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O jardim de Rama

Электронная книга - «O jardim de Rama». Краткое содержание книги:

Nesta sequência de O Enigma de Rama, é mostrada a vida dos astronautas que foram deixados a bordo da espaçonave extraterrestre Rama. Em sua interação com esse estranho habitat vão descobrir que existem outros tripulantes que os acompanham na viagem para fora do Sistema Solar.
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Patrick continuou na porta, sem saber o que fazer. Depois de alguns segundos, Samantha deu de ombros. “Acho que Katie passa a maior parte do tempo no palácio”, disse. “Vá até o cassino e pergunte por Sherry. Ela vai saber por onde anda a sua irmã.”

“Eu sei, eu sei, Mr. Kobayashi, eu compreendo. Wakarimasu”, estava dizendo Nicole ao senhor japonês em seu escritório. “Posso bem imaginar o que deve estar sentindo. Pode ter a certeza de que a justiça será feita.” Ela acompanhou o homem até a sala de espera, onde ele se juntou à sua mulher. Os olhos de sra. Kobayashi estavam inchados de tanto chorar. Sua filha de dezesseis anos estava no hospital do Novo Éden, passando por um exame médico completo. Tinha sido fortemente espancada, porém sua condição não era crítica.

Nicole telefonou ao dr. Turner depois de conversar com os Kobayashis.

“Há esperma fresco na vagina da moça”, disse o médico, “e escoriações em praticamente cada centímetro quadrado de seu corpo. Além do que, ela está emocionalmente arrasada — o estupro parece ser uma forte possibilidade.”

Nicole suspirou. Mariko Kobayashi havia dado o nome de Pedro Mar-tinez, o rapaz que estrelara com Ellie na peça da faculdade, como sendo o estuprador.

Seria possível? Nicole rodou a cadeira até o outro lado de sua sala, para alcançar o banco de dados da colônia por seu computador.

Martinez, Pedro Escobar… nascido a 26 de maio de 2228 em Manágua, Nicarágua… mãe solteira, Maria Escobar, empregada doméstica, freqüentemente desempregada… pai provavelmente Ramon Martinez, portuário preto do Haiti…

seis meio-irmãos e irmãs, todos mais moços… condenado por venda de kokomo, 2241, 2242… estupro, 2243… oito meses na Casa de Correção de Manágua…

prisioneiro modelo… Transferido para a Casa do Acordo na Cidade do México, 2244… IE 1.86, CS 52.

Nicole leu duas vezes as breves informações do computador antes de fazer Pedro entrar em seu escritório. Ele sentou-se segundo sugestão de Nicole, e ficou olhando para o chão. Um bioma Lincoln permaneceu de pé a um canto durante toda a entrevista, gravando cuidadosamente a conversa.

“Pedro”, disse Nicole suavemente. Não houve resposta. Ele sequer levantou os olhos. “Pedro Martinez”, repetiu ela, agora com mais força, “você compreende que está sendo acusado de haver estuprado Mariko Kobayashi ontem à noite?… Estou certa de não precisar explicar a você a seriedade dessa acusação… Você tem agora a oportunidade de responder à acusação feita por ela”.

Pedro continuou sem dizer nada. “No Novo Éden”, continuou Nicole, finalmente, “temos um sistema judiciário que pode ser diferente do que você conheceu na Nicarágua. Aqui os casos criminais não resultam em indiciamento imediato, a não ser que um juiz, após examinar os fatos, acredite que haja razão suficiente para tal indiciamento. É por isso que eu estou falando com você”.

Após um longo silêncio, o rapaz, sem levantar os olhos, resmungou alguma coisa inaudível.

“O que foi?”, perguntou Nicole.

“Ela está mentindo”, disse Pedro, bem mais alto. “Eu não sei por que, mas Mariko está mentindo.”

“Você gostaria de me contar a sua versão do que aconteceu?”

“E que diferença iria fazer? Ninguém vai acreditar em mim, de qualquer modo.”

“Pedro, escute… Se, com base na investigação inicial, meu tribunal concluir quê não há razões suficientes para prosseguir com a acusação, seu caso será dispensado… É claro que a seriedade da acusação exige uma investigação muito completa, o que significa que você terá de fazer uma declaração completa e de responder algumas perguntas bastante duras.”

Pedro Martinez levantou a cabeça e encarou Nicole com olhos tristes.

“Juíza Wakefield”, disse ele com tranqüilidade, “Mariko e eu fizemos sexo ontem à noite, mas foi idéia dela… ela achou que seria divertido ir para a floresta…” O rapaz calou-se e tornou a ficar olhando para o chão.

“Você já tinha tido relações sexuais com Mariko em outras ocasiões?”, perguntou Nicole depois de alguns momentos.

“Só uma vez — há mais ou menos dez dias”, respondeu Pedro. “Pedro, quando vocês fizeram amor ontem à noite… foi tudo muito físico?”

Lágrimas rolaram dos olhos de Pedro, por suas faces. “Eu não bati nela”, disse ele apaixonadamente. “Eu jamais a machucaria…”

Enquanto o rapaz falava, ouviu-se um estranho som a distância, como o estalar de um grande chicote, apenas em tom bem mais grave.

“O que foi isso?”, perguntou-se Nicole, em voz alta.

“Soou como um trovão”, comentou Pedro.

O trovão também foi ouvido na aldeia de Hakone, onde Patrick estava sentando em uma suíte luxuosa do palácio de Nakamura, conversando com sua irmã Katie, esta envergando um caro conjunto de seda azul.

Patrick ignorou o ruído inexplicado, pois estava com muita raiva. “Você está dizendo que não vai nem tentar ir à festa de Benjy hoje à noite? E o que é que eu devo dizer a mamãe?”

“Diga o que bem quiser”, disse Katie, pegando um cigarro e colocando-o entre os lábios. “Diga que não me encontrou.” Acendendo o cigarro com um isqueiro de ouro, ela soprou a fumaça na direção do irmão. Ele tentou afastá-la sacudindo a mão.

“O que é isso, irmãozinho”, disse Katie rindo. “Pode deixar que não mata.”

“Pelo menos não imediatamente”, respondeu ele.

“Olhe, Patrick”, disse Katie levantando-se e começando a andar pela suíte, “Benjy é um idiota, um retardado. Nós jamais fomos muito unidos. Ele nem sequer vai notar que eu não estou lá, a não ser que alguém fale no assunto.”

“Está enganada, Katie. Ele é mais inteligente do que você pensa. Está sempre perguntando por você.”

“Merda, irmãozinho”, respondeu Katie, “você só está dizendo isso para me fazer sentir culpada… Olhe, eu não vou. Quero dizer, eu até poderia pensar no assunto se fosse só você, Benjy e Ellie — muito embora ela tenha virado um pé no saco desde seu discurso ‘maravilhoso’. Mas você sabe como é comigo e com a mamãe. Ela não larga nunca do meu pé”.

“Ela se preocupa com você, Katie.”

Katie deu um riso nervoso e acabou o cigarro com uma última tragada.

“Claro que sim, Patrick… A única coisa com que ela se preocupa é que eu não deixe a família embaraçada.” Patrick levantou-se para sair. “Você não tem de ir agora”, disse Katie. “Por que não fica um pouco? Eu visto uma roupa e nós descemos até o cassino…

Lembra-se de como nós costumávamos nos divertir juntos?”

Katie dirigiu-se para o quarto. “Você está tomando alguma droga?”, perguntou Patrick repentinamente.

Ela parou e virou-se para o irmão. “Quem quer saber?”, perguntou Katie desafiadora. “Você ou Madame Cosmonauta Doutora Governadora Juíza Nicole des Jardins Wakefield?”

“Eu quero saber”, disse Patrick tranqüilamente.

Katie atravessou a sala e pousou as mãos nas faces de Patrick. “Eu sou sua irmã e te amo”, disse ela. “Nada mais tem importância.”

Nuvens escuras se haviam juntado em torno das amenas colinas da Floresta de Sherwood. O vento estava varrendo as árvores, soprando para trás os cabelos de Ellie. Um relâmpago foi imediatamente seguido por um trovão.

Benjy assustou-se e Ellie apertou-o junto a si. “De acordo com o mapa, nós estamos a apenas um quilômetro da borda da floresta.”

“E isso é muito longe?”, perguntou Benjy.

“Se andarmos depressa”, gritou Ellie para ser ouvida apesar do vento, “então podemos chegar lá em apenas dez minutos”. Pegando a mão de Benjy, ela o foi puxando a seu lado pelo caminho.

Um momento mais tarde, um raio rachou uma árvore atrás deles e um grande galho caiu atravessado no caminho. O galho bateu nas costas de Benjy, derrubando-o. A maior parte de seu corpo caiu na trilha, mas a cabeça aterrissou nas plantas e na hera verde que ficavam na base das árvores da floresta. O barulho do trovão quase o ensurdeceu.

Ele ficou no chão da floresta por vários segundos, tentando compreender o que lhe acontecera, mas finalmente levantou-se. “Ellie”, disse ele à forma prostrada de sua irmã, do outro lado da trilha, com os olhos fechados.

“Ellie!” gritou Benjy, meio andando, meio se arrastando para o lado em que ela estava. Ele a agarrou pelos ombros e sacudiu-a levemente. Os olhos dela não se abriram, mas o inchaço em sua testa, para cima e para o lado de seu olho direito já estava do tamanho de uma laranja.

“O que é que eu vou fazer?”, disse Benjy em voz alta. Ele sentiu cheiro de fogo e olhou imediatamente para as copas das árvores. Viu as chamas saltando de um ramo para outro, batidas pelo vento. Veio um outro relâmpago, mais trovões. Na frente dele, mais adiante, na direção em que estavam indo, Benjy viu que um grande incêndio estava se espalhando por ambos os lados do caminho, e ficou olhando em pânico.

Ele segurou a irmã em seus braços e deu-lhe uns tapinhas no rosto.

“Ellie”, disse ele, “por favor acorde”. Ela não se mexeu e o fogo se espalhava rapidamente em torno deles. Em breve aquela área da floresta estaria transformada em um inferno.

Benjy estava aterrorizado. Ele tentou levantar Ellie, mas tropeçou e caiu.

“Não, não, não”, gritou ele, ficando novamente de pé e curvando-se para erguer Ellie para seus ombros. A fumaça estava ficando grossa. Benjy começou a moverse lentamente, descendo pelo caminho, com Ellie nas costas.

Estava exausto quando atingiu o prado. Com delicadeza, deixou Ellie em uma das mesas de pedra e sentou-se em um banco. O fogo estava ficando fora de controle no lado norte do prado. E agora o que é que eu faço? pensou. Seus olhos caíram no mapa no bolso da camisa de Ellie. Isso pode me ajudar. Ele agarrou o mapa e olhou-o. A princípio não conseguiu compreender nada e começou a entrar novamente em pânico.

Calma, Benjy, ouviu ele, no tranqüilizador tom usado por sua mãe. É um pouco difícil, mas você consegue. Os mapas são muito importantes. Eles nos dizem aonde ir… E a primeira coisa a se fazer é sempre botar o mapa de um jeito que se possa ler o que está escrito. Viu? Isso mesmo. Quase sempre a parte que fica para cima se chama norte. Ótimo. Este é um mapa da Floresta de Sherwood…

Benjy virou o mapa nas mãos até as letras ficarem de cabeça para cima.

Os raios e os trovões continuavam. Uma mudança repentina do vento enfiou fumaça em seus pulmões e ele tossiu. Depois tentou ler as palavras escritas no mapa.

Novamente pareceu-lhe ouvir a voz de sua mãe. Senão reconhecer uma palavra da primeira vez pegue cada letra por seu som e pronuncie, bem devagar.

E depois deixe os sons irem se juntando até formar uma palavra que você conheça.

Benjy olhou para Ellie, deitada na mesa. “Acorda, por favor acorda, Ellie”, disse ele. “Eu preciso de sua ajuda”. Mas ela não se mexeu.

Ele se debruçou sobre o mapa e tentou concentrar-se. Com esforço e resolução, Benjy foi dizendo o som das letras até se convencer de que a mancha verde no mapa era o prado onde estava sentado. As linhas brancas são os caminhos, disse ele para si mesmo. Há três linhas brancas que vão dar na mancha verde.

Benjy levantou os olhos do mapa, contou os três caminhos que levavam para fora do prado, e sentiu uma onda de autoconfiança. Momentos mais tarde, no entanto, uma lufada de vento carregou umas brasas pelo prado e incendiou as árvores do lado sul. Benjy moveu-se com rapidez. Eu tenho de ir, disse ele, e novamente carregou Ellie nas costas.

Ele agora compreendia que o incêndio principal estava na parte norte do mapa, para o lado da aldeia de Hakone. Benjy ficou olhando de novo para o papel em suas mãos. Então eu tenho de ficar nas linhas brancas na parte de baixo, pensou ele.

O rapaz foi andando pesadamente pelo caminho abaixo e uma outra árvore explodiu bem acima de sua cabeça, ao longe. Sua irmã continuava deitada em seu ombro e na mão direita ele empunhava o mapa. Benjy parava para olhar o mapa a cada dez passos, verificando a cada vez se ainda continuava na direção correta. Quando finalmente alcançou um entroncamento principal de caminhos, Benjy pousou Ellie delicadamente no chão e com o dedo seguiu as linhas brancas no mapa. Ao fim de um minuto, ele deu um grande sorriso, tornou a carregar a irmã e seguiu pelo caminho que levava à aldeia de Positano. Houve mais um relâmpago, um trovão reboou, e uma chuva torrencial começou a cair sobre a Floresta de Sherwood.

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