A caçada ao lobo de Wall Street [calibre 4.2.0]
- Автор: Белфорт Джордан
- Год: 2014
- Язык: португальский
- Год: Planeta
- ISBN: 9788542203134
- Жанр: Биографии и мемуары
Электронная книга - «A caçada ao lobo de Wall Street [calibre 4.2.0]». Краткое содержание книги:
Em A caçada ao Lobo de Wall Street, Jordan conta com sua fina ironia e acidez todos os detalhes de seu início de carreira, bem como tudo que aconteceu com ele depois que seu império desmoronou: perdeu a esposa, o dinheiro e quase perderia os filhos. Uma história contada sem pudores, por um homem cativante que precisou se reinventar a qualquer custo. **
– Souwwwwsses… Sourrrrrrces… Seeeeeeesses… Sowwwwwsses! – estava murmurando. – Louco, louco demais…
Depois de alguns segundos, ela começou a rir e disse:
– Esta inglês me deixa louco! Juro, não faz sentido. Russo faz sentido! – com isso, ela apertou o botão do vidro do carro, apontou para o lado da estrada e fez sinal para eu parar.
Parei debaixo de uma grande árvore a poucos metros da estrada, coloquei o carro em ponto morto e apaguei as luzes. O rádio era quase inaudível, mas KGB estendeu a mão e desligou-o, de qualquer maneira. Então ela se virou para mim e disse muito lentamente:
– Eu… fazer… falar… inglês. É que é difícil de entender com o vento soprando. Eu pensei que você diz que fazer molhos, como molhos de tomate, porque você fazer esta noite: molhos de tomate.
– Está tudo bem – disse, sorrindo. – Você fala inglês muito melhor do que eu falo russo.
– Da – disse ela suavemente, e se virou para mim, apoiando as costas contra a porta do passageiro e cruzando os braços sob seus seios. Ela havia jogado um suéter de tricô macio sobre sua camiseta rosa, com um decote V muito baixo, limitado por duas listras grossas, uma marrom e outra verde. Era o tipo de suéter de tênis que a gente vê as pessoas usando em fotografias antigas. Ela havia arregaçado um pouco as mangas, revelando pulsos maravilhosamente flexíveis e um relógio bastante clássico, fino e discreto. Tinha uma pulseira rosa pálido e o mostrador branco. Seu cabelo loiro era brilhante como a seda e repousava sobre ambos os lados do suéter, enquadrando o rosto de um anjo.
Ela não se parecia com um agente da KGB, não é? Respirei fundo, olhei para seus lindos olhos azuis e sorri calorosamente. Por mais que eu tentasse, não conseguia evitar de compará-la com a Duquesa. De muitas maneiras, as duas eram muito parecidas. Loiras, de olhos azuis, ombros largos e fina ossatura, proporções perfeitas acima e abaixo da cintura. E ambas exibiam a mesma postura imperiosa de líder de torcida, com os ombros puxados para trás, joelhos travados e bundas perfeitamente redondas e firmes, o que costumava me deixar louco.
– Você é linda – disse baixinho para KGB, ignorando meu último pensamento.
– Da – disse ela, cansada – krasavitza, krasavitza… Eu sei disso – e ela balançou a cabeça com igual cansaço, como se dissesse: “Eu já ouvi isso mais de mil vezes, então você vai ter que fazer melhor que isso”. Ela sorriu e disse: – E você é gracinha também, você igual homem russo de verdade! – ela riu. – Você sabe disso?
Eu balancei a cabeça e sorri.
– Não, o que você quer dizer?
Ela ergueu o queixo em direção à minha tornozeleira.
– Você rouba dinheiro – ela piscou – como homem russo de verdade! – Ela riu. – E eu ouvir você rouba muito!
Puta merda!, pensei. Malditos russos! Naturalmente, não era o momento para alertar KGB para o fato de que eu não tinha roubado o bastante e que por causa disso eu não viveria mais em Meadow Lane no próximo verão. Melhor deixar essa informação para outra hora, decidi.
– Sim – eu disse, forçando um sorriso –, mas não estou exatamente orgulhoso disso.
– Quando a cadeia para você? – perguntou ela.
– Ainda vai levar um tempo – respondi suavemente. – Mais quatro anos ou mais. Eu realmente não sei.
– E sua esposa?
Eu balancei a cabeça para trás e para a frente.
– Estamos nos divorciando.
Ela assentiu com a cabeça, tristemente.
– Ela é bonita.
– Sim, ela é – eu disse, suavemente. – E ela me deu dois filhos maravilhosos. Acho que sempre vou amá-la por isso, sabia?
– Você ainda a ama? – perguntou.
Eu balancei a cabeça.
– Não, não – dei de ombros. – Quer dizer, por um tempo pensei que ainda a amasse, mas acho que foi apenas… – parei por um momento, tentando encontrar palavras que KGB pudesse entender. Na verdade, eu não estava realmente certo de como me sentia sobre a Duquesa. Eu a amava e a odiava, e suspeito que sempre me sentiria assim. Mas de uma coisa eu tinha certeza, que a única maneira de superar o amor/ódio por alguém seria me apaixonar por outra pessoa… – Acho que foi apenas a ideia de amá-la. Eu não estava realmente apaixonado por ela. Muitas coisas ruins aconteceram. Muita mágoa – olhei nos olhos da KGB. – Você entende o que eu quero dizer?
– Da – respondeu ela rapidamente –, entendo, muito comum – ela olhou para longe por um momento, como se estivesse perdida em pensamentos. – Você sabe, eu estou aqui nove anos – balançou a cabeça, espantada. – Você pode imaginar? Eu deveria falar melhor, acho, mas eu nunca tenho amigos americanos. Meus amigos são todos russos.
Eu balancei a cabeça, compreensivo, pois entendia muito mais do que a KGB provavelmente imaginaria. Havia apenas dois tipos de russas que eu havia conhecido até agora: as que abraçavam os Estados Unidos e as que os desprezavam. As primeiras faziam tudo o que podiam para assimilar o modo de vida americano: aprendiam o idioma, namoravam homens americanos, comiam comida típica e, com o tempo, se tornavam cidadãs americanas.
O segundo grupo, no entanto, fazia exatamente o contrário: se recusava a assimilar nossa cultura. Mantinha sua herança soviética como um cão com um osso velho. Eles viviam em meio aos russos, trabalhavam em meio aos russos, socializavam com os russos e se recusavam a dominar a língua. E, bem no fundo disso tudo, eu sabia, havia o fato de que ainda ansiavam pelos dias gloriosos do império soviético, quando o mundo se maravilhava com a engenhosidade do Sputnik, a coragem de Yury Gagarin e a vontade de ferro de Khrushchev. Aquele fora um momento inebriante para ser soviético, com o mundo tremendo diante do Pacto de Varsóvia, do Muro de Berlim e da crise dos mísseis de Cuba.
Yulia Sukhanova tinha sido um produto de tudo isso; não, ela sintetizava isso. Ela ainda ansiava pelos dias do Grande Império Soviético e, como consequência, tinha se recusado a assimilar a cultura local. Ironicamente, isso não me fez respeitá-la menos – na verdade, muito pelo contrário: eu senti sua dor. Eu também tinha subido uma vez, para as alturas malucas de Wall Street, tornando-me uma espécie de celebridade, ainda que num sentido distorcido da palavra. No entanto, assim como Yulia Sukhanova, tinha visto tudo desabar sobre mim. A única diferença era que a queda dela não tinha sido por culpa própria.
Ainda assim, nós dois, é o que parecia, precisávamos descobrir uma maneira de reconciliar um passado completamente insano com qualquer futuro possível. Talvez, pensei, pudéssemos fazê-lo juntos; talvez, logo que tivéssemos conseguido ultrapassar a barreira da língua, ela pudesse me ajudar a entender o que tinha acontecido na minha vida, e eu poderia ajudá-la a achar sentido na dela. Com esse pensamento, respirei fundo e fui adiante:
– Posso beijá-la? – disse, suavemente.
Ao que Miss Yulia Sukhanova, a primeira, última e única Miss União Soviética, sorriu timidamente. Então ela assentiu.
CAPÍTULO 22
MANTENDO O RUMO
E nós fizemos amor.
Não naquela noite, mas no dia seguinte.
Foi lindo; na verdade, não apenas lindo, mas, graças a alguns bioquímicos muito experientes da empresa farmacêutica Pfizer, meu desempenho foi o de um garanhão fenomenal.
O que houve foi que, pouco antes de apanhar a KGB na casa da Criatura em Sag Harbor, engoli 50 miligramas de Viagra com o estômago vazio. Em consequência, no momento em que estacionava em minha calçada naquela tarde, tive uma ereção que o DEA poderia ter usado para arrombar a porta de uma casa de viciados em crack.
Não que eu fosse impotente ou nada parecido (eu juro!), mas parecia uma atitude prudente. Afinal, consumir uma bomba azul, como o Viagra era carinhosamente conhecido (devido à sua cor arroxeada e a seu efeito bombástico), era o equivalente a fazer uma apólice de seguro bioquímica contra o mais temido de todos os complexos masculinos: a ansiedade de desempenho.