A caçada ao lobo de Wall Street [calibre 4.2.0]
- Автор: Белфорт Джордан
- Год: 2014
- Язык: португальский
- Год: Planeta
- ISBN: 9788542203134
- Жанр: Биографии и мемуары
Электронная книга - «A caçada ao lobo de Wall Street [calibre 4.2.0]». Краткое содержание книги:
Em A caçada ao Lobo de Wall Street, Jordan conta com sua fina ironia e acidez todos os detalhes de seu início de carreira, bem como tudo que aconteceu com ele depois que seu império desmoronou: perdeu a esposa, o dinheiro e quase perderia os filhos. Uma história contada sem pudores, por um homem cativante que precisou se reinventar a qualquer custo. **
TOC inclinou a cabeça para o lado.
– Atracações?
– Sim – respondi –, atracações: como se meu pau fosse o barco e a boceta dela o atracadouro. – Dei de ombros inocentemente. – Enfim, Nadine, como se viu, não era uma loira burra, e no final da noite eu estava totalmente cativado por ela. Quando nós estacionamos o carro na frente de seu apartamento, eu estava tentando descobrir uma maneira de seduzir a garota, mas nunca tive a chance, porque ela saiu direto com um “Você quer subir para uma xícara de café?”. Quando percebi, eu já estava em seu minúsculo apartamento, dizendo: “Nossa, Nae, este apartamento é muito legal”, mas o que realmente estava pensando era: como vou fazer para levar essa garota para a cama? Mas aí ela disse: “Por que você não acende a lareira? Eu preciso ir ao banheiro por um segundo”. Então eu disse: “Lógico!”, mas me lembro de ter ficado um pouco chocado de uma garota tão linda como aquela ter que ir ao banheiro! Quer dizer, ela parecia perfeita demais para cagar, entende o que eu quero dizer?
TOC começou a rir.
– Você é demente, sabia disso?
– Claro – respondi, orgulhoso –, mas isso não vem ao caso. Bem, enfim, lá estava eu, agachado na frente da lareira, buscando em minha cabeça demente a frase certa que a levasse para a cama, e então escutei: “Olá, voltei!”. E quando me virei, lá estava ela peladinha, da maneira como veio ao mundo.
O queixo de TOC caiu.
– Você está brincando comigo!
– Não mesmo… Acabei dormindo lá naquela noite e disse a Denise que tinha ficado preso em Atlantic City, e as coisas rapidamente entraram numa espiral fora de controle. No início, a gente só se via uma vez por semana, às terças à noite. Nem nos falávamos nesse intervalo. Depois, começamos a nos falar todos os dias por telefone, apenas por alguns minutos, para saber como estávamos passando o dia. Mas isso logo se transformou em algumas horas por dia, embora eu não saiba direito quantas. Então eu percebi que precisava passar alguns dias sozinho com ela, você sabe, para resolver tudo de uma vez. Então falei para Denise que precisava ir para a Califórnia a negócios. E esse foi o fim: Nadine e eu ficamos loucamente apaixonados e começamos a falar pelo telefone sem parar e a nos encontrar durante as tardes para liberar nossos hormônios acumulados! Foi em algum momento no final de janeiro que eu finalmente disse a Denise que precisava de espaço e me mudei para a cidade, para Olympic Towers. Ironicamente, Denise ainda não fazia ideia de que eu estava tendo um caso. Eu tinha sido muito cuidadoso com as coisas, pelo menos no início, mas depois que me mudei para a cidade isso mudou muito. Em meados de fevereiro, Nadine e eu estávamos dançando em boates e de mãos dadas numa mesa no Canastel, que era um dos restaurantes mais quentes de Manhattan naquela época. Todo mundo me conhecia lá e alguém, eu acho, telefonou a Denise uma noite para lhe dar a notícia de que eu estava jantando com Nadine. Algumas horas mais tarde, quando minha limusine estacionou em frente ao Olympic Towers, a porta de entrada do prédio se abriu e, em vez do porteiro, quem estava lá era Denise. E, para deixar as coisas ainda piores, eu estava abraçando Nadine naquele momento, envolvido em um apaixonado beijo e dizendo-lhe como a amava. “Você fica dentro dessa porra desse carro!”, gritou Denise para Nadine. “E você saia dessa porra desse carro!”, ela gritou para mim. Então ela deu uma boa olhada no rosto de Nadine e seu queixo caiu: “Você é a menina da festa…”. De repente, as duas estavam chorando ao mesmo tempo.
Fiz uma pausa e balancei a cabeça, tristemente.
– Então me virei para Nadine, que estava branca como um fantasma, e apertei sua mão de forma tranquilizadora. “Eu preciso cuidar disso”, disse suavemente. “Por que não vai para casa e eu ligo mais tarde, tudo bem?” “Sinto muito…”, disse ela, entre lágrimas, “Eu não quis que isso acontecesse, me sinto péssima!”. Era verdade, claro. Nenhum de nós queria que aquilo acontecesse e estávamos nos sentindo mal. Mas tinha acontecido, e o fato de nos sentirmos mal não ia facilitar as coisas para Denise…
Balancei a cabeça lentamente, tentando fazer com que as coisas tivessem mais sentido.
– De certa forma, você não escolhe por quem vai se apaixonar, não é? Apenas acontece. E quando você realmente se apaixona, essa paixão que o consome, um amor sensual, em que duas pessoas vivem e respiram o outro 24 horas por dia, o que você faz? – encolhi os ombros e respondi à minha própria pergunta. – Não há nada que se possa fazer. Não dá para ficar sem a outra pessoa por mais que algumas horas sem enlouquecer. Era esse tipo de amor que Nadine e eu tínhamos. A gente passava cada momento possível juntos. Mesmo quando eu ia para o trabalho, que era raramente, ela dirigia até Long Island comigo e arranjava com que se ocupar até a hora do almoço. E quando tinha seus compromissos de modelo, eu a deixava no local e ficava esperando até que terminasse. Ficamos obcecados um com o outro.
Fiz uma pausa e continuei:
– Enfim, a limusine foi embora e ficamos apenas Denise e eu. O porteiro correu para dentro do prédio quando ouviu Denise gritando comigo. Ela estava berrando a plenos pulmões: “Como pôde fazer isso comigo? Eu me casei com você quando não tinha nada! Fiquei a seu lado segurando as pontas na miséria! Quando estava quebrado, fiz comida para você! Fiz amor com você! Fui uma boa esposa! E é desse jeito que você me retribui? Como pôde fazer isso?”. No começo, tentei justificar, mais pelo instinto mesmo, porque na verdade não havia o que dizer. Ela estava totalmente certa e nós dois sabíamos disso. Então, fiquei lá, parado, pedindo perdão a ela e me desculpando, dizendo que não queria que tivesse acontecido. Até que, por fim, ela disse: “A única coisa que quero saber é: diga-me que não está apaixonado por ela”. Ela me agarrou pelos ombros e olhou em meus olhos; havia lágrimas escorrendo por seu rosto. Ela disse: “Olhe-me nos olhos e diga-me que não está apaixonado por ela, Jordan. Por favor. Se você não estiver apaixonado por ela, a gente pode resolver isto!”. Mas, depois de alguns segundos, balancei a cabeça e disse: “Desculpe, mas estou apaixonado por ela, sim. Eu não quis que isso acontecesse”. E comecei a chorar. “Vou cuidar sempre de você, você nunca vai passar necessidade.” Mas não adiantou. Ela irrompeu em lágrimas e começou a tremer em meus braços.
Balancei a cabeça, triste.
– Posso lhe dizer que me senti o maior sacana do mundo naquele momento. Denise continuou chorando incontrolavelmente, bem ali na rua. Mas aí, do nada, sua amiga Lisa emergiu das sombras, agarrou Denise e abraçou-a. Lisa me disse: “Está tudo bem, Jordan. Eu vou cuidar dela agora. Ela vai ficar bem”. Piscou para mim e levou Denise embora. Fiquei surpreso com aquilo. Quer dizer, eu esperava que Lisa me olhasse com sangue nos olhos, mas não foi assim. O que eu não sabia na época é que Lisa estava no meio de seu próprio enrosco, que veio à tona alguns meses depois, quando foi apanhada traindo o marido com um playboy de Long Island. Depois ela se divorciou também – olhei para TOC e dei de ombros. – E é isso, Greg. Esse era o Estilo de Vida dos Ricos e Malucos na costa norte de Long Island. E não é uma imagem bonita.
Passamos depois alguns minutos falando sobre o que aconteceu em seguida, meu casamento com Nadine, o nascimento de meus filhos, meu crescente vício em drogas e, finalmente, entramos no assunto do Chef.
– O problema – disse eu – é que pessoas como Dennis e eu ficamos tão presos a nossos falsos álibis que, quando falamos sobre o passado, nos referimos mais às mentiras que à história real. Não tem nada a ver com ele achar que estou grampeado. Porque, se fosse assim, ele nem retornaria minhas ligações. Na verdade, mais que qualquer outra coisa, tem a ver com certo protocolo: quando você fala sobre o passado, comece mencionando a história que lhe serviu de álibi. É por isso que, quando se ouve a fita, Dennis sempre começa dizendo coisas do tipo: “Sempre existem duas versões das coisas, a nossa versão e a versão deles”. Daí ele começa a falar sobre júris e dúvida razoável, e por aí vai.