Nada dura para sempre [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 1996
- Язык: португальский
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «Nada dura para sempre [em Português]». Краткое содержание книги:
Como sempre, elegante e dispendiosamente, Lou Dinetto vestia um fato de seda cinzenta com camisa branca, gravata azul e sapatos de pele de crocodilo. As suas roupas tinham de ser cuidadosamente talhadas para o fazerem parecer bem alinhado, uma vez que era baixo e corpulento, com pernas arqueadas.
Tinha sempre um sorriso e um gracejo pronto para a imprensa e estes gostavam de o citar. Dinetto tinha sido indiciado e julgado três vezes por acusações que iam de incêndio premeditado a chantagem e assassinato, livrando-se de todas elas.
Naquele momento, quando ele saía do tribunal, um dos jornalistas gritou:
- Sabia que ia ser absolvido, senhor Dinetto? Dinetto deu uma gargalhada:
- Claro que sabia. Sou um homem de negócios inocente. O Governo não sabe fazer mais nada senão perseguir-me. Essa é uma das razões por que os nossos impostos são tão elevados.
Uma câmara de televisão estava apontada para ele. Ao saber-se focado, Lou Dinetto deixou de sorrir.
- Senhor Dinetto, pode explicar porque é que duas testemunhas que iriam depor contra si no julgamento por assassinato não compareceram?
- É claro que posso - disse Dinetto. - Eram cidadãos honestos que decidiram não prestar falsos testemunhos.
- O Governo afirma que o senhor é o chefe da mafia da costa ocidental e que foi o senhor que organizou…
- A única coisa que eu organizei foi o lugar onde as pessoas se sentam no meu restaurante. Quero que todos se sintam confortáveis. - Sorriu para o grupo de jornalistas. - A propósito, esta noite estão todos convidados para jantar e beber à borla no restaurante.
Avançou em direão ao passeio, onde uma limusina preta o esperava.
- Senhor Dinetto…
- Senhor Dinetto…
- Senhor Dinetto…
- Vejo-vos logo à noite no meu restaurante, rapazes e raparigas. Todos sabem onde fica.
E Lou Dinetto entrou no carro, acenando e sorrindo.
Rhino fechou a porta da limusina e sentou-se no banco da frente. O Sombra sentou-se ao volante.
- Foi fantástico, patrão! - disse Rhino. - O senhor sabe mesmo bem como manobrar-lhe s o rabo.
- Aonde vamos? - perguntou o Sombra.
- Para casa. Sabia-me bem tomar um banho quente e comer um bom bife.
O carro partiu.
- Não gostei daquela pergunta sobre as testemunhas - disse Dinetto. - Têm a certeza de que eles nunca…
- A não ser que consigam falar debaixo de água, patrão.
Dinetto anuiu:
- Muito bem.
O carro atravessou veloz a Fillmore Street. Dinetto perguntou:
- Viram o olhar do advogado de acusação quando o juiz se retirou…?
De repente, surgiu um pequeno cão mesmo à frente da limusina. O Sombra virou rapidamente o volante para evitar atropelá-lo e travou a fundo. O carro subiu o passeio e bateu num poste de eletricidade. Rhino bateu com a cabeça no pára-brisas.
- Que merda está fazendo? - gritou Dinetto. - Está a tentando matar-me?
O Sombra ficou a tremer:
- Desculpe, patrão. Apareceu um cão à frente do carro…
- E voce decidiu que a vida dele era mais importante do que a minha? Seu parvalhão!
Rhino gemia. Voltou-se para trás e Dinetto viu sangue a correr de um corte grande na testa.
- Por amor de Deus! - gritou Dinetto. - Vê o que fizeste!
- Estou bem - murmurou Rhino.
- Uma merda é que estás! - Dinetto virou-se para o Sombra.
- Leva-o ao hospital.
O Sombra retirou o carro do passeio.
- O Embarcadero fica a alguns quarteirões daqui. Vamos levá-lo às urgências.
- Certo, patrão.
Dinetto voltou a recostar-se no assento:
- Um cão - disse desgostosamente. - Meu Deus!
Kat estava nas urgências quando Dinetto, o Sombra e Rhino entraram.
Rhino sangrava muito.
Dinetto chamou Kat:
- Hei, você aí!
Kat levantou a cabeça:
- Está a falar comigo?
- Com quem julga que estou a falar? Este homem está a sangrar. Trate imediatamente dele.
- Há meia dúzia de pessoas à frente dele - disse rapidamente Kat. - Terá de esperar pela sua vez.
- Não vai esperar nada - respondeu Dinetto. - Você vai cuidar já dele.
Kat dirigiu-se a Rhino e examinou-o. Pegou num pedaço de algodão e pressionou-o contra o corte.
- Mantenha-o aí. Já volto.
- Disse-lhe que cuidasse já dele - disse Dinetto bruscamente.
Kat voltou-se para Dinetto:
- Esta é a ala de urgências do hospital. Sou a médica de serviço. Por isso, fique calado ou saia.
O Sombra disse:
- Minha senhora, não sabe com quem está a falar.
É melhor fazer o que lhe foi dito. Este é o senhor Lou Dinetto.
- Uma vez que as apresentações terminaram - disse Dinetto, impacientemente -, cuide do meu homem.
- O senhor tem problemas de audição - respondeu Kat. - Vou dizer mais uma vez. Fique calado ou saia daqui. Preciso de trabalhar.
Rhino afirmou:
- Não pode falar com…
Dinetto voltou-se para ele:
- Cala-te! - Olhou novamente para Kat e o tom de voz mudou.
- Ficar-lhe -ia grato se tratasse dele o mais depressa possível.
- Farei os possíveis. - Kat sentou Rhino numa maca.
- Deite-se. Regressarei em breve. - Olhou para Dinetto. - Há cadeiras ali ao canto.
Dinetto e o Sombra ficaram a vê-la dirigir-se para a outra ponta da sala de urgências para cuidar dos doentes que ali se encontravam à espera.
- Meu Deus! - disse o Sombra. - Nem sequer sabe quem é o senhor.
- Penso que não iria alterar nada. Ela tem tomates.
Quinze minutos mais tarde, Kat regressou para junto de Rhino e examinouo.
- Não há contussões - afirmou. - Teve sorte. Mas o corte é feio.
Dinetto ficou a ver Kat suturar habilmente a testa de Rhino.
Quando Kat terminou, disse:
- Deve sarar bem. Volte aqui dentro de cinco dias para retirar os pontos.
Dinetto aproximou-se e examinou a testa de Rhino:
- Ficou um ótimo trabalho.
- Obrigada - respondeu Kat. - Bem, se me derem licença…
- Espere um momento - disse Dinetto. Voltou-se para o Sombra. - Dá-lhe uma nota cê.
O Sombra tirou do bolso uma nota de cem dólares:
- Tome.
- A Caixa fica lá fora.
- Isto não é para o hospital. É para si:
- Não, obrigada.
Dinetto ficou a ver Kat afastar-se e começar a tratar de outro doente.
O Sombra aventou:
- Talvez não seja o suficiente, patrão.
Dinetto abanou a cabeça:
- Ela é uma tipa independente. Gosto disso. - Ficou calado por momentos. - O doutor Evans vai-se reformar, não é?
- Sim.
- Certo. Quero que descubras tudo sobre esta médica.
- Para quê?
- Influência. Acho que ela poderá vir a ser muito útil.
Os hospitais são governados por enfermeiras. Margaret Spencer, a enfermeira-chefe, trabalhava no Embarcadero desde há vinte anos e sabia onde estavam enterrados todos os corpos - literal e figurativamente. A enfermeira Spencer estava encarregada do hospital e os médicos que não aceitavam esse fato metiam-se em sarilhos.
Sabia quais eram os médicos que se drogavam ou bebiam, quais os incompetentes e quais os que mereciam o seu apoio.
Sob o seu controlo estavam todas as enfermeiras-estudantes, enfermeiras registradas e enfermeiras das salas de operações.
Era Margaret Spencer quem as designava para as várias cirurgias e, dado que estas variavam entre indispensáveis e incompetentes, era melhor que os médicos se dessem bem com ela. Tinha poderes para designar uma auxiliar de limpeza para assistir a uma complicada remoção renal ou, se simpatizasse com o médico, enviar a sua enfermeira mais competente para o ajudar numa simples tonsilectomia.
Entre os muitos preconceitos de Margaret Spencer, estava a antipatia para com médicas e negros.