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Cinquenta tons mais escuros [em Portugues]

Электронная книга - «Cinquenta tons mais escuros [em Portugues]». Краткое содержание книги:

Assustada com os segredos obscuros do belo e atormentado Christian Grey, Ana Steele poe um ponto final em seu relacionamento com o jovem empresario e concentra-se em sua nova carreira, numa editora de livros. Mas o desejo por Grey domina cada pensamento de Ana e, quando ele propoe um novo acordo, ela nao consegue resistir. Em pouco tempo, Ana descobre mais sobre o angustiante passado de seu amargurado e dominador parceiro do que jamais imaginou ser possivel. Enquanto Christian tenta se livrar de seus demonios interiores, Ana se ve diante da decisao mais importante da sua vida.
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— Que bom.

— Ray foi do exército. Ele me ensinou direitinho.

— Fico muito feliz em saber. — Ele respira e acrescenta, arqueando uma das sobrancelhas. — É bom eu me lembrar disso. — Segurando minha mão, ele me conduz para fora do elevador e eu o sigo, aliviada.

Acho que seu humor não deve ficar muito pior do que está.

— Preciso ligar para o Barney. Não vou demorar.

Ele desaparece em seu escritório, deixando-me sozinha na sala de estar. A Sra. Jones está terminando de preparar nosso jantar. E me dou conta de que estou faminta, mas preciso de alguma coisa para me distrair.

— Posso ajudar? — pergunto.

Ela ri.

— Não, Ana. Quer que eu prepare alguma bebida ou algo assim? Você parece abatida.

— Adoraria uma taça de vinho.

— Branco?

— Sim, por favor.

Subo em um dos bancos, e ela me passa uma taça gelada de vinho. Não sei qual é, mas é delicioso, e desce com muita facilidade, suavizando meus nervos despedaçados. No que eu estava pensando hoje mais cedo? Em como me sinto viva desde que conheci Christian. Em como a vida se tornou excitante. Puxa, será que eu não poderia ter ao menos alguns diazinhos maçantes?

E se eu nunca tivesse conhecido Christian? Eu estaria enfurnada em meu apartamento, conversando com Ethan, completamente assustada com a situação com Jack, sabendo que teria de enfrentar o filho da mãe de novo na sexta-feira. Agora, o mais provável é que eu nunca mais o veja novamente. Mas para quem eu vou trabalhar agora? Franzo a testa. Ainda não tinha pensado nisso. Merda, será que ainda tenho um emprego?

— Boa noite, Gail — diz Christian ao voltar para a sala de estar, arrancando-me de meus pensamentos.

Ele caminha direto para a geladeira e se serve uma taça de vinho.

— Boa noite, Sr. Grey. Jantar em dez minutos?

— Boa ideia.

Christian ergue sua taça.

— A ex-militares que treinam bem suas filhas — diz, e seus olhos ficam mais brandos.

— Saúde — balbucio, levantando a taça.

— O que foi? — pergunta Christian.

— Não sei se ainda tenho um emprego.

Ele deita a cabeça de lado.

— Você ainda quer um?

— Claro.

— Então você ainda tem.

Simples. Está vendo? Ele é o mestre do meu universo. Reviro os olhos para ele, e ele sorri.

* * *

A SRA. JONES faz uma torta de frango e tanto. Ela nos deixou sozinhos para aproveitar a refeição, e já me sinto muito melhor agora que comi alguma coisa. Estamos sentados na cozinha, e apesar de toda a minha bajulação, Christian não quer me contar o que Barney encontrou no computador de Jack. Decido deixar o assunto para lá e abordar logo a questão espinhosa da iminente visita de José.

— José ligou — digo calmamente.

— Ah, é? — Christian se vira para mim.

— Ele quer entregar suas fotos na sexta-feira.

— Uma entrega em pessoa. Que gentil da parte dele — murmura Christian.

— E ele quer sair. Para um drinque. Comigo.

— Sei.

— Kate e Elliot já devem estar de volta na sexta — acrescento rapidamente. Christian baixa o garfo, franzindo a testa para mim.

— O que exatamente você está me pedindo?

Fico logo eriçada.

— Não estou pedindo nada. Estou informando a você quais são os meus planos para sexta-feira. Quero encontrar José, e ele quer passar a noite em Seattle. Ou ele fica aqui ou ele pode ficar no meu apartamento, mas se ele for dormir lá, eu tenho que estar lá também.

Christian arregala os olhos. Parece estarrecido.

— Mas ele deu em cima de você.

— Christian, isso foi há semanas. Ele estava bêbado, eu estava bêbada, você salvou o dia. Não vai acontecer de novo. Ele não é o Jack, pelo amor de Deus.

— Ethan está lá. Ele pode fazer companhia a ele.

— Ele quer encontrar comigo, e não com Ethan.

Christian faz cara feia para mim.

— Ele é só um amigo — minha voz é enfática.

— Não gosto disso.

E daí? Nossa, às vezes ele é tão irritante. Respiro fundo.

— Ele é meu amigo, Christian. Eu não o vejo desde a exposição. E ficamos muito pouco tempo lá. Sei que você não tem amigos além daquela mulher horrorosa, mas não fico aqui reclamando que você não pode se encontrar com ela — ataco. Christian pisca para mim, chocado. — Quero encontrar com ele. Tenho sido uma péssima amiga. — Meu inconsciente está alarmado. Você está batendo o pé? Preste atenção!

Os olhos cinza de Grey brilham para mim.

— É isso que você acha? — Ele suspira.

— De quê?

— De Elena. Você preferia que eu não encontrasse com ela?

— É. Eu preferia que você não encontrasse com ela.

— E por que você não me disse?

— Porque não cabe a mim dizer. Você diz que ela é a sua única amiga. — Dou de ombros, exasperada. Ele realmente não entende. Como foi que ela se tornou o foco da questão? Não quero nem pensar nela. Tento trazer José de volta para a conversa. — Assim como não cabe a você dizer se eu posso ou não encontrar com José. Você não entende isso?

Christian olha para mim, e parece perplexo. O que ele está pensando?

— Ele pode ficar aqui, suponho — resmunga. — Aqui eu posso ficar de olho nele — diz, petulante.

Aleluia!

— Obrigada! Sabe, se eu for passar a morar aqui também... — minha voz diminui. Christian faz que sim com a cabeça. Ele sabe o que estou tentando dizer. — Não é como se estivesse faltando espaço — sorrio.

Seus lábios se curvam lentamente.

— Você está rindo de mim, Srta. Steele?

— Pode ter certeza, Sr. Grey.

Por via das dúvidas, eu me levanto, vai que suas mãos começam a coçar de novo. Limpo os pratos e em seguida os coloco no lava-louças.

— Gail pode fazer isso.

— Agora eu já fiz.

Eu me levanto e o encaro. Ele está me observando atentamente.

— Tenho que trabalhar um pouco — diz, desculpando-se.

— Tudo bem. Eu arrumo alguma coisa para fazer.

— Venha aqui — ordena ele, mas sua voz é suave e sedutora, e seu olhar é cálido.

Não hesito em entrar em seu abraço, apertando-o em volta do pescoço enquanto ele permanece sentado no banco. Ele passa os braços ao redor do meu corpo, aperta-me com força e apenas me segura.

— Você está bem? — sussurra em meu cabelo.

— Bem?

— Depois do que aconteceu com aquele filho da puta? Depois do que aconteceu ontem? — acrescenta, a voz calma e sincera.

Fito seus olhos sombrios e sérios. Se estou bem?

— Estou — sussurro.

Ele me aperta em seus braços, e eu me sinto segura, valorizada e amada ao mesmo tempo. É uma alegria. Fecho os olhos e desfruto da sensação de estar em seus braços. Amo esse homem. Adoro seu cheiro inebriante, sua força, seu jeito inconstante. Meu Cinquenta Tons.

— Não vamos brigar — murmura ele e beija meu cabelo, inspirando profundamente. — Seu cheiro é sempre tão gostoso, Ana.

— O seu também — sussurro e beijo seu pescoço.

E, rápido demais, ele me solta.

— Devo demorar só umas duas horas.

* * *

CAMINHO DESANIMADA PELO apartamento. Christian ainda está trabalhando. Tomei um banho e vesti uma calça de moletom e uma das minhas camisetas, e estou entediada. Não quero ler. Se eu ficar parada, vou me lembrar das mãos de Jack em mim.

Dou uma olhada no meu antigo quarto, o quarto das submissas. José pode dormir aqui, ele vai gostar da vista. São umas oito e quinze, e o sol está começando a mergulhar a oeste. As luzes da cidade brilham abaixo de mim. É magnífico. Sim, José vai gostar daqui. Onde será que Christian vai pendurar as fotos? Eu preferiria que ele não as pendurasse. Não estou interessada em ficar olhando para mim mesma.

De volta ao corredor, vejo-me de pé diante do quarto de jogos, e, sem pensar, testo a maçaneta. Christian normalmente deixa a porta trancada, mas, para minha surpresa, ela se abre. Que estranho. Sentindo-me feito uma criança que está matando aula para se aventurar pela floresta proibida, entro no quarto. Está escuro. Acendo o interruptor, e as luzes sob a cornija emitem um brilho suave. É exatamente como eu me lembrava. O quarto parece uma espécie de útero.

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