O outro lado de mim [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 2005
- Язык: португальский
- Переводчик: Luiza Mascarenhas
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «O outro lado de mim [em Português]». Краткое содержание книги:
- Vamos entrar.
Entramos. Havia um polícia atrás do balcão, que perguntou:
- Em que posso ajudar?
- Há aqui alguém que me ensine como fazer um carro ir pelos ares?
Trinta segundos depois estávamos fechados numa cela. Jorja estava em pânico.
- Explica-lhe quem somos. Disse ela.
- Não te preocupes. Temos imenso tempo.
A porta abriu-se e entraram quatro polícias armados.
- Com que então quer fazer explodir um carro. Por quê?
- O meu nome é Sidney Sheldon e estou a fazer pesquisa para um livro.
Felizmente, eles sabiam quem eu era e ensinaram-me a fazer explodir um carro.
Fui à África do Sul fazer pesquisa para o meu romance A Herdeira, que tem a ver com diamantes. Entrei em contacto com a casa DeBeers e perguntei se seria possível descer a uma das suas minas. Deram-me autorização e passei pela invulgar experiência de explorar uma mina de diamantes.
Posteriormente, um executivo da DeBeers falou-me de uma das suas minas, uma praia onde os diamantes estavam espalhados sobre a areia, à vista de todos, protegida pelo oceano de um lado e patrulhas e vedações do outro. Senti que era um desafio e imaginei uma maneira de uma das minhas personagens entrar e roubar os diamantes.
Para Se houver amanhã, verifiquei a segurança do Museu do Prado em Madrid. Disseram-me que era inexpugnável, mas uma das minhas personagens conseguiu imaginar uma forma de roubar um dos seus bem valiosos quadros.
Para Um Capricho dos Deuses, fui à Romênia, um dos cenários do meu livro. Na altura, Ceaucescu ainda estava vivo e havia um sentimento de paranóia no ar. Fui à Embaixada Americana e estava no gabinete do embaixador quando, a certa altura, lhe disse:
- Queria fazer-lhe uma pergunta. Ele levantou-se.
- Venha comigo.
Levou-me por um átrio até uma sala guardada por fuzileiros vinte e quatro horas por dia, e perguntou:
- O que é que quer saber?
- Acha que o meu quarto está sob escuta? Perguntei.
- Não só o seu quarto do hotel está sob escuta, como, se for a um clube noturno, eles arranjam maneira de o porem sob escuta.
Três noites mais tarde, eu e Jorja fomos a um clube noturno. O ar condicionado estava mesmo por cima de nós e levantamo-nos, pois queríamos mudar de lugar. O chefe de mesa veio a correr e voltou a sentar-nos na primeira mesa. Era óbvio que essa é que estava sob escuta.
No dia seguinte, almocei com o embaixador em casa dele e disse:
- Gostava de lhe fazer uma pergunta. Ele levantou-se.
- Porque não vamos dar um passeio pelo jardim?
Na Romênia, até a casa do embaixador estava sob escuta.
Para As Areias do Tempo, fui até Espanha para conhecer o movimento separatista basco. Pedi ao motorista que seguisse por duas estradas que seriam usadas pelas freiras no livro que eu estava a escrever. Terminamos em San Sebastian. Quando o motorista encostou em frente do hotel, disse:
- Bom, agora vou-me embora.
- Não se pode ir embora. Estou no meio da pesquisa para o meu livro. Retorqui.
- Não está a perceber. Este é o quartel general dos bascos. Assim que virem pela placa que o carro é de Madrid, fazem-no ir pelos ares.
Conheci alguns bascos e ouvi a sua versão da história. Sentiam-se cidadãos deslocados. Queriam a terra deles de volta, bem como a sua língua e autonomia.
Estas são algumas das minhas experiências. Sinto-me muito grato por elas. Adoro escrever e tenho a sorte de poder trabalhar em algo de que gosto muito. Acredito que ninguém deve aceitar o crédito do seu talento, seja ele qual for. O talento é um dom, quer seja para a pintura, a música ou a escrita, e devíamos ser gratos pelo que nos foi dado e trabalhá-lo bem.
O que eu mais aprecio é o processo de escrever. Um dia, o meu gestor financeiro ofereceu-me lições de tênis no valor de quinhentos dólares como presente de aniversário. Um profissional vinha a minha casa uma vez por semana e dava-me uma lição.
Um dia ele perguntou:
- Já gastamos o valor acordado. Quer continuar?
Eu gostava muito de jogar tênis. Ia a começar a dizer que sim, mas, de repente, pensei Em não quero estar aqui. Eu quero estar no meu escritório a escrever.
Nunca mais pus os pés no meu campo de tênis, e isto se passou há vinte anos!
Quatro anos depois do último filme de Cary Grant, Walk Don Run, Cary ligou-me para me dizer que a Academia lhe ia dar um Oscar honorário em Nova Iorque, e perguntou-me se eu queria estar presente. Tinha muito gosto. O seu Oscar era mais do que merecido.
Tive muito prazer em ver que, ao longo dos anos, Bob Russel e Ben Roberts tiveram uma série de sucessos.
O meu irmão Richard acabou por se divorciar e, em 1972, surpreendeu-nos a todos quando conheceu e se casou com uma atraente mulher de negócios chamada Betty Rhein.
Em 1985, a minha querida Jorja morreu com um ataque cardíaco. Foi uma perda inacreditável e fiquei com um vazio na minha vida que eu senti que nunca mais seria preenchido.
Foi pouco mais de três anos depois que aconteceu. Conheci a Alexandra Kostoffe a minha vida mudou. Ela é todas as mulheres nos meus livros: inteligente, linda e espantosamente talentosa, e foi amor à primeira vista. Tivemos um casamento privado em Las Vegas, só com membros da família.
Como surpresa, o meu amigo Marty Allen e a mulher Karon apareceram. A multitalentosa Karon tocou ao piano uma marcha nupcial criada por ela e o casamento prosseguiu.
Eu e Alexandra estamos casados há uns maravilhosos dezesseis anos.
Para minha alegria, a minha filha Mary tornou-se escritora. Até à data já tem dez romances publicados. A minha neta Lizy viu um seu romance publicado aos dezesseis anos. Espero que Rebecca, com dez anos, seja a próxima.
A minha psicose maníaco depressiva, hoje vulgarmente conhecida como síndrome bipolar, tem-me feito andar mais devagar nos últimos quatro anos, mas, com a ajuda do lítio, está praticamente controlada. Estou a planear um novo romance, um livro de não ficção e uma peça para a Broadway. Acabei de festejar os meus oitenta e oito anos.
Sinto-me grato pela montanha-russa que foi a minha vida. Foi uma viajem excitante e maravilhosa. Estou grato a Otto, que me convenceu a continuar a virar as páginas e a Natalie pela sua inabalável fé em mim.
Tive uma carreira incrível, com grandes êxitos e terríveis fracassos. Quis partilhar a minha história convosco e ao mesmo tempo agradecer-vos porque vocês, os meus leitores, sempre aí estiveram para me ajudar. Sinto-me profundamente grato a cada um de vós.
O elevador está a subir.
CRÉDITOS DE SIDNEY SHELDON
Peças da Broadway
The Marry Widow
Jackpot
Dream with Music
Alice in Arms
Redhead
Roman Candle Gomes (Londres)
Argumentos cinematográficos
THE BACHELOR AND THE BOBBY SOXER (RKO/1947)