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A caçada ao lobo de Wall Street [calibre 4.2.0]

Электронная книга - «A caçada ao lobo de Wall Street [calibre 4.2.0]». Краткое содержание книги:

Jordan Belfort fez uma fortuna no mercado de ações americano nos anos 1990 e viveu uma vida de luxo, drogas, sexo e pura loucura. O problema foi que, para enriquecer dessa maneira, ele não seguiu apenas o bom caminho, e o FBI não deixou barato... Acusado de fraude de valores mobiliários, manipulação de ações, lavagem de dinheiro e outros inúmeros crimes financeiros que nem ele saberia citar, Jordan se viu obrigado a cooperar com a Justiça americana, dedurando amigos e antigos colegas para tentar se livrar de uma pena que poderia chegar a 30 anos de prisão – e arruinar de vez sua vida.
Em A caçada ao Lobo de Wall Street, Jordan conta com sua fina ironia e acidez todos os detalhes de seu início de carreira, bem como tudo que aconteceu com ele depois que seu império desmoronou: perdeu a esposa, o dinheiro e quase perderia os filhos. Uma história contada sem pudores, por um homem cativante que precisou se reinventar a qualquer custo. **
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Havia tanta coisa que eu queria dizer a Chandler e tanta coisa que eu sabia que não podia… Um dia, é claro, gostaria de dizer-lhe tudo, sobre todos os erros que eu tinha cometido e como a ganância e as drogas tinham me destruído, mas não até que se passassem muitos anos e ela tivesse idade suficiente para entender. Então conversamos apenas sobre coisas simples da vida, as conchas na praia, as dezenas de castelos de areia que a gente tinha construído ao longo dos anos e todos os buracos que tínhamos escavado para chegar à China, apenas para desistir depois de alcançarmos a água poucos centímetros abaixo. Depois, ela quase me nocauteou ao dizer:

– Adivinhe, papai? Minhas irmãs estão vindo para a cidade amanhã – ela continuou andando.

Por um segundo eu não entendi do que ela estava falando, ou pelo menos foi o que eu disse a mim mesmo. No fundo, porém, eu sabia: ela estava se referindo às filhas de John, Nicky e Allie. Nicky era alguns anos mais velha que Chandler, e Allie era exatamente da mesma idade. A companheira perfeita para brincadeiras, pensei.

John Macaluso: eu estava ouvindo cada vez mais sobre ele ultimamente, não apenas pelas crianças, mas também de um punhado de amigos comuns meus e da Duquesa. Felizmente, estava ouvindo apenas boas coisas, que ele era um cara muito decente, que tinha se divorciado duas vezes e que não usava drogas. O mais importante, no entanto, era que meus filhos gostavam dele. Então, eu gostava dele também. Enquanto ele tratasse bem meus filhos, estaria bem comigo.

Com esse pensamento, eu disse:

– Você quer dizer as filhas de John, querida?

– Sim – disse ela, ansiosamente. – Eles estão vindo da Califórnia amanhã e virão depois para a praia!

Um pensamento adoráveclass="underline" a Duquesa queria se divertir nos Hamptons com outro homem. Em seguida, um pensamento mais obscuro: se, apenas alguns meses depois de conhecê-los, Chandler já estava se referindo às filhas de John como suas “irmãs”, ela poderia um dia se referir a John como pai dela? Por um momento, fiquei muito preocupado, mas apenas por um momento.

Eu sempre seria o pai de meus filhos, não poderia haver outro. Além disso, a capacidade de amar não era mutuamente exclusiva. Assim, que eles fossem amados por todo mundo e retribuíssem esse amor de sobra. Havia o suficiente para todos.

– Bem, isso é ótimo! – disse, calorosamente. – Isso é muito legal. Tenho certeza de que você vai se divertir muito com eles essa semana. Quem sabe um dia eu possa conhecer as meninas, hein?

Ela assentiu com a cabeça alegremente e passamos mais alguns minutos andando e conversando. Então voltamos para a mansão. A longa passarela de mogno, limitada por grossas cordas de cada lado, levava até o deque traseiro por cima da areia. Enquanto eu carregava Chandler no colo pela passarela, meu espírito afundava a cada passo.

Os romanos estavam esperando.

Por que eu me sujeitava àquilo?, eu me perguntava. A tortura autoimposta era em nome de poder transar com alguém? Não podia ser, não é? Quer dizer, eu não era tão raso assim, era? Na verdade, era exatamente nisso que eu estava pensando quando coloquei os olhos nela pela primeira vez.

Ela era alta e loira e se destacava entre os romanos como diamante no meio de strass. Ela se mexia ao som da música, no momento perfeito e no ritmo. Parecia distante da cena, como se fosse um observador casual, não um membro da farra. À primeira vista, ela me pareceu o tipo de garota que eu nunca ousaria abordar em uma boate para convidar a dançar. Seu cabelo loiro brilhava como ouro polido. Ela estava com uma saia de algodão branco, muito curta, uns bons 15 centímetros acima do joelho, revelando suas longas pernas nuas, que eram impecáveis. Ela usava uma camiseta rosa-bebê que abraçava seus deliciosos seios como uma segunda pele e expunha sua barriga perfeitamente tonificada. Seus pés estavam com um simples par de sandálias brancas, embora fosse óbvio, mesmo de relance, que tinham custado uma fortuna.

Então um choque terrível!

De trás da visão loira surgiu uma criatura de aparência horrenda, curta, atarracada e com o rosto de um buldogue. Seu corpo parecia ser composto de grossos tocos cilíndricos, colados na pressa pelo bom humor de Deus. A Criatura tinha cabelo laranja-queimado, pele pálida, traços grosseiros, nariz de lutador e uma mandíbula muito grande. Ela usava um vestido curto roxo que pendia em seu corpo robusto como a capa de uma impressora. A blusa era muito decotada, expondo as bordas de seus peitos flácidos. A Criatura agarrou a visão loira pela mão e veio cambaleando. Senti Chandler recuar em meus braços.

– Vem, Yulichka – a Criatura rosnou para a visão loira, em uma voz grave que cheirava a Brooklyn, Rússia, sarjeta, uísque, sindicato dos caminhoneiros e a fase final de um câncer de garganta. – Este é o dono da casa. Eu quero que você o conheça.

Fiquei chocado e impressionado. A Bela e a Fera, pensei.

– Você deve ser Jordan – rosnou a Criatura que, em seguida, olhou para Chandler e disse: – Ah, que gracinha!

Senti Chandler estremecer em meus braços quando a Criatura agarrou sua mão e babou:

– Oi, munchkin! Eu sou Inna e esta aqui é Yulia.

Com isso, ela quase jogou Yulia para a frente, como se ela fosse uma oferta de paz loira. Parecia claro que as duas vinham como um pacote.

Yulia sorriu, e seus dentes eram brancos como porcelana. Suas feições eram finas, cinzeladas até quase a perfeição. Tinha olhos azuis parecidos com os de um gato, que revelavam algo que o resto da aparência de Yulia de alguma forma camuflava: que lá atrás, na história, talvez 500 anos antes, um tártaro invasor havia estuprado uma de suas ancestrais.

Delicadamente, Yulia estendeu a mão para apertar a mão de Chandler.

– Alloa, – disse ela, com um sotaque surpreendentemente forte. – Eu sou Yulia. Qual é seu nome, linda?

– Chandler – minha filha disse com uma voz tímida, e então eu esperei que ela atacasse dizendo algo como: “Ah, outra loira estúpida, né?” ou, mais provavelmente, “Meu pai já tem uma namorada e a trai o tempo todo!”. Mas, em vez disso, tudo o que ela disse foi:

– Você tem o cabelo muito bonito, Yulia – e todos começamos a rir.

Yulia disse:

– Bem, você é muito doce, Chandler – então ela se virou para Inna e começou a dizer algo numa metralhadora russa. Sua voz era suave e doce, quase melódica, de fato, mas a única palavra que pude reconhecer foi krasavitza, que significava “bonito”.

Passamos um minuto assim, conversando amenidades, mas Chandler estava inquieta, de forma que era meio imprevisível o tipo de veneno que ela poderia lançar para cima de Yulia. Então pedi licença com uma piscadela e um sorriso.

Quando estava saindo, eu disse:

– Sinta-se em casa. Minha casa é sua casa – ao que Yulia sorriu calorosamente e agradeceu.

Inna, no entanto, não sorriu e não disse uma palavra. Ela simplesmente assentiu com a cabeça uma vez, como se dissesse: “É claro que vou!”. Afinal de contas, em sua própria ideia, ela tinha feito seu trabalho direito. Ela viera para Meadow Lane trazendo um presente, de forma que agora tinha direito de devorar tudo que estivesse à vista.

EMBORA FOSSE IMPOSSÍVEL negar que Inna era uma monstruosidade excepcional, eu não poderia imaginar como ela lutava para ganhar seu sustento. Mais tarde naquela noite, depois de a Duquesa ter pegado as crianças e a festa chegar ao fim, Inna sugeriu que os poucos romanos remanescentes, oito de nós, fossemos até East Hampton para pegar um cinema. Pareceu-me uma ideia razoável no início, que rapidamente se tornou uma ideia fabulosa antes mesmo de ter conseguido sair da garagem.

– Vamos – rosnou ela para Yulia. – Vamos com Jordan e pegamos o carro mais tarde.

– É uma ótima ideia! – concordei rapidamente, pois de fato era.

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