Nada dura para sempre [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 1996
- Язык: португальский
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «Nada dura para sempre [em Português]». Краткое содержание книги:
Uma manhã, aterrada como estava devido às ameaças do padrasto, decidiu que tinha de contar à mãe tudo o que estava a acontecer. A mãe iria pôr um fim, iria protegê-la.
- Mamã, o teu marido vem todas as noites para a minha cama enquanto estás fora e obriga-me a ter relações.
Por um momento, a mãe ficou a olhar para ela e depois deu-lhe uma bofetada na cara.
- Comoseatreves a inventar mentiras dessas, sua peste! Kat nunca mais tocou no assunto. Apenas ficou em casa por Mike. “Sentir-se-ia perdido sem mim”, pensou ela. Mas quando soube que estava grávida, fugiu para casa de uma tia que vivia em Minneapolis. A partir de então, a sua vida mudou completamente.
- Não precisas de me contar o que aconteceu - dissera-lhe a tia Sophie. - Conheces aquela canção que eles cantam na Sesame Street? “Não é Fácil Ser Verde”? Bem querida, mas também não é fácil ser negro. Tens duas escolhas. Continuas a fugir, a esconder e a culpar o mundo dos teus problemas, ou levantas-te sozinha e decides ser alguém importante.
- O que é que tenho de fazer?
- Tens de saber que és importante. Primeiro, crias na sua mente uma imagem de quem gostarias de ser e o que gostarias de ser, filha. E depois esforças-te por te tornares nessa pessoa.
- Não quero ter este bebê - decidiu Kat. - Quero fazer um aborto.
Este foi calmamente efetuado durante um fim-de-semana, por uma parteira amiga da tia de Kat. Quando tudo acabou, Kat pensou ferozmente: “Nunca mais deixarei que um homem me toque. Nunca mais!”
Para Kat, Minneapolis era um país de fadas. Próximo de quase todas as casas havia lagos, fontes e rios. E havia mais de 320 hectares de zonas verdes. Velejou nos lagos da cidade e fez passeios de barco no Mississípi.
Visitou o Great Zoo com a tia Sophie e passou vários domingos no Valleyfair Amusement Park. Participou em corridas de sacos no Cedar Creek Farm e viu combates de cavaleiros com armadura no Shakopee Renaissance Festival.
A tia Sophie olhou para Kat e pensou: “Esta miúda nunca teve uma infância”.
Kat estava a aprender a divertir-se mas a tia Sophie sentia que bem lá no íntimo da sobrinha, havia um lugar que ninguém conseguia alcançar, uma barreira que ela mesma levantara para não voltar a sofrer.
Fez amizades na escola. Mas nunca com rapazes. As amigas saíam com rapazes, mas Kat era uma solitária e demasiado orgulhosa para explicar a alguém o porquê.
Olhou para a tia, de quem gostava muito.
Kat estava pouco interessada na escola ou em ler livros, mas a tia Sophie alterou tudo isso. A casa estava repleta de livros e o entusiasmo de Sophie relativamente a eles era contagiante.
- Ali há palavras maravilhosas - disse à rapariga.
- Lê e ficarás a saber de onde vens e para onde irás.
Tenho o palpite de que um dia serás famosa, querida. Mas primeiro terás de estudar. Isto é a América. Podes vir a ser tudo o que quiseres. Podes ser negra e pobre, mas também o eram algumas das nossas congressistas e estrelas de cinema, cientistas e heróis desportistas. Um dia teremos um presidente negro. Podes ser tudo o que quiseres.
Tudo depende de você.
Era o começo.
Kat tornou-se na melhor aluna da turma. Era uma leitora ávida. Um dia, na biblioteca da escola, pegou por acaso numa cópia de Arro”smith, de Sinclair Lewis, e ficou fascinada com a história do jovem e dedicado médico.
Leu Promises to Keep de Agnes Cooper, que lhe abriu um mundo novo.
Descobriu que neste mundo havia pessoas que se dedicavam a ajudar os outros, a salvar-lhe s a vida. Um dia, quando Kat regressou da escola, disse à tia Sophie:
- Vou ser médica. E famosa.
Na segunda-feira de manhã, os gráficos de três doentes de Paige tinham desaparecido e ela foi dada como culpada.
Na quarta-feira, Paige foi acordada às quatro da manhã.
Sonolenta, pegou no telefone:
- Doutora Taylor…
Silêncio.
- Está?… Está?…
Ouvia a respiração de alguém no outro lado da linha.
Em seguida, ouviu um click.
Paige permaneceu acordada durante o resto da noite.
De manhã, disse a Kat:
- Ou estou a ficar paranóica ou alguém me odeia. - E contou-lhe o que se passara.
- Por vezes, os doentes guardam rancor aos médicos - disse Kat. - Sabes de alguém que…?
Paige lamentou:
- Dúzias.
- Tenho a certeza de que não é caso para te preocupares.
Paige desejou poder acreditar nisso.
Nos finais do Verão chegou o telegrama mágico. Ali ficou à espera que Paige chegasse ao apartamento, já noite adiantada.
Dizia: “Chego São Francisco ao meio-dia de domingo. Anseio ver-te.
Amor. Alfred.”
Finalmente regressava para junto dela! Paige leu o telegrama vezes sem conta, ficando cada vez mais animada.
Alfred! O nome dele evocava um caleidoscópio confuso de recordações excitantes…
Paige e Alfred cresceram juntos. Os pais faziam parte de uma equipa de médicos da oMs que viajara para países do Terceiro Mundo, a fim de lutarem contra doenças exóticas e virulentas.
Paige e a mãe acompanharam o Dr. Taylor, que chefiava a equipa.
Paige e Alfred tiveram uma infância de fantasia. Na índia, Paige aprendeu a falar hindi. Aos dois anos, sabia que o nome para a cabana de bambu onde viviam era basha. O pai era gorashaib, homem branco, e ela era nani, irmãzinha. Tratavam o pai de Paige como abadhan, o chefe, ou baba, pai.
Quando os pais de Paige não estavam por perto, ela bebia bhanga, uma bebida intoxicante feita com folhas de haxixe, e comia chapati com ghi.
Depois, foram para Äfrica. Partiram para outra aventura.
Paige e Alfred habituaram-se a nadar em rios onde havia crocodilos e hipopótamos. Os animais de estimação eram filhotes de zebras, chitas e cobras. Cresceram em cabanas redondas e sem janelas, feitas de adobe, com chão de terra batida e telhados cónicos de colmo. “Um dia”, prometeu Paige a si própria, “irei viver numa verdadeira casa no meio de uma bonita quinta, com relva verdinha e paliçada branca.” Tanto para os médicos como para as enfermeiras, a vida era dura e frustrante, mas para as duas crianças, viver na terra dos leões, girafas e elefantes era uma aventura constante.
Frequentaram escolas primitivas, feitas de adobes, e, quando não havia uma por perto, tinham precepores.
Paige foi uma criança inteligente e o cérebro era uma esponja que absorvia tudo. Alfred adorava-a.
- Um dia casarei contigo, Paige - disse-lhe quando ela tinha doze anos e ele catorze.
- Também irei casar-me contigo, Alfred.
Eram duas crianças sérias, determinadas em passar o resto da sua vida juntos.
Os médicos da onZs eram homens generosos e dedicados e mulheres devotas ao seu trabalho. Muitas vezes trabalhavam em circunstâncias quase impensáveis. Em Äfrica, tinham de competir com o zeogesha - praticantes de medicina nativa cujos remédios primitivos foram transmitidos de pais para filhos, muitas vezes com efeitos letais.
O remédio tradicional dos Masai para feridas abertas era o olkilorite, uma mistura de sangue de boi, carne crua e essência de uma raiz misteriosa.
O remédio dos Kikuyu para a varíola era obrigar a doença a sair das crianças, batendo-as com paus.
- Têm de parar com isso - dizia-lhe s o Dr. Taylor.
- Isso não ajuda.
- É melhor do que vos deixar espetar agulhas na nossa pele - respondiam eles.
Os dispensários eram mesas alinhadas sob as árvores, onde se efetuavam as operações. Os médicos viam centenas de doentes por dia e havia sempre uma enorme fila à espera de serem vistos - leprosos, nativos com tuberculose, coqueluche, varíola, disenteria.
Paige e Alfred eram inseparáveis. Quando cresceram, fizeram caminhadas até ao mercado, numa aldeia situada a alguns quilómetros. E conversaram sobre planos para o futuro de ambos.