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O jardim de Rama

Электронная книга - «O jardim de Rama». Краткое содержание книги:

Nesta sequência de O Enigma de Rama, é mostrada a vida dos astronautas que foram deixados a bordo da espaçonave extraterrestre Rama. Em sua interação com esse estranho habitat vão descobrir que existem outros tripulantes que os acompanham na viagem para fora do Sistema Solar.
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Depois daquele fenômeno ocorrer várias vezes, o dr. Turner perguntou a Nicole se o notara alguma coisa inusitada a respeito do rosto de Amadou. “Nada além de seu sorriso”, respondeu ela. “Eu jamais vira alguém sorrir sob anestesia.”

Quando a operação terminou e a Tiasso comunicou que todos os sinais vitais do paciente estavam excelentes, o dr. Turner, Nicole e Ellie ficaram exultantes, apesar da exaustão. O médico convidou as duas mulheres para se juntarem a ele em seu consultório para uma comemoração final com uma xícara de café. Naquele momento, ele ainda não sabia que ia pedir Ellie em casamento.

Ellie ficou atônita e só olhando para o médico. Ele olhou para Nicole, depois tornou a fixar o olhar em Ellie. “Eu sei que é repentino”, disse o dr.

Turner. “Porém, não há dúvidas em minha mente. Eu já vi o bastante. Eu a amo.

Quero casar-me com você. E quanto mais depressa melhor.” A sala ficou em silêncio total por quase um minuto. O médico caminhou até a porta de seu consultório e trancou-a. Depois desligou o telefone. Ellie começou a falar, mas ele interrompeu apaixonadamente: “Não. Há uma coisa que tenho de fazer, primeiro.”

Sentando-se em sua cadeira, ele respirou fundo. “Algo que eu já devia ter feito há muito tempo”, disse ele, falando baixo. “Além do que, vocês merecem saber da verdade a meu respeito.”

Lágrimas começaram a rolar dos olhos do dr. Turner até mesmo antes de ele começar a contar sua história. Sua voz fraquejou assim que começou a falar, mas depois ele se controlou e iniciou sua narrativa.

“Eu tinha 33 anos e estava cego de felicidade. Já era um dos principais cirurgiões cardíacos da América e tinha uma mulher bonita e amorosa, e duas filhas, de dois e três anos. Vivíamos em uma mansão com uma piscina dentro de um comunidade de um clube de campo a cerca de quarenta quilômetros de Dallas, Texas.

“Uma noite, quando cheguei em casa do hospital — já era muito tarde, porque eu tinha supervisionado uma operação excepcionalmente delicada de coração aberto — fui parado no portão de nossa comunidade pelos guardas da segurança. Agiram de modo muito estranho, como se não soubessem o que fazer, mas depois de um telefonema e uns olhares esquisitos na minha direção, deixaram-me passar.

“Dois carros da polícia e uma ambulância estavam estacionados em frente à minha casa. Três caminhões de reportagem de televisão estavam espalhados pelo beco sem saída logo adiante de onde eu morava. Quando comecei a dobrar para entrar para a minha entrada, um policial me parou. Com flashes pipocando por todo lado e refletores de televisão me cegando, o policial me levou para dentro de casa.

“Minha mulher jazia debaixo de um lençol, no hall de entrada, ao lado da escada que levava ao andar de cima. Sua garganta fora cortada. Ouvi gente conversando lá em cima e corri para ver minhas filhas. As duas ainda estavam caídas onde haviam sido mortas — Christie no chão do banheiro, Amanda na caminha dela. O filho da mãe também cortara suas gargantas.”

Grandes soluços de desolação sacudiam o dr. Turner. “Jamais me esquecerei daquela terrível visão. Amanda deve ter sido morta enquanto dormia, pois não havia qualquer marca nela a não ser o talho… Que espécie de ser humano poderia matar criaturinhas tão inocentes?”

As lágrimas do dr. Turner caíam em cascatas por suas faces. Seu peito arfava sem controle. Durante alguns momentos, não pôde falar. Ellie, suavemente, foi até a cadeira dele, sentou-se no chão e segurou-lhe a mão.

“Durante os cinco meses que se seguiram fiquei absolutamente entorpecido. Não conseguia trabalhar, nem comer. Várias pessoas tentaram ajudar-me — amigos, psiquiatras, outros médicos — porém eu não conseguia funcionar. Eu simplesmente não podia aceitar que minha mulher e minhas filhas tivessem sido assassinadas.

“A polícia já tinha um suspeito em menos de uma semana. Seu nome era Carl Tyson. Era um jovem preto, de 23 anos, que entregava compras para um supermercado lá perto. Minha mulher sempre usava a televisão para as compras. Carl Tyson tinha vindo à nossa casa várias vezes antes — eu me lembro até de vê-lo uma ou duas delas — e sem dúvida conhecia o interior da casa.

“Apesar de meu atordoamento durante todo aquele período, tive consciência do que vinha acontecendo na investigação do assassinato de Linda. A princípio, tudo parecia muito simples. Impressões digitais recentes de Carl Tyson foram encontradas na casa inteira. Ele estivera no condomínio fazendo entregas naquela mesma tarde. A maior parte das jóias de Linda desaparecera, de modo que o roubo era o motivo óbvio. Supus que o suspeito seria sumariamente condenado e executado.

“Mas o caso foi ficando muito complexo. Nenhuma das jóias de Linda foi jamais encontrada. Os seguranças haviam lançado o horário de entrada e saída de Carl Tyson no livro de ocorrências, e ele só estivera no condomínio por vinte e dois minutos, o que não era tempo suficiente para entregar as compras e executar o roubo, além de cometer os assassinatos. Além do que, depois que um advogado famoso resolveu defender Tyson e o ajudou a preparar seus depoimentos sob juramento, Tyson insistiu em que Linda lhe pedira para mudar alguns móveis de lugar naquela tarde, o que seria a explicação perfeita para a presença de suas impressões digitais pela casa afora…”

O dr. Turner fez uma pausa, pensando, com a dor estampada em seu semblante. Ellie apertou-lhe ligeiramente a mão e ele continuou.

“Quando chegou o momento do julgamento, a promotoria argumentou que Tyson trouxera compras para nossa casa naquela tarde e descobrira, ao conversar com Linda, que eu estaria operando até muito mais tarde naquela noite. Já que minha mulher era uma pessoa simpática e confiante, não seria implausível que conversasse um pouco com o rapaz das entregas e até mesmo mencionado que eu só chegaria mais tarde… Seja como for, o promotor argumentou que Tyson voltara depois do trabalho no supermercado, subira o muro de pedra construído pelo clube de campo para o condomínio, e atravessara o campo de golfe. Ele então teria entrado na casa no intuito de roubar as jóias de Linda e esperado que toda a família estivesse dormindo. Aparentemente, minha mulher o teria enfrentado e Tyson, entrando em pânico, matara primeiro Linda e depois as crianças, para ter a certeza de que não haveria testemunhas.

“A despeito do fato de ninguém ter visto Tyson voltar para nossa vizinhança, julguei o caso apresentado pela promotoria como extremamente persuasivo, acreditando que o homem seria facilmente condenado. Afinal, ele não tinha qualquer álibi para o período de tempo durante o qual ocorreram os assassinatos. A lama encontrada nos sapatos de Tyson era exatamente igual à do riacho que ele teria de atravessar para chegar aos fundos da casa. Ele não aparecera para trabalhar nos dois dias que se seguiram aos crimes. E mais, quando foi preso Tyson estava carregando uma grande quantia em dinheiro que ele disse ter “ganho em um joguinho de pôquer”.

“Durante o período da defesa, no julgamento, comecei a nutrir sérias dúvidas quanto ao sistema judiciário americano. O advogado dele transformou o caso em uma questão racial, retratando Carl Tyson como um pobre e infeliz rapaz preto que estava sendo embrulhado por provas circunstanciais. Seu advogado argumentou enfaticamente que tudo o que Tyson havia feito naquele dia de outubro fora entregar compras na minha casa. Uma outra pessoa, disse o advogado, algum maníaco desconhecido, subira o muro de Greenbriar, roubara as jóias e depois assassinara Linda e as crianças. “Nos últimos dois dias do julgamento fiquei convencido, mais pela observação da linguagem corporal dos jurados do que por qualquer outra coisa, de que Tyson seria absolvido. Fiquei enlouquecido de indignação moral. Não havia a menor dúvida em minha mente de que o rapaz cometera os crimes. Pensar que ele saísse livre dali era intolerável.

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