O jardim de Rama
- Автор: Ли Джентри, Кларк Артур Чарльз
- Серия: Рама #3
- Год: 1991
- Язык: португальский
- Год: Nova Fronteira
- ISBN: 85-209-0584-6
- Переводчик: Barbara Heliodora
- Жанр: Научная фантастика
Электронная книга - «O jardim de Rama». Краткое содержание книги:
Depois, Nicole olhou para o caos no chão e em frente a ela. “E por falar nisso, o que é que você está fazendo?”
“Isto?”, perguntou Richard com um gesto vago que englobava tudo. “Ora, nada de especial. Só mais um projeto meu.”
“Richard Wakefield”, respondeu ela depressa, “você não está me dizendo a verdade. Toda essa bagunça aí no chão não pode ser ‘nada de especial’ — eu te conheço muito bem. Então, o que é que há de tão secreto que…?
Richard mudara a imagem em seus três monitores ativos e agora estava sacudindo a cabeça com vigor. “Não estou gostando disso”, resmungou ele. “Nem um pouco.” Levantou os olhos para Nicole. “Você, por acaso, obteve acesso a meus arquivos de dados recentes que estão guardados no supercomputador central? Talvez até inadvertidamente?”
“Claro que não. Eu não sei sequer seu código de entrada… mas não era disso que eu queria falar…”
“Alguém obteve…” Richard digitou rapidamente um diagnóstico de subrotina de segurança e estudou um dos monitores. “Pelo menos cinco vezes nas últimas três semanas… Tem certeza de que não foi você?”
“Tenho, Richard”, respondeu enfaticamente Nicole. “Mas você está continuando a mudar de assunto. Eu quero saber o que é tudo isto.” Richard pousou o Príncipe Hal no chão na frente dele e levantou os olhos para Nicole. “Não estou ainda realmente pronto para lhe contar, querida”, disse ele após a hesitação de um momento. “Por favor, dê-me mais uns dois dias.”
Nicole ficou intrigada. Mas finalmente seu rosto alegrou-se. “Tudo bem, querido; se for um presente de casamento para Ellie esperarei com o maior prazer…”
Richard voltou ao trabalho. Nicole sentou-se na única cadeira que não estava empilhada de coisas. Ao observar o marido, percebeu o quanto ela estava cansada, e convenceu-se de que sua fadiga é que deveria tê-la levado a imaginar o guincho que ouvira.
“Querido”, disse ela suavemente um ou dois minutos mais tarde.
“O que é”, respondeu ele, olhando-a do chão.
“Você alguma vez se pergunta o que, realmente, está sendo realizado no Novo Éden? Quero dizer, por que razão fomos deixados aqui tão sozinhos pelos criadores de Rama? A maior parte dos coloniais levam avante suas vidas sem jamais pensar no fato de estarem viajando pelo espaço interestelar em uma espaçonave construída por extraterrestres. Como isso pode ser possível? Por que razão a Águia ou qualquer outra manifestação igualmente maravilhosa de sua superior tecnologia alienígena não aparece por aqui, de repente? Então talvez nossos problemas mesquinhos…”
Nicole parou quando Richard começou a rir. “O que foi?”, perguntou.
“Isso me lembra de uma conversa que tive certa vez com Michael O’Toole.
Ele estava frustrado porque eu não aceitava, por fé, o testemunho ocular dos apóstolos. E depois ele me disse que Deus deveria saber que haveria uma espécie de Tomés duvidadores, e programado freqüentes visitas de Cristo após a ressurreição.”
“Mas a situação é completamente outra”, argumentou Nicole.
“Será?”, retrucou Richard. “O que os primeiros cristãos relataram a respeito de Cristo não pode ter sido mais difícil de aceitar do que nossas descrições do Nodo ou de nossa longa jornada que dilatava o tempo com suas velocidades relativistas… É muito mais reconfortante para os coloniais acreditar que esta espaçonave foi criada como uma experiência da AEI. Muito poucos entendem o suficiente de ciência para compreender que Rama está muitíssimo além de nossas potencialidades tecnológicas.”
Nicole ficou em silêncio por um momento. “Então não há nada que possamos fazer para convencê-los…”
Ela foi interrompida pelo zunido triplo indicando que o telefonema que chegava era urgente. Nicole tropeçou pelo chão para ir atendê-lo, e o rosto preocupado de Max Puckett apareceu no monitor.
“Estamos com uma situação perigosa aqui do lado de fora do conjunto de detenção”, disse ele. “Há uma turba furiosa, talvez umas setenta ou oitenta pessoas, principalmente de Hakone. Querem chegar até Martinez. Já liquidaram duas biomas Garcia e atacaram três outras. O juiz Mishkin está tentando argumentar com eles, mas o clima é péssimo. Aparentemente, Mariko Kobayashi se suicidou há cerca de duas horas. Toda a família dela está aqui, inclusive o pai…”
Nicole tinha vestido um training em menos de um minuto. Richard tentou em vão argumentar com ela. “A decisão foi minha”, disse ela, enquanto montava na bicicleta. “Sou eu quem deve arcar com as conseqüências.”
Ela manobrou a bicicleta para fora de casa, chegou à ciclovia principal e começou a pedalar furiosamente. Mantendo alta velocidade, ela poderia chegar ao centro administrativo em quatro ou cinco minutos. Menos da metade do tempo que levaria se fosse de trem àquela hora da noite. Kenji errou, pensou ela.
Deveríamos ter feito uma entrevista coletiva hoje de manhã. E eu poderia ter explicado a decisão.
Quase cem coloniais se encontravam reunidos na praça principal da Cidade Central. Estavam caminhando por perto do complexo de detenção do Novo Éden, onde Pedro Martinez se encontrava desde o momento em que fora indiciado pelo estupro de Mariko Kobayashi. O juiz Mishkin estava parado no alto da escadaria da frente do centro, e falava à turba zangada por meio de um megafone.
Vinte biomas, principalmente Garcias com um par de Lincolns e Tiassos agregado ao grupo, estavam de braços dados na frente do juiz Mishkin e evitavam que a turba subisse as escadas à frente do juiz.
“Escutem aqui”, estava dizendo o russo grisalho, “se Pedro Martinez for culpado, então ele será condenado. Porém, nossa constituição lhe garante um julgamento justo…”
“Cala a boca, velho”, gritou alguém na multidão. “Nós queremos Martinez”, gritou uma outra voz.
Do lado esquerdo, em frente ao teatro, seis jovens orientais estavam construindo uma forca improvisada. Houve vivas da platéia quando um deles amarrou uma grossa corda, com um laço, na trave superior. Um japonês parrudo de vinte e poucos anos abriu caminho até a frente da multidão. “Sai do caminho, velho”, disse ele. “E leva esses biomas mecânicos com você. Não é com você que estamos brigando. Estamos aqui para garantir justiça para a família Kobayashi.”
“Lembrem-se de Mariko”, gritou uma jovem. Ouviu-se um barulho forte quando um rapazola ruivo bateu na cara de uma Garcia com um bastão de beisebol metálico. A Garcia, com os olhos destruídos e o rosto deformado e irreconhecível, não reagiu mas não deixou seu lugar.
“Os biomas não vão reagir”, disse o juiz Mishkin ao megafone. “Eles foram programados para serem pacifistas. Mas destruí-los não traz qualquer proveito. É uma violência sem sentido, tola.”
Dois indivíduos chegaram correndo de Hakone, distraindo momentaneamente a turba de seu objetivo. Pouco mais de um minuto depois, a turba indócil aplaudiu o aparecimento de duas vastas toras de madeira, carregadas por uma dúzia de jovens cada. “Agora vamos remover os biomas que estão protegendo o assassino Martinez”, disse o jovem porta-voz japonês. “Esta é sua última oportunidade, velho. Saia do caminho antes de se machucar.”
Muitos indivíduos da multidão correram para tomar posição junto às toras que pretendiam usar como aríetes. Nesse momento, Nicole Wakefield entrou na praça em sua bicicleta.
Ela desmontou rapidamente, caminhou através do cordão de isolamento e correu escada acima para ficar ao lado do juiz Mishkin. “Hiro Kobayashi”, gritou ela no megafone antes de a multidão a reconhecer. “Vim aqui para lhe explicar por que não haverá julgamento por júri para Pedro Martinez. Quer fazer o favor de chegar até aqui a frente, para eu poder vê-lo?”
O Kobayashi pai, que tinha estado para um lado da praça, caminhou vagarosamente até a base dos degraus à frente de Nicole.