A caçada ao lobo de Wall Street [calibre 4.2.0]
- Автор: Белфорт Джордан
- Год: 2014
- Язык: португальский
- Год: Planeta
- ISBN: 9788542203134
- Жанр: Биографии и мемуары
Электронная книга - «A caçada ao lobo de Wall Street [calibre 4.2.0]». Краткое содержание книги:
Em A caçada ao Lobo de Wall Street, Jordan conta com sua fina ironia e acidez todos os detalhes de seu início de carreira, bem como tudo que aconteceu com ele depois que seu império desmoronou: perdeu a esposa, o dinheiro e quase perderia os filhos. Uma história contada sem pudores, por um homem cativante que precisou se reinventar a qualquer custo. **
TOC assentiu com a cabeça.
– É um ponto válido, e, claro, estou ciente disso. Ao longo do tempo, as pessoas tendem a ficar desleixadas. Então podemos esperar que ele baixe a guarda.
Neguei com a cabeça.
– Isso não vai acontecer com o Chef. O álibi que ele criou é, para ele, mais verdadeiro que a realidade. É por isso que nós temos de tomar um rumo diferente.
– E qual seria?
– Bem – disse, confiante –, acho que é hora de deixar o passado para trás e olhar para o futuro.
E, com isso, contei meu plano a TOC.
CAPÍTULO 20
TODOS OS HOMENS TRAEM
Desta vez era diferente.
O Nagra era meu escudo, o microfone era minha espada, e as palavras rolavam de minha boca com tanta facilidade e fluidez que eu poderia ter feito John Gotti confessar todos os detalhes de como ele e sua gangue queimaram Paul Castellano em frente ao Sparks Steak House.
Sim, pensei, ter a consciência limpa é uma coisa maravilhosa para um delator.
Um delator? Não, não. Eu não era nada disso. Afinal de contas, um delator entrega seus amigos, e eu não tinha nenhum. Eu tinha sido traído por todos: Dave Beall, Elliot Lavigne, minha mulher, pelo amor de Deus, e, se houvesse a chance, pelo Chef de Jersey também.
Então agora era a minha vez.
Era sexta-feira à tarde, um pouco depois das 2 horas, e o Chef e eu tínhamos acabado de chegar ao pequeno e bem equipado escritório que eu mantinha em Plainview, Long Island, a meio caminho entre Manhattan e os Hamptons. Plainview era uma cidade tão chata, mas tão chata, que em toda a história de Long Island nenhuma conversa tinha começado com: “Você não vai acreditar no que aconteceu em Plainview no outro dia…”.
Bem, isso estava prestes a mudar!
Eu estava determinado a empreender, antes que a tarde terminasse, a mais incriminadora conversa consensualmente registrada na história não só de Plainview, mas também de Manhattan, de Nova Jersey, da costa leste dos Estados Unidos e, quem sabe, de todo o mundo.
Mas, antes, a troca de gentilezas. Trocamos abraços e olás enquanto eu levava o Chef para uma pequena área com alguns móveis. Um sofá de couro vermelho escuro e duas poltronas do mesmo jogo se encontravam ao redor de uma mesa de vidro. Ao sentarmos no sofá, o Chef disse:
– Eu nem sabia que você ainda mantinha este lugar.
– Sim – disse, casualmente. – Ainda não tive coragem de me livrar dele. Eu sou sentimental, acho.
Sorri calorosamente para o Chef, que, como de costume, parecia frio como um pepino em seu terno cinza-claro e sua gravata vermelha xadrez. Eu estava vestido de maneira mais informal, com jeans e uma camisa polo branca, ambos fazendo um bom trabalho em esconder minha espada e meu escudo.
O Chef sorriu de volta.
– Bem, é um lugar agradável. Eu sempre gostei daqui.
Assisti com um distanciamento gelado enquanto o Chef passava os olhos em volta. No passado, eu sempre tinha achado tranquilizadora a presença do Chef, pela forma orgulhosa como ele carregava sua calvície, sua mandíbula quadrada, o nariz aquilino, aquele sorriso contagiante… Mas eu tinha achado a Duquesa deliciosa, também, não tinha? E onde ela estava agora? Onde estava Dave Beall agora? Onde estava aquele patife do Elliot Lavigne agora? Todos os homens traem, eu lembrei, e todas as mulheres também. Então, por que me sentir culpado? Não há razão para isso, nenhuma razão mesmo.
– É – disse, sorrindo. – E aí, quais são as novas? Como estão sua esposa, seus filhos, seu golfe…
Passamos os minutos seguintes em conversas amenas e sem muito sentido. Mas, na verdade, até que elas não eram tão sem sentido assim, porque sutilmente eu estava acentuando duas coisas importantes: a primeira é que eu estava de bom humor e me sentindo melhor a cada dia, e a segunda, que uma vez que meus problemas legais estivessem resolvidos, eu esperava um futuro brilhante, que incluía o Chef como meu amigo, confidente e conselheiro. Meu comportamento indicava que eu estava calmo e confiante, um homem que lida com seus problemas com força e honra.
Depois de alguns minutos, casualmente dirigi a conversa para a situação do meu processo judicial.
– É óbvio que minha melhor opção é fazer um acordo, porque, se eu for a julgamento e perder, vou tomar um tombo tão grande que será até ridículo! – dei de ombros. – Cada processo de lavagem de dinheiro conta dez anos, e eu estou enfrentando cinco deles. Mas, por outro lado, se eu fizer esse acordo, será apenas para as fraudes com títulos, o que dá muito menos tempo.
O Chef assentiu.
– Quanto tempo você teria que cumprir?
Eu dei de ombros.
– Seis anos, de acordo com Greg, mas isso é sem as deduções; após bom comportamento, o programa de reabilitação e seis meses em uma casa de recuperação, devo encarar uns três anos, o que, acredite, posso cumprir com um pé nas costas.
– Que bom isso – disse o Chef. – Quem bom mesmo. E o que dizer do Danny?
– O mesmo que eu, tenho certeza. Nossos advogados ainda estão trabalhando juntos, em uma defesa conjunta, mas é apenas por razões cosméticas. Se o escritório da Procuradoria achar que devemos ir a julgamento, vai ficar mais fácil fazer um acordo quando chegar a hora.
– Verdade – disse o Chef. – Essa sempre foi minha filosofia: você luta com unhas e dentes e, depois, badabum!, costura um acordo nas escadarias do tribunal. – Ele fez uma breve pausa e começou assentindo a cabeça de novo. – Bem, isso é bom, muito bom. E qual é a multa que você acha que terá que pagar?
– Eu não tenho certeza – respondi, parecendo despreocupado. Então, parei de falar, olhei ao redor da sala com um ar suspeito e baixei a voz para um sussurro (nenhum problema para o Nagra, é claro), acrescentando: – Eu, pessoalmente, não estou nem aí para isso. Tenho tanto dinheiro socado lá fora que estou tranquilo para sempre. E tenho ele escondido aqui e lá… – balancei a cabeça em direção à porta – … em ambos os lados do Atlântico.
O Chef balançou a cabeça, compreensivo.
– Bom – sussurrou, embora seu tom não fosse tão silencioso quanto o meu. – É sua rede de segurança.
Assenti com a cabeça e sussurrei:
– Você sempre me falou isso, Dennis. Se eu tivesse usado seu pessoal desde o início, talvez não precisasse lidar com toda essa merda agora.
O Chef franziu os lábios e assentiu.
– Isso é verdade – disse ele. – Mas não vale a pena chorar sobre o leite derramado.
– Sim, sim, eu sei disso. Um homem deve aprender com os erros, certo? – pisquei. – Bem, este homem aqui tem aprendido da maneira mais difícil. O único problema é que… – baixei a voz de novo – ainda tenho uma tonelada de dinheiro no exterior. Mais de 10 milhões, e não estou muito confortável com quem está perto dele. Essa grana está a apenas dois passos do Saurel, e ele é o safado que delatou!
O Chef jogou as mãos no ar.
– Entãããão, vamos tirar de lá! Qual é o problema?
– Er… Não há problema – disse, e pensei: Caramba, o Chef tinha acabado de se enterrar mesmo na fita! – É que você é o único em quem confio. Quer dizer, meus dias de imprudência se acabaram, sério!
– É bom mesmo – disse ele, erguendo as sobrancelhas. – Em que país está o dinheiro?
– Na verdade, em dois países: Suíça e Liechtenstein – respondi, e minha mente começou a rodar em duas pistas descontroladamente. Na pista 1, as palavras vinham automaticamente, como se gravadas. – Está distribuído por sete contas diferentes, cinco na Suíça e duas em Liechtenstein – e, enquanto continuava falando, a pista 2 começou a organizar todos os tópicos que eu precisava discutir para ter certeza de que minha fita garantiria uma acusação de lavagem de dinheiro contra o Chef: ele tinha de saber que meu dinheiro era produto de atividade ilegal; ele tinha de saber que eu não tinha intenção de relatar a transação para o governo; a quantidade deveria ser superior a 1 milhão de dólares (para receber a pena máxima) e, numa peculiaridade do caso, eu tinha de descobrir uma maneira de amarrar minha lavagem de dinheiro às atividades do Demônio de Olhos Azuis. – … o que não é um problema – estava dizendo a pista 1 ao Chef. – É o dinheiro dos novos lançamentos que Lavigne mandou para mim, a maior parte vindo de Hong Kong. Então, sei que não há como rastrear.