O jardim de Rama
- Автор: Ли Джентри, Кларк Артур Чарльз
- Серия: Рама #3
- Год: 1991
- Язык: португальский
- Год: Nova Fronteira
- ISBN: 85-209-0584-6
- Переводчик: Barbara Heliodora
- Жанр: Научная фантастика
Электронная книга - «O jardim de Rama». Краткое содержание книги:
“Como venho dizendo há semanas”, salientou Ian MacMillan ao repórter da televisão, “temos de expandir de forma dramática os preparativos de defesa. Já começamos finalmente a elevar o patamar das armas disponíveis para nossas forças, mas temos de agir com mais ousadia nesse terreno.”
Uma entrevista com o diretor do serviço meteorológico concluiu as notícias matinais. A mulher explicou que o tempo excepcionalmente seco e ventoso que vinham tendo recentemente era causado por um “erro de modelo” em suas simulações de computador. “Durante toda a semana temos tentado em vão produzir chuva. Agora, é claro, já que estamos no fim de semana, programamos muito sol… Mas prometemos chuva para a semana que vem.”
“Eles não têm a menor idéia do que estão fazendo”, resmungou Richard, desligando a televisão. “Estão supersaturando o sistema de comandos e gerando o caos.”
“O que é o ‘caos’, tio Richard?”, perguntou Benjy.
Richard hesitou por um instante. “Acho que a definição mais fácil é a ausência da ordem. Porém, na matemática a palavra tem um sentido mais preciso. Ela é usada para descrever respostas desmedidas a pequenas perturbações”, riu Richard. “Desculpe, Benjy. Às vezes, eu gosto de falar na língua do pê científica.”
Benjy sorriu. “Eu gosto quando você fala comigo como se eu fosse normal”, disse ele. “E às ve-zes eu com-pre-en-do um pou-qui-nho.”
Nicole pareceu preocupada enquanto Linc tirava a mesa do café. Quando Benjy saiu da sala para escovar os dentes, ela se inclinou na direção do marido.
“Você falou com Katie?”, perguntou. “Ela não atendeu ao telefone, nem ontem de tarde e nem ontem à noite.”
Richard sacudiu a cabeça.
“Benjy vai ficar arrasado se ela não aparecer para a festa dele… Vou mandar Patrick procurá-la, agora de manhã.”
Richard levantou-se de sua cadeira e deu a volta à mesa. Curvando-se, ele pegou a mão de Nicole. “E você, sra. Wakefield, programou algum descanso e relaxamento em algum ponto de seu sobrecarregado programa? Lembre-se de que estamos no fim de semana.”
“Vou ao hospital hoje de manhã ajudar a treinar as duas paramédicas novas. Depois, Ellie eu pretendemos sair daqui às dez horas, com Benjy. Na volta, eu paro um instante no tribunal — ainda não li os dossiês dos casos programados para segunda-feira. Tenho uma reunião rápida com Kenji às duas e dou minha aula de patologia às três… Às quatro e meia devo estar em casa.”
“O que lhe dará estritamente o tempo necessário para preparar a festa de Benjy. Fora de brincadeira, querida, você precisa diminuir um pouco essa batida.
Afinal, você não é uma bioma.” Nicole beijou o marido. “Olhe só quem fala. Você não é quem trabalha vinte ou trinta horas sem parar quando se envolve com algum projeto excitante?”
Ela fez uma pequena pausa e ficou séria. “Tudo isso é tão importante, querido…
Sinto que estamos em um momento crucial para a colônia, e que o que faço realmente faz diferença, no caso.”
“Não há dúvida, Nicole. Você está tendo uma grande importância. Mas precisa também de algum tempo para você mesma.”
“Isso é artigo de luxo”, disse Nicole abrindo a porta do quarto de Patrick, “a ser saboreado em minha velhice”.
Quando eles saíram do meio das árvores para o grande prado, coelhos e esquilos saíram correndo de seu caminho. No outro lado do prado, tranqüilamente comendo no meio de uma área de flores púrpuras, estava um filhote de alce. Ele virou sua cabeça de galhada nova na direção de Nicole, Ellie e Benjy, quando estes se aproximaram, e correu aos saltos para a floresta.
Nicole consultou seu mapa. “Deve haver umas mesas para piquenique em algum ponto por aqui, bem ao lado do prado.”
Benjy ajoelhou-se junto a um grupo de flores amarelas onde havia muitas abelhas “M-mel”, disse ele, sorrindo. “As a-be-lhas fazem mel em suas col-méias.”
Ao fim de alguns minutos eles conseguiram localizar as mesas e estenderam a toalha sobre uma delas. Linc havia preparado sanduíches — os preferidos de Benjy eram de manteiga de amendoim com geléia — e laranjas e grapefruits frescos dos pomares perto de San Miguel. Enquanto almoçavam, uma outra família passou pelo outro lado do prado e Benjy acenou para eles.
“A-que-las pes-soas não sabem que é meu a-ni-ver-sá-rio”, disse ele.
“Mas nós sabemos”, disse Ellie, erguendo seu copo de limonada para fazer um brinde. “Parabéns, meu irmão!”
Logo antes de eles terminarem sua refeição, uma pequena nuvem passou sobre suas cabeças e as brilhantes cores do prado escureceram por alguns momentos. “É uma nuvem, excepcionalmente escura”, comentou Nicole para Ellie; mas logo depois a relva e as flores ficaram novamente banhadas pelo sol.
“Quer sobremesa agora?”, perguntou Nicole a Benjy. “Ou prefere esperar um pouco?”
“Primeiro, vamos brincar.” Ele pegou seu equipamento de beisebol que estava na sacola do piquenique e entregou a luva a Ellie. “Vamos”, disse ele, correndo para o prado.
Enquanto seus dois filhos jogavam bola, Nicole guardou os restos da refeição. Estava a ponto de juntar-se a Ellie e Benjy quando ouviu o alarme de seu rádio de pulso. Apertou o botão do receptor, e em lugar de visor digital de hora apareceu uma imagem de televisão. Nicole aumentou o volume para ouvir o que Kenji Watanabe tinha a dizer-lhe.
“Sinto muito incomodá-la, Nicole”, disse Kenji, “mas temos uma emergência. Foi registrado um caso de estupro, e a família deseja um indiciamento imediato. É um caso delicado, em sua jurisdição, e creio que tem de ser atendido agora… Não desejo dizer mais nada agora”.
“Estarei aí em meia hora”, respondeu Nicole.
A princípio, Benjy ficou acabrunhado porque seu piquenique teria de ser encerrado. No entanto, Ellie persuadiu a mãe de que não haveria problema se ela ficasse com Benjy na floresta mais uma hora ou duas. Ao deixar o prado, Nicole entregou o mapa da Floresta de Sherwood a Ellie, e justo naquele momento uma nuvem bem maior apareceu cobrindo o sol artificial do Novo Éden.
Não havia qualquer sinal de vida no apartamento de Katie. Patrick ficou temporariamente sem ação. Onde procurá-la? Nenhum de seus colegas de faculdade morava em Vegas, de modo que ele realmente não sabia sequer por onde começar.
Resolveu telefonar a Max Puckett de um telefone público. Max deu a Patrick o nome e telefone de três indivíduos conhecidos dele que moravam em Vegas “Nenhuma dessas pessoas é do tipo que você convidaria para a sua casa, se é que me compreende”, disse Max, rindo? “mas têm bom coração e provavelmente encontrarão sua irmã”.
O único nome que Patrick reconheceu foi o de Samantha Porter, cujo apartamento ficava a umas poucas centenas de metros do telefone. Muito embora já estivesse no início da tarde, ela ainda estava de robe quando finalmente atendeu à porta. “Pensei que era você, quando olhei pelo monitor”, disse ela com um sorriso sexy. “Você é Patrick O’Toole, não é?”
Patrick acenou que sim e ficou arrastando os pés, desconfortável, durante um longo silêncio. “Srta. Porter”, disse ele finalmente, “estou com um problema…”
“Você é jovem demais para ter problemas”, interrompeu Samantha, rindo bastante. “Por que você não entra e nós discutimos o assunto?”
Patrick enrubesceu. “Não, senhora”, disse ele, “não é esse tipo de problema… É só que eu não consigo encontrar minha irmã Katie e pensei que talvez pudesse me ajudar”.
Samantha, que já estava se virando para conduzir o rapaz para dentro do apartamento, parou e voltou-se para encará-lo. “É por isso que veio me procurar?” disse ela. Sacudindo a cabeça, ela tornou a rir. “Mas que desapontamento! Pensei que tinha vindo para umas brincadeirinhas. E depois eu ia poder contar para todo mundo se, afinal, você é ou não um extraterrestre!”