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Nada dura para sempre [em Português]

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Nada dura para sempre [em Português]
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- Okay. É…

Ouviu-se de novo o altofalante:

- Doutor Chang… Quarto trezentos e dezesete…

Doutor Chang… Quarto trezentos e dezesete.

E um minuto mais tarde:

- Doutor Smythe… SU dois… Doutor Smythe para a SU dois.

O altofalante nunca mais parou. No espaço de trinta minutos, quase todos os médicos e enfermeiras tinham sido chamados para atender uma urgência. Honey ouviu chamarem pelo seu nome, depois foi Paige e a seguir Kat.

- Não acredito no que está a acontecer - disse Kat.

- Sabes o que se diz sobre a existência de um anjo-da-guarda? Bem, penso que nós as três encontramo-nos sob o domínio de um guarda demoníaco.

As palavras dela provaram ser proféticas.

Na manhã da segunda-feira seguinte, quando Paige saiu do trabalho e se dirigiu para o carro, verificou que dois dos pneus haviam sido furados.

Olhou para eles, incrédula.

“Alguém devia ensiná-la a manter a boca fechada!” Quando regressou ao apartamento, disse a Kat e a Honey:

- Cuidado com Arthur Kane. É doido.

Kat foi acordada pela campainha do telefone. Sem abrir os olhos, pegou no auscultador e encostou-o ao ouvido.

- EsTou?

- Kat? É Mike.

Sentou-se, com o coração a bater desordenadamente:

- Mike, estás bem? - Ouviu-o dar uma gargalhada.

- Nunca estive melhor, mana. Graças a ti e ao teu amigo.

- Meu amigo?

- O senhor Dinetto.

- Quem? - Kat tentou concentrar-se apesar de estar tonta de sono.

- O senhor Dinetto. Ele salvou-me mesmo a vida.

Kat não fazia ideia do que é que ele estava a falar.

- Mike…

- Lembras-te daqueles fulanos a quem devia dinheiro? O senhor Dinetto afastou-os de mim. Ele é um verdadeiro cavalhe iro. E pensa o melhor de ti, Kat.

Kat tinha-se esquecido do incidente com Dinetto, mas, subitamente, este veio-lhe à memória: “Lady, a senhora não sabe com quem está a falar. É melhor fazer o que o homem pede.

Este é o senhor Lou Dinetto.”

Mike continuou:

- Vou enviar-te dinheiro, Kat. O teu amigo arranjou-me um emprego.

Tenho um bom ordenado.

“O teu amigo.” Kat estava nervosa:

- Mike, escuta-me. Quero que tenhas cuidado.

Ouviu-o dar outra gargalhada:

- Não te preocupes comigo. Não te disse que tudo iria tornar-se num mar de rosas? Bem, assim aconteceu.

- Tem muito cuidado, Mike. Não…

A ligação foi cortada.

Kat não conseguiu voltar a adormecer. “Dinetto! Como é que ele soube de Mike e porque é que está a ajudá-lo?”

Na noite seguinte, quando Kat deixou o hospital, uma limusina preta estava à sua espera junto ao passeio.

O Sombra e Rhino estavam encostados ao automóvel.

Quando Kat se aproximou deles, Rhino disse:

- Entre, doutora. O senhor Dinetto quer vê-la.

Ela estudou o homem por um momento. Rhino tinha um aspecto assustador, mas foi o Sombra quem assustou Kat. Havia algo de mortífero na sua imobilidade. Noutras circunstâncias Kat nunca teria entrado no carro, mas o telefonema de Mike tinha-a deixado confusa. E preocupada.

Foi conduzida a um pequeno apartamento nos subúrbios da cidade e, quando lá chegou, Dinetto estava à sua espera.

- Obrigado por ter vindo, doutora Hunter - disse.

- Fico-lhe grato. Um amigo meu teve um pequeno acidente. Quero que o veja.

- Que está a fazer com Mike? - perguntou Kat.

- Nada - respondeu, inocentemente. - Soube que tinha um pequeno problema e procurei eliminá-lo.

- Como é que… como é que soube dele? Quero dizer, que era meu irmão e…

Dinetto sorriu:

- No meu negócio, todos somos amigos. Ajudamo-nos uns aos outros.

Mike envolveu-se com alguma gente má e, por isso, dei-lhe uma ajuda.

Devia estar agradecida.

- E estou - disse Kat. - Estou sinceramente.

- Muito bem! Conhece o ditado “Uma mão lava a outra”,? Kat abanou a cabeça:

- Não farei nada ilegal.

- Ilegal? - interrogou Dinetto. Parecia magoado.

- Nunca lhe pediria para fazer algo do género. Este meu amigo teve um pequeno acidente e detesta hospitais. Não se importa de o ver? “Onde é que me estou a meter?”, pensou Kat.

- Está bem.

- Ele está no quarto.

O amigo de Dinetto tinha levado uma grande tareia.

Estava deitado, inconsciente.

- O que é que lhe aconteceu? - perguntou Kat.

Dinetto olhou para ela e disse:

- Caiu pelas escadas abaixo.

- Devia levá-lo para o hospital.

- Como lhe disse, ele não gosta de hospitais. Posso arranjar-lhe todo e qualquer equipamento hospitalar de que necessite. Tive um médico que tratava dos meus amigos, mas este teve um acidente.

As palavras causaram um arrepio em Kat. Tudo o que queria era sair dali a correr e ir para casa e nunca mais ouvir falar de Dinetto, mas nada na vida era de borla. Kat despiu o casaco e começou a trabalhar.

No início do quarto ano de residência, Paige já tinha assistido a centenas de operações. Para ela, passaram a ser banais. Sabia quais os procedimentos cirúrgicos para a vesícula biliar, baço, fígado, apêndice e, mais entusiasticamente, o coração. Mas Paige sentia-se frustrada por não ser ela mesma a fazê-las. “O que aconteceu ao “Vigiar, fazer ensinar”?” pensou.

A resposta surgiu quando George Englung, chefe de cirurgia, a mandou chamar.

- Paige, amanhã vai haver uma operação a uma hérnia na sala três, às sete e meia.

Apontou no bloco:

- Certo. Quem vai fazer a operação?

- A senhora.

- Certo. Eu… - Subitamente, as palavras desapareceram. Eu?

- Sim. Algum problema?

O sorriso de Paige iluminou a sala:

- Não, senhor. Eu… muito obrigada!

- A senhora já está apa a isso. Penso que o doente tem sorte em tê-la a si.

Chama-se Walter Herzog. Está no trezentos e catorze.

- Herzog. Quarto trezentos e catorze. Certo. - E saiu.

Paige nunca se sentira tão entusiasmada. “Vou fazer a minha primeira operação! Vou ter nas minhas mãos a vida de um ser humano. E se eu ainda não estiver apa? E se eu cometer algum erro? As coisas podem correr mal. É a lei de Murphy.” Quando Paige acabou de discutir consigo própria, estava em estado de pânico.

Entrou na cafetaria e sentou-se para tomar uma chávena de chá. “Tudo irá correr bem”, procurou convencer-se.

“Já assisti a dúzias de operações à hérnia. Não existem grandes riscos. Ele tem sorte em ter-me.” Quando terminou o café, estava suficientemente calma para enfrentar o seu primeiro doente.

Walter Herzog era sexagenário, magro, calvo e muito nervoso.

Estava na cama a gemer quando Paige entrou com um ramo de flores.

Herzog levantou a cabeça.

- Enfermeira… Preciso de um médico.

Paige aproximou-se da cama e entregou-lhe as flores.

- Eu sou médica. Vou operá-lo.

Olhou para as flores e depois para ela:

- Você é o quê?

- Não se preocupe - disse Paige, tranquilizadoramente.

- Está em boas mãos. - Pegou no gráfico colocado aos pés da cama e estudou-o.

- O que é que diz? - perguntou ansioso o homem.

“Porque é que me trouxe flores?”,

- Diz que o senhor vai ficar bem.

Ele engoliu:

- Você vai mesmo fazer a operação?

- Sim.

- Você parece bastante… bastante jovem.

Paige deu-lhe uma palmadinha no braço.

- Ainda não perdi um doente. - Olhou em volta do quarto.

- Sente-se confortável? Quer qualquer coisa para ler? Um livro ou uma revista?

Ele ouvia, nervoso:

- Não, estou bem. - “Porque é que ela estava a ser tão simpática? Será que existia alguma coisa que ela não lhe queria dizer?” - Então, vê-lo-ei de manhã - disse Paige, alegremente.

Escreveu algo num pedaço de papel e entregou-lhe. - Aqui está o meu telefone. Ligue se precisar de mim esta noite. Ficarei ao lado do telefone.

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