A caçada ao lobo de Wall Street [calibre 4.2.0]
- Автор: Белфорт Джордан
- Год: 2014
- Язык: португальский
- Год: Planeta
- ISBN: 9788542203134
- Жанр: Биографии и мемуары
Электронная книга - «A caçada ao lobo de Wall Street [calibre 4.2.0]». Краткое содержание книги:
Em A caçada ao Lobo de Wall Street, Jordan conta com sua fina ironia e acidez todos os detalhes de seu início de carreira, bem como tudo que aconteceu com ele depois que seu império desmoronou: perdeu a esposa, o dinheiro e quase perderia os filhos. Uma história contada sem pudores, por um homem cativante que precisou se reinventar a qualquer custo. **
Eu balancei a cabeça gravemente.
– Você vê como são as coisas, Gwynne? – apontei para as duas garotas com seios que desafiavam a gravidade. – Elas não deviam tirar a blusa enquanto meus filhos estão por perto. Não é certo, porra.
Gwynne assentiu com tristeza.
– Eu acho que elas tão bêba.
– Não estão bêbadas, Gwynne, estão doidonas, provavelmente com Ecstasy. Veja como se esfregam uma na outra. É o primeiro sinal.
Gwynne assentiu sem falar.
Continuei procurando em meu deque, espantado. Porra, quem eram todas aquelas pessoas? Eles estavam comendo minha comida, bebendo meu vinho, nadando na minha piscina e relaxando na jacuzzi de Carter e… Outra onda de pânico! Carter!
Corri para a sala de TV e lá encontrei ele, são e salvo. Ele estava deitado no sofá assistindo a um vídeo. Estava vestido como eu, com calção azul de náilon e sem camisa. Parecia bem contente, com a cabeça apoiada no colo de uma jovem. Era uma loira de não mais de 20 anos. E era linda. Estava com um biquíni azul-celeste do tamanho de uma linha de pipa. Seu decote era fantástico. Alguém tinha diminuído as luzes, provavelmente a garota, e ela estava fazendo carinho nas costas de Carter, enquanto ele assistia a um episódio dos Power Rangers.
– Carter James! – disse imediatamente. – Você viu sua irmã?
Ele me ignorou e continuou assistindo. A menina, no entanto, olhou para cima e me deu um sorriso de modelo, todo brilhante.
– Owwwww – disse ela, girando os dedos nos cachos do cabelo de Carter. – Ele é tããão lindo, seu filho! Eu poderia comê-lo vivo!
Eu sorri calorosamente para a jovem loira.
– Eu sei. Ele é muito bonito – concordei –, mas agora não consigo encontrar minha filha. Você não a viu por aí, por acaso, não é?
A loira balançou a cabeça nervosamente.
– Não, eu sinto muito. – Então de repente ela se animou. – Mas eu poderia ajudá-lo a procurar, se quiser!
Ela apertou os lábios como um peixinho dourado.
Olhei para ela por um momento, com pensamentos obscuros.
– Não, tudo bem – respondi. – Mas você poderia ficar de olho em meu filho, por favor? Detestaria perder os dois ao mesmo tempo.
Outro sorriso brilhante:
– Ah, eu adoraria fazer isso! Mas é melhor ele ter cuidado ou posso tentar roubar os cílios dele! – ela olhou para ele. – Certo, Carter? Você vai me deixar roubar seus cílios?
Ele a ignorou.
– Carter! – chamei. – Você viu sua irmã em algum lugar?
Ele me ignorou também.
A nova babá de Carter começou a esfregar seu rosto suavemente.
– Carrrrrrrter – ela quase cantou. – Você tem de responder a seu pai quando ele lhe fizer uma pergunta!
Sem desviar o olhar nem sequer um milímetro da tela da TV, Carter lamentou:
– Estou assistindooooooooooooooooo!
A babá de Carter olhou para mim e encolheu os ombros.
– Ele disse que está assistindo.
Eu balancei a cabeça incrédulo e caminhei de volta para a sala de estar. Olhei em volta, mas nada de rostos conhecidos, só aquelas modelos com sorrisos brilhantes. Achei aquilo totalmente deprimente. Era como o Império Romano antes da queda. Tudo iria desabar em breve, menos a mansão, que seriam as ruínas e…
Ah! Pouco antes da parede de vidro, uma das altas cortinas do teto ao piso tinha um volume suspeito perto do chão. Fiquei olhando para aquele caroço um momento, observando, com alívio, como ele se revelava na forma de uma menina de 6 anos de idade, travessa. Andei até lá, espiei atrás da cortina e lá estava ela: minha filha. Ela estava apoiada em ambos os joelhos, usando um biquíni branco, olhando para o deque. Segui sua linha de visão… Que ia direto para as garotas de topless!
– Chandler! O que você está fazendo aí?
Ela olhou para cima, seu rosto uma máscara de espanto e constrangimento. Os fabulosos olhos azuis que ela havia herdado da mãe eram grandes como pires. Ela abriu a boca por um momento, como se estivesse se preparando para dizer algo, mas então apertou os lábios e olhou de volta para as garotas de topless.
– O que você está fazendo aí, sua boba? Gwynne e eu estávamos procurando por você! – Eu me abaixei, peguei-a delicadamente e dei-lhe um beijo confortante no rosto.
– Perdi minha boneca – disse, inocentemente. – Achei que tinha caído ali atrás da cortina – e olhou para a cortina, procurando em sua cabecinha uma forma de apoiar sua mentira branca. – Mas ela não estava lá.
Balancei a cabeça, desconfiado.
– Você perdeu sua boneca, é?
Ela assentiu com a cabeça, tristemente.
– Qual delas?
A resposta foi surpreendentemente rápida:
– Uma Barbie. Uma de minhas favoritas.
– E você por acaso não ficou espiando enquanto estava por lá, ficou?
De início, ela não respondeu, mas lançou os olhos ao redor da sala, para ver se alguém estava ao alcance da voz. Em seguida, num tom de fofoqueira, ela disse:
– Aquelas garotas estão mostrando os peitos, papai! Olhe…
Ela levantou o braço para apontar para as garotas seminuas. Eu o empurrei de volta.
– Tudo bem, querida, mas é feio apontar.
Eu vasculhava em minha mente algo para dizer, quando ela perguntou:
– Por que elas mostram os peitos em público?
Eu estava chocado, horrorizado. Como aquelas meninas expunham minha filhinha de 6 anos de idade a algo assim (a culpa era delas, não minha). Devia haver certo decoro, não?
– Essas garotas são da França – respondi. – E na França as moças tiram a parte de cima da roupa quando vão à praia. – Em parte era verdade, pelo menos.
Maravilhada, ela comentou:
– Elas fazem isso?
Balancei a cabeça ansiosamente.
– Sim, querida, elas fazem. Esse é o costume delas.
Chandler olhou para as meninas de novo, pensativa, os lábios torcidos. Então ela olhou para mim e disse:
– Mas nós não estamos na França, papai, estamos nos Estados Unidos.
Fiquei impressionado. Minha filha era brilhante! Mesmo na tenra idade dos 6 anos, ela sabia identificar um comportamento inadequado! Com um pouco de sorte, pensei, ela não iria denunciá-lo à sua mãe.
– Bem, você está certa – disse –, estamos nos Estados Unidos, mas acho que talvez as francesas tenham se esquecido. – Eu a beijei no rosto novamente. – Vamos lá, vamos dar um passeio na praia juntos. No caminho, podemos falar com elas e lembrá-las de que não estão no país delas.
– Tudo bem – disse ela, alegremente. – Vou lembrá-las.
No deque, me antecipei a Chandler.
– Muito bem! – gritei para as duas meninas de peitos de fora, enquanto Chandler e eu passávamos depressa. – Vocês devem usar a parte de cima enquanto estiverem visitando nosso país! Façam isso em St. Tropez!
Elas sorriram e mostraram o polegar para cima, parecendo entender.
Chandler disse:
– Elas têm peitões como a mamãe!
– Verdade – eu disse, e isso porque elas vão ao mesmo médico –, mas acho que você deve apenas fingir que nunca viu.
Melhor discutir isso com seu terapeuta quando for a hora, quando for uma conturbada adolescente tentando dar sentido à loucura a que seu pai – que em breve estaria na cadeia – a expôs em seus últimos dias de liberdade.
Com esse pensamento, cheguei até minha inocente filha e disse:
– Venha, vou levá-la para a praia, sua gansa boba!
Ela pulou em meus braços e lá fomos nós, pai e filha, desfrutando nossos últimos dias juntos em Meadow Lane.
EMBORA FOSSE SUFOCANTE andar nas ruas de Manhattan, era perfeitamente confortável à beira do oceano. Era como se cada última gota de umidade tivesse sido sugada para fora da atmosfera, substituída por uma massa de ar tão agradável e inspiradora que se parecia com uma dádiva de Deus. Enquanto Chandler e eu caminhávamos ao longo da borda da água, de mãos dadas, a insanidade de minha vida parecia mantida em suspensão. De vez em quando um casal de meia-idade ou um corredor passava sorrindo, e eu sorria de volta.