O jardim de Rama
- Автор: Ли Джентри, Кларк Артур Чарльз
- Серия: Рама #3
- Год: 1991
- Язык: португальский
- Год: Nova Fronteira
- ISBN: 85-209-0584-6
- Переводчик: Barbara Heliodora
- Жанр: Научная фантастика
Электронная книга - «O jardim de Rama». Краткое содержание книги:
Nicole hesitou um momento. “Não posso dizer-lhe uma coisa dessas, sra.
Kim”, disse soturnamente Nicole, alternando seu olhar entre o queimado e sua mulher. “O que posso dizer-lhe é que ele provavelmente morrerá em algum momento nas próximas 24 horas e que sofrerá incessantemente até morrer. Se por algum milagre médico ele sobreviver, ficará gravemente deformado e debilitado para o resto de sua vida.”
“Eu quero morrer agora”, repetiu com esforço o sr. Kim.
Nicole mandou a Tiasso buscar os documentos para a eutanásia. Os papéis exigiam assinatura do médico assistente, do cônjuge, e do próprio indivíduo se, na opinião do médico, estivesse com capacidade para tomar suas próprias decisões. Enquanto a Tiasso se ausentou, Nicole fez um gesto para que Ellie fosse encontrar com ela no lado de fora do quarto.
“O que é que você está fazendo aqui?”, perguntou Nicole em voz baixa, quando já não podiam ser ouvidas. “Eu disse a você para ficar em casa descansando. Você teve uma concussão muito séria.”
“Eu estou bem, mamãe”, disse Ellie. “Além do que, quando soube que o sr.
Kim estava muito queimado, quis fazer alguma coisa para ajudar. Ele foi tão bom amigo, nos primeiros tempos.”
“Ele está em péssimo estado”, disse Nicole, sacudindo a cabeça. “Não consigo acreditar que ainda esteja vivo.”
Ellie esticou o braço para tocar no braço da mãe. “Ele quer que sua morte tenha utilidade”, disse ela. “A sra. Kim conversou comigo… Já mandei chamar Amadou, mas preciso que você fale com o dr. Turner.”
Nicole ficou olhando para ela. “Mas, afinal, do que é que você está falando?”
“Você não se lembra de Amadou Diaba…? O amigo de Eponine, o farmacêutico nigeriano com a mãe Senoufo. É aquele que pegou RV-41 em uma transfusão… Seja como for, Eponine me disse que o coração dele está se deteriorando muito rapidamente.”
Nicole ficou em silêncio por vários segundos, incapaz de acreditar no que estava ouvindo. Finalmente disse: “Você quer que eu peça ao dr. Turner para realizar um transplante cardíaco manual agora, no meio de toda essa crise?”
“Se ele resolver agora, poderia operar esta noite, mais tarde, não poderia?
O coração do sr. Kim pode ser mantido saudável pelo menos por esse período de tempo.”
“Olhe, Ellie, nós nem sequer sabemos…”
“Eu já verifiquei”, interrompeu Ellie. “Uma das Tiasso já verificou que o sr.
Kim seria um doador aceitável.”
Nicole tornou a sacudir a cabeça. “Está bem, está bem”, disse ela. “Vou pensar no assunto. Mas nesse meio tempo, quero que deite e descanse.
Concussão não é uma coisinha à toa.”
“Está me pedindo que eu faça o quê?”, disse um incrédulo Dr. Turner a Nicole.
“Bem, dr.. Turner”, disse Amadou com seu sotaque britânico muito correto, “não é a dra. Wakefield quem realmente faz tal pedido. Sou eu. Eu lhe imploro que execute tal operação. E por favor não leve em consideração o ser ela arriscada. O senhor mesmo já me informou de que não tenho mais de três meses de vida. Sei muito bem que posso morrer na mesa de operação. Mas se sobreviver, segundo as estatísticas que me mostrou, tenho cinqüenta por cento de chances de viver por mais oito anos. Eu poderia até mesmo me casar e ter um filho”.
O dr. Turner virou-se e olhou para o relógio na parede de seu consultório.
“Esqueça por um momento, sr. Diaba, que já é mais de meia-noite e que passei nove horas consecutivas trabalhando em vítimas de queimaduras. Pense no que está me pedindo. Há cinco anos que não faço um transplante. E nunca fiz um sem o apoio da melhor equipe cardiológica e o melhor equipamento da Terra.
Todo o trabalho cirúrgico, por exemplo, sempre foi executado por robôs.”
“Compreendo tudo isso, dr. Turner. Porém, não é realmente relevante.
Sem a operação, eu morro com certeza. É quase certo que não apareça um outro doador dentro de um futuro próximo. Além do que, Ellie me disse que o senhor tem andado revendo todos os procedimentos de transplante cardíaco como parte de seu trabalho de elaboração dos pedidos orçamentários para novos equipamentos…”
O dr. Turner lançou um olhar enigmático a Ellie. “Minha mãe me contou o quanto seus estudos preliminares foram detalhados, dr. Turner. Espero que não fique aborrecido por eu ter dito alguma coisa a Amadou.”
“Eu terei prazer em ajudá-lo em tudo o que for possível”, acrescentou Nicole. “Embora eu jamais tenha feito qualquer cirurgia cardíaca pessoalmente, fiz uma residência completa em um instituto de cardiologia.”
O dr. Turner olhou em volta da sala, primeiro para Ellie, depois para Amadou e Nicole. “Bem, acho que fica resolvido, então. Parece que ninguém me deu muita escolha.”
“Vai operar?”, exclamou Ellie, transbordando de entusiasmo juvenil.
“Vou tentar”, respondeu o médico. Ele foi até Amadou Diaba e estendeulhe ambas as mãos. “Você sabe, não sabe, que há muito poucas probabilidades de você despertar?”
“Sei, sim, dr. Turner. Porém, pouquíssimas probabilidades são sempre melhor do que nenhuma… Eu fico muito agradecido.”
O dr. Turner voltou-se para Nicole. “Nós nos encontraremos na minha sala para uma revisão de procedimentos dentro de quinze minutos… E por falar nisso, dra. Wakefield, por favor peça a uma Tiasso que nos traga um bule de café fresco.”
A preparação para o transplante reviveu lembranças que o dr. Turner enterrara no mais profundo de sua mente. Uma ou duas vezes, ele chegou mesmo a imaginar durante vários segundos que estava de volta ao Centro Médico de Dallas. Lembrou-se principalmente do quanto fora feliz naqueles dias distantes em um outro mundo. Ele amava seu trabalho; tinha amado sua família. Sua vida tinha sido quase perfeita.
Os doutores Turner e Wakefield escreveram cuidadosamente a seqüência exata dos acontecimentos que seguiriam antes de iniciar o procedimento. Depois, durante a operação em si, eles pararam para verificar um com o outro quando cada etapa principal era completada. Nada de inesperado ocorreu em qualquer momento durante o procedimento. Quando o dr. Turner retirou o antigo coração de Amadou, ele o virou para que Nicole e Ellie (que insistira em ficar para o caso de haver alguma coisa na qual pudesse ajudar) pudessem ver até que ponto os músculos já estavam atrofiados. O coração do homem estava um desastre. Era provável que morresse em menos de um mês.
Uma bomba automática manteve o sangue do paciente circulando enquanto o novo coração era “engatado” em todas as principais artérias e veias. Era a parte mais difícil e perigosa da operação. Em toda a experiência do dr. Turner, aquele segmento jamais fora executado por mãos humanas.
A habilidade cirúrgica do dr. Turner fora refinadíssima pelas muitas operações manuais que realizara em seus três anos no Novo Éden. Até ele mesmo ficou surpreendido com a facilidade com que ligou o novo coração aos vasos sangüíneos críticos de Amadou.
Já mais para o fim de todo o processo, quando todas as fases perigosas já haviam sido completadas, Nicole ofereceu-se para executar as tarefas que ainda faltavam, mas o dr. Turner sacudiu a cabeça. Apesar de já ser quase manhã na colônia, estava resolvido a concluir ele mesmo toda a operação.
Seria a fadiga extrema que fazia com que os olhos do dr. Turner lhe pregassem peças durante os últimos minutos da operação? Ou teria sido talvez a onda de adrenalina que acompanhou sua compreensão de que o procedimento iria ser bem-sucedido? Fosse qual fosse a razão, durante os estágios finais da operação, Robert Turner observou periodicamente transformações notáveis no rosto de Amadou Diaba. Várias vezes o rosto de seu paciente alterou-se lentamente ante seus olhos, com as feições de Amadou transformando-se nas de Carl Tyson, o jovem preto que o dr. Turner assassinara no Texas. Uma vez, ao terminar um ponto, o dr. Turner levantou os olhos para Amadou e ficou assustado com o sorriso abusado de Carl Tyson. O médico piscou, tornou a olhar, mas na mesa de operação só quem estava era Amadou Diaba.