Nada dura para sempre [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 1996
- Язык: португальский
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «Nada dura para sempre [em Português]». Краткое содержание книги:
O que tornou tudo suportável foram os médicos com quem Paige trabalhava. Com algumas excepções, tinham-se dedicado a sarar os outros, aliviando-lhe s as dores e salvando-lhe s a vida.
Paige assistiu aos milagres que eles efetuavam todos os dias e isso fê-la sentir-se orgulhosa.
A pressão maior vinha da SU. A sala de urgências estava constantemente cheia de pessoas, que sofriam de todas as formas imaginárias de traumas.
As prolongadas horas no hospital e as pressões causavam tensão nos médicos e enfermeiras que ali trabalhavam. A taxa de divórcios entre os médicos era extraordinariamente elevada e as relações extraconjugais eram comuns.
Tom Chang era um dos que tinham problemas. Falou disso a Paige durante a pausa para um café.
- Consigo suportar as horas - confidenciou Chang -, mas a minha mulher não consegue. Queixa-se que já não me vê e que sou um estranho para a minha filhinha.
Ela tem razão. Não sei o que fazer.
- A sua mulher já visitou o hospital?
- Não.
- Porque não a convidas para almoçar, Tom? Deixa-a ver o que fazes aqui e a importância que isso tem.
Chang animou-se:
- Boa ideia. Obrigado, Paige. Vou fazer isso. Gostaria que a conhecesses.
Queres almoçar connosco?
- Com todo o prazer.
A mulher de Chang, Sye, era uma encantadora jovem de beleza clássica.
Chang mostrou-lhe o hospital e depois almoçaram com Paige na cafetaria.
Chang disse a Paige que Sye nascera e fora criada em Hong Kong.
- Gosta de São Francisco? - perguntou Paige.
Houve um breve silêncio:
- É uma cidade interessante - respondeu Sye, delicadamente -, mas sintome como se fosse uma estranha aqui. É uma cidade demasiado grande e barulhe nta.
- Mas, segundo me disseram Hong Kong também é grande e barulhe nta.
- Sou de uma pequena aldeia situada a uma hora de Hong Kong.
Ali não há barulho nem automóveis e todos se conhecem uns aos outros. - Olhou para o marido:
- Lá, Tom, eu e a nossa filhinha éramos muito felizes.
Tudo é muito bonito na ilha de Lamma. Possui praias de areia branca e pequenas quintas e muito próximo encontra-se uma pequena aldeia de pescadores, Sak Kwu Wan. É muito pacífica.
- A voz soou muito nostálgica:
- Eu e o meu marido ficávamos juntos a maior parte do tempo, tal como deve estar uma família. Aqui, nunca o vejo.
Paige respondeu:
- Senhora Chang, sei que neste momento tudo é difícil para si, mas dentro de alguns anos Tom poderá abrir o seu próprio consultório e então tudo será mais fácil.
Tom Chang pegou na mão da mulher:
- Vês? Tudo ficará bem, Sye. Terás de ter paciência.
- Eu compreendo - respondeu ela, mas não havia convicção na voz.
Enquanto conversavam entrou um homem na cafetaria e, quando este parou junto à porta, Paige apenas conseguiu ver-lhe a parte de trás da cabeça. O coração começou a bater mais depressa. Ele voltou-se. Era um completo estranho.
Chang olhava para Paige:
- Sentes-te bem?
- Sim - mentiu Paige. “Tenho de o esquecer. Tudo acabou.” No entanto, as recordações de todos aqueles maravilhosos anos, o divertimento, a excitação, o amor que tinham um pelo outro… “Como é que eu esqueço tudo isso? Será que consigo persuadir um dos médicos daqui a fazer-me uma lobotomia?
Numa das correrias, Paige encontrou-se com Honey no corredor. Esta arfava e parecia preocupada.
- Está tudo bem? - perguntou Paige.
Honey tentou sorrir:
- Sim. Tudo bem. - E continuou a correr.
Recentemente, Honey fora designada para assistir um médico de nome Charles Isler, conhecido no hospital como militar severo.
No primeiro dia de rondas de Honey, ele dissera:
- Tenho estado ansioso por trabalhar consigo, doutora Taft.
O doutor Wallace falou-me do seu registo espetacular na escola de medicina. Foi-me dito que vai praticar medicina interna.
- Sim.
- Muito bem. Então, tê-la-ei aqui por mais três anos.
Começaram a ronda.
O primeiro doente era um jovem mexicano. O Dr. Isler ignorou os outros residentes e voltou-se para Honey:
- Penso que este será um caso interessante para si, doutora Taft. O doente possui todos os sinais e sintomas clássicos: anorexia, perda de peso, paladar metálico, fadiga, anemia, hiperirritabilidade e descoordenação.
Como diagnosticaria? - sorriu, expetante.
Por um momento, Honey olhou para ele:
- Bem, podem ser uma série de coisas, não é assim? O Dr. Isler olhou para ela, confuso:
- É um caso claro de…
Um dos outros residentes interrompeu:
- Envenenamento por chumbo?
- Exato - respondeu o Dr. Isler.
Honey sorriu:
- Claro. Envenenamento por chumbo.
O Dr. Isler voltou-se novamente para Honey:
- Como o trataria?
Honey respondeu evasivamente:
- Bem, existem vários métodos de tratamento, não é assim? Um outro residente afirmou:
- Se o doente esteve exposto por muito tempo, deverá ser tratado como um caso potencial de encefalopatia.
O Dr. Isler anuiu:
- Exato. É isso que estamos a fazer. Estamos a corrigir a desidratação e os distúrbios por eletrólitos e a administrar-lhe terapia de quelação.
O doente seguinte era um homem de cerca de oitenta anos.
Tinha os olhos vermelhos e as pálpebras praticamente coladas.
- Daqui a pouco iremos tratar-lhe dos olhos - garantiu-lhe o Dr. Isler. - Como se sente?
- Oh, não estou tão mal assim para um velho.
O Dr. Isler puxou o cobertor a fim de destapar os joelhos e tornozelos inchados. Havia lesões nas solas dos pés.
Voltando-se para os residentes:
- O inchaço é causado pela artrite. - Olhou para Honey: - Em combinação com as lesões e a conjuntivite, tenho a certeza que sabe qual é o diagnóstico.
Honey respondeu lentamente:
- Bem, pode ser… sabe…
- É a síndroma de Reiter - afirmou um dos residentes. - A causa é desconhecida. Normalmente é acompanhada de febres baixas.
O Dr. Isler anuiu:
- Exatamente. - Olhou para Honey: - Qual é o seu prognóstico?
- O prognóstico?
O residente respondeu:
- O prognóstico é incerto. Pode ser tratado com anti-inflamatórios.
- Muito bem - elogiou o Dr. Isler.
Visitaram uma dúzia de doentes e, quando terminaram, Honey perguntou ao médico:
- Poderei falar um momento a sós consigo, doutor Isler?
- Sim. Venha ao meu gabinete.
Quando já se encontravam comodamente sentados, Honey começou:
- Sei que ficou desapontado comigo.
- Admito que fiquei um pouco surpreendido por…
- Eu sei, doutor Isler. - interrompeu Honey. - Não dormi a noite passada.
Para dizer a verdade, fiquei tão satisfeita por trabalhar consigo que eu… não consegui dormir.
Olhou para ela, surpreendido:
- Oh. Compreendo. Sabia que tinha de haver uma explicação para… quero dizer, o seu registo da faculdade de medicina era tão fantástico. O que a fez decidir ser médica? Por momentos Honey baixou a cabeça e depois respondeu, suavemente:
- Tive um irmão mais novo que ficou aleijado num acidente.
Os médicos fizeram tudo o que puderam para o salvar… mas vi-o morrer.
Durou muito tempo e senti-me inútil. Foi então que decidi passar a minha vida a ajudar os outros a melhorar.
- Os olhos encheram-se de lágrimas.
“É tão vulnerável”,, pensou Isler.
- Estou satisfeito por termos tido esta conversa.
Honey olhou para ele e pensou: “Ele acreditou em mim.
Numa outra zona da cidade, jornalistas e pessoal da televisão esperavam na rua por Lou Dinetto quando este saiu do tribunal, sorrindo e acenando de forma imponente para os que ali se encontravam. Estavam dois guardacostas ao seu lado: um alto e magro, conhecido por o Sombra, e o outro de aspecto pesado, chamado Rhino.