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A caçada ao lobo de Wall Street [calibre 4.2.0]

Электронная книга - «A caçada ao lobo de Wall Street [calibre 4.2.0]». Краткое содержание книги:

Jordan Belfort fez uma fortuna no mercado de ações americano nos anos 1990 e viveu uma vida de luxo, drogas, sexo e pura loucura. O problema foi que, para enriquecer dessa maneira, ele não seguiu apenas o bom caminho, e o FBI não deixou barato... Acusado de fraude de valores mobiliários, manipulação de ações, lavagem de dinheiro e outros inúmeros crimes financeiros que nem ele saberia citar, Jordan se viu obrigado a cooperar com a Justiça americana, dedurando amigos e antigos colegas para tentar se livrar de uma pena que poderia chegar a 30 anos de prisão – e arruinar de vez sua vida.
Em A caçada ao Lobo de Wall Street, Jordan conta com sua fina ironia e acidez todos os detalhes de seu início de carreira, bem como tudo que aconteceu com ele depois que seu império desmoronou: perdeu a esposa, o dinheiro e quase perderia os filhos. Uma história contada sem pudores, por um homem cativante que precisou se reinventar a qualquer custo. **
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No meio de toda a loucura, Yulia e eu mal tivéramos a oportunidade de conversar. Para complicar as coisas, o inglês dela era terrível, portanto, qualquer conversa significativa teria de ocorrer em silêncio, sem distrações. O único problema era que Inna estaria sentada no banco de trás com a gente.

Só que, mais uma vez, ela estava um passo à frente.

No momento em que Yulia subiu para o banco do passageiro da frente do meu Mercedes, a Criatura rosnou:

– Tenho de ir pischka. Vocês dois vão na frente, encontro com vocês no cinema.

Sem dizer mais nada, Inna virou-se sobre seu grosso e calejado calcanhar e foi bamboleando de volta para as escadas.

Quinze minutos depois, Yulia e eu estávamos sozinhos em minha Mercedes, dirigindo por uma estrada a caminho de East Hampton. Às 8 horas de uma noite de domingo, o trânsito era mais intenso na direção contrária, de forma que avançávamos numa velocidade muito boa. As janelas estavam abertas e o doce aroma do perfume de Yulia se misturava aos aromas terrosos do feno e dos pinheiros de uma forma mais que deliciosa. Mantendo um olho na estrada, eu dava espiadelas sorrateiras para a garota com o canto do outro olho, procurando qualquer sugestão de um ângulo ruim. Não havia nenhum. Ela era absolutamente perfeita, sobretudo aquelas longas pernas nuas, que estavam cruzadas e mostrando as coxas. Ela estava fazendo algo muito sexy com o pé, deixando a sandália na ponta dos dedos e lentamente balançando o pé para cima e para baixo. Eu me esforcei para manter os olhos na estrada.

Por cima do som do ar que entrava pelas janelas, levantei a voz e disse:

– E então, como foi ganhar esse concurso? Isso mudou sua vida para sempre?

– Sim – respondeu Yulia –, é muito bonito lá fora.

Quê? Eu estava me referindo ao fato surpreendente de que Yulia Sukhanova fora a primeira, última e certamente única Miss União Soviética. Afinal, o Império do Mal agora residia junto aos outros impérios de merda, ao lado de Roma, do Terceiro Reich, do Império Otomano e do rei Tut do Egito; por isso, dali em diante só haveriam Misses Rússia.

Ainda assim, Miss URSS ou não, dona Yulia era ainda mais fraca no departamento de inglês do que eu tinha imaginado. Eu precisava cortar a falação à toa e deixar as coisas mais simples:

– Sim – disse eu –, é uma linda noite para se passear de carro.

– Sim – respondeu ela. – Vai começar às 9 nesta noite.

Mas que…

– Você quer dizer o filme?

Ela assentiu com a cabeça ansiosamente.

– Sim, eu gosto de ir cinema.

Ao cinema, pensei. Por que será que essas belezuras russas não conseguem falar ao, o, a …? Qual é a porra da dificuldade nisso? Enfim… A rainha da beleza era linda, então aquela deficiência poderia ser facilmente esquecida. Mudando de assunto, perguntei:

– Então, você acha que Inna vai aparecer?

Essa pergunta ela entendeu.

– Não tem como – disse ela. – Essa é Inna para você. Sempre dando uma de… Hã… Como se diz na sua língua… Er… svacha.

– Casamenteira?

Da, da! – exclamou a rainha da beleza, linguisticamente desafiada.

Eu sorri e assenti, sentindo como se eu tivesse acabado de chegar ao pico do Everest. Assim, encorajado, atravessei todo o console central e agarrei a mão da Miss União Soviética.

– Tudo bem se eu segurar sua mão? – perguntei timidamente.

Também timidamente, ela respondeu:

– Três meses agora.

Olhei para ela por um momento.

– O que você quer dizer?

Ela encolheu os ombros.

– Esta última vez mãos dadas.

– Sério? Tudo isso?

Ela assentiu com a cabeça.

Da, que é quando eu terminar com o namorado.

– Ohhhh! – eu disse, sorrindo. – Você quer dizer Cyrus, certo?

Seus olhos azuis se abriram.

– Você conhecer Cyrus?

Eu sorri e pisquei.

– Eu tenho minhas fontes – disse, maliciosamente.

O “Cyrus” ao qual tinha me referido não era outro senão Cyrus Pahlavi, o neto do xá do Irã. Eu tinha investigado um pouco sobre Yulia naquela tarde. Eu havia descoberto que ela terminara um relacionamento de três anos com Cyrus, que, dois anos antes, tinha substituído o príncipe da Itália como seu “rolo” principal. Uma devoradora de realeza, pensei.

Em essência, Yulia tinha vindo para os Estados Unidos como embaixadora da boa vontade, chegando, em 1990, sob os atentos olhos de Mikhail Gorbachev, Boris Yeltsin e Mikhail Khodorkovsky, o então dirigente do Komsomol, a Liga da Juventude Comunista, e agora o homem mais rico da Rússia. Yulia foi essencialmente uma ferramenta de propaganda: brilhante, educada, culta, elegante, graciosa, encantadora e, acima de tudo, muito bonita. Ela fora eleita com a intenção de representar o melhor que a União Soviética tinha a oferecer e, por consequência, o comunismo como um todo.

Era um conto selvagem de intriga política e desonestidade financeira, mas tudo começava a fazer sentido para mim. Havia uma razão pela qual Yulia se destacara tão regiamente entre os romanos: ela deveria fazer isso. Cem milhões de mulheres tinham disputado o título de “primeira Miss União Soviética”, e Yulia Sukhanova tinha vencido. Ela fora preparada e treinada para transmitir uma única mensagem: a de que a União Soviética era melhor.

Após sua chegada aos Estados Unidos, Yulia se reunira com Nancy Reagan, George Bush, Miss Estados Unidos, apresentadores, socialites, estrelas de rock, dignitários e diplomatas. Depois viajara por todo o país, cortando fitas em inaugurações e apresentando shows na TV, enquanto servia como orgulhosa representante da pátria.

E então veio a queda da União Soviética.

De repente, Yulia tornara-se rainha da beleza reinante de uma superpotência inexistente. A outrora orgulhosa União Soviética era agora uma nação-Estado falida que apareceria nos livros de história como nada mais que uma experiência fracassada de falsa economia e ideologia corrupta. Então Yulia decidiu ficar nos Estados Unidos e tornar-se modelo. Inna, na época, era uma das únicas agenciadoras de modelo que falava russo na indústria da moda, por isso colocou Yulia debaixo de suas asas.

Havia apenas dois pontos que me inquietavam sobre Yulia. O primeiro foram algumas referências a um homem chamado Igor, que era vagamente conectado a Yulia e a seguia por toda parte, nas sombras; e o segundo foi o fato de que Yulia fora agente da KGB, e Igor, seu mestre. Por mais inverossímil que parecesse, eles tinham vindo até aqui sob os auspícios do governo soviético, não tinham?

Então, lá estava eu, cinco horas mais tarde, em direção a East Hampton, com uma agente da KGB sentada ao meu lado e o temido Igor à espreita. Igor, eu percebi, era a menor das minhas preocupações.

– Seja como for – disse eu à rainha da beleza/agente da KGB –, eu não quis dizer isso de forma ruim. Todos nós temos nossas fontes, sabe? Aposto como você também tem as suas, certo? – pisquei brincando para a KGB. – Eu acho que as minhas são um pouco melhores que a maioria.

KGB sorriu, parecendo entender.

– Sim, você é muito bom cozinheiro.

– Quê? Do que você está falando, que cozinheiro?

– Você diz molhos* – disse KGB, que aparentemente tinha dormido durante suas aulas de inglês na escola de treinamento secreto da KGB. – Como este noite: você faz molhos de tomate, sobre penne.

Eu comecei a rir.

– Não, nada de molhos! Fontes! – Eu olhei KGB no olho e arrastei a palavra sources o máximo que podia, de forma que saiu tipo sourrrrrrrrrrrrrrrrrrces. Daí, eu disse: – Entendeu?

Ela soltou minha mão e começou a sacudir a cabeça, desgostosa, dizendo algo como: “Bleaha muha, inglês stupido! Ehhh! Não ter sentido!”. Então ela acenou com os braços perfeitamente tonificados ao redor do carro, como se estivesse espantando moscas imaginárias.

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