Nada dura para sempre [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 1996
- Язык: португальский
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «Nada dura para sempre [em Português]». Краткое содержание книги:
- Okay. É…
Ouviu-se de novo o altofalante:
- Doutor Chang… Quarto trezentos e dezesete…
Doutor Chang… Quarto trezentos e dezesete.
E um minuto mais tarde:
- Doutor Smythe… SU dois… Doutor Smythe para a SU dois.
O altofalante nunca mais parou. No espaço de trinta minutos, quase todos os médicos e enfermeiras tinham sido chamados para atender uma urgência. Honey ouviu chamarem pelo seu nome, depois foi Paige e a seguir Kat.
- Não acredito no que está a acontecer - disse Kat.
- Sabes o que se diz sobre a existência de um anjo-da-guarda? Bem, penso que nós as três encontramo-nos sob o domínio de um guarda demoníaco.
As palavras dela provaram ser proféticas.
Na manhã da segunda-feira seguinte, quando Paige saiu do trabalho e se dirigiu para o carro, verificou que dois dos pneus haviam sido furados.
Olhou para eles, incrédula.
“Alguém devia ensiná-la a manter a boca fechada!” Quando regressou ao apartamento, disse a Kat e a Honey:
- Cuidado com Arthur Kane. É doido.
Kat foi acordada pela campainha do telefone. Sem abrir os olhos, pegou no auscultador e encostou-o ao ouvido.
- EsTou?
- Kat? É Mike.
Sentou-se, com o coração a bater desordenadamente:
- Mike, estás bem? - Ouviu-o dar uma gargalhada.
- Nunca estive melhor, mana. Graças a ti e ao teu amigo.
- Meu amigo?
- O senhor Dinetto.
- Quem? - Kat tentou concentrar-se apesar de estar tonta de sono.
- O senhor Dinetto. Ele salvou-me mesmo a vida.
Kat não fazia ideia do que é que ele estava a falar.
- Mike…
- Lembras-te daqueles fulanos a quem devia dinheiro? O senhor Dinetto afastou-os de mim. Ele é um verdadeiro cavalhe iro. E pensa o melhor de ti, Kat.
Kat tinha-se esquecido do incidente com Dinetto, mas, subitamente, este veio-lhe à memória: “Lady, a senhora não sabe com quem está a falar. É melhor fazer o que o homem pede.
Este é o senhor Lou Dinetto.”
Mike continuou:
- Vou enviar-te dinheiro, Kat. O teu amigo arranjou-me um emprego.
Tenho um bom ordenado.
“O teu amigo.” Kat estava nervosa:
- Mike, escuta-me. Quero que tenhas cuidado.
Ouviu-o dar outra gargalhada:
- Não te preocupes comigo. Não te disse que tudo iria tornar-se num mar de rosas? Bem, assim aconteceu.
- Tem muito cuidado, Mike. Não…
A ligação foi cortada.
Kat não conseguiu voltar a adormecer. “Dinetto! Como é que ele soube de Mike e porque é que está a ajudá-lo?”
Na noite seguinte, quando Kat deixou o hospital, uma limusina preta estava à sua espera junto ao passeio.
O Sombra e Rhino estavam encostados ao automóvel.
Quando Kat se aproximou deles, Rhino disse:
- Entre, doutora. O senhor Dinetto quer vê-la.
Ela estudou o homem por um momento. Rhino tinha um aspecto assustador, mas foi o Sombra quem assustou Kat. Havia algo de mortífero na sua imobilidade. Noutras circunstâncias Kat nunca teria entrado no carro, mas o telefonema de Mike tinha-a deixado confusa. E preocupada.
Foi conduzida a um pequeno apartamento nos subúrbios da cidade e, quando lá chegou, Dinetto estava à sua espera.
- Obrigado por ter vindo, doutora Hunter - disse.
- Fico-lhe grato. Um amigo meu teve um pequeno acidente. Quero que o veja.
- Que está a fazer com Mike? - perguntou Kat.
- Nada - respondeu, inocentemente. - Soube que tinha um pequeno problema e procurei eliminá-lo.
- Como é que… como é que soube dele? Quero dizer, que era meu irmão e…
Dinetto sorriu:
- No meu negócio, todos somos amigos. Ajudamo-nos uns aos outros.
Mike envolveu-se com alguma gente má e, por isso, dei-lhe uma ajuda.
Devia estar agradecida.
- E estou - disse Kat. - Estou sinceramente.
- Muito bem! Conhece o ditado “Uma mão lava a outra”,? Kat abanou a cabeça:
- Não farei nada ilegal.
- Ilegal? - interrogou Dinetto. Parecia magoado.
- Nunca lhe pediria para fazer algo do género. Este meu amigo teve um pequeno acidente e detesta hospitais. Não se importa de o ver? “Onde é que me estou a meter?”, pensou Kat.
- Está bem.
- Ele está no quarto.
O amigo de Dinetto tinha levado uma grande tareia.
Estava deitado, inconsciente.
- O que é que lhe aconteceu? - perguntou Kat.
Dinetto olhou para ela e disse:
- Caiu pelas escadas abaixo.
- Devia levá-lo para o hospital.
- Como lhe disse, ele não gosta de hospitais. Posso arranjar-lhe todo e qualquer equipamento hospitalar de que necessite. Tive um médico que tratava dos meus amigos, mas este teve um acidente.
As palavras causaram um arrepio em Kat. Tudo o que queria era sair dali a correr e ir para casa e nunca mais ouvir falar de Dinetto, mas nada na vida era de borla. Kat despiu o casaco e começou a trabalhar.
No início do quarto ano de residência, Paige já tinha assistido a centenas de operações. Para ela, passaram a ser banais. Sabia quais os procedimentos cirúrgicos para a vesícula biliar, baço, fígado, apêndice e, mais entusiasticamente, o coração. Mas Paige sentia-se frustrada por não ser ela mesma a fazê-las. “O que aconteceu ao “Vigiar, fazer ensinar”?” pensou.
A resposta surgiu quando George Englung, chefe de cirurgia, a mandou chamar.
- Paige, amanhã vai haver uma operação a uma hérnia na sala três, às sete e meia.
Apontou no bloco:
- Certo. Quem vai fazer a operação?
- A senhora.
- Certo. Eu… - Subitamente, as palavras desapareceram. Eu?
- Sim. Algum problema?
O sorriso de Paige iluminou a sala:
- Não, senhor. Eu… muito obrigada!
- A senhora já está apa a isso. Penso que o doente tem sorte em tê-la a si.
Chama-se Walter Herzog. Está no trezentos e catorze.
- Herzog. Quarto trezentos e catorze. Certo. - E saiu.
Paige nunca se sentira tão entusiasmada. “Vou fazer a minha primeira operação! Vou ter nas minhas mãos a vida de um ser humano. E se eu ainda não estiver apa? E se eu cometer algum erro? As coisas podem correr mal. É a lei de Murphy.” Quando Paige acabou de discutir consigo própria, estava em estado de pânico.
Entrou na cafetaria e sentou-se para tomar uma chávena de chá. “Tudo irá correr bem”, procurou convencer-se.
“Já assisti a dúzias de operações à hérnia. Não existem grandes riscos. Ele tem sorte em ter-me.” Quando terminou o café, estava suficientemente calma para enfrentar o seu primeiro doente.
Walter Herzog era sexagenário, magro, calvo e muito nervoso.
Estava na cama a gemer quando Paige entrou com um ramo de flores.
Herzog levantou a cabeça.
- Enfermeira… Preciso de um médico.
Paige aproximou-se da cama e entregou-lhe as flores.
- Eu sou médica. Vou operá-lo.
Olhou para as flores e depois para ela:
- Você é o quê?
- Não se preocupe - disse Paige, tranquilizadoramente.
- Está em boas mãos. - Pegou no gráfico colocado aos pés da cama e estudou-o.
- O que é que diz? - perguntou ansioso o homem.
“Porque é que me trouxe flores?”,
- Diz que o senhor vai ficar bem.
Ele engoliu:
- Você vai mesmo fazer a operação?
- Sim.
- Você parece bastante… bastante jovem.
Paige deu-lhe uma palmadinha no braço.
- Ainda não perdi um doente. - Olhou em volta do quarto.
- Sente-se confortável? Quer qualquer coisa para ler? Um livro ou uma revista?
Ele ouvia, nervoso:
- Não, estou bem. - “Porque é que ela estava a ser tão simpática? Será que existia alguma coisa que ela não lhe queria dizer?” - Então, vê-lo-ei de manhã - disse Paige, alegremente.
Escreveu algo num pedaço de papel e entregou-lhe. - Aqui está o meu telefone. Ligue se precisar de mim esta noite. Ficarei ao lado do telefone.