Cinquenta tons mais escuros [em Portugues]
- Автор: Джеймс Эрика Леонард
- Серия: Cinquenta Sombras #2
- Язык: португальский
- Жанр: Романы для взрослых
Электронная книга - «Cinquenta tons mais escuros [em Portugues]». Краткое содержание книги:
Puta merda, os e-mails. Droga. O que foi que eu escrevi?
— Jack, do que você está falando?
Tento parecer perplexa, e sou bem convincente. Essa conversa não está indo do jeito que eu esperava, e não confio nem um pouco nele. Jack está exalando algum feromônio subliminar que me deixa em estado de alerta. Trata-se de um sujeito nervoso, inconstante e totalmente imprevisível. Tento argumentar com ele.
— Você acabou de dizer que teve que convencer Elizabeth a me contratar. Então como eu poderia ter sido colocada aqui como espiã? Decida-se, Jack.
— Mas foi o Grey quem estragou a viagem para Nova York, não foi?
Droga.
— Como foi que ele fez isso, Ana? O que foi que o riquinho e metido do seu namorado fez isso?
O pouco sangue que me restava no rosto vai embora. Acho que vou desmaiar.
— Não sei do que você está falando, Jack — sussurro. — O táxi vai chegar daqui a pouco. Não é melhor eu ir buscar as suas coisas? — Por favor, deixe-me sair. Pare com isso.
Jack continua, divertindo-se com meu desconforto.
— Ele achou que eu ia dar em cima de você? — Ele sorri, e sinto seus olhos se aquecerem. — Bem, quero que você pense numa coisa enquanto eu estiver em Nova York. Eu consegui este emprego para você, e espero que você me mostre alguma gratidão. Aliás, tenho direito a um pouco de gratidão. Tive que lutar por você. Elizabeth queria alguém mais bem qualificada, já eu... eu vi algo em você. Então, nós precisamos fechar um acordo. Um acordo no qual você me mantenha satisfeito. Você está me entendendo direitinho, Ana?
Merda!
— Encare isso como uma redefinição da descrição do seu cargo. E se você me mantiver satisfeito, não vou tentar descobrir como o seu namorado está mexendo os pauzinhos dele, se é puxando o saco dos contatos que tem ou se é molhando a mão de algum coleguinha de faculdade.
Fico boquiaberta. Ele está me chantageando. Em troca de sexo! E o que posso dizer? A notícia da compra da editora não pode ser anunciada pelas próximas três semanas. Mal posso acreditar no que está acontecendo. Sexo... comigo!
Jack se aproxima até ficar de pé bem na minha frente, olhando nos meus olhos. Seu perfume doce e enjoativo invade minhas narinas, o cheiro chega a me dar náuseas, e, se não estou enganada, sinto um odor amargo de álcool em seu hálito. Cacete, ele andou bebendo... quando?
— Você é uma vadia que gosta de provocar meu pau com essa roupinha apertada, não é, Ana? — sussurra ele entre os dentes.
O quê? Provocar seu pau... Eu?
— Jack, não sei do que você está falando — respondo, sentindo uma onda de adrenalina atravessar meu corpo.
Ele está mais perto agora. Aguardo o momento de agir. Ray vai ficar orgulhoso de mim. Ele me ensinou o que fazer. Ray sabe tudo a respeito de autodefesa. Se Jack encostar um dedo em mim — se ele ao menos respirar perto demais de mim —, derrubo o filho da mãe em dois tempos. Minha respiração se acelera. Não posso desmaiar, não posso desmaiar.
— Olhe só para você. — Ele me lança um olhar cheio de malícia. — Você está morrendo de tesão, dá para ver. Você fica só me dando mole. Lá no fundo, você quer. Eu sei.
Puta merda. O cara está delirando completamente. Meu medo atinge alerta máximo, ameaçando me dominar.
— Não, Jack. Nunca dei mole para você.
— Ah, deu sim, sua cadela assanhada. Eu sei ler as entrelinhas.
Ele estica o braço e delicadamente afaga meu rosto com as costas dos dedos, até o meu queixo. Seu indicador acaricia meu pescoço, e meu coração praticamente sobe até a boca à medida que tento conter a ânsia de vômito. Ele toca a reentrância na base do meu pescoço, bem no ponto em que o primeiro botão da camisa preta está aberto, e aperta a mão contra o meu peito.
— Você me quer, Ana. Admita.
Mantendo os olhos fixos nos dele e concentrando-me no que tenho de fazer — em vez de no medo e em minha repulsa galopante —, coloco a mão de leve sobre a dele, como numa carícia. Jack sorri em triunfo. Em seguida, agarro seu dedo mindinho e o torço para trás, puxando-o bruscamente para baixo, na direção de seu quadril.
— Ai! — Ele grita de dor e surpresa.
No instante em que ele perde o equilíbrio, ergo o joelho num golpe rápido e violento em sua virilha, acertando o alvo em cheio. Com habilidade, esquivo-me para a esquerda, e seus joelhos se dobram, derrubando-o no chão da cozinha com um gemido de dor e as mãos entre as pernas.
— Nunca mais encoste em mim — rosno para ele. — O roteiro da sua viagem e os folhetos estão empacotados na minha mesa. Estou indo para casa. Faça uma boa viagem. E, daqui para a frente, trate de ir buscar seu próprio café.
— Sua filha da puta desgraçada! — Ele meio que grita e meio que geme para mim, mas eu já saí da cozinha.
Corro até minha mesa, pego o casaco e a bolsa e desço às pressas para a recepção, ignorando os gemidos e xingamentos que emanam do filho da mãe ainda prostrado no chão da cozinha. Saio do prédio e paro por um instante, sentindo o ar gelado bater em meu rosto. Respiro fundo e tento me recompor. Mas não comi nada o dia inteiro, e à medida que a onda indesejável de adrenalina começa a diminuir, minhas pernas ficam moles sob meu corpo, e eu desabo no chão.
Com certo distanciamento, assisto ao filme em câmera lenta que se desenrola diante de mim: Christian e Taylor, ambos de terno escuro e camisa branca, pulando para fora do carro que estava esperando por mim e correndo na minha direção. Christian se ajoelha ao meu lado, e, em algum plano inconsciente, tudo o que eu posso pensar é: Ele está aqui. Meu amor está aqui.
— Ana, Ana! O que foi?
Ele me segura no colo e corre as mãos para cima e para baixo ao longo de meus braços, procurando por algum sinal de lesão. Agarrando minha cabeça entre as mãos, ele coloca os olhos cinzentos e aterrorizados nos meus. Eu me debruço no corpo dele, subitamente dominada pelo alívio e pelo cansaço. Ah, os braços de Christian. Não existe nenhum outro lugar onde eu queira estar.
— Ana. — Ele me sacode com carinho. — O que foi? Está passando mal?
Nego com a cabeça, percebendo que preciso começar a me comunicar.
— Jack — sussurro, e sinto, mais do que vejo, Christian lançar uma olhada rápida para Taylor, que de uma hora para outra desaparece para dentro do prédio.
— Merda! — Christian me envolve em seus braços. — O que aquele babaca fez com você?
E, de algum lugar dentro de mim, uma risada entala na minha garganta e eu me lembro do espanto absoluto de Jack no momento em que agarrei o mindinho dele.
— Foi o que eu fiz com ele. — Começo a rir e não consigo mais parar.
— Ana! — Christian me sacode de novo, e eu paro de rir. — Ele encostou em você?
— Só uma vez.
Seus músculos se retesam à medida que a raiva toma conta dele, e Christian fica de pé num segundo, poderoso, firme como uma pedra, segurando-me em seus braços. E está furioso. Não!