O jardim de Rama
- Автор: Ли Джентри, Кларк Артур Чарльз
- Серия: Рама #3
- Год: 1991
- Язык: португальский
- Год: Nova Fronteira
- ISBN: 85-209-0584-6
- Переводчик: Barbara Heliodora
- Жанр: Научная фантастика
Электронная книга - «O jardim de Rama». Краткое содержание книги:
“Kobayashi-san”, disse Nicole em japonês, “lamento muito saber da morte de sua filha…”
“Hipócrita”, gritou alguém em inglês, e a multidão começou a resmungar.
“Sendo mãe”, continuou Nicole, “posso imaginar a dor terrível que deve se passar pela morte de uma filha…”
“E agora”, disse ela, falando em inglês e dirigindo-se à multidão em geral, “permitam que eu explique a todos minha decisão de hoje. Nossa constituição no Novo Éden reza que todo cidadão terá direito a um ‘julgamento justo’. Em todos os outros casos desde que esta colônia foi fundada, indiciamento por crime tem levado a um julgamento por júri. No caso do sr Martinez, no entanto, em razão de toda a publicidade havida, estou convencida de que não seria possível encontrar um corpo de jurados sem preconceitos.”
Um coro de assovios e vaias interrompeu Nicole por momentos. “Nossa constituição não define o que se deve fazer para garantir o ‘julgamento justo’ quando um júri de pares não é possível. No entanto, nossos juízes foram supostamente escolhidos para fazer valer a lei e foram treinados para resolver casos com base em evidências. E é por isso que entreguei o indiciamento de Martinez à jurisdição do Tribunal Especial do Novo Éden. Lá todas as provas — algumas delas jamais trazidas a público — serão cuidadosamente avaliadas.”
“Mas todos nós sabemos que o rapaz Martinez é culpado”, gritou em resposta um desatinado sr. Kobayashi. “Ele até mesmo confessou ter tido sexo com minha filha. E sabemos também que ele estuprou uma moça na Nicarágua, lá na Terra… Por que está protegendo-o? Que tal justiça para a minha família?”
“Porque a lei…” começou Nicole a responder, mas a multidão afogou suas palavras.
“Queremos Martinez. Queremos Martinez.” Aquela espécie de canto foi crescendo quando as duas grandes toras, que haviam sido pousadas no chão à chegada de Nicole, foram novamente levantadas pela gente que enchia a praça.
Quando era feita a tentativa de transformar as toras em aríetes, uma delas inadvertidamente se chocou com o monumento onde ficava marcada a posição celestial de Rama. A esfera espatifou-se e os componentes eletrônicos que indicavam as estrelas mais próximas rolaram pelo pavimento. A pequena luz que piscava e representava a própria Rama quebrou-se em centenas de pedaços.
“Cidadãos do Novo Éden”, gritou Nicole ao megafone, “ouçam-me até o fim. Há algo a respeito deste caso que nenhum de vocês sabe. Se ao menos me escutarem…”
“Matem a puta negra!”, gritou o rapaz ruivo que agredira a bioma Garcia com o bastão de beisebol.
Nicole encarou o rapaz com os olhos em fogo. “O que foi que você disse?”, bradou ela. O estranho canto parou repentinamente. O rapaz ficou isolado. Nervoso, ele lançou um olhar à sua volta. “Matem a puta negra!”, repetiu ele.
Nicole desceu os degraus em um instante. A multidão abriu caminho enquanto ela se dirigia diretamente para o rapaz. “Repita mais uma vez”, disse ela com as narinas vibrando, quando estava a menos de um metro de seu antagonista.
“Matem…” começou ele.
Ela deu-lhe um tapa de mão aberta no rosto. O barulho ressoou por toda a praça. Nicole deu-lhe as costas abruptamente e partiu na direção dos degraus, mas foi agarrada por mãos vindas de todo lado. O rapaz, chocado, fechou a mão como um punho…
Nesse momento, duas explosões altas abalaram a praça. Enquanto todos tentavam descobrir o que acontecera, duas outras detonaram no céu acima das cabeças de todos. “Sou só eu e minha espingarda”, disse Max Puckett no megafone. “E agora, se vocês derem licença para a juíza passar… isso, assim está melhor… e agora vão todos para casa, que é melhor para todo mundo.”
Nicole libertou-se das mãos que a seguravam, porém a multidão não se dispersou. Max levantou sua arma, mirou no grande nó da corda da forca improvisada e tornou a atirar. A corda explodiu em pedaços, com alguns destes caindo sobre a multidão.
“E agora, pessoal”, disse Max, “acontece que eu sou muito mais tinhoso do que esses dois juízes. E já estou sabendo que vou ter de passar algum tempo nesta casa de detenção por violar as leis da colônia sobre armas. E eu ia ficar danado da vida se tivesse que atirar em um de vocês também…”
Max apontou sua arma para a multidão. Todos se encolheram instintivamente. Max deu tiros de festim acima das cabeças de todos e riu-se às gargalhadas quando a multidão começou a sair correndo da praça. Nicole não conseguia dormir. A mesma cena passava e repassava em sua lembrança. Ficava a ver-se no meio da multidão estapeando o rapaz ruivo. O que me mostra que não sou melhor do que ele, pensou.
“Você ainda está acordada, não está?”, disse Richard.
“Hum-hum.”
“Está tudo bem?”
Houve um breve silêncio. “Não, Richard”, respondeu Nicole. “Nada bem…
Sinto-me muito perturbada por haver batido no rapaz.”
“Ora, o que é isso. Pare de se torturar… Ele mereceu… Ele a insultou da pior maneira possível… Gente assim não merece nada a não ser o uso da força”.
Richard estendeu a mão e começou a massagear as costas de Nicole. “Meu Deus”, disse ele. “Nunca a vi tão tensa… você está que é um nó só, de alto a baixo.”
“Estou preocupada”, disse Nicole. “Tenho uma sensação terrível de que todo o tecido de nossa vida aqui no Novo Éden está a ponto de esgarçar-se todo…
E que tudo o que fiz ou ainda faço é absolutamente inútil.”
“Você fez o melhor que pôde, querida… confesso que sempre fiquei espantado de ver o quanto você tenta.” Richard continuou a massagear as costas dela suavemente. “Mas você tem de se lembrar que está tratando com seres humanos… Você pode transportá-los para um novo mundo e dar-lhes um paraíso, mas mesmo assim eles virão equipados com seus temores e inseguranças e predileções culturais. Um novo mundo só poderia ser realmente novo se todos os seres humanos envolvidos começassem com mentes totalmente vazias, como computadores novos sem softwares e sem sistemas de operação, só com pilhas de potencial inexplorado.”
Nicole conseguiu dar um sorriso. “Meu querido, você não é muito otimista.”
“E por que haveria de ser? Nada que vi até hoje aqui no Novo Éden ou na Terra me sugere que a humanidade seja capaz de alcançar harmonia em suas relações consigo mesma, menos ainda com qualquer outra criatura viva.
Ocasionalmente, aparece um indivíduo, ou até mesmo um grupo, capaz de transcender as deficiências genéticas e ambientais da espécie… Porém, tais pessoas são milagres, pois certamente não são a norma.”
“Não concordo com você”, disse Nicole suavemente. “Sua visão é muito desesperada. Creio que a maioria das pessoas deseja ardentemente atingir essa harmonia. Só não sabemos como fazê-lo. É por isso que precisamos de mais educação. E mais bons exemplos.”
“Até mesmo aquele rapaz ruivo? Você acredita que a educação será capaz de destruir sua intolerância?”
“Tenho de acreditar, querido. De outro modo… temo que eu simplesmente desista de tudo.”
Richard emitiu um som entre uma tosse e um riso. “O que foi?”, perguntou Nicole.
“Estava apenas imaginando”, disse Richard, “se Sísifo algum dia teve a ilusão de acreditar que talvez na vez seguinte aquela pedra não tornasse a rolar colina abaixo.”
Nicole sorriu. “Ele tinha de acreditar que houvesse alguma possibilidade da pedra permanecer no alto, pois de outro modo não tentaria com tamanho afinco… Pelo menos, é assim que eu penso.”
9
Quando Kenji Watanabe desceu do trem em Hakone foi-lhe impossível não lembrar-se de um outro encontro com Toshio Nakamura, anos antes, em um planeta a bilhões de quilômetros de distância. Ele me telefonou naquela vez, também, pensou Kenji. Insistiu, que conversássemos sobre Keiko.