O jardim de Rama
- Автор: Ли Джентри, Кларк Артур Чарльз
- Серия: Рама #3
- Год: 1991
- Язык: португальский
- Год: Nova Fronteira
- ISBN: 85-209-0584-6
- Переводчик: Barbara Heliodora
- Жанр: Научная фантастика
Электронная книга - «O jardim de Rama». Краткое содержание книги:
Quando Ian MacMillan apresentou sua versão da história dos pernudinhos que “saíram correndo” do habitat vizinho a Rama e “assustaram” a equipe exploratória da colônia, ele deu a entender que seu “ataque” fora a primeira incursão de uma planejada guerra interespécies. MacMillan fantasiou que os pernudinhos seriam seguidos por “criaturas mais temíveis” que aterrorizariam os coloniais, particularmente as mulheres e crianças. “Dinheiro para defesa é dinheiro para todos nós”, disse ele.
O candidato MacMillan sugeriu também que a pesquisa ambiental fosse outra atividade “muito mais importante para o bem-estar da colônia” do que o programa médico delineado pelo dr. Turner. Louvando o trabalho realizado pelos engenheiros do tempo, disse ser possível antever um futuro no qual todos os habitantes teriam conhecimento total do tempo que estaria por vir.
Sua fala foi interrompida várias vezes por aplausos na galeria. Quando finalmente ele discutiu a questão dos indivíduos sofrendo de RV-41, o sr.
MacMillan delineou um plano “com maior eficácia para os custos” para enfrentar “sua terrível tragédia”. “Criaremos uma nova aldeia para eles, do lado de fora do Novo Éden, onde poderão passar seus últimos dias em paz.”
“Em minha opinião”, disse ele, “todos os esforços médicos em relação ao RV-41 deverão, no futuro, restringir-se às tentativas de se isolar e identificar todos os mecanismos por meio dos quais essa praga é transmitida de indivíduo a indivíduo. Até tal pesquisa terminar, será do interesse de toda a população desta colônia, inclusive dos infelizes portadores da moléstia, manter os portadores sob quarentena a fim de que não possa haver mais contaminações acidentais”.
Nicole e sua família estavam na galeria. Tinham atormentado Richard para que comparecesse, mesmo apesar de ele não gostar de reuniões políticas.
Richard ficara enojado com o discurso de MacMillan. De sua parte, Nicole ficara assustada, já que o que o homem dissera não deixava de ter certo apelo. Eu me pergunto quem estará escrevendo os discursos dele, pensou, quando ele terminou, e sentiu-se culpada por haver subestimado Nakamura.
Quase no fim do discurso de MacMillan, Ellie Wakefield havia deixado silenciosamente seu lugar na galeria. Seus pais ficaram atônitos, alguns instantes mais tarde, ao vê-la lá embaixo, no plenário, aproximando-se do pódio. O mesmo aconteceu com as outras pessoas na galeria, que pensaram ser Ian MacMillan o último orador do dia. Todos estavam se preparando para sair, mas quase todos tornaram a se sentar quando Kenji Watanabe apresentou Ellie.
“Na nossa aula de civismo na escola secundária”, começou ela, com o nervosismo patente em sua voz, “nós temos estudado a constituição e os procedimentos do Senado. Pouca gente sabe que qualquer cidadão do Novo Éden tem o direito de falar em sessões abertas como esta…”
Ellie respirou fundo antes de continuar. Na galeria, tanto sua mãe quanto sua professora Eponine inclinaram-se para a frente e agarraram o balaústre metálico que ficava à sua frente. “Hoje eu quis falar”, disse Ellie com mais força, “porque acredito ter um ponto de vista único quanto à questão dos que são vítimas do RV-41. Em primeiro lugar, sou jovem e, em segundo, até pouco mais de três anos eu jamais tivera o privilégio de interagir com qualquer ser humano fora da minha família.
“Por ambos os motivos, eu encaro a vida humana como um tesouro. A minha palavra foi escolhida cuidadosamente. Um tesouro é uma coisa a que se dá grande valor. Esse homem, esse incrível médico que trabalha o dia inteiro e às vezes a noite inteira para nos manter com boa saúde, obviamente também encara a vida humana como um tesouro.
“Quando falou, o dr. Turner não lhes disse por que nós deveríamos financiar seus programas, só o que era a moléstia e como a deveríamos combater.
Ele supunha que todos nós já deveríamos saber por quê. Depois de ouvir o sr.
MacMillan, comecei a ter minhas dúvidas.
“Nós temos de continuar a estudar essa horrível moléstia, até ela ficar circunscrita e controlada, porque a vida humana é um produto muito precioso.
Cada pessoa é, individualmente, um milagre único, uma espantosa combinação de elementos químicos complexos com talentos, sonhos e experiências particulares. Nada pode ser mais importante para a colônia de modo geral do que uma atividade que tenha por objetivo a preservação da vida humana.
“Compreendi pelo que o dr. Turner nos disse hoje aqui que seu programa é caro. Se for necessário aumentar os impostos para pagar por ele, então cada um de nós talvez tenha de passar sem algum item especial que estava desejando.
É um preço bastante baixo para se pagar pelo tesouro da companhia de um outro ser humano.
“Minha família e meus amigos me dizem às vezes que eu sou desesperadamente ingênua. Pode ser que seja verdade. Mas talvez a minha inocência me permita ver as coisas com mais clareza do que os outros. Neste caso, creio que só há uma pergunta a fazer: se você ou algum membro de sua família recebesse um diagnóstico de RV-41 positivo, você então apoiaria o plano do dr. Turner? Muito obrigada.” Houve um estranho silêncio quando Ellie desceu do pódio, depois vieram aplausos ensurdecedores. Lágrimas corriam nas faces de Nicole e Eponine. No plenário, o dr. Turner estendeu as mãos para Ellie.
6
Quando Nicole abriu os olhos, Richard estava sentado a seu lado, na beira da cama, segurando uma xícara de café. “Você disse que queria ser acordada às sete”, disse ele.
Ela sentou-se e pegou a xícara. “Obrigada, querido. Mas por que não deixou o Linc…”
“Resolvi trazer o café eu mesmo… Há notícias da Planície Central de novo.
Eu queria conversar com você sobre o assunto, mesmo sabendo que você não gosta de ser obrigada a pensar sério logo que acorda.”
Nicole tomou um longo gole de café e sorriu para o marido. “Quais são as novidades?”, perguntou.
“Houve mais dois incidentes com pernudinhos ontem à noite, o que completa quase uma dúzia esta semana. Nossas forças de defesa, ao que consta, destruíram três pernudinhos que estavam ‘perturbando’ a equipe de engenharia.”
“Os pernudinhos deram indícios de querer lutar?”
“Não, nenhum. Ao primeiro ruído de tiros, eles saíram correndo para o buraco que dá no outro habitat… A maior parte escapou, como acontecera anteontem.”
“E você continua convencido de que eles sejam observadores à distância, como os biomas aranha de Rama I e II?”
Richard fez que sim. “E você pode imaginar o que os outros estarão pensando de nós… atiramos em criaturas desarmadas sem provocação… reagimos de forma hostil ao que certamente é uma tentativa de estabelecer contato…”
“Eu também não gosto disso”, disse Nicole suavemente. “Mas o que poderemos fazer? O Senado autorizou explicitamente as equipes exploratórias a se defenderem.”
Richard estava a ponto de responder quando notou que Benjy estava parado na porta. O rapazinho sorria. “Posso entrar, Mamãe?”, perguntou.
“É claro, querido”, respondeu Nicole abrindo os braços. “Venha me dar um grande abraço de aniversário.”
“Feliz aniversário, Benjy”, disse Richard quando o menino, maior do que a maioria dos homens, foi abraçar a mãe na cama.
“Obrigado, tio Richard.”
“Nós ainda vamos fazer um piquenique na Floresta de Sherwood hoje?”, perguntou Benjy vagarosamente.
“Claro que sim”, respondeu sua mãe. “E de noite vamos ter uma festona.”
“Vivaaa!”, disse Benjy. Era sábado. Tanto Patrick quanto Ellie estavam dormindo até tarde porque não tinham aula. Linc serviu o desjejum de Richard, Nicole e Benjy, enquanto os adultos olhavam o noticiário da manhã na televisão. Apareceu um pequeno filme da mais recente “confrontação com pernudinhos” perto do segundo habitat, além de comentários feitos por ambos os candidatos ao governo.