Nada dura para sempre [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 1996
- Язык: португальский
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «Nada dura para sempre [em Português]». Краткое содержание книги:
- Que bom, querida. Já pouco falta para acabar o meu curso de medicina.
Ficarei uns tempos com a onzs, mas dentro de alguns anos iremos exercer juntos a nossa profissão.
“Juntos.,” A palavra mágica.
- Paige, estou ansioso por te ver. Se puder ausentar-me por alguns dias, poderás encontrar-te comigo no Havai? Não houve a menor hesitação:
- Sim.
E ambos conseguiram. Mais tarde, Paige só imaginava o quão difícil deveria ter sido a viagem de Alfred, mas este nunca o mencionou.
Passaram juntos três incríveis dias num pequeno hotel de Havai, chamado Sunny Cove, e foi como se nunca tivessem estado afastados um do outro.
Paige pensou em pedir a Alfred que regressasse a Bóston com ela, mas sabia que seria muito egoísta se o fizesse. O trabalho que ele estava a fazer era demasiado importante.
No último dia que passaram juntos, quando se vestiam, Paige perguntou:
- Para onde serás enviado, Alfred?
- Gâmbia, ou talvez Bangladesh.
“Para salvar vidas, para ajudar os que precisam desesperadamente dele.”
Abraçou-se a ele com força e fechou os olhos. Não o queria deixar partir.
Como se lhe tivesse lido os pensamentos, ele disse:
- Nunca irei permitir que me deixes.
Paige começou a faculdade de medicina e tanto ela como Alfred correspondiam-se regularmente. Onde quer que estivesse, Alfred conseguia telefonar a Paige no dia do aniversário e no Natal. Próximo do Ano Novo, quando Paige estava no segundo ano de medicina, Alfred telefonou:
- Paige?
- Querido! Onde estás?
- No Senegal. Calculo que são apenas cerca de treze mil quilómetros do Hotel Sunny Cove.
Foi preciso um minuto para que entendesse o significado.
- Quer dizer…?
- Podes encontrar-te comigo no Havai no Ano Novo?
- Oh, sim! Sim!
Alfred atravessou quase metade do mundo para se encontrar com ela e desta vez a magia foi ainda maior.
‘ O tempo parara para ambos.
- No próximo ano tomarei a direão da minha própria equipa da oMs - disse Alfred. - Quando terminares os estudos, vamos casar…
Conseguiram juntar-se mais uma vez e quando isso não era possível, as cartas encurtavam o tempo e o espaço.
Todos aqueles anos trabalhou como médico nos países do Terceiro Mundo, tal como o seu pai e o de Paige, fazendo o trabalho maravilhoso que eles tinham feito. Agora, finalmente, regressava de vez para ela.
Quando Paige leu pela quinta vez o telegrama de Alfred, pensou: “ Vem para São Francisco!
Kat e Honey estavam nos respectivos quartos, a dormir. Paige acordou-as:
- Alfred chega em breve! Falta pouco tempo! Estará aqui no domingo!
- Que maravilha - murmurou Kat. - Porque não me acordas só no domingo? Acabei de me deitar.
Honey reagiu melhor. Sentou-se e disse:
- Que bom! Estou ansiosa por o conhecer. Há quanto tempo não o vês?
- Dois anos - respondeu Paige -, mas mantivemo-nos sempre em contato.
- És uma rapariga sortuda - suspirou Kat. - Bem, já estamos todas acordadas. Vou fazer café.
As três sentaram-se à mesa da cozinha.
- Porque não fazemos uma festa ao Alfred? - sugeriu Honey.
- Uma espécie de festa de “Boas-vindas ao Noivo”,?
- É uma boa ideia - concordou Kat.
- Vamos torná-la numa verdadeira celebração… com bolo, balões… e até fogo de artifício!
- Faremos aqui o jantar para ele - disse Honey.
Kat abanou a cabeça:
- Já provei dos teus pratos. Vamos encomendar comida de fora.
Faltavam ainda quatro dias para o domingo e passaram todo o tempo livre a falar da chegada de Alfred. Por milagre, as três estavam de folga no domingo.
No sábado, Paige conseguiu ir a um salão de beleza.
Fez algumas compras e adquiriu, radiante, um vestido novo.
- Fico bem? Acham que ele irá gostar?
- Ficas sensacional! - garantiu Honey. - Espero que ele te mereça.
Paige sorriu: - Espero que eu o mereça. Vocês irão gostar dele. Ele é fantástico!
No domingo, o elaborado almoço que elas encomendaram estava disposto na mesa de jantar, com uma garrafa de champanhe gelado. Nervosas, as mulheres permaneceram à espera que Alfred chegasse.
Às duas horas, a campainha tocou e Paige correu para a porta e abriu-a. Ali estava Alfred. Com um aspecto um tanto cansado e ligeiramente mais magro. Mas era o seu Alfred. Ao seu lado encontrava-se uma morena que aparentava ter cerca de trinta anos.
- Paige! - exclamou Alfred.
Paige atirou-se-lhe ao pescoço. Depois, voltou-se para Honey e para Kat e disse com orgulho:
- Este é Alfred Turner. Alfred, estas são as minhas companheiras, Honey Taft e Kat Turner.
- Muito prazer - disse Alfred, voltando-se para a mulher que estava ao seu lado. - E esta é Karen Turner, minha mulher.
As três mulheres ficaram paralisadas.
Paige disse lentamente:
- A sua mulher?
- Sim. - disse, franzindo as sobrancelhas. - Não… não recebeste a minha carta?
- Carta?
- Sim. Enviei-a há várias semanas.
- Não…
- Oh. Eu… lamento sinceramente. Expliquei tudo na minha… mas é claro, se não a recebeste a… - A voz começou a desaparecer. - Lamento sinceramente, Paige.
Nós os dois estivemos tanto tempo afastados que eu… e depois conheci a Karen… e sabes como é…
- Eu sei como é - respondeu Paige, ainda não refeita.
Voltou-se para Karen e forçou um sorriso: - Eu… espero que ambos sejam felizes.
- Obrigada.
Houve um silêncio embaraçoso.
Karen disse:
- Acho que é melhor irmos embora, querido.
- Sim, acho melhor - respondeu Kat.
Alfred passou a mão pelos cabelos:
- Lamento muito, Paige. Eu… bem… adeus.
- Adeus, Alfred.
As três mulheres ali ficaram a ver partir o casal recém-casado.
- Que grande filho da puta! - disse Kat. - Mas que ato de malvadez.
Os olhos de Paige encheram-se de lágrimas.
- Eu… ele não queria… quero dizer… deve ter explicado tudo na carta.
Honey abraçou Paige:
- Devia haver uma lei que permitisse que todos os homens fossem castrados.
- Brindo a isso - afirmou Kat.
- Desculpem - disse Paige. Correu para o quarto e fechou a porta atrás de si.
Não saiu de lá o resto do dia.
Durante os meses seguintes, Paige poucas vezes esteve com Kat e Honey.
Tomavam juntas um pequeno-almoço rápido na cafetaria e às vezes cruzavam-se nos corredores.
Comunicavam-se principalmente através de notas deixadas no apartamento.
- O jantar está no frigorífico.
- O microndas está desligado.
- Desculpem, não tive tempo para limpar tudo.
- Que tal irmos as três jantar fora no sábado? O horário impossível continuou a ser castigador, pondo à prova a resistência de todos os residentes.
Paige agradeceu a pressão. Não lhe sobrava tempo para pensar em Alfred e no maravilhoso futuro que tinham planejado juntos.
No entanto, não conseguia esquecê-lo.
O que ele fizera tinha-a enchido de uma dor que se recusava a abandoná-la.
Ela torturava-se com o jogo fútil de “e se?”.
E se eu tivesse ficado com o Alfred em Äfrica? E se ele tivesse vindo para Chicago comigo? E se ele não tivesse conhecido a Karen? E se…?
Uma sexta-feira, quando Paige foi ao vestiário para vestir a bata, nesta estava escrita a palavra “cabra” com marcador preto.
Na manhã seguinte, quando Paige foi procurar o bloco de notas, não conseguiu encontrá-lo. Todos os seus apontamentos tinham desaparecido.
“Talvez o tenha pousado noutro lugar”, pensou Paige.
Mas não conseguia acreditar nisso.
O mundo fora do hospital deixara de existir. Paige sabia que o Iraque estava a atacar o Kuwait e que isso tinha sido abafado pelos cuidados exigidos por um doente de quinze anos com leucemia. No dia em que as Alemanhas Oriental e Ocidental se uniram, Paige estava ocupada a tentar salvar a vida de um doente diabético. Margaret Thatcher demitiu-se de primeira-ministro da Grã-Bretanha, mas, ainda mais importante, o doente do 214 tinha voltado a andar.