Cinquenta tons mais escuros [em Portugues]
- Автор: Джеймс Эрика Леонард
- Серия: Cinquenta Sombras #2
- Язык: португальский
- Жанр: Романы для взрослых
Электронная книга - «Cinquenta tons mais escuros [em Portugues]». Краткое содержание книги:
Desligo o telefone e me apoio na vitrine fria e dura da lanchonete. Meu Deus, ele me domina até pelo telefone. Balanço a cabeça para afastar qualquer pensamento a respeito de Grey e entro na lanchonete, deprimida pela simples ideia de voltar para o Jack.
* * *
QUANDO RETORNO, ele está de cara feia.
— Tudo bem se eu sair para almoçar agora? — pergunto com cuidado.
Ele ergue o olhar para mim e faz uma cara ainda mais feia.
— Se for necessário — resmunga. — Quarenta e cinco minutos. Para compensar o tempo que você perdeu hoje de manhã.
— Jack, posso lhe fazer uma pergunta?
— O quê?
— Você parece meio nervoso hoje. Eu fiz alguma coisa que o ofendeu?
Ele pisca para mim por um instante.
— Acho que não estou no clima para listar os seus pequenos delitos agora. Estou ocupado. — E volta a olhar para o monitor, claramente indicando que devo me retirar.
Uau... O que foi que eu fiz?
Viro-me e deixo sua sala e, por um minuto, acho que vou chorar. Por que ele criou uma aversão tão súbita e intensa por mim? Uma ideia muito desagradável surge em minha cabeça, mas eu a ignoro. Não preciso dessa merda agora. Já tenho o suficiente com que me preocupar.
Saio do prédio e caminho até a Starbucks mais próxima, peço um café com leite e me sento junto à janela. Tiro o iPod da bolsa e coloco os fones de ouvido. Escolho uma música ao acaso e aperto “repeat” para que ela não pare de tocar. Preciso de um pouco de música para pensar.
Minha mente voa. Christian, o sádico. Christian, o submisso. Christian, o intocável. Os impulsos edipianos de Christian. Christian dando banho em Leila. Solto um gemido e fecho os olhos enquanto a última imagem me assombra.
Posso mesmo me casar com esse homem? Ele é muita coisa para assimilar. É complexo e difícil, mas no fundo sei que não quero deixá-lo, apesar de todos os seus problemas. Nunca poderia deixá-lo. Amo Christian. Seria como cortar meu braço direito fora.
Nunca me senti assim tão viva como agora. Desde que o conheci, experimentei todos os tipos de sentimentos profundos e assombrosos, e de novas experiências. Com Christian, não existe o tédio.
Revendo minha vida antes dele, é como se tudo tivesse sido em preto e branco, como nas fotos de José. Agora meu mundo inteiro está a cores, e elas são ricas, vivas e saturadas. Estou planando em um raio de luz deslumbrante, a luz ofuscante de Christian. Ainda sou Ícaro, voando perto demais do sol. Rio de mim mesma. Voar com Christian: quem poderia resistir a um homem que pode voar?
Posso desistir dele? Quero desistir dele? É como se ele tivesse ligado um interruptor e me acendido por dentro. Conhecê-lo tem sido um aprendizado. Descobri mais sobre mim nas últimas semanas do que jamais soube em toda a minha vida. Aprendi sobre o meu corpo, meus limites rígidos, meus limites brandos, minha tolerância, minha paciência, minha compaixão e minha capacidade de amar.
E então o pensamento me acerta como se fosse um raio. É disso que ele precisa de mim, é a isso que ele tem direito: amor incondicional. Ele nunca o recebeu da prostituta viciada. É disso que ele precisa. Posso amá-lo incondicionalmente? Posso aceitá-lo pelo que ele é apesar de suas revelações na noite passada?
Sei que ele é problemático, mas não acho que seja irrecuperável. Suspiro, lembrando-me das palavras de Taylor: “Ele é um homem bom, Srta. Steele.”
Já tive provas cabais de sua bondade: o trabalho de caridade que ele desempenha, a ética com que conduz seus negócios, sua generosidade. E, ainda assim, ele não a enxerga por si só. Acha que não merece ser amado. Tendo em vista seu passado e suas predileções, tenho uma ideia do desprezo que ele tem por si próprio — é por isso que ele nunca se abriu para ninguém. Será que consigo ultrapassar essa barreira?
Certa vez ele me disse que eu não poderia sequer começar a entender as profundezas de sua depravação. Bem, agora ele já me contou, e, dados os primeiros anos de sua vida, não me surpreende... embora ainda tenha sido um choque ouvir aquilo em voz alta. Pelo menos ele me contou... e parece mais feliz agora. Já sei de tudo.
Será que isso desvaloriza o seu amor por mim? Não, acho que não. Ele nunca sentiu isso antes, e nem eu. Nós dois evoluímos muito.
Lágrimas enchem meus olhos e os fazem arder à medida que me recordo das barreiras finais desmoronando na noite passada, no momento em que ele me deixou tocá-lo. E foi preciso que Leila e toda a sua loucura aparecessem para nos conduzir até esse ponto.
Talvez eu devesse me sentir agradecida. O fato de que ele deu banho nela já não me deixa com um gosto tão amargo na boca. Eu me pergunto que roupas ele lhe deu. Espero que não tenha sido o vestido ameixa. Gostava dele.
Então, posso amar esse homem com todos os seus problemas de forma incondicional? Porque ele não merece nada menos do que isso. Ele ainda precisa aprender a ter limites e outros detalhes, como empatia, e a ser menos controlador. Ele diz que já não sente mais vontade de me machucar; talvez o Dr. Flynn seja capaz de lançar alguma luz sobre isso.
Basicamente, isto é o que mais me preocupa: que ele precise disso e que sempre tenha encontrado mulheres como ele, que também precisam disso. Franzo a testa. Sim, é dessa segurança que eu preciso. Quero ser todas as coisas para esse homem, o alfa e o ômega e tudo que existe entre um e outro, porque ele é tudo para mim.
Espero que Flynn possa me dar algumas respostas, e talvez aí eu possa dizer sim. E Christian e eu possamos encontrar a nossa própria fatia de paraíso junto ao sol.
Olho lá fora, para a Seattle apressada em sua hora de almoço. Sra. Christian Grey. Quem diria? Fito o relógio. Merda! Pulo da cadeira e corro para a porta. Uma hora inteira sentada ali, para onde foi o tempo? Jack vai pirar!
* * *
ME ESGUEIRO DE VOLTA para minha mesa. Por sorte, ele não está em sua sala. Parece que escapei dessa vez. Encaro meu monitor sem de fato enxergá-lo, tentando reorganizar meus pensamentos e me focar no trabalho.
— Onde você estava?
Dou um pulo. Jack está de pé atrás de mim, de braços cruzados.
— Estava no subsolo, tirando xerox — minto.
Jack aperta os lábios numa linha fina e intransigente.
— Vou sair para o aeroporto às seis e meia. Preciso que você fique aqui até a hora em que eu for embora.
— Tudo bem. — Abro o sorriso mais doce que sou capaz de produzir.
— Quero dez cópias do meu roteiro em Nova York. E empacote as brochuras. E me traga um café! — rosna ele e volta para sua sala.
Solto um suspiro de alívio e dou a língua para ele enquanto ele fecha a porta atrás de si. Filho da mãe.
* * *
ÀS QUATRO HORAS da tarde, Claire me liga da recepção.
— Tem uma Mia Grey no telefone para você.
Mia? Espero que ela não queira fazer compras.
— Oi, Mia!
— Ana, oi. Como vai? — Seu entusiasmo é sufocante.
— Bem. Ocupada, hoje. E você?
— Estou tão entediada! Precisava achar alguma coisa para fazer, por isso resolvi organizar uma festa de aniversário para o Christian.
Aniversário do Christian? Puxa, eu não tinha ideia.
— Quando é?
— Eu sabia. Eu sabia que ele não iria contar. É no sábado. Mamãe e papai chamaram todo mundo para um jantar de comemoração. Estou oficialmente convidando você.
— Ah, que ótimo. Obrigada, Mia.
— Já liguei para o Christian e disse a ele, e ele me deu o seu número daí.
— Legal.
Minha mente está dando voltas — que diabo posso dar para Christian de aniversário? O que comprar para um homem que já tem tudo?
— E quem sabe a gente não possa almoçar na semana que vem?
— Claro. Que tal amanhã? Meu chefe vai estar em Nova York a trabalho.
— Ah, isso seria legal, Ana. Que horas?
— Quinze para uma?
— Estarei aí. Tchau, Ana.
— Tchau — desligo.