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A caçada ao lobo de Wall Street [calibre 4.2.0]

Электронная книга - «A caçada ao lobo de Wall Street [calibre 4.2.0]». Краткое содержание книги:

Jordan Belfort fez uma fortuna no mercado de ações americano nos anos 1990 e viveu uma vida de luxo, drogas, sexo e pura loucura. O problema foi que, para enriquecer dessa maneira, ele não seguiu apenas o bom caminho, e o FBI não deixou barato... Acusado de fraude de valores mobiliários, manipulação de ações, lavagem de dinheiro e outros inúmeros crimes financeiros que nem ele saberia citar, Jordan se viu obrigado a cooperar com a Justiça americana, dedurando amigos e antigos colegas para tentar se livrar de uma pena que poderia chegar a 30 anos de prisão – e arruinar de vez sua vida.
Em A caçada ao Lobo de Wall Street, Jordan conta com sua fina ironia e acidez todos os detalhes de seu início de carreira, bem como tudo que aconteceu com ele depois que seu império desmoronou: perdeu a esposa, o dinheiro e quase perderia os filhos. Uma história contada sem pudores, por um homem cativante que precisou se reinventar a qualquer custo. **
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E eu fui um garanhão bioquímico, não apenas naquela tarde, mas naquela noite também. O que a Pfizer não anuncia na bula (e todo homem que já tomou um sabe) é que essa bomba azul permanece em seu sistema por um tempo. Assim, oito horas depois, sua ereção pode não ser mais como um aríete, mas ainda é firme o suficiente para pendurar algumas peças de roupa.

Em algum lugar por volta da 14a hora, as últimas moléculas da bomba azul tinham se metabolizado ao ponto da inutilidade, transformando-me novamente num homem mortal. Foi por essa razão que, precisamente 14 horas depois, eu tomei outra bomba azul, e 14 horas depois, mais outra.

A KGB, pensei, poderia lidar com isso. No entanto, na quarta-feira de tarde, ela começou a reclamar. Ela estava mancando em direção ao banheiro do quarto de casal, vestindo seu uniforme soviético, que consistia em uma fita vermelho-comunista no cabelo e nada mais, e murmurava:

Bleaha muha! Sua coisa não desce! Há algo errado aqui! É uma loucura! É uma loucura! – e bateu a porta do banheiro atrás de si, resmungando um pouco mais de palavrões russos.

Enquanto isso, eu estava deitado na cama, virado para cima, vestido com meu uniforme americano, que consistia de um monitoramento eletrônico emitido pelo governo federal e uma ereção induzida por Viagra que era mais rígida que aço, e estava bastante sorridente. Afinal, não é todo dia que um garoto judeu do Queens de 1,70 metro consegue enviar a primeira, última e única Miss União Soviética mancando para o banheiro, com a bunda em chamas! E, apesar de ser impossível negar que os meninos na Pfizer ajudaram, não era essa a questão.

A questão era que eu estava me apaixonando novamente.

De fato, no final da tarde, quando KGB me disse que teria de voltar para seu apartamento em Manhattan, senti meu coração afundar no peito. Quando ela me ligou algumas horas depois, dizendo que estava com saudades, meu coração disparou. E então, quando ela ligou de novo, duas horas depois disso, só para dizer “Olá”, eu imediatamente liguei para Monsoir e pedi que ele fosse buscá-la no apartamento dela para trazê-la de volta aos Hamptons.

Assim, chegou mais tarde, naquela noite, carregando uma grande mala, que de bom grado ajudei a desfazer. E foi assim que nós nos tornamos inseparáveis. Ao longo dos dias seguintes, nós fizemos tudo juntos: comemos, bebemos, dormimos, fomos às compras, jogamos tênis, fizemos exercícios, andamos de bicicleta, de patins, de jet-ski e até tomamos banho juntos!

E, é claro, em todas as oportunidades, fizemos amor.

Toda noite acendíamos uma fogueira na praia e fazíamos amor em uma manta de algodão branco, sob as estrelas. E, é claro, a cada estocada, eu dava uma espiada em direção às dunas, verificando se o temido Igor não estaria por perto, mas, segundo ela, era apenas seu cunhado que tinha vindo para os Estados Unidos para ficar de olho nela. Embora sua explicação me parecesse um pouco rasa, decidi não pressioná-la com essa questão.

Quando o final de semana chegou, o pessoal das festas não apareceu. A Criatura tinha cuidado disso, espalhando a notícia de que a casa 1.496 da Meadow Lane estava fechada para balanço. Na manhã seguinte, segunda-feira, eu deixei KGB em seu apartamento na cidade para apanhar mais pertences e desci para o número 26 da Federal Plaza para uma reunião com o Canalha e o TOC. Não surpreendentemente, eu estava de volta às boas graças do Canalha, então a reunião foi rápida.

O tema foi a picada que daríamos em Gaito em breve, e chegamos à rápida decisão de que eu iria marcar uma última reunião com o Chef antes de James Loo vir para a cidade. O objetivo era simples: fazer James Loo aceitar dinheiro vivo. Eu diria ao Chef que queria que James Loo visse que eu estava falando sério e queria saber se ele era sério também. Eu daria a Loo um depósito em dinheiro de pouco valor, como sinal de boa fé: 50 mil dólares, seria a sugestão, que ele poderia usar para as coisas andarem.

No começo eu estava cético em relação ao plano, pensando que o Chef poderia farejar um delator. Mas, pensando bem, eu sabia que ele não iria fazer isso. Por alguma razão inexplicável, algo tinha se desligado em sua mente, talvez devido à alegria irracional que ele tinha em ficar à margem da lei.

Ele era um homem complicado, um cidadão cumpridor da lei e que jamais sonharia em violá-la da forma como a considerava, ou seja, todas as leis que não tivessem a ver com negociação de títulos e circulação de dinheiro e sua posterior comunicação à Receita Federal. Se você fosse pedir ao Chef conselhos sobre como roubar um banco ou falsificar cheques, ele iria denunciá-lo às autoridades ou, mais provavelmente, apagaria seu número de telefone para sempre.

Aquilo, no entanto, era diferente. Nós estávamos falando sobre dinheiro que, em sua cabeça, havíamos roubado de forma justa e limpa, sem violência, sem armas colocadas na cabeça das pessoas, com vítimas que não tinham nome nem rosto e, o mais importante, ele achava que, se a gente não tivesse feito aquilo, outra pessoa teria feito a mesma coisa. Em consequência, era justificado que escondêssemos nosso dinheiro sujo daqueles que pretendiam encontrá-lo.

Portanto, em retrospecto, não foi de fato um grande choque para mim quando o Chef e eu nos encontramos dois dias mais tarde, em meu escritório, e ele achou que ter trazido “um sinal de boa fé” para nosso encontro era uma ideia fabulosa.

Ele passou a explicar seu esquema de lavagem de dinheiro nos mais ínfimos detalhes – chegando até mesmo a mencionar o nome dos parentes de James Loo que nos ajudariam na Ásia. Ele também deu o nome dos bancos e das empresas de fachada que usaríamos, terminando com o álibi impermeável que ele iria grudar em toda a operação, caso Coleman e seus rapazes ouvissem falar de alguma coisa.

Era um plano inspirado, que envolvia a compra de imóveis em meia dúzia de países do Extremo Oriente e a manutenção de um pessoal em tempo integral no exterior, para operar uma série de empresas legítimas – fabricantes de roupas no Vietnã e no Camboja e de eletrônicos na Tailândia e na Indonésia, onde o custo do trabalho era mais barato e a mão de obra era feliz.

Sim, o plano era brilhante, tudo bem, mas também era incrivelmente complicado. Na verdade, era tão complicado que me perguntei se um júri algum dia seria capaz de compreendê-lo. Então peguei um bloco de notas em cima da mesa de bronze e vidro, arranquei uma folha de papel, peguei uma caneta e comecei a desenhar um diagrama.

Com a voz baixa conspiratória, eu disse:

– Então deixe-me ver se entendi: vou dar a James Loo 50 mil dólares – e desenhei uma caixa com o nome de Loo e mais o valor de 50 mil dólares –, e ele então vai fazer com que uma de suas pessoas leve esse dinheiro para o exterior, para sua cunhada, Sheila Wong1, em Cingapura – fiz outra caixa do outro lado da folha, com o nome de Sheila, e desenhei uma longa linha conectando as duas caixas –, e depois Sheila vai usar esse dinheiro para abrir contas em Hong Kong e nas Channel Islands e Gurnsey… – e antes de eu terminar de falar sobre o papel de Sheila em nosso esquema, o Chef arrancou a caneta de minha mão e começou a desenhar um diagrama que se assemelhava bastante com os planos para um submarino nuclear. Enquanto ele narrava seu plano, com uma mistura de orgulho e satisfação, o gravador funcionava, registrando cada uma de suas palavras.

Quando o Chef terminou, ele disse:

– Isso é um verdadeiro Picasso, mas é melhor jogá-lo no lixo!

Amassei o bilhete em uma pequena bola e fiz exatamente isso.

– Melhor prevenir que remediar – eu disse, casualmente.

Nós trocamos um abraço no estilo mafioso e então confirmei nossos planos de encontrar James Loo na segunda-feira. Eu sugeri o Hotel Plaza Athénée, em Manhattan, onde, por pura coincidência, expliquei, eu iria ficar por alguns dias com minha nova namorada. Mas não era por acaso, é claro. Muito antes de Loo e o Chef chegarem lá, TOC e sua equipe de tecnologia teriam grampeado todo o quarto com som e imagem.

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