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Nada dura para sempre [em Português]

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Nada dura para sempre [em Português]
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A medicina fez parte da vida de Paige, desde muito cedo.

Aprendeu a cuidar de doentes, a dar injeões e a receitar medicamentos e antecipou formas de ajudar o pai.

Paige gostava do pai. Curt Taylor era o homem mais cuidadoso e generoso que jamais conhecera. Gostava genuinamente das pessoas, dedicando a sua vida a ajudar os que precisassem dele; 4transmitiu essa paixão a Paige.

Apesar das longas horas de trabalho, arranjava sempre tempo para estar com a filha.

Tornou agradável o desconforto dos lugares primitivos onde viveram.

A relação de Paige com a mãe era algo diferente. Esta era uma beldade vinda de uma classe social abastada.

A sua fria indiferença mantinha Paige afastada. Casar com um médico que iria trabalhar para lugares distantes e exóticos tinha-lhe parecido romântico, mas a realidade dura tornara-a numa pessoa amarga. Não era uma mulher calorosa e meiga e, para Paige, parecia estar sempre a queixar-se.

“Porque é que tivemos de vir para este lugar esquecido por Deus, Curt?”; “Aqui as pessoas vivem como animais.

Vamos apanhar algumas das suas terríveis doenças”; “Porque é que não podes praticar medicina nos Estados Unidos e ganhar dinheiro como os outros médicos?”

E de muito mais se queixou ela.

Quanto mais a mãe o criticava, mais Paige gostava do pai.

Quando fez quinze anos, a mãe fugiu com o dono de uma grande plantação de cacau no Brasil.

- Ela não vai voltar, não é? - perguntou Paige.

- Não, querida. Desculpa.

- Fico feliz! - Não foi isso que quis dizer. Estava magoada por a mãe se ter preocupado tão pouco com ela e com o pai, acabando por abandoná-los.

A experiência fez com que Paige se aproximasse ainda mais de Alfred Turner. Jogavam e assistiam juntos a explicações e até partilhavam os sonhos.

- Também vou ser médico quando crescer - confidenciou Alfred. - Havemos de nos casar e iremos trabalhar juntos.

- E teremos muitos filhos!

- Certo. Se voce quiser…

Na noite em que Paige fez dezeseis anos, a sua perpétua intimidade emocional atingiu uma nova dimensão.

Numa pequena aldeia da Äfrica Oriental, os médicos tinham sido chamados de urgência devido a uma epidemia e só Paige, Alfred e uma cozinheira ficaram no acampamento.

Jantaram e foram-se deitar. Mas, a meio da noite, Paige foi acordada pelo som distante e ensurdecedor de animais em fuga.

Manteve-se deitada e, à medida que o tempo passava e o som se aproximava, começou a sentir medo.

A respiração tornou-se mais acelerada. Ninguém sabia quando é que o pai e os outros iriam regressar.

Sentou-se. A tenda de Alfred encontrava-se a poucos metros de distância.

Aterrorizada, levantou-se, afastou o pano da porta e correu para a tenda de Alfred.

Este dormia.

- Alfred!

Sentou-se e despertou imediatamente:

- Paige? Aconteceu alguma coisa?

- Tenho medo. Posso deitar-me um bocado contigo?

- Claro. - Ficaram deitados a ouvir os animais a passarem a grande velocidade.

Em poucos minutos, o som começou a desaparecer.

Alfred teve consciência do calor emanado pelo corpo de Paige ali deitado junto ao seu.

- Paige, acho que é melhor regressares à sua tenda.

Paige sentiu a dureza do membro masculino pressionado contra si.

Todas as necessidades físicas que se foram formando dentro deles subiram rapidamente à superfície.

- Alfred.

- Sim? - A voz soou rouca.

- Vamo-nos casar, não é?

- Sim.

- Então não há problema.

Os sons da selva à sua volta desapareceram e começaram a explorar e descobrir um mundo que ninguém mais possuía senão eles. Eram os primeiros amantes do mundo e sentiram-se glorificados com tal milagre.

Ao amanhecer, Paige rastejou até à tenda dela e pensou, feliz: “Já sou uma mulher ”.

De tempos em tempos, Curt Taylor sugeria que Paige regressasse aos Estados Unidos para viver com o tio na sua bela casa de Deerfield, no norte de Chicago.

- Porquê? - perguntava Paige.

- Para que possas vir a ser uma senhorinha bem formada.

- Sou uma senhorinha bem formada.

- As senhorinhas bem formadas não brincam com macacos selvagens nem tentam montar zebras bebês.

A resposta dela era sempre a mesma:

- Não vou deixar-te.

Quando Paige fez dezesete anos, a equipa da oMs foi para uma aldeia da selva na Äfrica do Sul, a fim de lutarem contra uma epidemia de tifo. Para agravar a situação, pouco depois dos médicos terem chegado rebentou a guerra entre duas tribos locais. Curt Taylor foi aconselhado a ir-se embora.

- Não posso, por Deus. Tenho doentes que morrerão se eu os abandonar.

Quatro dias depois, a aldeia foi atacada. Paige e o pai esconderam-se na sua pequena cabana, ouvindo lá fora a gritaria e a fuzilaria.

Paige estava aterrorizada;

- Vão-nos matar!

O pai abraçou-a:

- Eles não nos farão mal, querida. Estamos aqui para os ajudar. Sabem que somos amigos.

E tinha razão.

O chefe de uma das tribos entrara na cabana com alguns dos seus guerreiros:

- Não se preocupem. Nós proteger-vos-emos. - E assim o fizeram.

As lutas e os tiros finalmente pararam, mas, de manhã, Curt Taylor tomara uma decisão.

Enviou um telegrama ao irmão: “Paige segue no próximo avião. Enviarei os pormenores. Por favor, vai buscá-la ao aeroporto.”

Paige ficou furiosa quando soube da notícia. Soluçava fortemente quando foi levada para o pequeno e empoeirado aeroporto onde um Piper Club esperava para a levar para uma cidade onde pudesse apanhar um avião para Joanesburgo.

- Estás a mandar-me embora porque queres ver-te livre de mim! - disse a chorar.

O pai abraçou-a fortemente:

- Amo-te acima de tudo, querida. Vou sentir sempre a sua falta. Mas em breve regressarei aos Estados Unidos e ficaremos juntos de novo.

- Prometes?

- Prometo.

Alfred também estava lá para se despedir de Paige.

- Não te preocupes - disse a Paige. - Irei buscar-te assim que puder.

Esperas por mim?

Depois de tantos anos, era uma pergunta estúpida.

- É claro que sim.

Três dias depois, quando o avião aterrou no Aeroporto O’Hare de Chicago, lá estava o tio Richard à espera de Paige. Esta ainda não o conhecia.

Apénas sabia que era um homem de negócios muito rico cuja esposa tinha falecido há já muitos anos. “É o membro da família mais bem sucedido”, dizia-lhe sempre o pai.

As primeiras palavras do tio deixaram Paige boquiaberta:

- Paige, lamento ter de te dizer isto, mas acabei de saber que o teu pai foi assassinado numa luta nativa.

Num só instante, todo o seu mundo desaparecera.

A dor era tão intensa que ela julgou não ser capaz de a suportar. “Não deixarei que o meu tio me veja a chorar”, decidiu Paige. “Não deixarei.

Não devia ter saído de lá.

Vou regressar.”

No trajeto para casa, Paige viu através da janela o enorme trânsito da cidade.

- Detesto Chicago.

- Porquê, Paige?

- É uma selva.

Richard não permitiu que Paige regressasse a Äfrica para assistir ao funeral do pai e isso enfureceu-a.

Tentou que ela compreendesse:

- Paige, o teu pai já foi enterrado. Não há motivo para regressares.

Contudo, havia um motivo: Alfred estava lá.

Alguns dias após a chegada de Paige, o tio sentou-se com ela para falarem do futuro.

- Nada tenho para conversar - informou-lhe Paige.

- Vou ser médica.

Aos vinte e um anos Paige terminou o liceu, concorreu a dez universidades de medicina e foi aceite por todas elas.

Escolhe u uma de Bóston.

Foram precisos dois dias para conseguir falar com Alfred, por telefone, no Zaire, onde trabalhava em tempo parcial numa unidade da oMs.

Quando Paige lhe deu as notícias, ele respondeu:

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