A caçada ao lobo de Wall Street [calibre 4.2.0]
- Автор: Белфорт Джордан
- Год: 2014
- Язык: португальский
- Год: Planeta
- ISBN: 9788542203134
- Жанр: Биографии и мемуары
Электронная книга - «A caçada ao lobo de Wall Street [calibre 4.2.0]». Краткое содержание книги:
Em A caçada ao Lobo de Wall Street, Jordan conta com sua fina ironia e acidez todos os detalhes de seu início de carreira, bem como tudo que aconteceu com ele depois que seu império desmoronou: perdeu a esposa, o dinheiro e quase perderia os filhos. Uma história contada sem pudores, por um homem cativante que precisou se reinventar a qualquer custo. **
Quando me encontrei com TOC depois, brinquei que estava fazendo meu velho truque de novo, passando notas e tal, embora dessa vez tivesse guardado aquela para a posteridade.
Com isso, lhe entreguei um envelope lacrado, com a fita e o papel todo amassado dentro.
– É melhor você parar na Macy’s e comprar um ferro a vapor – eu disse, brincando. – Você vai precisar.
Então entrei no carro e voltei para os Hamptons.
Mas, infelizmente, ao longo dos dias seguintes, comecei a me sentir culpado de novo.
Naquele domingo à noite, o pensamento de entregar o Chef se tornou deprimente. Aparentemente, o fato de me apaixonar pela KGB tinha suavizado a picada dos recentes acontecimentos, aquelas terríveis traições que tinham acendido chamas de vingança na maneira como eu enxergava os amigos como inimigos e os inimigos como amigos. Agora, no entanto, eu não estava mais tão certo.
Foi um pouco antes das 9 horas. KGB e eu estávamos desfrutando de nosso pequeno ritual noturno, sentados sobre o cobertor de algodão branco perto da água, com uma pequena fogueira queimando próxima, lutando contra os primeiros arrepios do outono. Logo acima do horizonte, uma lua cheia alaranjada estava dependurada no céu noturno, com as águas escuras do Atlântico logo abaixo dela.
– Ela parece perto o suficiente para ser tocada, não acha?
– Da! – respondeu ela – Parecem um queijo suíço.
– Parece – disse eu, corrigindo-a. – Ela parece um queijo suíço.
– O que você quer dizer? – perguntou.
Eu peguei a mão dela e apertei-a com amor.
– Quero dizer que você tem o hábito de misturar os verbos e os nomes. Como quando disse ela parecem em vez de ela parece. Não é grande coisa, na verdade, é apenas uma questão de singular ou plural. Veja só, quando se tem uma coisa só, como uma lua, é parece. Mas quando se tem mais de uma coisa, como as estrelas, se diz parecem. Novamente, não é grande coisa, só que é engraçado, meio que dói nos ouvidos.
– O que você quis dizer dói ouvidos? – perguntou ela, soltando minha mão.
– Nos ouvidos – respondi calmamente, embora um pouco de frustração tivesse me invadido –, e esse é um bom exemplo do que acabei de dizer. – Respirei fundo e disse: – Você “engole” o artigo, Yulia, sempre! E o artigo é a coisa mais utilizada quando falamos! Ele dá certo ritmo para as coisas, um determinado fluxo, e quando você não diz, como acabou de falar “dói ouvidos”, ou quando diz “quero ir shopping”, soa engraçado. Quer dizer, parece que você é ignorante ou algo assim, e eu sei que você não é – dei de ombros novamente, não querendo fazer daquilo um grande problema, embora não pudesse evitar.
Nós estávamos passando todo o tempo juntos, e sua deficiência no idioma estava começando a me incomodar. Além disso, estava apaixonado por ela, então sentia que era minha obrigação ensiná-la ou treiná-la, por assim dizer, e conduzi-la suavemente pelo caminho para uma pequena aldeia chamada “Assimilação”.
– De qualquer forma – continuei –, se você realmente quer melhorar seu conhecimento de nossa língua, gostaria de começar com essas duas coisas: o uso do artigo e saber quando é plural e quando é singular– sorri e agarrei a mão dela. – A partir daí, todas as coisas boas virão – pisquei para ela. – E, se você quiser, eu poderia até ser seu professor! Cada erro que fizer eu… Ai! O que você… Aiiiii! Pare, isso dói… Aiii! Aii! Aiiiiiiiiiiiii! – gritei. – Solte meus dedos, você vai quebrar meus… Pare!
– Seu putinho! – murmurou, enquanto dobrava meus dedos para trás num apertão KGB. – Você e seu inglês idiota, rá! Os Estados Unidos pensa que é dona do mundo! Bleaha muha! Porcos capitalistas!
“Pensam que são donos do mundo”, pensei, e então gritei:
– Solte! Ai! Solte meus dedos! Por favor, você vai quebrá-los!
Ela soltou meus dedos, então virou as costas para mim e começou a murmurar:
– Americano idiota… Isso ridículo!
– Puta merda! – gaguejei. – Qual é seu problema? – comecei a sacudir os dedos no ar, tentando aliviar a dor. – Você poderia ter quebrado meus dedos com aquele aperto de morte da porra da KGB! – balancei a cabeça com raiva. – E quem é você para me chamar de putinho, hein? Agora você acha que eu sou um puto? Cinco minutos atrás você estava dizendo quanto me amava e agora está me falando palavrões… – balancei a cabeça, triste, como se estivesse muito desapontado com ela. E me preparei para um sexo que seria uma maravilha depois daquela discussão.
Depois de alguns segundos, ela se virou para mim, pronta para fazer as pazes novamente.
– Praste minya – disse ela, suavemente, e eu presumi que significava obrigado, e então ela começou a balbuciar algo em russo. Seu tom era bastante doce, na verdade, de forma que supus que ela tentara quebrar meus dedos por amor.
Então, ela disse:
– Venha aqui, musek-pusek; deixe-me beijar seu palcheke – e agarrou meus dedos e começou a beijá-los muito suavemente, o que me levou a acreditar que palcheke eram dedos.
Sentindo-me vingado, inclinei-me para trás sobre o cobertor e me preparei para minha recompensa (ou seja, ela beijar meu pênis ereto), e apenas um segundo depois ela estava deitada a meu lado e nós estávamos nos beijando. Foi um beijo lento e suave, um beijo russo, que parecia durar uma eternidade. Em seguida, ela descansou a cabeça no meu ombro, e nós dois, amantes mais uma vez, ficamos olhando para o céu, contemplando a extensão impressionante do universo, a lua alaranjada, as estrelas brilhantes, a difusa banda branca da Via Láctea.
– Sinto muito por antes – disse eu, mentindo através dos dentes. – Não vou mais corrigi-la, se não quiser. Quer dizer, não me importo se a lua parece um queijo suíço ou parecem um queijo suíço, enquanto estiver olhando para você.
Dizendo isso, beijei-a no topo da cabeça loira e puxei-a para mais perto de mim.
Ela respondeu, colocando a perna longa e nua sobre a minha e se apertando contra mim, como se estivéssemos tentando nos tornar uma só pessoa.
– Ya lublu tibea – disse ela, suavemente.
– Eu também te amo – respondi no mesmo tom.
Respirei fundo e olhei para a lua, me perguntando se eu já tinha sido mais feliz do que era agora. Aquela menina era realmente especial – Miss União Soviética, porra! – a conquista do século e, mais importante, o antídoto perfeito para a traição da Duquesa.
Com uma boa dose de nostalgia na voz, eu disse:
– Sabe, eu me lembro de olhar para a lua quando era criança e ficar totalmente abismado com ela. O que quero dizer é que sabia que pessoas já tinham estado lá em cima e caminhado sobre ela, entendeu? Em 1969, você só tinha 1 ano de idade, de modo que era nova demais para se lembrar daquele dia, mas eu me lembro como se fosse ontem. Meus pais tinham uma TV preto e branco na cozinha e todos nós estávamos lá, aglomerados em torno dela, observando Neil Armstrong descer a escada. Quando ele deu seus primeiros passos na Lua e começou a saltar – balancei a cabeça, assombrado – decidi que queria ser um astronauta – deixei escapar alguns risos envergonhados. – Sonhos de menino. Que de alguma forma me levaram a Wall Street. Eu nunca teria imaginado isso naquela época.
A KGB riu de volta, embora seus risos tivessem um quê irônico:
– Esse é grande piada americana – disse ela, confiante. – Você sabe disso, certo?
– O que… Que todo menino queria ser astronauta?