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O jardim de Rama

Электронная книга - «O jardim de Rama». Краткое содержание книги:

Nesta sequência de O Enigma de Rama, é mostrada a vida dos astronautas que foram deixados a bordo da espaçonave extraterrestre Rama. Em sua interação com esse estranho habitat vão descobrir que existem outros tripulantes que os acompanham na viagem para fora do Sistema Solar.
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“E isso é muito longe?”, perguntou Benjy.

“Se andarmos depressa”, gritou Ellie para ser ouvida apesar do vento, “então podemos chegar lá em apenas dez minutos”. Pegando a mão de Benjy, ela o foi puxando a seu lado pelo caminho.

Um momento mais tarde, um raio rachou uma árvore atrás deles e um grande galho caiu atravessado no caminho. O galho bateu nas costas de Benjy, derrubando-o. A maior parte de seu corpo caiu na trilha, mas a cabeça aterrissou nas plantas e na hera verde que ficavam na base das árvores da floresta. O barulho do trovão quase o ensurdeceu.

Ele ficou no chão da floresta por vários segundos, tentando compreender o que lhe acontecera, mas finalmente levantou-se. “Ellie”, disse ele à forma prostrada de sua irmã, do outro lado da trilha, com os olhos fechados.

“Ellie!” gritou Benjy, meio andando, meio se arrastando para o lado em que ela estava. Ele a agarrou pelos ombros e sacudiu-a levemente. Os olhos dela não se abriram, mas o inchaço em sua testa, para cima e para o lado de seu olho direito já estava do tamanho de uma laranja.

“O que é que eu vou fazer?”, disse Benjy em voz alta. Ele sentiu cheiro de fogo e olhou imediatamente para as copas das árvores. Viu as chamas saltando de um ramo para outro, batidas pelo vento. Veio um outro relâmpago, mais trovões. Na frente dele, mais adiante, na direção em que estavam indo, Benjy viu que um grande incêndio estava se espalhando por ambos os lados do caminho, e ficou olhando em pânico.

Ele segurou a irmã em seus braços e deu-lhe uns tapinhas no rosto.

“Ellie”, disse ele, “por favor acorde”. Ela não se mexeu e o fogo se espalhava rapidamente em torno deles. Em breve aquela área da floresta estaria transformada em um inferno.

Benjy estava aterrorizado. Ele tentou levantar Ellie, mas tropeçou e caiu.

“Não, não, não”, gritou ele, ficando novamente de pé e curvando-se para erguer Ellie para seus ombros. A fumaça estava ficando grossa. Benjy começou a moverse lentamente, descendo pelo caminho, com Ellie nas costas.

Estava exausto quando atingiu o prado. Com delicadeza, deixou Ellie em uma das mesas de pedra e sentou-se em um banco. O fogo estava ficando fora de controle no lado norte do prado. E agora o que é que eu faço? pensou. Seus olhos caíram no mapa no bolso da camisa de Ellie. Isso pode me ajudar. Ele agarrou o mapa e olhou-o. A princípio não conseguiu compreender nada e começou a entrar novamente em pânico.

Calma, Benjy, ouviu ele, no tranqüilizador tom usado por sua mãe. É um pouco difícil, mas você consegue. Os mapas são muito importantes. Eles nos dizem aonde ir… E a primeira coisa a se fazer é sempre botar o mapa de um jeito que se possa ler o que está escrito. Viu? Isso mesmo. Quase sempre a parte que fica para cima se chama norte. Ótimo. Este é um mapa da Floresta de Sherwood…

Benjy virou o mapa nas mãos até as letras ficarem de cabeça para cima.

Os raios e os trovões continuavam. Uma mudança repentina do vento enfiou fumaça em seus pulmões e ele tossiu. Depois tentou ler as palavras escritas no mapa.

Novamente pareceu-lhe ouvir a voz de sua mãe. Senão reconhecer uma palavra da primeira vez pegue cada letra por seu som e pronuncie, bem devagar.

E depois deixe os sons irem se juntando até formar uma palavra que você conheça.

Benjy olhou para Ellie, deitada na mesa. “Acorda, por favor acorda, Ellie”, disse ele. “Eu preciso de sua ajuda”. Mas ela não se mexeu.

Ele se debruçou sobre o mapa e tentou concentrar-se. Com esforço e resolução, Benjy foi dizendo o som das letras até se convencer de que a mancha verde no mapa era o prado onde estava sentado. As linhas brancas são os caminhos, disse ele para si mesmo. Há três linhas brancas que vão dar na mancha verde.

Benjy levantou os olhos do mapa, contou os três caminhos que levavam para fora do prado, e sentiu uma onda de autoconfiança. Momentos mais tarde, no entanto, uma lufada de vento carregou umas brasas pelo prado e incendiou as árvores do lado sul. Benjy moveu-se com rapidez. Eu tenho de ir, disse ele, e novamente carregou Ellie nas costas.

Ele agora compreendia que o incêndio principal estava na parte norte do mapa, para o lado da aldeia de Hakone. Benjy ficou olhando de novo para o papel em suas mãos. Então eu tenho de ficar nas linhas brancas na parte de baixo, pensou ele.

O rapaz foi andando pesadamente pelo caminho abaixo e uma outra árvore explodiu bem acima de sua cabeça, ao longe. Sua irmã continuava deitada em seu ombro e na mão direita ele empunhava o mapa. Benjy parava para olhar o mapa a cada dez passos, verificando a cada vez se ainda continuava na direção correta. Quando finalmente alcançou um entroncamento principal de caminhos, Benjy pousou Ellie delicadamente no chão e com o dedo seguiu as linhas brancas no mapa. Ao fim de um minuto, ele deu um grande sorriso, tornou a carregar a irmã e seguiu pelo caminho que levava à aldeia de Positano. Houve mais um relâmpago, um trovão reboou, e uma chuva torrencial começou a cair sobre a Floresta de Sherwood.

7

Várias horas mais tarde, Benjy dormia pacificamente em sua cama, em casa. Enquanto isso, do outro lado da colônia, o hospital do Novo Éden era um hospício. Humanos e biomas corriam de um lado para outro, macas com corpos estavam espalhadas pelos corredores, pacientes urravam em agonia. Nicole estava falando com Kenji Watanabe no telefone. “Precisamos de todos os Tiassos da colônia aqui, o mais rápido possível. Tente substituir as que estão na geriatria e na pediatria por Garcias ou até mesmo por Einsteins. Providencie pessoal humano para as clínicas das aldeias. A situação está muito séria.”

Ela mal conseguia ouvir o que Kenji dizia, por causa do barulho no hospital. “Está muito, muito ruim”, disse ela. “Até agora atendemos 27, e sabemos já de quatro mortes. Toda a área de Nara — aquele bairro de casas de madeira em estilo japonês atrás de Vegas, cercado pela floresta — é um desastre.

O fogo apareceu rápido demais… As pessoas entraram em pânico.”

“Dra. Wakefield, Dra. Wakefield. Por favor, venha ao Número 204 imediatamente.” Nicole desligou o telefone e correu pelo corredor, subindo as escadas de dois em dois degraus. O homem morrendo no 204 era um velho amigo coreano, Kim Lee, que fora o elemento de ligação de Nicole com a comunidade Hakone durante o período em que ela fora governadora provisória.

O sr. Kim fora o primeiro a construir uma casa nova em Nara. Durante o incêndio, ele tinha entrado correndo na casa em chamas a fim de salvar seu filho de sete anos. O filho ia viver, pois o sr. Kim o protegera com muito cuidado ao atravessar as chamas. Mas o próprio Kim Lee sofrera queimaduras de terceiro grau no corpo todo.

Nicole passou pelo dr. Turner no corredor. “Acho que não podemos fazer nada por seu amigo no 204”, disse ele. “Gostaria de sua opinão… Pode me chamar na sala de emergência. Acabam de trazer mais um caso crítico, uma mulher que ficou presa dentro da casa.”

Nicole respirou fundo e abriu lentamente a porta do quarto. A mulher do sr. Kim, uma bonita coreana de trinta e poucos anos, estava sentada em silêncio a um canto. Nicole entrou e abraçou-a. Enquanto Nicole consolava a sra. Kim, a Tiasso que estava monitorando os dados do sr. Kim trouxe-lhe um conjunto de gráficos. A condição do homem era realmente sem esperanças.

Quando Nicole levantou os olhos dos papéis, ficou surpresa ao ver sua filha Ellie, com um grande curativo do lado direito da cabeça, de pé ao lado da cama do sr. Kim, segurando a mão do moribundo.

“Nicole”, disse o sr. Kim em agoniado sussurro tão logo a reconheceu. Seu rosto era só pele enegrecida e dizer qualquer palavra provocava imensa dor.

“Quero morrer”, disse o homem, indicando com a cabeça a mulher, lá em seu canto.

A sra. Kim levantou-se e se aproximou de Nicole. “Meu marido quer que eu assine os papéis da eutanásia”, disse ela. “Mas não estou disposta a fazê-lo a não ser que você me diga que não há absolutamente nenhuma possibilidade de ele jamais poder tornar a ser feliz.” Começando logo depois a chorar, ela se obrigou a parar.

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