou para ele, verdadeiramente surpreendido:
- A doutora Taft? Tem as melhores recomendações que jamais vi.
- Isso é que me deixa intrigado - afirmou o Dr. Isler.
- Tenho recebido relatórios de alguns dos outros residentes.
Ela tem feito alguns diagnósticos errados e cometido alguns erros graves.
Quero saber que raio se passa aqui.
- Não compreendo. Ela frequentou uma ótima faculdade de medicina.
- Talvez fosse melhor ligar ao reitor da faculdade - sugeriu o Dr. Isler.
- É Jim Pearson. É um bom homem. Vou telefonar-lhe.
Alguns minutos mais tarde, Wallace falava ao telefone com Jim Pearson.
Conversaram de banalidades e depois Wallace disse:
- Liguei por causa de Betty Lou Taft.
Houve um breve silêncio:
- Sim?
- Estamos a ter alguns problemas com ela, Jim. Foi admitida aqui devido às suas maravilhosas recomendações.
- Exato.
- Para ser franco, tenho o teu relatório aqui à minha frente. Diz que ela foi uma das melhores alunas de sempre.
- Está correto.
- E que ela seria um louvor para a profissão médica.
- Sim.
- Houve alguma dúvida sobre…
- Nenhuma - disse o Dr. Pearson com firmeza.
- Nenhuma mesmo. Talvez seja um tanto nervosa. Ela é muito sensível, mas se lhe derem uma oportunidade, tenho a certeza que ficará bem.
- Bem, agradeço o conselho. Com certeza que iremos dar-lhe todas as oportunidades. Obrigado.
- De nada. - A linha caiu.
Jim Pearson ficou ali sentado, odiando-se pelo que acabara de fazer.
“A minha mulher e os meus filhos estão em primeiro lugar.”
Honey Taft teve a pouca sorte de ter nascido no seio de uma família de bem-sucedidos. O seu vistoso pai era o fundador e presidente de uma grande empresa de computadores de Mênfis, Tennessee, a sua bela mãe era uma cientista de genética e as irmãs gémeas mais velhas eram tão atraentes, inteligentes e ambiciosas como os pais. Os Tafts encontravam-se entre as famílias mais proeminentes de Mênfis.
Honey nascera inconvenientemente quando as irmãs tinham seis anos.
- Honey foi o nosso pequeno acidente -” dizia a mãe às amigas. - Eu quis fazer um aborto, mas Fred foi contra. Agora está arrependido.
Onde as irmãs eram espantosas, Honey era vulgar.
Onde elas eram brilhantes, Honey era mediana. As irmãs tinham começado a falar aos nove meses. Honey só disse a primeira palavra quase aos dois anos.
- Chamamos-lhe “a palerma” - troçava o pai. - Honey é o patinho feio da família Taft. Só que acho que ela nunca irá transformar-se num cisne.
Não é que Honey fosse feia, mas também não era bonita. Tinha um aspeto vulgar, com um rosto magro e comprido, cabelo alourado e um corpo pouco invejável.
O que Honey realmente possuía era uma extraordinária e doce disposição, qualidade não muito prezada numa família de pessoas competentes e bemsucedidas.
Honey lembrava-se que, desde muito cedo, o seu maior desejo era agradar aos pais e às irmãs, fazendo-os gostar dela. Foi um esforço fútil. Os pais estavam ocupados com as respectivas carreiras e as irmãs não tinham tempo para mais nada senão para concursos de beleza e bolsas de estudo.
Para agravar a situação, Honey era invulgarmente envergonhada.
Consciente ou inconscientemente, a família tinha-lhe incutido uma profunda sensação de inferioridade.
No liceu, Honey era conhecida como a Solitária. Ia sozinha aos bailes escolares e festas, sorria e procurava esconder as suas tristezas para não estragar a festa dos outros. Via as irmãs saírem com os rapazes mais populares do liceu e, em seguida, subia para o seu solitário quarto para se dedicar aos estudos.
E evitar chorar.
Nos fins-de-semana e durante as férias de Verão, Honey juntava algum dinheiro cuidando de crianças. Gostava de cuidar de crianças e estas adoravam-na.
Quando Honey não estava a trabalhar, saía de casa e ia sozinha explorar Mênfis. Visitou Graceland, onde Elvis Presley tinha vivido, e percorreu a Beale Street, onde os blues tiveram início. Visitou o Pink Palace Museum e o Planetarium, com o seu rugidor e assustador dinossauro.
Foi ao aquário.
E Honey estava sempre sozinha.
Não sabia que a sua vida estava prestes a sofrer uma mudança radical.
Honey sabia que muitas das suas colegas tinham encontros amorosos.
Falavam constantemente disso no liceu: -Já foste para a cama com o Ricky? Ele é o melhor…! -Joe é o máximo em orgasmos…
- Ontem à noite saí com o Tony. Estou exausta. Que animal! Logo à noite vou sair com ele outra vez…
Honey ali ficava a ouvir as conversas e sentia uma inveja doce-amarga e a sensação de que nunca iria saber como era o sexo. “Quem poderá quererme?,”, perguntava-se a si própria.
Numa sexta-feira, houve um baile no liceu. Honey não tencionava ir, mas o pai disse-lhe:
- Sabes, estou preocupado. As suas irmãs disseram-me que voce é uma solitária e que não vai ao baile por não conseguir arranjar um par.
Honey corou:
- Isso não é verdade - disse. - Tenho um par e vou. - “Não o deixes perguntar quem é o par,”, rezou Honey.
Ele não perguntou.
Assim, Honey viu-se no baile sentada no canto habitual, a ver os outros dançar e divertirem-se ao máximo.
Foi então que aconteceu o milagre.
Roger Merton, o capitão da equipa de futebol e o rapaz mais popular do liceu, estava na pista de dança a discutir com a namorada. Tinha estado a beber.
- Você é um parvalhão inútil e egoísta! - disse ela.
- E uma vagabunda.
- Vai-te foder.
- Não posso foder sozinho, Sally. Só posso foder alguém mais. Alguém que eu queira.
- Então vai! - Correu para fora da pista de dança.
Honey não pôde deixar de ouvir.
Merton viu-a olhar para ele:
- Para onde pensas que estás a olhar? - perguntou em tom zangado.
- Nada - respondeu Honey.
- Vou mostrar àquela puta! Julgas que não lhe mostro?
- Eu… sim.
- Podes ter a certeza. Vamos beber qualquer coisa.
Honey hesitou. Merton estava obviamente bêbedo.
- Bem, eu não…
- Ótimo. Tenho uma garrafa no carro.
- Acho que não devo…
Pegou no braço de Honey e puxou-a para fora da sala.
Ela seguiu-o, por não querer armar uma cena e deixá-lo embaraçado.